quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Itamaraty e a chancela do atraso

Editorial do Jornal do Brasil

Prestador de serviços inestimáveis à diplomacia brasileira, o embaixador Mário Gibson Barboza tem radiografado alguns dos principais tumores que hoje atormentam a política externa do país. Em artigo publicado na edição de ontem do JB, o ex-ministro demonstrou por que é tão nefasto e anacrônico o anti-americanismo de viés ideológico em curso no Itamaraty.

No artigo, o embaixador sublinhou o equívoco do debate que opõe o comércio entre as nações do Sul ao tradicional comércio Norte-Sul. Ressaltou a formação vigorosa do que chama de "eixo Leste-Oeste", os ares de superpotência adquiridos pela China e o poderio econômico sedimentado pela zona de livre-comércio recentemente criada pelos chineses e a Associação das Nações do Sudeste Asiático.

O embaixador ainda apoiou e reafirmou as críticas às aventuras do atual comando do Itamaraty, feitas pelo colega Roberto Abdenur numa entrevista publicada pela revista Veja. Aposentado depois de 44 anos de carreira, encerrada na chefia da representação brasileira nos EUA, Abdenur identificara o substrato ideológico anticapitalista, anti-americano, antiglobalização e comprometido com uma obsoleta agenda do passado.

Mario Gibson Barboza endossou tais análises e foi adiante. Sugeriu que a politização dos subordinados (a adesão ao petismo e ao atual governo), a desnecessária criação de 400 novos cargos e a vexatória "tomada de lição" em textos obrigatórios destinados a garantir um pensamento único no Itamaraty configuram gestos capazes de descaracterizar o histórico da diplomacia do país.

O ex-ministro sabe o que diz. Aos 89 anos, Mario Gibson Barboza exibe hoje sabedoria e vitalidade ímpares. A ele o Brasil deve alguns dos passos mais notáveis de sua diplomacia, dentre os quais o acordo que sedimentou o início das operações de Itaipu e a histórica visita que fez para a aproximação com a África, ambos na década de 70.

Ao preservar a análise arguta e a independência necessária, o embaixador tem exibido críticas enfáticas à trilha errática seguida pelo Itamaraty. Eis o que está sendo produzido pelos artífices da política externa brasileira - o trio Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e Marco Aurélio Garcia. Vem fabricando tolices que se revelam, no fundo, um subproduto nascido dos fósseis da nomenclatura soviética ou do que a esquerda aloprada dos anos 60 chamava de "pensamento em bloco". Seu auge foi a inconveniente presença do chanceler Celso Amorim nos palanques do chefe, então candidato à reeleição.

Cúmplice do autoritarismo alheio, o trio faz qualquer estrangeiro mais desavisado acreditar que, neste lado do planeta, o lulismo é força auxiliar do chavismo. E o espantoso é constatar que, muitas vezes, parece mesmo ser uma extensão das desventuras do coronel Hugo Chávez. A mistura de pauta comercial com ideologia resultou, por exemplo, nos ataques à negociação da Alca. Enquanto vizinhos vêm fechando acordos bilaterais com os americanos, o Brasil segue adepto das teses dos ideólogos do neoterceiromundismo nacional. Esse viço busca pôr no ostracismo as vozes dissonantes do Itamaraty - aqueles que não compartilham do intolerável ranço ideológico dos doutrinadores.

Além da cumplicidade com os devaneios chavistas, a política externa vem errando, por exemplo, ao insistir na cadeira permanente do Conselho de Segurança da ONU - o que abriu feridas graves e desnecessárias nas relações com o México e a Argentina. Tais equívocos, no entanto, só serão corrigidos quando o Itamaraty estiver livre de estrategistas vexatórios.

TOQUEDEPRIMA...

Corte para saúde será de R$ 3,5 bi, diz ministro
Fonte: Investnews

O bloqueio de recursos do Orçamento Geral da União para a área de saúde será de R$ 3,5 bilhões, segundo o ministro da Saúde, Agenor Álvares, que participou da reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS). O anúncio do contingenciamento de recursos para cada área ainda não foi anunciado oficialmente pelo governo, mas o assunto foi discutido na reunião do conselho político dos partidos da base aliada com o presidente Lula hoje (13).O ministro adiantou aos conselheiros que o contingenciamento de recursos não afetará áreas como o atendimento do Sistema Único de Saúde, por exemplo. "O corte será feito nas atividades internas (viagens, diárias, seminários, congressos), na máquina, de modo que não haja prejuízo na ponta, no atendimento à saúde", explicou.Segundo Álvares, a decisão de contingenciar os recursos foi tomada na noite de ontem (dia 12) em uma reunião dos ministros da área social com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a viabilização dos projetos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Como o Orçamento aprovado pelo Congresso Nacional tem o caráter apenas autorizativo, e não impositivo, a equipe econômica do governo pode sugerir ao presidente da República o contingenciamento dos gastos previstos para custeio e investimento. Mas esse contingenciamento não pode atingir os repasses obrigatórios previstos por lei, como os recursos constitucionais para saúde e educação ou repasses para estados e municípios, por exemplo.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Em outro espaço já sugerimos ao povo brasileiro que, nos próximos quatro anos, trate de não ficar doente. Se ficarem, perigam morrer na porta dos hospitais por falta de atendimento. Fazer economia na saúde, senhor Lula ? Faça-me o favor, por que não economizar na cozinha do Palácio do Planalto e Alvorada, por exemplo, na redução de viagens já escandalosas, ou no número de motoristas e veículos locados à disposição de certos familiares que não pertencem ao governo, ou no excessivo volume de gastos chamados mentirosamente de “pequenas despesas” feitas através do uso imoral dos cartões de crédito corporativos da presidência da república, por exemplo ? Hein, por que sempre que se fala em economizar, a conta é apresentada para quem mais precisa dos indecentes serviços públicos ?

