quinta-feira, agosto 16, 2007

Quem está com crédito podre? E quanto é?

Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de S. Paulo

Há créditos podres no mercado financeiro internacional. Isso significa que bancos e investidores não vão receber de volta o dinheiro que emprestaram e/ou investiram.

A origem desses créditos podres é singela: bancos e agentes imobiliários nos Estados Unidos emprestaram largas somas, inclusive para mutuários de ficha duvidosa, o pessoal do subprime, e muitos deles não estão pagando. Calcula-se que um em cada cinco mutuários esteja ou atrasando prestações ou não pagando.

Críticos dizem: eis uma conseqüência da farra do dinheiro abundante e barato, um produto da era de Alan Greenspan, o “maestro” que presidiu o Federal Reserve, Fed, o banco central dos Estados Unidos, e o mundo por duas décadas.

Não é simples assim. Houve, nos anos 90, uma política norte-americana de estimular a compra da casa própria, um setor que sabidamente é um dos motores da economia. Foram tomadas diversas medidas que ampliaram o crédito e reduziram os juros.

Os americanos foram às compras e - quer saber? - funcionou. O setor decolou, alavancou a economia norte-americana, e a mundial, e foi a salvação no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Nesse momento, a economia dos Estados Unidos e do mundo foi sendo sucessivamente abalada pelo furo das bolhas da internet e das telecomunicações, pela quebradeira no mundo emergente (Coréia do Sul, Rússia e Brasil), pela quebra de fundos hedge, pelos atentados terroristas e pelo roubo nos balanços das grandes companhias americanas. O que deixou de pé a economia dos Estados Unidos e do mundo foi a construção imobiliária.

Até que deu a crise atual. Os juros subiram, o valor das casas caiu, os mutuários menos capacitados entraram na inadimplência.

Muitíssimos anos atrás seria um problema limitado aos bancos que fizeram os empréstimos imobiliários. Bastaria executar os mutuários, retomar as casas, vendê-las, provavelmente por preço menor do que o valor do empréstimo, e assim fazer e matar o prejuízo.

No mercado financeiro sofisticado de hoje, a coisa ficou mais complicada. Os bancos lá da origem, do primeiro empréstimo, venderam a outros investidores títulos lastreados nos créditos que tinham a receber. Os participantes dessa segunda fase fizeram o mesmo, reempacotaram os títulos, passaram à frente e assim foi seguindo.

Não é simples especulação. Trata-se de um movimento do mercado que amplia as oportunidades de doar ou tomar crédito, o que, afinal, movimenta a economia.
Mas tem o outro lado: aumenta o risco global e, quando o empréstimo lá na origem não é pago, cai o castelo de cartas.

Ora, qual o tamanho do problema? Qual o volume de crédito podre no mercado? Quantos bancos e instituições estão envolvidos?

Não se sabe - e a dúvida é o pior fator a perturbar o mercado financeiro. Na medida em que pipocam os bancos informando que têm problemas em alguns de seus fundos - mesmo que sejam prejuízos pequenos e localizados (aqueles fundos do BNP Paribas tinham menos de US$ 3 bilhões, o que é pouco para o mercado internacional) -, as pessoas se perguntam: quem é o próximo?
Na dúvida, é melhor não emprestar nada para ninguém e só investir nos seguríssimos títulos dos governos dos Estados Unidos, Japão e países da Europa.Assim, faltou dinheiro para alimentar o sistema mundial. Foi um sinal de agravamento a ação dos bancos centrais do Primeiro Mundo de emprestar dinheiro a taxas de juros básicas (menores do que as praticadas na praça privada) para os bancos operarem nas últimas quinta e sexta-feira. Pela primeira vez, desde o início das turbulências, faltou dinheiro no mercado, mesmo para as operações desvinculadas da origem da crise.

Tudo considerado, o que as autoridades reguladoras, especialmente os bancos centrais, e os bancos devem fazer?

Três providências são as mais citadas:

Esclarecer urgentemente o tamanho do problema. Bancos precisam informar - ou serem forçados a isso - sobre qual o tamanho de sua exposição aos créditos podres. Isso será informação preciosa para os investidores separarem o joio do trigo e voltarem a trabalhar regularmente com o trigo. E os bancos centrais saberão exatamente qual o joio a liquidar.

Bancos centrais precisam continuar fazendo o que fizeram quinta e sexta-feira: fornecer liquidez ao sistema, emprestar dinheiro às taxas de juros por eles fixadas e assim impedir que o lado sadio sucumba a uma falta generalizada de crédito e impedir também que os juros disparem.

Os bancos centrais devem reduzir suas taxas de juros.

O maestro Alan Greenspan tomou providências nessa direção por ocasião das crises do início dos anos 2000: muito dinheiro na praça a juros bem baixinhos (chegaram a 1% nos Estados Unidos).

A diferença é que, naquela época, a inflação estava no chão e a economia americana crescia quase nada, muito abaixo do potencial. Hoje, a economia mundial está num ciclo de forte alta desde 2003, com pressões inflacionárias. Nos Estados Unidos, há uma desaceleração, mas suave, e a inflação, apesar dos juros elevados, resiste no topo da faixa de tolerância, que é de 2% ao ano.

Por isso, os bancos centrais da Europa e do Japão têm dito que não estão confortáveis com a atual combinação de aquecimento econômico e pressão inflacionária. Preparavam o terreno para elevar os juros.

Dá num dilema. A crise do crédito recomenda juros mais baixos e muito dinheiro na praça. A preocupação com a inflação sugere o contrário.

Se a crise for menor do que se imagina, tudo bem. Dá para lidar com ela só com empréstimos de emergência. Se a crise for maior do que se imagina, ameaçando uma falência múltipla dos órgãos financeiros, os bancos centrais precisarão então escolher entre dois perigos: o de soltar a inflação ou deixar que ocorra uma deflação e recessão por falta de crédito e juros altos.Greenspan já disse: deflação é pior.

