Adelson Elias Vasconcellos
Lula se irritou ao ver na TV, domingo à noite, a expressão de derrota de Dilma, do vice Michel Temer e do presidente do PT, José Eduardo Dutra. Mandou o ministro Alexandre Padilha tentar “passar otimismo”.
A pergunta que, na mesma hora, me fiz foi: e por que Lula não estava lá, ao lado da sua candidata, logo ele que fez mais campanha por ela do que a própria Dilma, que apareceu na tevê muito mais do que ele próprio em sua campanha de 2006? Não seria ali, justamente naquele momento importante da campanha, que sua presença, dado todos os antecedentes, se faria mais necessária? Ou seja, o grande ausente da noite, foi Lula.
E daí me peguei a relembrar os quantos momentos importantes para o país, Lula negou sua honrosa presença. As enchentes do Norte-Nordeste quando mais 700 mil brasileiros ficaram sem casas, debaixo d’água, nas enchentes de Santa Catarina, cujo prejuízos até hoje muitos não conseguiram recuperar, no desastre aéreo de um voo da Gol, que se chocou no Mato Grosso com um Legacy, cujo processo corre na justiça até hoje e que vitimou 157 brasileiros, e o mais terrível acidente aéreo da aviação brasileira, o acidente aéreo de um voo da TAM, em São Paulo, com 199 mortos, frutos da má conservação da pista, culpa do próprio governo, no auge do apagão aéreo! Houve mais, mas creio que estes já ilustram bem o quanto o senhor Lula falha nos momentos em que a solidariedade humana mais se faz necessária. Ainda mais quando se é presidente!!!
Se vocês fizerem uma pesquisa dos grandes desastres vividos em diferentes localidades do mundo todo, sempre encontrarão presentes os presidentes e altas autoridades dos países em que ocorreram, sempre presentes nos locais como uma forma de solidariedade. Nem se trata de jogo político, mas sim de sentimento de humanidade.
Um dos mais criticados presidentes americanos, George Bush, nem ele deixou de se fazer presente no caso do furacão Katrina que arrasou um estado inteiro no sul dos Estados Unidos há alguns anos atrás, muito embora as críticas pesadas que teve de enfrentar, porque demorou exatos 7 dias entre o fato e sua visita oficial.
Já falei disso tudo aqui várias vezes. Lula, diante deste tipo de acontecimento, sempre foi um covarde acima de qualquer limite. E, por mais que faça, por mais que a máquina e a propaganda o mistifiquem, por sua constante ausência em momentos de dor e de tragédia que atinge o país, jamais conseguirá ser reconhecido como estadista. Tivesse Dilma vencido no primeiro turno e, acreditem, Lula seria o primeiro a chegar no palanque armado, e o último a sair. E que se note: a corrida presidencial não foi encerrada no domingo à noite, apenas seu desfecho foi transferido para 31 de outubro próximo. Então, por que Lula não fez presente? Para não manchar seu currículo com sua presença ligada à derrota?
Esta é a chave: Lula, tanto quanto sua candidata e todo o comitê de campanha, foram responsáveis pelo segundo turno. Dilma e o comitê, por esconderem a candidata que, por ser desconhecida, deveria ter comparecido a todos os debates. A candidata, individualmente, por primeiro aprovar o aborto e depois, por estar em campanha, negar que dissera o que, em vídeo, está registrado. Estampou para todo o país sua compulsão à mentira. E, ao próprio Lula, pelo seu comportamento delinquente nas últimas semanas, agredindo adversários políticos de forma odiosa e repugnante, agredindo de forma gratuita a “imprensa golpista”, como se com toda esta truculência repulsiva ele pudesse esconder as ações criminosas acontecidas na antessala do gabinete presidencial.
Portanto, a tal cara de enterro percebida no palanque de domingo à noite se deve, sim, ao fato de não ter acontecido o tal rolo compressor para o qual Lula utilizou todos os recursos legais e ilegais de que dispunha, mas, também, porque, naquele instante, a presença de Lula em apoio à sua candidata era fundamental. Era como se Dilma, ali, precisando demonstrar otimismo, enchendo-se de esperança, se sentisse a mais solitária das criaturas. Faltou o fraternal abraço e a palavra encorajadora de Lula, o eterno grande ausente. Enviar um emissário para cobrar otimismo, chega a ser ridículo: sentimento não se transmite por procuração, até porque por mais competente que fosse seu ministro, ele não é Lula.
Um estadista verdadeiro se faz não é pelos discursos bestiais em lançamentos de pedras fundamentais de obras já inauguradas, ou assinatura de carta de boas intenções que um dia, que sabe quando será o amanhã, serão realizadas. Um estadista se faz pela sua presença solidária em momentos de consternação, onde a palavra é o que menos importa, mas a presença humana, além de indispensável, é a que realmente reconforta.
Assim, fica claro que Lula pode atingir 99,9999% de aprovação – faltará sempre o meu 0,0001%, ehehehe – mas isto não o fará ser respeitado como grande estadista. E, a causa será, justamente, a de que nos momentos mais necessários, ele sempre tem sido o eterno grande ausente...