***************

Embrapa, a vez dos puxa-sacos
Cláudio Humberto

Pesquisadores da Embrapa estão temerosos com a atual diretoria, a quem acusam de querer abandonar os critérios objetivos de produção técnico-científico que hoje norteiam as promoções funcionais, abrindo brecha para tráfico de influência. A assessoria de comunicação da empresa informa que a mudança nas promoções ainda se encontra em discussão com os empregados, e faz parte do acordo coletivo que prevê a aprovação do plano de cargos e salários para todos os funcionários, e não apenas para os pesquisadores.

****************

Indústria prevê aumento de 8% na capacidade instalada
Fonte: Reuters

A indústria brasileira prevê aumento médio de 8% na capacidade instalada em 2007, mesmo acréscimo previsto em igual período do ano passado, mostrou uma sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

Para o período de 2007 a 2009, a média de expansão da capacidade projetada ficou em 19%.

A perspectiva leva em conta planejamento ou decisões de investimentos já aprovadas pelas empresas.

A FGV apurou a previsão para a capacidade instalada junto a 462 empresas entre 2 e 31 de janeiro.

A pesquisa também ouviu das empresas quais os fatores que limitam o crescimento sustentado da economia brasileira. A carga tributária foi apontada como o principal entrave, segundo 65% de 1.105 indústrias consultadas.

As taxas de juros foram citadas por 8% das empresas - parcela inferior aos 26% das citações registradas no ano passado.

Já a infra-estrutura deficiente ganhou relevância neste ano, sendo citada por 10% das empresas, ante 6% em 2006.

****************

Raio atraído por celular mata agricultor no Chile
Redação Terra

Um agricultor chileno morreu ao ser atingido por um raio durante uma tempestade elétrica. O relâmpago foi atraído pelo aparelho celular da vítima, segundo um relatório médico divulgado hoje.

De acordo com a agência Ansa, o acidente que vitimou Arnoldo Ulloa, 45 anos, ocorreu na madrugada de domingo em Porto Saavedra, na zona costeira da região de Araucanía, 700 quilômetros ao sul de Santiago. A necrópsia do corpo de Ulloa aponta que ele foi vítima de uma forte descarga elétrica.

O acidente ocorreu quando Ulloa semeava um campo de batatas com um amigo, que não sofreu nenhum tipo de lesão. "O celular do agricultor serviu como condutor de energia elétrica, causando lesões que o levaram à morte", explicou o promotor público de Carahue, Claudio Jara.

****************

Lula confirma Roseana líder no Congresso
Cláudio Humberto

O presidente Lula confirmou hoje a escolha da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) no cargo de líder do governo no Congresso. O cargo tem importância relativa porque o que conta mesmo são as lideranças do governo no Senado e na Câmara. O cargo de líder do governo no Congresso foi criado pelo ex-presidente FHC, para acomodar uma situação política muito semelhante a que fez Lula escolher Roseana, novamente preterida ao cargo de ministra, pelo qual lutam desde 2002 ela e seu pai, o senador José Sarney (PMDB-AP).

***************

Mau começo
Cláudio Humberto
.
A líder do governo Lula no Congresso, Roseana Sarney, flanava ontem no Salão Verde da Câmara enquanto os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) se esfalfavam pelo PAC no plenário.

COMENTANDO A NOTÍCIA: O que político mais quer neste país ? Emprego em boca rica. Onde político menos quer estar neste país ? Emprego onde tenha que trabalhar. Portanto, Roseana queria emprego em boca rica. Trabalhar ? Qué isso, meu irmão, ta me estranhando ? De trabalho ela quer é distância. Muita distância...

***************
.
O crime começa pela impunidade dos políticos safados

Levantamento na página do Tribunal de Contas da União na internet mostra que mais de três mil processos de contas de gestores federais estão sem julgamento. Alguns jazem há dez anos nas gavetas dos ministros.

***************

Palanque armado para 1º de abril

Lula prometeu que em 1º de abril vai ao espetáculo da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém (PE). Não custa lembrar, é o dia da mentira.