Corrupção nos Correios está por toda parte

Polícia Federal e Ministério Público constatam que esquema de fraudes está disseminado na estatal
Jornal do Brasil

Investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) constataram que o esquema de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), desmantelado pela Operação Selo, está disseminado em diversas áreas da estatal, e levantaram indícios do envolvimento de políticos no desvio de recursos.

Ontem, a operação fez a primeira vítima na cúpula da empresa. Alvo da investigação, o diretor de Operações, Carlos Roberto Santini Dias, foi afastado do cargo, junto com o assessor Alexandre Ribeiro e um servidor de escalão intermediário, Sérgio Dias, preso na operação. "Há uma raiz fisiológica por trás dos problemas causados pelas máfias que atuam na ECT", disse um policial que participa das investigações.

Toda a diretoria da ECT, indicada pelo PTB e demais partidos da base aliada, foi substituída em 2005, após o escândalo causado pela divulgação de fita de vídeo em que o diretor de Administração de Material, Maurício Marinho, aparecia recebendo propina de fornecedores. O PMDB indicou praticamente todos os substitutos dos demitidos. Os principais padrinhos dos novos dirigentes da estatal foram os peemedebistas José Sarney (AP), Hélio Costa (MG), Renan Calheiros (AL), Ney Suassuna (PB) e Romero Jucá.

Um dos indicados do partido, Santini sofreu buscas e apreensões nas suas residências em Brasília e no Rio, além do seu escritório na sede da estatal. Por meio da assessoria, Santini disse que não vai se manifestar por enquanto.

O presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio, também indicado pelo PMDB, disse que o afastamento dos três servidores é preventivo, para facilitar as investigações, mas acredita que, se houve irregularidade, elas ocorreram em gestões anteriores.

"Estou perplexo, mas tranqüilo, porque adotamos todas as providências para aperfeiçoar a gestão e punir os responsáveis por erros do passado. Espero que as acusações não procedam, mas se procederem vamos agir com rigor", prometeu.

O servidor Luiz Carlos de Oliveira Garritano, também preso na operação, só não foi afastado porque não exerce cargo de confiança, mas responderá a sindicância e pode ser demitido ao final. A PF e o MP estão convencidos de que há diversas quadrilhas que continuaram ativas na ECT, mesmo depois da devassa de 2005, após a divulgação de fita de vídeo que flagrou Marinho recebendo propina.

Essas quadrilhas contariam, conforme a polícia e o MP, com a colaboração de servidores de diversas áreas. Há pelo menos dez ações abertas para apurar o envolvimento de servidores com as irregularidades. "Os esquemas não pararam após o escândalo de 2005", disse o procurador Bruno Acioli, para quem o que ocorre na ECT é uma briga de quadrilhas pelo controle dos milionários negócios da estatal.

Segundo Acioli, o mais atuante operador do esquema de corrupção na estatal é o empresário lobista Arthur Wascheck Neto. Preso na operação, Wascheck foi o responsável pela gravação da fita do flagra em Marinho e, segundo as investigações, montou um pool de empresários para suceder a quadrilha anterior. "Ele é símbolo, subproduto da corrupção e da impunidade que imperam no País", afirmou. "Ele lesa, frauda, chantageia, corrompe há anos e nada lhe acontece", acrescentou.

As investigações mostram que havia uma espécie de tabela da propina, paga de variadas formas, preferencialmente com dinheiro, mas também com empregos, passagens, mimos e vantagens diversas.

Como qualquer organização, as máfias da ECT tem estrutura vertical e horizontal, que está sendo dissecada pela PF e o MP. "Quanto mais poder, maior a propina", observou um policial.

Só nesta fase, foram levantadas 20 empresas envolvidas com o esquema. Algumas delas dominariam os setores de fornecimento de produtos e serviços desde a década de 90. Com base nos dados até agora reunidos, o MP está montando uma espécie de radiografia de como os criminosos pilotavam as fraudes. MP deve pedir prorrogação da prisão temporária dos cinco detidos e estuda transformar em preventiva, mais duradoura, a de Wascheck. "Ele é um elemento nocivo, corrupto contumaz, patológico mesmo e, mesmo vigiado com lupas, manteve sua influência no esquema".

Conforme as investigações, as organizações criminosas que atuam na ECT funcionam como um exército, com hierarquia e vários níveis de graduação, envolvendo servidores de escalões inferior, médio e alto.

As quadrilhas são esquadrinhadas a partir dos documentos apreendidos em 2005. Desde o final de 2006, o MP trabalha nesse acervo, integrado por farta documentação em papel e meio digital. O MP pediu à justiça federal que autorize o compartilhamento de todas as provas produzidas ao longo da investigação.

O Correio Híbrido Postal (CHP), um projeto de mais de R$ 4 bilhões, em implantação, para reformular todo o sistema postal brasileiro, é um dos contratos investigados. Um dos presos na operação atuava nele e suas informações serão úteis para aprofundar essa linha de investigação. Mas a operação Selo não tem correlação direta com o CHP. Só após a análise do material apreendido nas buscas e apreensões será possível verificar se há conexão.

Há múltiplos interesses na ECT. A fita em que Marinho é flagrado recebendo propina serviu de alavanca de força para os outros grupos, sobretudo Wascheck. Uma briga de quadrilhas se sucedeu à derrocada do esquema comandado pelo PTB.

Lula tentou destruir o que não podia extinguir

Reinaldo Azevedo

As agências reguladoras, algumas criadas no governo FHC — e elas funcionavam — passaram por um processo de depredação e degradação no governo Lula. Ele sempre detestou a idéia. Não custa observar que esta piada chamada Anac — Agência Nacional de Aviação Civil — foi inteiramente formada na gestão petista. Ela não carrega qualquer herança do governo anterior.Do que é que Lula nunca gostou nas agências? Do fato de haver alguns limites à politização: a direção não pode ser demitida pelo Executivo; tem a tal "autonomia". Ocorre que não há boa idéia — e a das agências é boa — que resista ao misto de aparelhamento do estado com incompetência.

