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Fevereiro vai pela metade, março está chegando, mas o país ainda aguarda o início do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nada além da tradição nacional, pela qual o ano só começa depois do carnaval. Graças ao estilo presidencial e às dificuldades partidárias, principalmente dentro da casa de Lula, o PT.
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Por enquanto, o Brasil tem uma declaração de intenções para o segundo mandato, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É uma amarração de projetos que reflete a ânsia do presidente de fazer o país crescer mais rápido e de forma consistente. Na verdade, uma reação de Lula às cobranças sofridas durante a campanha contra a política econômica do primeiro mandato, que centrou fogo no controle da inflação e da dívida interna. “É uma resposta a esse desafio”, opina o cientista político Antonio Lavareda.
Por enquanto, o Brasil tem uma declaração de intenções para o segundo mandato, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É uma amarração de projetos que reflete a ânsia do presidente de fazer o país crescer mais rápido e de forma consistente. Na verdade, uma reação de Lula às cobranças sofridas durante a campanha contra a política econômica do primeiro mandato, que centrou fogo no controle da inflação e da dívida interna. “É uma resposta a esse desafio”, opina o cientista político Antonio Lavareda.
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Dívida presidencial
A pressa e a pressão de Lula sobre a equipe demonstram o desejo de um homem que se sente em dívida com a sociedade e, principalmente, com sua história política e com seus companheiros de espectro ideológico. Mal sã, sua preparação deixou clara o quanto falta de articulação e coordenação. Depois de quatro anos no governo, o plano levou meses para ser preparado e anunciado. O que se esperaria que fosse fruto da reflexão cotidiana do governante e de seus assessores sobre os rumos a serem induzidos ao país, o PAC foi uma interrupção no estilo dispersivo e confuso de administrar.
Dívida presidencial
A pressa e a pressão de Lula sobre a equipe demonstram o desejo de um homem que se sente em dívida com a sociedade e, principalmente, com sua história política e com seus companheiros de espectro ideológico. Mal sã, sua preparação deixou clara o quanto falta de articulação e coordenação. Depois de quatro anos no governo, o plano levou meses para ser preparado e anunciado. O que se esperaria que fosse fruto da reflexão cotidiana do governante e de seus assessores sobre os rumos a serem induzidos ao país, o PAC foi uma interrupção no estilo dispersivo e confuso de administrar.
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E, pior, tornou transparente a confusão de pensamentos que reina nos ministérios e no Palácio do Planalto. Os conflitos de idéias e lógicas econômicas são enormes. Há alas que comungam pensamentos próximos, mas, ainda assim, com divergências, como os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda). E outros, completamente isolados. É o caso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para quem ficou o custo de responder por uma política econômica ortodoxa e gradualista.
E, pior, tornou transparente a confusão de pensamentos que reina nos ministérios e no Palácio do Planalto. Os conflitos de idéias e lógicas econômicas são enormes. Há alas que comungam pensamentos próximos, mas, ainda assim, com divergências, como os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda). E outros, completamente isolados. É o caso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para quem ficou o custo de responder por uma política econômica ortodoxa e gradualista.
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Cadê o maestro?
O condutor desta orquestra desafinada é Lula, que arca com o desgaste de fazê-la tocar parecendo, minimamente, um conjunto. Ele banca a linha de Meirelles, mesmo que preferisse um caminho mais rápido e fácil, como a aceleração da redução dos juros. Coerente, o presidente aguarda pacientemente.Mas cada vez que um ministro como Luiz Marinho (Trabalho) dispara críticas ao BC, está atacando o próprio Lula, que afirmou ser dele a política econômica. O presidente não consegue colocar ordem no local de trabalho. Quando um ministro sai falando mal de colegas em público é sintoma de falta de liderança de equipe.
Cadê o maestro?