“Vai logo sua vagabunda”

por Diego Casagrande, Blog Diego Casagrande
.
Fiquei uma semana nos Estados Unidos. Voltei neste domingo. Minha sensação é a pior possível. O Brasil está pior, muito pior. Aliás, nosso país vem piorando a cada semana há décadas. Quando embarquei naquele avião no início do mês, o menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, ainda estava vivo. Não tinha sido arrastado por 7 quilômetros preso ao cinto de segurança, enquanto deixava pedaços do corpo espalhados por vários bairros do Rio. Antes, segundo a mãe, era um menininho faceiro e brincalhão. Sorriso lindo agora só visto nas fotos. Há pouco tempo foi o outro menininho em São Paulo, fritado vivo dentro de um carro com a família. Antes tinha sido aquele outro ônibus no qual a vítima havia sido um bebê e uns outros desafortunados que estavam no lugar errado, na hora errada. E antes teve aquele, e aquele outro também. E assim vamos em frente, vendo a barbárie tornar-se algo cotidiano, impregnado em nossa sociedade, e apenas rezando para que não chegue até nós. Mas é só. De resto, a sociedade brasileira não faz nada além. Não há um único movimento da sociedade civil organizada no sentido de conter uma das vertentes principais da criminalidade: a impunidade. É ela a grande vilã do presente e do futuro do Brasil como nação. É ela que permite à bandidagem comandar quadrilhas de dentro das cadeias, autoriza um Pimenta Neves a matar a namorada pelas costas, ser julgado, condenado, e ter a mesma liberdade que eu tenho de andar nas ruas, dirigir o meu carro e tirar um filme na locadora. É a impunidade que garante aos mensaleiros andar de cabeça erguida, como se honrados fossem, fazendo discursos no Congresso e gastando nos duty frees nas horas vagas. É também ela que joga na rua um menor delinqüente chamado Champinha, que violentou uma jovem durante três dias para depois assassiná-la com mais de 20 facadas.
.
E o que é a impunidade senão o reflexo cristalino do que somos como sociedade e dos valores que professamos?
.
A impunidade é o espelho do nosso caráter. Estamos ladeira abaixo, temos de admitir. Será difícil reverter este quadro. Uma sociedade tolerante com a safadeza, gerará mais e mais safados e empulhadores. Se for tolerante com o crime, como a nossa tem sido, acabará gerando a indústria da barbárie ao estilo iraquiano nas cidades brasileiras. É um ciclo vicioso. Políticos não mexem nas leis porque amanhã podem se voltar contra eles. Amanhã, quando outros Joãos forem assassinados como cordeiros no matadouro, talvez vejamos passeatas de branco, gente segurando velas e pedindo “paz”. Como se isso comovesse os bandidos das ruas e os de Brasília. Eles só mudarão o curso no dia em que forem cercados e cobrados pela população em todos os lugares, do aeroporto ao supermercado, e de forma implacável.
.
Ainda no avião, quase chegando, li em um jornal a entrevista de um magistrado, orgulhosíssimo de ser um dos expoentes da “justiça alternativa”, aquela que não quer penas minimamente razoáveis porque, afinal de contas, todo o crime vem do sistema capitalista. Que coisa deprimente. O mesmo sistema capitalista que garante a ele a liberdade de adaptar livremente a Constituição, recebendo um belíssimo salário e vantagens de fazer inveja aos magistrados capitalistas norte-americanos. Mas o povo que lhe paga o salário não tem direito de ter encarcerados, longe de si, estes psicopatas assassinos. Uma gente que pode eleger presidente a partir dos 16 anos, mas não pode responder por trucidar uma criancinha indefesa. Uns monstros que com um sexto da pena voltam livres, leves e soltos para destruir mais e mais famílias por aí. Coisas de um país que está na mão de pessoas safadas, de péssimo caráter, no governo, no Congresso, no Judiciário, no jornalismo.
.
“Eles não têm coração. Não têm. Não têm”, disse a mãe dilacerada na televisão, arrasada para o resto da vida, horas depois de eu ter colocado os pés de volta nesta maravilhosa e sórdida terra. A mãe tentou tirar o cinto de segurança do menino, mas a maldade do bando falou mais alto. “Vai logo sua vagabunda”, gritou um deles, para depois acelerar o carro dando início à cena de terror. Qualquer um que trabalha seriamente a questão da criminologia sabe que quem comete tamanha estupidez não tem a menor condição de voltar ao convívio social. Não sente culpa, não sente remorso, não está nem aí para a vida de quem quer que seja. Tira uma vida como esmaga uma barata. É, portanto, um pária que precisa ficar confinado para não machucar mais ninguém. Nós, o povo brasileiro, sabemos disso. E queremos leis mais duras e eficazes. E queremos juízes conectados com o desejo popular. E queremos políticos menos corruptos e vagabundos. E queremos um presidente menos mentiroso. Mas o que fazemos para mudar isso?
.
Nem Lula e tampouco Ellen Gracie são favoráveis a mudar a lei e reduzir a maioridade penal para 16 anos. “Não adianta”, vivem repetindo do alto de seus castelos. Também não querem que assassinos cruéis fiquem mais tempo longe de fazer as maldades que inevitavelmente farão. Partilham da opinião um punhado de juristas, professores universitários e jornalistas. Eles não comem criancinhas, apenas permitem que elas sejam esquartejadas por aí.
.
“Eu fico pensando... meu menino aqui... Cadê ele? Cadê ele?”, perguntava-se a mãe de João Hélio Fernandes.
.
Perdoe-nos dona Rosa Cristina, por sermos um país com gente tão canalha e incompetente no comando. Perdoe-nos por tudo. Porque vagabundos somos nós que continuamos tolerando esse estado de coisas.
.
Fiquem com Deus.