Como Lula não podia demitir, foi metendo na Anac — e em todo lugar — os “cumpanhero”. Vá lá... Pode-se ser um bom ministro da Saúde sem ser médico: Serra foi. Pode-se ser um ministro eficiente da economia não sendo economista, mas médico: Antonio Palocci, dadas as circunstâncias, foi. Mas não se pode integrar uma agência de aviação civil — uma função essencialmente técnica — sem saber a diferença entre um charuto e um avião.

É o caso dos valentes da Anac. Não conseguiriam fazer um aviãozinho de papel, daqueles que, no meu tempo de primário, soltávamos no meio da turba quando se abriam os portões da escola. Qual é a credencial da tal Denise de Abreu para compor a direção da agência? Simples. É amiga e aliada de José Dirceu. E a expertise de Miton Zuanazzi para presidi-la, qual é? Por que ele mete o narigão na aviação civil? Uai! É peixinho de Dilma Rousseff desde os tempos em que ambos militavam no PDT gaúcho. Há um caralá que tem intimidade com o setor, sim: a TAM e a Gol, empresas que ele deveria fiscalizar, eram suas clientes...

Leiam o post abaixo. Lula está assim: “Huuummm, não sei, é preciso cuidado, sabem como é... A gente pode nomear para a agência reguladora, mas não pode demitir...” A verdade é que hoje ele tem um bom pretexto para dizer que as agências não funcionam, que elas não cumprem o seu papel etc. Eis o PT: primeiro depreda uma boa idéia, primeiro destrói o que funciona, para propor, depois, uma "alternativa". O partido fez isso com o “Provão” nas universidades. Resultado: hoje, as mantenedoras privadas não precisam provar eficiência. E ainda recebem dinheiro do ProUni na veia.

Quem sabe um dia a história possa fazer justiça a esses gafanhotos. Mas só o fará se houver quem decida afrontá-los. Porque está no DNA dessa gente fraudar a história também.

Que se note: Nelson Jobim (Defesa) assumiu cobrando a demissão coletiva da Anac. Já recuou. Por enquanto, fica todo mundo lá, com a medalha no peito, que lhes foi concedida por Juniti Saito, o comandante da Aeronáutica, num momento em que a Força, com efeito, resvalou o chão.

Depois de envenenar Anac, Dilma fala de antídotos’

Blog do Josias de Souza

O brasileiro vai, aos poucos, suprimindo de seus hábitos o ponto de exclamação. Espantosa época a nossa, em que se permite aos ministros fazer tudo e dizer qualquer coisa. Gestos e palavras nem sempre fazem nexo. Mas nada acontece. O absurdo adquiriu uma doce, arrebatadora, admirável naturalidade.

Veja-se o caso da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Ajudou a enfiar nos postos de direção da Anac um punhado de incompetentes. É parceira de Walfrido dos Mares Guia na articulação que acomodou o petista Milton Zuanazzi na poltrona de presidente da agência.

Dilma fez política numa área que reclamava rigores técnicos. Sobreveio o aerocaos. E a constatação de que, sob Lula, graças à esperteza dos ministros e à inapetência do Senado, a Anac convertera-se em descalabro.

Pois bem, em meio ao absurdo, Dilma leva à face um sorriso de aeromoça. E passa a discorrer sobre o futuro da Anac. Como se não tivesse nada a ver com o passado da encrenca. Nesta segunda-feira (13), a superministra defendeu, veja você, uma poda nos poderes das agências e a flexibilização dos mandatos fixos de seus gestores.

Ora, agências reguladoras, como o nome está a indicar, servem para “regular” e fiscalizar os setores econômicos sob sua alçada –no caso da Anac, o setor aéreo. Em tese, deveriam defender os interesses do consumidor. Seus gestores têm mandato justamente para que possam agir com desassombro, sem o receio de sofrer retaliações.

No caso da Anac, o problema está no uso político que se fez da agência, não nas normas que regem o seu funcionamento. O cargo público costuma ser feito pelo funcionário que o ocupa. Se a matéria-prima que a ministra ajudou a acomodar nas cadeiras da Anac não ajuda, é lícito que tente remediar o próprio erros. Mas a companheira Dilma deveria impor a si mesma uma penitência: para cada solução que apresentasse, faria pelo menos duas autocritícias.

A encrenca das agências reguladoras

Blog Lucia Hippolito
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Desde 1995, vinha diminuindo significativamente o peso do Estado na vida nacional. O programa de privatizações retirou do setor público a gestão de amplos setores da economia nacional, como telecomunicações, ferrovias, portos, rodovias, hidrelétricas.

A partir daí, o Estado tentou fixar-se mais em atividades de regulação do setor privado.Com isso, estimulou-se a criação de agências encarregadas de orientar e fiscalizar serviços públicos cuja exploração passou a ser executada pela iniciativa privada.

As primeiras agências a serem criadas, a Aneel e a Anatel, seguiam exatamente este modelo.

No entanto, como é comum acontecer no Brasil, houve uma proliferação desnecessária de agências. Passou-se a ter agência para tudo: petróleo, cinema, planos de saúde, transportes terrestres, aviação civil, águas. Atualmente, são dez agências reguladoras.

E por que houve a proliferação? Por um fenômeno muito típico do setor público brasileiro. Em geral, o funcionário público ganha mal – o marajá só existe nas estatais e em certas carreiras; o resto é barnabé mesmo –, e o plano de carreira, quando existe, contém inúmeras distorções.

