quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Autoritarismo e repressão

por Maurício Pessoa, no Estado de Minas
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Cresce como massa sovada, no diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, o projeto antidemocrático destinado a retirar da Constituição a prerrogativa do Congresso Nacional de convocar referendos e plebiscitos, despejando nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o direito de exercitar aquilo que na Venezuela do presidente Hugo Chávez se chama “democracia direta”. Em bom e claro português, o que pretende determinada ala do PT, liderada pela ex-prefeita Marta Suplicy, é confiscar do Congresso seus direitos mais legítimos e, num gesto de suprema humilhação aos seus integrantes, transferir ao presidente Lula o poder supremo, exatamente o que acontece atualmente na vizinha Venezuela. Ora, convenhamos, não se pode respeitar essa intenção assim como não se deve acatar tal pretensão, repleta de más intenções e que se vale da democracia para tentar destruí-la.
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Esse projeto petista é mais complexo do que parece e tem a finalidade de permitir ao presidente exercer o poder com todas as forças e determinações, mantendo o Congresso funcionando apenas para receber essas esquisitices chamadas medidas provisórias, que, em síntese, ofendem os legisladores e agridem o bom senso nacional. Se o Congresso, a sociedade e a imprensa não se movimentarem contra a intenção de dona Marta Suplicy, restará aos legisladores votos de pesar e transcrição de artigos que elogiem o presidente, uma vez que a liberdade estará varrida para debaixo de qualquer tapete.
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É de causar perplexidade que se tente transformar a vida política nacional em coisa parecida à vivida pelos venezuelanos, que viram em praça pública o seu congresso transferir a Hugo Chávez o direito de governar nos próximos 18 meses sem qualquer interferência, tornando-se ditador de fato e de direito, sem o disparo de um tiro. Quer, agora, grupo de petistas, fazer o mesmo no Brasil, esquecendo-se que a economia, a legislação, a política e os costumes nacionais são mais complexos e mais dinâmicos que os representados por Caracas.
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Num de seus pronunciamentos à Câmara dos Lordes, enquanto os bombeiros e a defesa civil retiravam Londres dos escombros provocados pelas bombas alemãs, sir Winston Churchill lembrava que a política é quase tão excitante quanto a guerra, e não menos perigosa: “Na guerra só se pode morrer uma vez, mas, na política, diversas vezes”. É o que querem os bolivarianos do PT, matar-nos diversas vezes e, no próximo congresso do partido, ao lado dos referendos e plebiscitos, devem apresentar projeto destinado a democratizar a imprensa nacional, seja lá o que isso signifique, embora se desconfie firmemente da intenção da mordaça. Na verdade, está se plantando a semente da segunda reeleição de Lula, que a exemplo de Chávez, deve cultivar a intenção de perpetuar-se no poder. Pois é, quando Chávez bebe, Lula parece que fica tonto.