Os crimes que não acabam

Xico Vargas, NoMínimo

A missa de 7º dia, em homenagem ao menino João Hélio, na Candelária, mostrou o que pode ser o suplício dobrado a que vêm sendo submetidas famílias cariocas vítimas da violência. Sem nenhuma combinação, a presença de pessoas levadas apenas pela solidariedade expôs o calvário que cruza a cidade há quase duas décadas. Reuniu-se na Candelária uma coleção de crimes de extraordinária violência e repercussão que ainda não acabaram.

Lá estavam os pais de Gabriela Prado, a menina morta durante tiroteio entre assaltantes e policiais, na estação São Francisco Xavier do metrô. Gabriela foi assassinada há três anos, pouco antes de completar 15 anos. Ainda não foi identificada a arma da qual partiu o tiro que a matou. Parte disso se deve ao estoque de 15 mil laudos atrasados na Polícia Técnica.

Também estava Luciana Novaes, a estudante baleada na cantina da universidade Estácio de Sá, na Tijuca, em 2003. Desde então, tetraplégica, Luciana é transportada quase deitada numa cadeira de rodas. Ali também dorme e não raro precisa de aparelhos que a ajudem a respirar.

O autor do tiro que a deixou assim jamais foi conhecido. Anthony Garotinho, então secretário de Segurança, fez intenso barulho antes de encerrar as investigações, diante das câmeras de TV, com a apresentação de um pobre-coitado no papel de culpado. Um circo que logo desabou.

Luciana queria ser enfermeira, profissão que só veio a conhecer como paciente das pessoas que a atenderam nos dois primeiros anos de adaptação à paraplegia. Tem direito, mas o estado não a indenizou. Como nada ofereceu às Mães de Acari, que lá estavam na Candelária. São mulheres em permanente luto pela perda – há 13 anos – de oito jovens e três adultos moradores da favela de Acari.

É crime no qual não há o que discutir sobre a responsabilidade do poder público. Os assassinos são policiais e tristes-figuras que dependem de pequenos serviços prestados à polícia para manter-se. Origem idêntica a dos autores, três anos depois, da chacina de Vigário Geral, na qual 21 pessoas foram executadas.

Não apurar, não encontrar culpados, nem responsabilizar-se pelo caos que o domina é a maneira como o estado mantém inertes essas%

Precisa-se de patrulhas para a Previdência

Elio Gaspari, O Povo (Fortaleza)
.
Quanto maior o debate da reforma da Previdência, melhor. Aqui vai uma contribuição que não acrescenta grandes lances às mudanças, mas retira parte da hipocrisia dos personagens desse pagode.
.
Tocando no ponto central da elevação da idade limite para as aposentadorias da patuléia do INSS, Nosso Guia disse o seguinte:
.
"Tem problema de idade? É possível que tenha. Vamos tentar resolver isso, mas discutindo com a responsabilidade de um país que quer prometer ao seu povo, daqui a alguns anos, um sistema de previdência que seja seguro. (à) Eu acho que tem trabalhador que poderia trabalhar um pouco mais."
.
A proposta é que cada declaração como essa seja acompanhada pela qualificação (se possível, voluntária) do sábio. Coisa assim:
.
"Lula, 61 anos, aposentou-se em 1997, aos 52 anos. Desde então recebe um Bolsa-Ditadura que hoje está em R$ 4.509,68 mensais".
.
Cada doutor que desse uma opinião a respeito da reforma da Previdência da choldra informaria ao público sua posição na nobiliarquia previdenciária.
.
Ilustres professores de universidade públicas assinariam artigos informando que são mestres de cá e aposentados d'acolá. Haverá casos de sábios que se aposentaram sem quebrar a marca das cem aulas. Tudo dentro da lei, no mais absoluto respeito aos trâmites.
.
Um em cada quatro parlamentares ganha alguma coisa como aposentado. Dezenove Estados pagam prebendas a ex-governadores ou suas viúvas. Essas bocas-ricas são somadas aos vencimentos do Congresso. Poderosos economistas estão associados a programas de previdência de estatais que já consumiram dezenas de bilhões de reais da Viúva na terraplenagem de seus buracos. A acumulação de aposentadorias do serviço público com atividades profissionais em hospitais, casas bancárias, ou centros de quiromancia econômica, é legal, legítima e lisa, mas é também informativa, sobretudo quando o cidadão discute a reforma da previdência em geral.
.
Ninguém deve ter vergonha do que recebe. Toda pessoa que se considera habilitada a discutir a reforma da Previdência teria a generosidade de informar onde se abrigou para escapar da velhice-caraminguá do INSS.
.
Há nesse conjunto uma exceção. É o cidadão que não tem a ver com as aposentadorias públicas e estatais. Ele contribui para o INSS, participa do plano de previdência da empresa privada onde trabalha, ou comprou uma apólice individual. Esse teria a satisfação de se identificar assim: "Não sou aposentado da Viúva. Quando quiser parar de trabalhar receberei aquilo que investi, que não é da conta de ninguém."
.
A apresentação das propostas de reforma da Previdência com a qualificação nobiliárquica do autor mostrará como um naco da intelectualidade e da política brasileiras comem no andar de cima e mordem o de baixo.
.
A discussão ficará mais animada se alguém formar patrulhas previdenciárias. Xeretas de todas as castas podem descobrir incríveis aposentadorias, listando-as em algum canto da Internet.
.
Lula tinha 52 anos quando começou a receber dinheiro da Viúva sem a contrapartida do trabalho. Não foi páreo para o patrono das ekipekonômicas brasileiras. O Visconde de Cairu aposentou-se pela primeira vez em 1797, aos 41 anos. Acumulou uma Bolsa-Portugal com três empregos públicos, inclusive uma cátedra-fantasma.