O condutor desta orquestra desafinada é Lula, que arca com o desgaste de fazê-la tocar parecendo, minimamente, um conjunto. Ele banca a linha de Meirelles, mesmo que preferisse um caminho mais rápido e fácil, como a aceleração da redução dos juros. Coerente, o presidente aguarda pacientemente.Mas cada vez que um ministro como Luiz Marinho (Trabalho) dispara críticas ao BC, está atacando o próprio Lula, que afirmou ser dele a política econômica. O presidente não consegue colocar ordem no local de trabalho. Quando um ministro sai falando mal de colegas em público é sintoma de falta de liderança de equipe.
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Para completar, os companheiros do PT não estão nem aí para as dificuldades do governo de emitir um discurso coerente e homogêneo, capaz de induzir expectativas positivas nos brasileiros, nos investidores e nos mercados. Soltou farpas e mais cacetadas contra Meirelles, o BC e, portanto, contra o próprio Lula.
Para completar, os companheiros do PT não estão nem aí para as dificuldades do governo de emitir um discurso coerente e homogêneo, capaz de induzir expectativas positivas nos brasileiros, nos investidores e nos mercados. Soltou farpas e mais cacetadas contra Meirelles, o BC e, portanto, contra o próprio Lula.
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PT olha 2010
A atitude petista “tem muito a ver com a preocupação do partido com a sucessão de Lula”, opina Lavareda, cientista político. É uma tentativa de aproximar-se dos anseios da sociedade e plantar um possível sucessor para 2010, acredita. “Não é inusual, porém, um partido de esquerda atacar o governo do qual participa”, ressalta Lavareda. “O partido tende a andar um pouquinho à frente do mandatário.”
A atitude petista “tem muito a ver com a preocupação do partido com a sucessão de Lula”, opina Lavareda, cientista político. É uma tentativa de aproximar-se dos anseios da sociedade e plantar um possível sucessor para 2010, acredita. “Não é inusual, porém, um partido de esquerda atacar o governo do qual participa”, ressalta Lavareda. “O partido tende a andar um pouquinho à frente do mandatário.”
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Assim como o país, o PT também espera o segundo mandato começar. “Esse governo começa com dois momentos”, diz Lavareda. O primeiro foi o PAC, que é o roteiro pretendido para o mandato. O segundo, que ainda se espera, o novo ministério que definirá a composição de forças em torno de Lula. “O segundo governo Lula ainda não começou”, conclui.
Assim como o país, o PT também espera o segundo mandato começar. “Esse governo começa com dois momentos”, diz Lavareda. O primeiro foi o PAC, que é o roteiro pretendido para o mandato. O segundo, que ainda se espera, o novo ministério que definirá a composição de forças em torno de Lula. “O segundo governo Lula ainda não começou”, conclui.
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Com seus ataques de palanque, o partido do presidente contribui para formação de um clima de insegurança e incerteza agravado pelas divergências públicas entre ministros. No passado, quando o país estava muito mais vulnerável, episódios desse tipo desencadearam verdadeiras crises. Hoje, com a situação estável e muito mais segura tanto no campo externo quanto no controle da inflação, essas confusões soam apenas como sinais de um governo complicado, incapaz de trabalhar em conjunto. Ou, como disse o próprio Lula, tiros nos pés.
Com seus ataques de palanque, o partido do presidente contribui para formação de um clima de insegurança e incerteza agravado pelas divergências públicas entre ministros. No passado, quando o país estava muito mais vulnerável, episódios desse tipo desencadearam verdadeiras crises. Hoje, com a situação estável e muito mais segura tanto no campo externo quanto no controle da inflação, essas confusões soam apenas como sinais de um governo complicado, incapaz de trabalhar em conjunto. Ou, como disse o próprio Lula, tiros nos pés.
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Perdendo o controle
Aos poucos, Lula está perdendo o controle do PT. A saída dos assessores que faziam o meio de campo com o partido revela seu custo. E a incapacidade de por ordem no governo e deixar ministros falando como se fossem do PD (ex-PFL) revelam as falhas de liderança do presidente.
Perdendo o controle
Aos poucos, Lula está perdendo o controle do PT. A saída dos assessores que faziam o meio de campo com o partido revela seu custo. E a incapacidade de por ordem no governo e deixar ministros falando como se fossem do PD (ex-PFL) revelam as falhas de liderança do presidente.