Como as agências nasceram com a proposta de ter um quadro próprio, com uma carreira definida e, sobretudo, com a expectativa de uma escala salarial compatível com o setor privado, todo mundo quis virar agência.

Hoje existem agências que formulam as políticas do setor. Este não é papel da agência reguladora.

A formulação da política deve ser feita pelo Poder Executivo. À agência cabe executar as políticas e fiscalizar a atuação das empresas privadas que atuam no setor, sempre a partir das diretrizes formuladas pelo Executivo.

Caso contrário, acontece o que aconteceu: as agências foram capturadas pelas empresas que deveriam fiscalizar.

Quanto às relações entre as agências e o governo, uma coisa precisa ficar bem clara: nenhum governante gosta de agência reguladora. A existência da agência significa a retirada de parcelas de poder das mãos do Executivo e sua transferência para uma agência do Estado.

Nisso o presidente Lula não é diferente de Fernando Henrique. Ao assumir em 2003, Lula declarou que as agências eram uma forma de "terceirizar o governo".Fernando Henrique distancia-se de Lula porque percebeu logo que não haveria investimento de longo prazo sem garantia de estabilidade nas regras.

Hoje, Lula precisa de investimento privado pesado: hidrelétricas, ferrovias, melhorias em aeroportos, estradas e portos, além da expansão da rede de telefonia.Se não houver garantia de estabilidade das regras, que independem de governo – daí a importância das agências –, os investimentos não virão. Isto é certo.Mas é claro que a antipatia de Lula em relação às agências não foi idéia apenas dele. O maior inimigo das agências reguladoras dentro do governo é a ministra Dilma Roussef.

Quando era ministra das Minas e Energia, fez o possível para retirar poder das agências que atuavam na área do seu ministério. Não conseguindo, decidiu asfixiar as agências.

O orçamento foi reduzido ao mínimo, os dirigentes eram desprezados pelo governo, estimulados mesmo a renunciar a seus cargos. Várias agências passaram mais de ano sem um ou dois diretores, a ponto de inviabilizar certas decisões, que só poderiam ser tomadas por maioria do colegiado.

O golpe de misericórdia foi a politização excessiva das agências, instalando nas diretorias amigos, asseclas, acólitos, apadrinhados e apaniguados.

Com a tragédia da TAM, a incompetência da Anac explodiu em sua verdadeira grandeza. Mas os problemas das agências são antigos.

Desde 2004 dorme em alguma gaveta na Câmara dos Deputados o projeto de lei geral das agências reguladoras.

A quebra de braço entre governo e oposição está justamente na definição dos limites de atuação das agências.

A ministra Dilma quer reestatizar quase todas as atribuições das agências – se pudesse, pura e simplesmente extinguia as agências, e não se falaria mais nisso.A oposição quer restaurar o modelo original, com autonomia administrativa e fiscalizatória, mas não de formulação das políticas do setor.

Vamos ver como se encaminha a discussão. O fato é que o Brasil não pode ficar sem órgãos reguladores para certos setores da atividade econômica.

Quem vai ganhar esta quebra de braço, o país ou a ministra Dilma?

Façam suas apostas.

O histórico da CPMF

Imposto sobre movimentação financeira foi criado durante governo Itamar Franco
Jornal do Brasil

O primeiro ocupante da cadeira principal do Palácio do Planalto a descobrir um bom filão de recursos na taxação de movimentações financeiras foi Itamar Franco. O herdeiro de Fernando Collor de Mello elaborou a proposta de Emenda Constitucional 3, prontamente aprovada no Congresso. A emenda instituiu o imposto sobre movimentação financeira ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, cuja alíquota máxima deveria ser de 0,25%.

- Assim, em julho de 1993, entrou em vigor a lei complementar nº 77, que criava o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) - lembrou a analista da Tendências Consultoria Carolina Guerra e Souza.

O tributo só começou a ser cobrado em agosto, sem ser submetido ao princípio da anterioridade que estipula que o imposto só poderia começar a ser exigido dos contribuintes no ano seguinte, em 1994. O imposto foi cobrado por menos de um mês. Em setembro de 1993, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a arrecadação, por entender que o tributo só poderia ser cobrado no ano seguinte.

A CPMF só surgiu com Fernando Henrique Cardoso, em 1996, por outra emenda constitucional (número 12), aprovada com facilidade no Congresso.

- Pela proposta aprovada, o governo foi autorizado a instituir a CPMF pelo prazo de dois anos - salientou Carolina Guerra e Souza.

A alíquota não poderia ser superior a 0,25% prevista na IPMF de Itamar e financiaria exclusivamente as ações e serviços de saúde. Como previsto, depois de cumprir a noventena, a CPMF começou a ser cobrada e perdurou até janeiro de 1999. No mesmo mês, o governo de FH, prevendo substituir a arrecadação da CPMF, aprovou a cobrança de IOF sobre aplicações financeiras em fundos de investimentos com a alíquota de 0,38%, a mesma aplicada também sobre operações de crédito.

- O passo seguinte da história da CPMF foi a aprovação da emenda constitucional 21 que autorizou a cobrança por mais 36 meses, ampliando a alíquota para 0,38% - lembrou a analista da Tendências.

Mais tarde, a quatro meses da eleição que conduziu Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, o governo do tucano FH aprovou mais uma modificação na legislação. A tempo de evitar interrupções na arrecadação, em junho de 2002, o governo conseguiu aprovar no Congresso uma outra emenda constitucional (número 37) prorrogando a cobrança até dezembro de 2004.

- Mas pela emenda, a alíquota por dois anos - 2002 e 2003 - seria de 0,38%, caindo para 0,08% em 2004 - acrescentou Carolina Guerra, da Tendências.

Já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a legislação foi novamente alterada. Além de prorrogar por mais quatro anos a incidência da contribuição e das respectivas leis de regulamentação, uma nova emenda manteve a alíquota de 0,38% para o período de janeiro de 2004 até dezembro de 2007.