Previdência piora sob Lula

Folha de S. Paulo
.
Recém-proposta pelo governo, a nova metodologia para contabilizar os resultados do Instituto Nacional do Seguro Social aponta que o déficit da Previdência começou no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.O novo critério -que, segundo o governo, torna mais claras as causas e as dimensões do déficit- isola das contas as receitas e despesas do setor rural, subsidiado pela legislação, e soma às receitas as estimativas de benefícios fiscais baseados na contribuição ao INSS.
.
Com base em dados oficiais, a Folha calculou, a partir dessa metodologia, o resultado da Previdência desde 2000. Os números mostram uma brusca piora em 2003, na estréia da administração petista.
.
Até 2002, as contribuições de trabalhadores urbanos -somadas aos benefícios fiscais dados a entidades filantrópicas e a micro e pequenas empresas- era suficiente para bancar aposentadorias, pensões e auxílios em casos de doenças e acidentes nas cidades.
.
Naquele ano, o superávit foi de R$ 4,533 bilhões, com queda de 24,3% em relação aos R$ 5,992 bilhões de 2001. Mas em 2003 a deterioração do resultado é muito mais evidente, com um déficit de R$ 903 milhões.
.
O motivo foi a disparada das despesas, que cresceram 22% em relação ao ano anterior, a maior taxa do período. E não se pode culpar o reajuste do salário mínimo da época -apenas 1,2% superior à inflação.
.
Confrontada com os dados, a Previdência -que, até então, só havia divulgado os resultados de 2006- enviou na sexta-feira uma série histórica à Folha. Os dados coincidem até 2002, mas o cálculo para benefícios fiscais a partir do governo Lula é diferente dos utilizados pela reportagem, a partir de tabela oficial publicada em anexo ao Orçamento da União de 2006.
.
A nova versão oficial registra superávit de R$ 322 milhões em 2003 e déficit de R$ 1,843 bilhão em 2004. Também nesse cenário, a piora do resultado se acelera na gestão Lula.

Autoritarismo e repressão

por Maurício Pessoa, no Estado de Minas
.
Cresce como massa sovada, no diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, o projeto antidemocrático destinado a retirar da Constituição a prerrogativa do Congresso Nacional de convocar referendos e plebiscitos, despejando nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o direito de exercitar aquilo que na Venezuela do presidente Hugo Chávez se chama “democracia direta”. Em bom e claro português, o que pretende determinada ala do PT, liderada pela ex-prefeita Marta Suplicy, é confiscar do Congresso seus direitos mais legítimos e, num gesto de suprema humilhação aos seus integrantes, transferir ao presidente Lula o poder supremo, exatamente o que acontece atualmente na vizinha Venezuela. Ora, convenhamos, não se pode respeitar essa intenção assim como não se deve acatar tal pretensão, repleta de más intenções e que se vale da democracia para tentar destruí-la.
.
Esse projeto petista é mais complexo do que parece e tem a finalidade de permitir ao presidente exercer o poder com todas as forças e determinações, mantendo o Congresso funcionando apenas para receber essas esquisitices chamadas medidas provisórias, que, em síntese, ofendem os legisladores e agridem o bom senso nacional. Se o Congresso, a sociedade e a imprensa não se movimentarem contra a intenção de dona Marta Suplicy, restará aos legisladores votos de pesar e transcrição de artigos que elogiem o presidente, uma vez que a liberdade estará varrida para debaixo de qualquer tapete.
.
É de causar perplexidade que se tente transformar a vida política nacional em coisa parecida à vivida pelos venezuelanos, que viram em praça pública o seu congresso transferir a Hugo Chávez o direito de governar nos próximos 18 meses sem qualquer interferência, tornando-se ditador de fato e de direito, sem o disparo de um tiro. Quer, agora, grupo de petistas, fazer o mesmo no Brasil, esquecendo-se que a economia, a legislação, a política e os costumes nacionais são mais complexos e mais dinâmicos que os representados por Caracas.
.
Num de seus pronunciamentos à Câmara dos Lordes, enquanto os bombeiros e a defesa civil retiravam Londres dos escombros provocados pelas bombas alemãs, sir Winston Churchill lembrava que a política é quase tão excitante quanto a guerra, e não menos perigosa: “Na guerra só se pode morrer uma vez, mas, na política, diversas vezes”. É o que querem os bolivarianos do PT, matar-nos diversas vezes e, no próximo congresso do partido, ao lado dos referendos e plebiscitos, devem apresentar projeto destinado a democratizar a imprensa nacional, seja lá o que isso signifique, embora se desconfie firmemente da intenção da mordaça. Na verdade, está se plantando a semente da segunda reeleição de Lula, que a exemplo de Chávez, deve cultivar a intenção de perpetuar-se no poder. Pois é, quando Chávez bebe, Lula parece que fica tonto.

