Fábio Amato, Folha de São Paulo
O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disse nesta segunda-feira que o PT vai insistir no segundo turno na estratégia de comparar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
"O segundo turno possibilita mais uma vez uma eleição polarizada entre o projeto do presidente Lula e o projeto defendido pelo candidato da oposição", disse Padilha, se referindo a José Serra, candidato do PSDB que disputará o segundo turno com a petista Dilma Rousseff.
Padilha foi um dos ministros que se reuniu na manhã desta segunda-feira com o presidente, em Brasília, para discutir o resultado das eleições e começar a traçar a estratégia do PT para o segundo turno.
De acordo com o ministro, Lula se mostrou "muito feliz e tranquilo" com o resultado obtido por Dilma no domingo. Entretanto, petistas como o chefe-de-gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, haviam informado ontem, antes de concluída a eleição, a expectativa de vitória de Dilma no primeiro turno.
Padilha disse ainda que Lula ficou satisfeito com o resultado das eleições nos Estados e para o Congresso. "O presidente está muito feliz com a vitória dos seus aliados nos Estados, na Câmara e no Senado. Achamos que colhemos o que plantamos ao longo destes oito anos", disse.
A votação garantiu ao PT mais nove cadeiras na Câmara no ano que vem: de 79 para 88. O PSB, partido aliado do governo, foi outro que aumento o número de deputados eleitos, de 27 para 36.
A divisão entre governo e oposição na Câmara, entretanto, não deve sofrer grande alteração. A base governista, que hoje está em 70% da Casa, deve chegar a 72%.
No Senado, PT e PMDB, outro aliado do governo, foram os partidos que ganharam mais cadeiras: 13 e 17, respectivamente. Dos 54 senadores eleitos ontem, 43 são de partidos que integram a atual base governista.
Ressalte-se que o quadro de eleitos ainda pode sofrer alterações significativas caso a Justiça Eleitoral decida liberar as candidaturas ficha-sujas, cujos votos por ora estão congelados.
DILMA
Padilha ressaltou que a candidata do PT atingiu no primeiro turno o mesmo "patamar histórico" obtido por Lula nas eleições de 2002 e 2006, quando também venceu no segundo turno. O ministro negou que o presidente, cuja governo atinge aprovação de 80%, não tenha conseguido transmitir a popularidade a Dilma.
"Achamos sim que o governo transferiu essa popularidade, não só para a Dilma, mas também para os aliados. O país que saiu das urnas ontem expressa sentimento de aprovação do governo do presidente Lula e dos aliados do presidente Lula."
Padilha se negou a comentar os fatores que levaram a eleição presidencial para o segundo turno. Mas ressaltou que a campanha petista vai procurar o apoio do PV e de Marina Silva.
"Vamos atrás de todos aqueles que podem ser aliados desse projeto [de governo petista], tanto os candidatos como também os setores da sociedade."
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Se for sem vigarice a gente topa!!! Mas tem de começar comparando o Brasil que FHC recebeu quando assumiu seu primeiro mandato, em 1995, com o Brasil que Lula recebeu em 2003. Além disso, é indispensável também comparar a economia mundial no período de governo de FHC, 1995-2002, com a mesma economia mundial do período que Lula viveu, de 2003 a 2010. A partir daí, poderemos comparar os dois governos sem problema nenhum, mesmo que não se tenha ainda a real dimensão da herança nas contas públicas, que Lula deixará para seu sucessor.