Mesmo que o Planalto não consiga aprovar a prorrogação da CPMF a tempo, o governo poderia se beneficiar, nos primeiros meses de 2008, da arrecadação tributária recorde nos últimos meses.

- Só neste primeiro semestre foram R$ 282,4 bilhões, dos quais pouco mais de 6% é da CPMF - finalizou a analista da Tendências. (M.S)

CPMF: Jatene diz que Lula e PT eram contra

Na entrevista a seguir, dada a Josias de Souza, da Folha, pelo ex-ministro da Saúde Adib Jatene, ele relembra como a CPMF foi re-criada por ele, no governo FHC, e nos conta qual era a posição de Lula e do PT: eram simplesmente contrários. Hoje, como estamos vendo, além de não abrir mão da CPMF, não pelo menos enquanto ele for presidente, Lula sequer aceita discutir nem a redução da alíquota, nem tampouco a divisão do bolo com estados e municípios.

Desta forma fica clara a incoerência seja de Lula seja de seu partido. Eles eram contrários conceder aos governantes da época aquilo do qual eles sequer são capazes de abrir mão no presente . “Dinheiro na mão é vendaval...” como diziam os versos de Paulinho da Viola em um de seus grandes sucessos. E é mesmo. Aqui o vendaval é de R$ 36,0 bilhões de reais, muito mais do total que o governo anualmente destina para investimentos.

Portanto, é preciso que fique claro que Lula, quando oposição, não tinha a menor idéia do mal que praticava, ele com seu partido, nas posições xiitas e ignorantes de sua oposição capenga. Não que a CPMF deva ser uma bandeira da qual não se possa abrir mão. Creio que ela sequer chegou a cumprir com a missão para a qual foi criada, uma vez que seu projeto original foi desvirtuado no Congresso nacional, e a tal ponto que hoje sequer um centavo é destinado para a área da Saúde. Sendo assim, perdeu sua identidade e legitimidade. Deveria, neste caso, ser extinta, pura e simplesmente. E parece que o PSDB, precisamente Serra e Aécio ainda não se deram conta disso: o projeto da emenda de prorrogação prevê sua extinção em 2011, portanto, já dentro do próximo governo, que pode ter a frente um deles. Ou seja, a armadilha desenhada pelo projeto do governo Lula é bancar a pose de haver previsto a extinção da CPMF, sem contudo abrir mão de sua arrecadação enquanto ele for presidente.

Assim, o próximo mandatário iniciará seu governo sem poder contar com os nada desprezíveis R$ 36,0 bilhões. E, sabendo-se o país que lhe será transmitido pelo atual governo, convenhamos, é um prejuízo danado. Ao invés dos dois tucanos, candidatos a sucessão de Lula, ficarem bicando para romper a resistência governista e terem repartido o bolo da arrecadação da CPMF repartida com os Estados, deveriam empenhar-se por sua extinção pura e simples e já. Dane-se futebol clube para Lula e seus “pacs”. Com CPMF ou não, Lula não cumprirá nem metade do que a listagem de boas intenções prevê. Além disto, e nós já demonstramos aqui, o excedente de arrecadação não prevista no Orçamento de 2007, está projetada hoje em R$ 50,0 bilhões de reais, bem mais do que a CPMF arrecadaria no ano.

E por último vale dizer o seguinte: o país está exaurido de tanta carga tributária, e o governo atual não tem tido o menor respeito com o dinheiro público, promovendo uma orgia de gastos sem a menor responsabilidade. Se ainda esta gastança desenfreada fosse em coisas que revertessem em benefícios para o país, vá lá: a gente até entendia e acabava consentindo. Mas se sabe, e disto seguidamente temos noticiado, mesmo com o dinheiro da CPMF, o governo tem-na usada para bancar festinhas, desperdícios sem conta, cartões de crédito corporativos, portanto, nada guardando a mínima ligação com investimentos em áreas vitais para o crescimento do país como educação, saneamento básico, infra-estrutura, segurança pública e saúde.

Segue a entrevista com o Dr. Adib Jatene, o pai da CPMF. Apenas um reparo: no texto, Josias de Souza informa que a CPMF foi criada no governo Fernando Henrique. Com o formato atual sim, mas sua instituição nasceu mesmo foi no governo Itamar Franco, em julho de 1993, sob o nome de IPMF. Vejam na reportagem seguinte um histórico numa reportagem do Jornal do Brasil. Mas primeiro, a entrevista do Jatene.

‘Fiz um esforço danado, mas eles fecharam questão contra’

Ministro da Saúde de FHC, o cardiologista Adib Jatene diz que, no seu formato original, a CPMF era “vinculada à Saúde”. Depois, tornou-se apenas "mais uma fonte do Tesouro". Conta que pediu demissão, em novembro de 96, porque o governo reduziu o orçamento da Saúde depois que o Congresso aprovou a CPMF. "Puxaram o meu tapete”, lamenta. Abaixo, a entrevista:

- CPMF foi desvirtuada?
Não é mais o que eu tinha proposto. Uma parte continua indo para a Saúde. Mas tornou-se mais uma fonte do Ministério da Fazenda, como é a Cofins, a CSLL e qualquer outro tributo.

- Como era a proposta original?
Foi aprovado no final de 1996. Era vinculado à Saúde. Duraria dois anos. Depois, foi modificado. A alíquota passou de 0,20% para 0,38%. Na minha época, a área econômica não acreditava que eu conseguiria aprovar no Congresso. Depois, não acreditavam que a arrecadação seria importante. A coisa se mostrou diferente. Eles acharam ótimo. E virou fonte para o Tesouro.

- Como se comportou o PT na votação da CPMF?
Ah, o PT fechou questão contra. O Eduardo Jorge, que era deputado na época, foi o único petista que votou a favor. E sofreu advertência do partido. Eu cheguei a falar com o Lula e com o José Dirceu.