Mais uma inovação brasileira: o elogio gaiato

Vocês querem ver como se faz um elogio transformar-se em gaiatice ? Pois é, sob o título "Mais uma inovação brasileira", José Paulo Kupfer, NoMínimo, querendo elogiar a política assistencialista de Lula, resolveu dar um pontapé na informação, e distorcendo alguns fatos e verdades, e ignorando outros, faz uma verdadeira santificação do assistencialismo e o demonstra como a causa da instalação de unidade da Nestlé no Nordeste, investimento de 100 milhões de dólares. Leiam o artigo, depois retornamos para comentar:

Mais uma inovação brasileira
José Paulo Kupfer, NoMínimo

A Nestlé abriu uma fábrica em Feira de Santana (BA), de olho no mercado de baixa renda (ver a nota abaixo), turbinado, segundo a própria empresa, pelos programas de transferência de renda. Aqueles que quase ninguém vai ver como funciona, mas muitos não ficam vermelhos de carimbá-los, assim, sem mais nem menos, de “assistencialistas”.

A Nestlé, que não dorme de touca e não queima dinheiro, investiu R$ 100 milhões para aproveitar o “assistencialismo”. O “assistencialismo” fez com que o volume de vendas da empresa na região nordestina crescesse 20% em 2006 – duas vezes e meia acima do crescimento médio de suas vendas no País.

Impulsionada pelo “assistencialismo”, a nova fábrica vai produzir 50 mil toneladas de alimentos por ano, adquirindo parte dos insumos de produtores locais. E abrirá 2 mil empregos diretos e indiretos na região.

Como os neoliberais estão sempre certos e os programas de transferência de renda não passam de um vil e eleitoreiro assistencialismo, vai ver que o Brasil está inovando mais uma vez nas leis econômicas. Aqui assistencialismo gera emprego. E ainda por cima não qualquer emprego, mas empregos industriais!
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA:

Inúmeras foram as vezes que transcrevemos aqui artigos escritos pelo José Paulo Kupfer. Por entendê-los corretos. Porém, hoje a transcrição é para apontar-lhe uma crítica. E o fazemos por lamentar que um sujeito se preste a fazer ou lançar uma teoria tola. Primeiro, que a economia nordestina cresceu não por obra e graça do “assistencialismo”. Segundo, que o “assistencialismo” chegou no Nordeste muito antes de Lula. Terceiro, porque dois foram os movimentos que impulsionaram, de fato, a economia nordestina, com geração de emprego e renda: de um lado, o turismo, financiado em grande parte, pelos fundos constitucionais, para os quais, muita gente torce o nariz, por desinformação em grande parte, e por má fé, o restante. A SUDENE, tanto quanto a SUDAM, abriram caminho na selva do esquecimento que as regiões Norte e Nordeste viveram ao longo de séculos por parte das regiões ricas do Sul-Sudeste. De há muito tempo, foram financiados imensos projetos de irrigação que transformaram o sertão em rico exportador de frutas. O mercado têxtil do Ceará é um dos mais prósperos do país há muitos anos. O turismo nordestino atrai todos os anos levas de turistas estrangeiros, que hoje tem a seu dispor toda uma infra-estrutura bancada com recursos da SUDENE. Naquilo que o Nordeste tinha de riqueza, o cacau, o “vassoura de bruxa” espalhado nas plantações por “técnicos petistas” arruinou a economia da região com enormes prejuízos para o país. Portanto, antes de espalhar uma ácida crítica ao neo-liberalismo por conta do crescimento da economia nordestina, melhor faria Kupfer em se informar nas razões históricas deste crescimento. Inclusive, caso Kupfer esteja tão desinformado assim, poderia por exemplo pesquisar sobre a grandeza da indústria coureiro-calçadista. Poderia, também, reler o discurso do prefeito onde a Nestlé inaugurou a fábrica, e ver a quem ele agradece a chegada daquela indústria. Nem é ao Lula, tampouco ao Jacques Wagner. Apenas para lembrá-lo mais um acontecimento esquecido por você, a Ford chegou na Bahia antes da Nestlé, antes do Petê. A soja também, portanto, no que tem sua crítica de desinformado, me parece ter também de má-fé.

