Editorial do Jornal do Brasil
Prestador de serviços inestimáveis à diplomacia brasileira, o embaixador Mário Gibson Barboza tem radiografado alguns dos principais tumores que hoje atormentam a política externa do país. Em artigo publicado na edição de ontem do JB, o ex-ministro demonstrou por que é tão nefasto e anacrônico o anti-americanismo de viés ideológico em curso no Itamaraty.
No artigo, o embaixador sublinhou o equívoco do debate que opõe o comércio entre as nações do Sul ao tradicional comércio Norte-Sul. Ressaltou a formação vigorosa do que chama de "eixo Leste-Oeste", os ares de superpotência adquiridos pela China e o poderio econômico sedimentado pela zona de livre-comércio recentemente criada pelos chineses e a Associação das Nações do Sudeste Asiático.
O embaixador ainda apoiou e reafirmou as críticas às aventuras do atual comando do Itamaraty, feitas pelo colega Roberto Abdenur numa entrevista publicada pela revista Veja. Aposentado depois de 44 anos de carreira, encerrada na chefia da representação brasileira nos EUA, Abdenur identificara o substrato ideológico anticapitalista, anti-americano, antiglobalização e comprometido com uma obsoleta agenda do passado.
Mario Gibson Barboza endossou tais análises e foi adiante. Sugeriu que a politização dos subordinados (a adesão ao petismo e ao atual governo), a desnecessária criação de 400 novos cargos e a vexatória "tomada de lição" em textos obrigatórios destinados a garantir um pensamento único no Itamaraty configuram gestos capazes de descaracterizar o histórico da diplomacia do país.
O ex-ministro sabe o que diz. Aos 89 anos, Mario Gibson Barboza exibe hoje sabedoria e vitalidade ímpares. A ele o Brasil deve alguns dos passos mais notáveis de sua diplomacia, dentre os quais o acordo que sedimentou o início das operações de Itaipu e a histórica visita que fez para a aproximação com a África, ambos na década de 70.
Ao preservar a análise arguta e a independência necessária, o embaixador tem exibido críticas enfáticas à trilha errática seguida pelo Itamaraty. Eis o que está sendo produzido pelos artífices da política externa brasileira - o trio Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e Marco Aurélio Garcia. Vem fabricando tolices que se revelam, no fundo, um subproduto nascido dos fósseis da nomenclatura soviética ou do que a esquerda aloprada dos anos 60 chamava de "pensamento em bloco". Seu auge foi a inconveniente presença do chanceler Celso Amorim nos palanques do chefe, então candidato à reeleição.
Cúmplice do autoritarismo alheio, o trio faz qualquer estrangeiro mais desavisado acreditar que, neste lado do planeta, o lulismo é força auxiliar do chavismo. E o espantoso é constatar que, muitas vezes, parece mesmo ser uma extensão das desventuras do coronel Hugo Chávez. A mistura de pauta comercial com ideologia resultou, por exemplo, nos ataques à negociação da Alca. Enquanto vizinhos vêm fechando acordos bilaterais com os americanos, o Brasil segue adepto das teses dos ideólogos do neoterceiromundismo nacional. Esse viço busca pôr no ostracismo as vozes dissonantes do Itamaraty - aqueles que não compartilham do intolerável ranço ideológico dos doutrinadores.
Além da cumplicidade com os devaneios chavistas, a política externa vem errando, por exemplo, ao insistir na cadeira permanente do Conselho de Segurança da ONU - o que abriu feridas graves e desnecessárias nas relações com o México e a Argentina. Tais equívocos, no entanto, só serão corrigidos quando o Itamaraty estiver livre de estrategistas vexatórios.
Prestador de serviços inestimáveis à diplomacia brasileira, o embaixador Mário Gibson Barboza tem radiografado alguns dos principais tumores que hoje atormentam a política externa do país. Em artigo publicado na edição de ontem do JB, o ex-ministro demonstrou por que é tão nefasto e anacrônico o anti-americanismo de viés ideológico em curso no Itamaraty.
No artigo, o embaixador sublinhou o equívoco do debate que opõe o comércio entre as nações do Sul ao tradicional comércio Norte-Sul. Ressaltou a formação vigorosa do que chama de "eixo Leste-Oeste", os ares de superpotência adquiridos pela China e o poderio econômico sedimentado pela zona de livre-comércio recentemente criada pelos chineses e a Associação das Nações do Sudeste Asiático.
O embaixador ainda apoiou e reafirmou as críticas às aventuras do atual comando do Itamaraty, feitas pelo colega Roberto Abdenur numa entrevista publicada pela revista Veja. Aposentado depois de 44 anos de carreira, encerrada na chefia da representação brasileira nos EUA, Abdenur identificara o substrato ideológico anticapitalista, anti-americano, antiglobalização e comprometido com uma obsoleta agenda do passado.
Mario Gibson Barboza endossou tais análises e foi adiante. Sugeriu que a politização dos subordinados (a adesão ao petismo e ao atual governo), a desnecessária criação de 400 novos cargos e a vexatória "tomada de lição" em textos obrigatórios destinados a garantir um pensamento único no Itamaraty configuram gestos capazes de descaracterizar o histórico da diplomacia do país.
O ex-ministro sabe o que diz. Aos 89 anos, Mario Gibson Barboza exibe hoje sabedoria e vitalidade ímpares. A ele o Brasil deve alguns dos passos mais notáveis de sua diplomacia, dentre os quais o acordo que sedimentou o início das operações de Itaipu e a histórica visita que fez para a aproximação com a África, ambos na década de 70.
Ao preservar a análise arguta e a independência necessária, o embaixador tem exibido críticas enfáticas à trilha errática seguida pelo Itamaraty. Eis o que está sendo produzido pelos artífices da política externa brasileira - o trio Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e Marco Aurélio Garcia. Vem fabricando tolices que se revelam, no fundo, um subproduto nascido dos fósseis da nomenclatura soviética ou do que a esquerda aloprada dos anos 60 chamava de "pensamento em bloco". Seu auge foi a inconveniente presença do chanceler Celso Amorim nos palanques do chefe, então candidato à reeleição.
Cúmplice do autoritarismo alheio, o trio faz qualquer estrangeiro mais desavisado acreditar que, neste lado do planeta, o lulismo é força auxiliar do chavismo. E o espantoso é constatar que, muitas vezes, parece mesmo ser uma extensão das desventuras do coronel Hugo Chávez. A mistura de pauta comercial com ideologia resultou, por exemplo, nos ataques à negociação da Alca. Enquanto vizinhos vêm fechando acordos bilaterais com os americanos, o Brasil segue adepto das teses dos ideólogos do neoterceiromundismo nacional. Esse viço busca pôr no ostracismo as vozes dissonantes do Itamaraty - aqueles que não compartilham do intolerável ranço ideológico dos doutrinadores.
Além da cumplicidade com os devaneios chavistas, a política externa vem errando, por exemplo, ao insistir na cadeira permanente do Conselho de Segurança da ONU - o que abriu feridas graves e desnecessárias nas relações com o México e a Argentina. Tais equívocos, no entanto, só serão corrigidos quando o Itamaraty estiver livre de estrategistas vexatórios.