- Falou com o Lula uma vez?
Tive duas reuniões com ele. Fiz um esforço danado. Havia outros petistas dispostos a aprovar. Mas eles fecharam questão contra (gargalhadas).

- O senhor ri?
O que você quer que eu faça? Nada como um dia atrás do outro.

- Sua saída do governo FHC teve relação com a CPMF?
Teve relação direta. Eu disse ao presidente Fernando Henrique que precisava de recursos. Ele pediu para falar com o Pedro Malan [ministro da Fazenda]. O Malan me disse que, em dois ou três anos, daria o dinheiro que eu precisava. Não podia esperar tanto tempo. Propus a volta do imposto sobre o cheque, que se chamava IPMF e havia sido extinto em 94. O presidente disse: ‘Você não vai conseguir aprovar isso.’ Respondi: Posso tentar? Ele autorizou. Pedi o compromisso dele de que o orçamento da Saúde não seria reduzido. A CPMF entraria como o adicional. E ele: ‘Isso eu posso te garantir’. Depois da aprovação, a Fazenda reduziu o meu orçamento. Voltei ao presidente. Disse: no Congresso, me diziam que isso ia acontecer. Eu respondia que não, porque tinha a sua palavra. Se o senhor não consegue manter a sua palavra, entendo a sua dificuldade. Mas me faça um favor. Ponha outro no meu lugar. Foi assim que eu saí, em novembro de 96.

- Se arrepende de ter criado a CPMF?
Não. Consegui a aprovação, que ninguém acreditava. Se depois me puxaram o tapete não é culpa minha. Fiz a minha parte. Era um gestor. Não tinha recursos. Fui buscar. Se depois me tiraram o recurso, a responsabilidade não é minha.

- A Saúde continua precisando de dinheiro?
Claro que sim. O orçamento da Seguridade neste ano é de R$ 370 bilhões –30% deveria ir para a Saúde. Dá R$ 111 bilhões. Mas o orçamento da Saúde é de R$ 46 bilhões. A diferença é de R$ 65 bilhões. Diz-se que o problema da Saúde é de gestão. Isso é uma bobagem. O problema é de falta de dinheiro.

Só faltou acusar a imprensa...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

É impressionante como o Lula é repetitivo em seus erros. Em relação a Renan Calheiros, a história de Roberto Jeffeson, ao tempo do estouro do mensalão, mais uma vez Lula repete-se e sai em defesa de um aliado sem sequer se dar ao trabalho de aguardar o desfecho das investigações. E claro, dentro de sua ótica capenga e de coerência zero e muita desfaçatez, vai dando tiro em quem nada tem a ver com o caso. Assim, ao invés de se manter neutro e deixar que os agentes encarregados de investigar as graves acusações que pesam sobre o presidente do senado, vai logo acusando a oposição pela “crise Renam”. Primeiro, que a tal crise nasceu não foi por obra e graça da oposição. Nasceu de uma reportagem feita pela revista VEJA, em que Mônica Velloso acusou o senador alagoano de lhe haver pago pensão alimentícia de uma filha do casal, através de um lobista da Construtora Mendes Junior. E até prova em contrário, a VEJA é um veículo de comunicação e não um partido político com assento no Congresso Nacional.

Quando estourou o escândalo dos Correios e que acabou desencadeando todo o rolo do mensalão, ao ser questionado sobre o assunto, Lula disse que o companheiro Jefferson merecia crédito, e que entregaria ao então deputado pelo PTB um cheque em branco. Como se viu, ou esqueceu de assinar o cheque ou sustou o pagamento...

E vou mais longe: toda a “crise Renam”, devemos ser justos, foi criada pelo próprio senador, que na tentativa de se defender, acabou por tornar sua própria defesa num libelo acusatório, quando entregou documentos falsos e informações inverídicas, as quais confrontadas, não resistiram em pé nem por rasos cinco minutos. Queria o senhor Luiz Inácio que a oposição fizesse o quê neste caso, passasse por cima, ignorasse as acusações e estendesse o tapete sagrado da impunidade, como o próprio Lula faz com seus companheiros aloprados ? E, se estivesse Lula e petê na oposição fariam o que de diferente do que a oposição fez ? Nesta altura, já estariam nas ruas com cartazes e gritos de ordem, tipo “Fora Renam”! Impressionante o senhor Luiz Inácio desta vez ter deixado de fora a Imprensa de sua retórica demagógica.

E que fique claro: cabe sim a oposição apurar, mandar investigar e, se culpado, empenhar-se por cassar o mandato de quem não soube honrá-lo dentro dos princípios e normas legais. E ponto final.

O que não se pode ignorar, como Lula gostaria, é de que um senador foi pego em ações, digamos, que afrontam a linha divisória do que é público do que é privado. Até porque, até o próprio presidente reconhece que o senado não interrompeu seus trabalhos, e as oposições não obstruíram as votações de matérias de interesse do próprio governo. Em que deve ser recriminada, então ? Recriminada deve ser a intromissão inadequada e imprudente do presidente Lula nas ações internas de um outro poder da república, querendo “condicionar” a investigação ou querer determinar o desfecho de um caso que não lhe compete pela posição que ocupa, sequer palpitar.

O senhor Luiz Inácio precisa se dar conta que o Brasil é um país onde impera impunidade demais, com punições de menos. Tivesse ele a decência de dar a sua administração um viés de ética e moralidade à máquina pública, provavelmente o incentivo escancarado a ações delituosas consagrados pela impunidade dominante, não se tivesse espalhado por todo o país.

Além do mais, enquanto foi oposição, Lula da Silva e seus sequazes pediam a cabeça de palito de fósforo dentro da caixa. Cometeram mil e uma injustiças, jogando na lama inúmeras reputações, sem que jamais se tenha ouvido um mero pedido de desculpas.