É evidente, que cedo ou tarde, os investimentos feitos antes gerariam resultados na economia, tal qual vemos hoje. A Nestlé, por si só, não faria o investimento que fez, não tivesse a região como um todo contado com outros investimentos tal como acima mensuramos, mesmo que de forma resumida. Existem realidades no Nordeste, senhor Kupfer, desconhecidas por grande parte do país. Realidades positivas saiba. E o governo Lula não “chegou” no vazio com seu assistencialismo: ele encontrou toda uma teia de assistência social já estruturada. O que fez foi apenas expandi-la, eliminando as exigências que havia antes e que permitiam ao cidadão não ficar eternamente vinculado ao paternalismo estatal.

E quanto a Nestlé, a fábrica foi construída não com base nas vendas, e sim nos custos de produção, uma vez que estará próxima dos pontos de produção das matérias primas que ela irá demandar. Se não fosse esta proximidade, acredite, Kupfer, as vendas poderiam crescer até 200% e a Nestlé sequer se coçaria.

Mas, tudo bem, Kupfer, é bom quando a gente mostra o lado para o qual torcemos, pelo menos deixamos de enganar a torcida. Mesmo assim, quando seus artigos estiverem corretos, e produzidos com conceitos sensatos, sem este ranço preconceituoso e inadequado pelo desconhecimento da história, ainda os reproduziremos. Mas aceite uma sugestão: não ponha seus conceitos à frente da história. Num país em qualidade de ensino já é tão deprimente, não fica bem para alguém com sua formação, ficar destruindo a verdade histórica com desinformação e o que é pior, semeando maldade felina. Com mais informação, acredite, a gente não cai nas armadilhas das aparências, que nos levam a emitir conceitos destoantes e vazios, totalmente infundados e distantes da realidade.

O governo ainda não começou

por Raul Pilati, no Correio Braziliense
.
Fevereiro vai pela metade, março está chegando, mas o país ainda aguarda o início do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nada além da tradição nacional, pela qual o ano só começa depois do carnaval. Graças ao estilo presidencial e às dificuldades partidárias, principalmente dentro da casa de Lula, o PT.
.
Por enquanto, o Brasil tem uma declaração de intenções para o segundo mandato, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É uma amarração de projetos que reflete a ânsia do presidente de fazer o país crescer mais rápido e de forma consistente. Na verdade, uma reação de Lula às cobranças sofridas durante a campanha contra a política econômica do primeiro mandato, que centrou fogo no controle da inflação e da dívida interna. “É uma resposta a esse desafio”, opina o cientista político Antonio Lavareda.
.
Dívida presidencial
A pressa e a pressão de Lula sobre a equipe demonstram o desejo de um homem que se sente em dívida com a sociedade e, principalmente, com sua história política e com seus companheiros de espectro ideológico. Mal sã, sua preparação deixou clara o quanto falta de articulação e coordenação. Depois de quatro anos no governo, o plano levou meses para ser preparado e anunciado. O que se esperaria que fosse fruto da reflexão cotidiana do governante e de seus assessores sobre os rumos a serem induzidos ao país, o PAC foi uma interrupção no estilo dispersivo e confuso de administrar.
.
E, pior, tornou transparente a confusão de pensamentos que reina nos ministérios e no Palácio do Planalto. Os conflitos de idéias e lógicas econômicas são enormes. Há alas que comungam pensamentos próximos, mas, ainda assim, com divergências, como os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda). E outros, completamente isolados. É o caso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para quem ficou o custo de responder por uma política econômica ortodoxa e gradualista.
.
Cadê o maestro?
O condutor desta orquestra desafinada é Lula, que arca com o desgaste de fazê-la tocar parecendo, minimamente, um conjunto. Ele banca a linha de Meirelles, mesmo que preferisse um caminho mais rápido e fácil, como a aceleração da redução dos juros. Coerente, o presidente aguarda pacientemente.Mas cada vez que um ministro como Luiz Marinho (Trabalho) dispara críticas ao BC, está atacando o próprio Lula, que afirmou ser dele a política econômica. O presidente não consegue colocar ordem no local de trabalho. Quando um ministro sai falando mal de colegas em público é sintoma de falta de liderança de equipe.
.
Para completar, os companheiros do PT não estão nem aí para as dificuldades do governo de emitir um discurso coerente e homogêneo, capaz de induzir expectativas positivas nos brasileiros, nos investidores e nos mercados. Soltou farpas e mais cacetadas contra Meirelles, o BC e, portanto, contra o próprio Lula.
.
PT olha 2010
A atitude petista “tem muito a ver com a preocupação do partido com a sucessão de Lula”, opina Lavareda, cientista político. É uma tentativa de aproximar-se dos anseios da sociedade e plantar um possível sucessor para 2010, acredita. “Não é inusual, porém, um partido de esquerda atacar o governo do qual participa”, ressalta Lavareda. “O partido tende a andar um pouquinho à frente do mandatário.”
.
Assim como o país, o PT também espera o segundo mandato começar. “Esse governo começa com dois momentos”, diz Lavareda. O primeiro foi o PAC, que é o roteiro pretendido para o mandato. O segundo, que ainda se espera, o novo ministério que definirá a composição de forças em torno de Lula. “O segundo governo Lula ainda não começou”, conclui.
.
Com seus ataques de palanque, o partido do presidente contribui para formação de um clima de insegurança e incerteza agravado pelas divergências públicas entre ministros. No passado, quando o país estava muito mais vulnerável, episódios desse tipo desencadearam verdadeiras crises. Hoje, com a situação estável e muito mais segura tanto no campo externo quanto no controle da inflação, essas confusões soam apenas como sinais de um governo complicado, incapaz de trabalhar em conjunto. Ou, como disse o próprio Lula, tiros nos pés.
.
Perdendo o controle
Aos poucos, Lula está perdendo o controle do PT. A saída dos assessores que faziam o meio de campo com o partido revela seu custo. E a incapacidade de por ordem no governo e deixar ministros falando como se fossem do PD (ex-PFL) revelam as falhas de liderança do presidente.

