Por Adriana Vandoni
Publicado no Argumento & Prosa
Estou ficando com muita pena das pessoas ligadas às investigações da gangue do dossiê. A turma da CPI é só lamúria. O Biscaia, tadinho, esta semana foi todo cheio de autoridade receber uns documentos sigilosos. Guardou no cofre rapidinho. Nem uma risadinha ele deu para as câmeras, até que descobriu que tinha em mãos o Brasil inteiro já conhecia, menos ele. Maldade dos meninos de Cuiabá!
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Publicado no Argumento & Prosa
Estou ficando com muita pena das pessoas ligadas às investigações da gangue do dossiê. A turma da CPI é só lamúria. O Biscaia, tadinho, esta semana foi todo cheio de autoridade receber uns documentos sigilosos. Guardou no cofre rapidinho. Nem uma risadinha ele deu para as câmeras, até que descobriu que tinha em mãos o Brasil inteiro já conhecia, menos ele. Maldade dos meninos de Cuiabá!
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O Raul Jungmann, revoltadinho vai processar todo mundo. Sua próxima vítima é o delegado Diógenes. Tô com dó desse rapaz, tadinho. Ele não sabe se atende a imprensa, a CPI, o superintendente, o ministro do crime Thomaz Bastos. Ninguém deixa o homem trabalhar. Não dá tempo! Só nesta semana, quantos quilômetros ele já andou? Foi na baixada fluminense, vai Diógenes pra lá. Em Varginha, em Atibaia, volta pra Mato Grosso. E a imprensa atrás. Não, foi em Campo Grande!, corre o delegado pra Campo Grande. Não dá! Não deixam o homem trabalhar.
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Entendo a pressão que ele está passando. Imaginem! Eu que não tenho nada com isso não agüentava mais receber telefonemas e e-mails: Quem mandô? Quem mandô? Quem mandô? Não adiantava eu gritar: não sei quem mandou! Que coisa! Tenho minhas suspeitas, claro.
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Mas, depois da publicação na revista Época de que pagaram 2,5 milhões de reais para o bandido Vedoin envolver o Senador Antero, eu achei que estivesse livre. Quanto engano! Continuei recebendo ainda mais telefonemas e e-mails, só mudou a pergunta: quem pagô? Quem pagô? Quem pagô? Caramba! Não sei quem pagou! Gostaria de saber, mas não sei. Que coisa! Tenho minhas suspeitas, claro.
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Daí eu tomei uma decisão. Vou investigar. Darei uma mãozinha à Policia Federal, em especial para o delegado Diógenes porque, fala sério, agüentar o Ministro do crime na cola, é fogo!
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Crime que se preza sempre tem sua trama iniciada durante uma conversa em um restaurante. Isso é clássico. Então eu chamei a “H.B.”. “H.B.” é o apelido da “histérica do bacalhau”, uma doida anti-tabagista especialista em restaurantes. É uma espécie de “Maria algodão” de banheiro de colégio. Todo mundo tem medo dela. Peguei a “H.B.” e passei as informações: - precisamos descobrir a origem de tudo isso. O suspeito é o Sr. Chefe, você precisa vasculhar todos os restaurantes de Cuiabá e região.
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Depois eu disse: vá. E ela foi.
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Mas todas as informações eram sempre truncadas. Não conectava. Pensei: será que a “H.B.” está ficando velha e não consegue mais investigar? Parecia um quebra-cabeça, mas de pouquíssimas peças. Só não conseguia juntar. Fiz um organograma e... ah, agora sim, estava fechando! Nisso vinha a “H.B.” pra mim: mas saiu na TV que foi no Rio, em SP, no Paraguai. – Isso é pra pulverizar as informações, “H.B.”! Cê tá tonta? Tá de tinta nova no cabelo?
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Ah, quer saber? Chega! Montei meu organograma - adóóóro fazer organograma de tudo - e guardei. Essa turma não tem jeito.Mas vou antecipar aqui o que será divulgado pelo Ministro do Crime ou por algum porta-voz. A origem do dinheiro está na militância do PT. O partido tem 1.048.164 filiados no Brasil, segundo o TSE. O dossiê custou 1.750.000 de reais, o que deu para cada filiado a merreca de R$1,66 (um real e sessenta e seis centavos). Agora eu quero ver a PF prender 1.048.164 pessoas. É o crime perfeito!
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Ah, quanto ao dinheiro pra envolver Antero?, eu também quero saber. Quem pagou?