O caso do senador se arrasta além de “uma semana possível de resolver”, não porque a oposição esteja investida de um sentimento de criadora de “casos”. A crise se arrasta por obra de Renam Calheiros em atrasar o fornecimento de documentação em que comprove sua inocência, como também por manobras sorrateiras inspirados por “conselheiros" do próprio Palácio Planalto na intenção canalha de acobertar mais uma miséria moral dos gigolôs da nação.

Esta avaliação do senhor Luiz Inácio serviu apenas para irritar a oposição.

"Isto mostra a visão caolha de Lula, que não enxerga o Congresso com os mesmos olhos com que a sociedade o vê", protestou o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), ao lembrar que os senadores é que têm se encarregado de "fazer o purgatório" do que está acontecendo com companheiros.

"É Lula quem não enxerga o que o Brasil está enxergando: o Senado sangrando e exigindo investigação justa de veredicto rápido", afirmou Agripino. O líder está convencido de que a demora no julgamento decorre da procrastinação e das denúncias novas que surgem.

E já que o governo federal não toma iniciativa de moralizar a máquina pública, até pelo contrário, incentiva e dissemina a bandalheira e promiscuidade, que pelo menos a oposição cumpra seu papel de direito. Não compete, pois, ao senhor Luiz Inácio querer dar lições de uma moral que não tem, bem como sequer competência lhe é atribuída para se intrometer em assuntos internos da casa alheia que é o Senado Federal.

Por fim, é preciso que a investigação demore o tempo que for necessário para que ao final se apure a verdade dos fatos, e que se houver culpados, e sendo indispensável que se aponte quais são, não se cometa nem a injustiça da acusação leviana, sem provas, nem tampouco se acoberte impunemente aqueles que infringiram a lei. Não serão discursos vazios nem imbecis, como também não serão a truculência de ameaças infantis de retaliações, que darão desfecho ao caso, e sim investigações feitas com técnica e esmero para que ao final se tenha uma posição que não deixe nenhuma sombra de dúvidas. No berro é que não se faz democracia. Lula, ao menos em tese, deveria saber muito bem disto, muito embora sua atuação, seja na oposição ou no governo, verse sempre muito mais pelo destempero do que pela lucidez e equilíbrio.

Em tempo: é tão fantasiosa quanto ridícula a acusação de Lula em relação a oposição para o caso Renam, que na edição que circula hoje do Jornal do Brasil, matéria assinada por Vasconcello Quadros, e com a manchete “Laudo dirá que notas de Renan são falsas”, vale reproduzir o parágrafo inicial:

“(..)O laudo da Polícia Federal vai apontar que vários recibos e notas fiscais apresentados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao Conselho de Ética são "ideologicamente falsos" e não servem para justificar boa parte das operações que resultaram no patrimônio de R$ 1,9 milhão, de onde o senador alega ter saído o dinheiro repassado para a jornalista Mônica Veloso(...)”.

E agora, senhor Luiz Inácio, como é que fica a história do “criarem caso” ? Certa feita já havíamos recomendado: em boca fechada não apenas não entra mosca, mas também dela não sai besteira...

Acabou o prazo de validade deste senhor

Reinaldo Azevedo

Os líderes do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), e do DEM , Agripino Maia (RN), reiteraram que seus respectivos partidos seguem em obstrução enquanto Renan permanecer na presidência da Casa. É o mínimo que se espera das duas legendas. Renan é aliado de Lula. Se o PT e a parte do PMDB sensível à ação do Planalto retirarem seu apoio ao presidente, ele deixa o cargo. A questão é saber se o governo está disposto a pagar o preço da retaliação, que viria, certa como a luz do dia. Eu volto a escrever: acho que a fase dos apelos das oposições a Renan também já está vencida. O Senado está sendo desmoralizado. É preciso pensar em outras formas de luta, ainda que marcadas só pelo simbolismo.

Até que os processos contra Renan não cheguem ao plenário, ninguém o obriga a renunciar se ele não quiser — a não ser um improvável consenso entre todos os partidos, pedindo a sua saída e se negando a ser presidido por ele. A obstrução de PSDB e DEM, que está correta, começa a se mostrar já uma ação tímida. É preciso que fique evidente que se trata da maior — notem bem: a maior — crise da história do Senado brasileiro, incluindo República e Império. Jamais esteve à frente da Casa alguém sobre quem pesassem tantas acusações. Jamais alguém em tal cadeira esteve impedido de exercer a sua função em benefício do andamento dos trabalhos, como Renan já teve de fazer.Crises inéditas requerem respostas também inéditas. Além da obstrução e de discursos diários, para marcar posição, cobrando a renúncia de Renan à presidência, PSDB, DEM e demais senadores que não se sentirem confortáveis sob o seu comando deveriam escolher alguma sala da Casa para funcionar como uma espécie de “Senado em Estado de Vigília”, com um presidente alternativo.

Chegou a hora de dar a essa crise a sua real dimensão. Renan Calheiros escarnece de seus pares, escarnece da opinião pública, escarnece dos brasileiros, trata-os a todos como idiotas. E tripudia sobre a evidência dos fatos. Chama recibos frios de “documentos”. Incapaz de provar seus rendimentos e a verdade de suas alegações, inventa conspirações. Não conseguiria hoje presidir uma sessão conjunta do Congresso porque boa parte dos deputados não se submeteria à sua condução.

Acabou o prazo de validade deste senhor.

Rodeio Da Independência

por Christina Fontenelle, site Diego Casagrande
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Não, nós não estamos em véspera de eleição e o país não tem lá muita coisa para comemorar em termos de independência e muito menos de patriotismo. Mas, mesmo assim, o governo do presimente Luiz Inácio da Silva, vai desembolsar cerca de 20% a mais com as comemorações do 7 de setembro em Brasília, do que com as festividades pelo dia da independência do ano passado, com as quais foram gastos R$ 1,4 milhão.