IBGE quer gastar ainda mais no cartão

Jornal do Brasil
.
Quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) adotou o uso de cartões de crédito corporativos para compras emergenciais, em 2005, os gastos totais foram de R$ 141.686,76. No ano passado, o consumo aumentou para R$ 755.699,95. Ainda assim, o diretor-executivo do instituto no Rio, Sérgio Cortes, reuniu-se há dias com representantes do Banco do Brasil, responsável pela administração dos cartões, para pedir aumento do limite.
.
- Este ano teremos censo, e, portanto, gastos muito maiores com despesas no interior do país, em lugares que não costumam aceitar cartão de crédito.
.
Como noticiou o Jornal do Brasil na edição de ontem, funcionários do IBGE usaram o cartão de crédito corporativo, que tem a função original de facilitar compras emergenciais, para fazer saques em espécie. Um dos funcionários chegou a efetuar 21 saques consecutivos de R$ 1 mil. Outro servidor pagou despesas de R$ 76 em pet shop, usando o sistema.
.
O IBGE é o órgão do Ministério do Planejamento com maior orçamento. A pasta é a segunda em gastos com o cartão de crédito corporativo. Só perde para a Presidência da República. Os gastos do Ministério do Planejamento também acompanharam o do IBGE: a rubrica que consumia R$ 1.905,40 em 2004, passou para R$ 271.713,23 em 2005 e faturou R$ 4.514.832,76 no ano passado.O assessor do ministro Paulo Bernardo, Ivanir Bortot, explica que o aumento gradual dos gastos corresponde à distribuição de cartões para funcionários da pasta.- Aumentar os gastos no cartão é algo desejável pelo governo. Antes, o gestor ficava com o dinheiro parado na gaveta para utilizar para compras de emergência - alegou.
.
Sérgio Cortes, explica o aumento de gastos:
- Por recomendação do Ministério do Planejamento, o IBGE está mudando todo o dinheiro das contas B, que eram usadas para gastos emergenciais, para os cartões corporativos, por meio de cargas nos cartões. Aumentaram os gastos do cartão mas diminuíram os gastos da conta B - disse Cortes, antes de lembrar que o TCU faz auditorias constantemente na instituição e nunca registrou qualquer irregularidade.
.
*****
.

COMENTANDO A NOTICIA: Está passando da hora de o Legislativo e o Judiciário tomarem providências no sentido de investigar o que há dentro desta “caixa-preta” chamada “cartões corporativos”. Nem o volume se justifica mais como “pequenas despesas de emergência”, nem tampouco a censura na divulgação dos gastos impostas por Lula representam qualquer segredo de estado a ser preservado. Nada há de perigo à segurança nacional a revelação de como os cartões são empregados. Aqui, a transparência deve ser total, para não indicar desvios de finalidade nem tampouco abuso de natureza administrativa, praticados por maus funcionários, vamos dizer assim, que se valendo de seu cargo e da confiança neles depositados, estejam ainda além do que lhes é permitido. Nunca é demais: o que está em jogo é o uso de dinheiro público, portanto, sua transparência é uma imposição a que se sujeita aquele que se responsabiliza pelo seu uso. Até porque se faz censo neste país há várias décadas e nunca se soube que tenha faltado dinheiro ou havido problemas com despesas "urgentes". Portanto, o que nos parece, é que a facilidade em "gastar", está criando o fenômuno de se gastar muito. Para um governo que precisa cortar gastos com o objetivo de reduzir juros e carga tributária, é preciso que se ponha um freio na gastança desenfreada. É por este ralo que o desperdício e as irregulares correm soltos.