O público que comparece aos desfiles vem diminuindo drasticamente - nos últimos dois anos foi de aproximadamente 30 mil pessoas, metade do recorde do desfile que foi em 2004. No desfile deste ano, apesar do acréscimo nos gastos, serão montados três telões, ao invés de 4, como no ano passado. Haverá, também, uma sala climatizada, com 80 metros quadrados e serão erguidas cinco tribunas, para autoridades e convidados, providas de 1.200 cadeiras. Detalhe: de acordo com exigência do edital de licitação – realizado através de pregão eletrônico - publicado no Diário Oficial de 16 de julho deste ano, o estofamento das tais cadeiras não pode ser plástico – que a recomendação fosse em relação ao material da estrutura, a gente até entende, por motivos óbvios (elas não são resistentes a excesso de peso); mas, em relação ao estofamento?! É a prosperidade, como diria o ministro Mantega...

O dinheirinho que vai bancar essa extravagância partido-patrótica é o seu e o meu, caro leitor. Dinheiro dos impostos pagos pelos brasileiros. Vamos todos pagar pela festa (dos outros, é claro). Participar mesmo, com direito à manifestação do tipo "quero meu país de volta" e/ou "cansei", vai ficar difícil. As previsões são de que a festa deste ano deve garantir uma "blindagem" do presimente Lula e de seus colegas mais rigorosa ainda que a do ano passado. Serão gastos mais de R$ 250 mil só em grades de isolamento.

Para quem não se lembra, no desfile de 2005, na área bem frente ao palanque, mais ao fundo, posicionaram-se manifestantes com faixas que pediam inclusive o impeachment de vossa excelência, o presimente.

O edital de licitação lançado no dia 16 de julho previa um gasto de R$ 2,485 milhões. É que, esse ano, temos uma novidade. Como se o Exército, a Marinha e a Aeronáutica não estivessem em condições de fazer, como vêm fazendo há mais de um século, a nossa festa nacional, com custos bem menores, o governo vai pagar a bagatela de R$ 2.202.975,60 - dois milhões duzentos e dois mil novecentos e setenta e cinco reais e sessenta centavos - a uma empresa do interior de Goiás para organizar a festa.

Sim, a presidência da república contratou uma "empresa especializada para a realização de logística das ações comemorativas da Semana Cívica e do desfile de 7 de Setembro", em Brasília. Especializada? Sim, senhores! A empresa especializada é uma firma promotora de rodeios e vaquejadas, que aluga palanques e arquibancadas para eventos pecuários pelo Centro-Oeste. Tudo a ver com as festividades cívicas! Afinal, a João Palestino Eventos – nome da conceituada empresa – doou dinheiro para a campanha eleitoral do PR , o partido do nosso vice-presidente da república, que é chefiado, em Goiás, por ninguém menos que o deputado Sandro Mabel. Sandro Mabel? Esse nome não me é estranho... Lembrei! Mabel é aquele (ou mais um daqueles) deputado que escapou da cassação por corrupção. Lembrete sem importância: a João Palestino Eventos já esteve envolvida em processos de superfaturamento no Tribunal de Contas de Goiás (mas, eu não sei no que deram).

TOQUEDEPRIMA...

***** Aumento de servidor chega a 80% e supera setor privado
De Gustavo Patu na Folha de S.Paulo

Um ano depois de um pacote de reajustes salariais que até hoje mantém os gastos com pessoal da União em alta, a elite do funcionalismo público federal já acumula ganhos acima da inflação, superiores aos padrões da iniciativa privada.

Nas dez carreiras mais valorizadas do Executivo federal, todas de nível superior e quase todas exclusivas do Estado, o aumento real dos vencimentos desde o primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva varia de 15% a 80%, segundo levantamento feito pela Folha.

É mais que o suficiente para incluir os servidores, uma das bases políticas mais tradicionais do PT, entre os setores do mercado de trabalho mais bem-sucedidos dos últimos quatro anos -e para levar, neste ano, os gastos com pessoal acima do patamar de 5% do PIB pela primeira vez sob Lula.

O menor ganho desse contingente no período, concedido aos pesquisadores em ciência e tecnologia com doutorado, corresponde ao maior percentual apurado pelas pesquisas do Datafolha entre empresas privadas da Grande São Paulo -neste caso, a liderança fica com ocupações de nível básico ligadas à produção, que reúne, entre outros, mestres-de-obras, carpinteiros e eletricistas."

***** Não há prova de que dinheiro de Renan veio de gado, diz PF
De Josias de Souza na Folha de S.Paulo

"O Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal conclui nos próximos dias a perícia nos documentos que compõem a defesa de Renan Calheiros (PMDB-AL). Trará notícias ruins para o presidente do Senado.

No esforço para comprovar que dispunha de dinheiro para pagar pensão a Mônica Veloso, com quem tem uma filha, o senador disse ter amealhado, entre 2003 e 2006, R$ 1,9 milhão com a venda de gado. Apresentou notas e recibos. Os peritos da PF encontraram em sua conta valores assemelhados.

Mas não identificaram elementos capazes de atestar, de forma cabal, que o dinheiro tenha vindo do comércio de gado.

A menos que surjam novos papéis, as fragilidades já mapeadas serão anotadas na perícia a ser entregue ao Conselho de Ética. O documento servirá de base ao relatório que pedirá a punição ou não de Renan no processo que apura a suspeita de uso de verbas da Mendes Júnior para pagar a pensão."

***** "Renangate" terá dois relatórios no Conselho de Ética
da Folha Online

Renan Calheiros e os aliados que ainda estão com o senador já farejam a derrota do presidente do Senado no Conselho de Ética. Em privado, têm uma certeza: o relatório final do caso que apura o uso de verbas da Mendes Júnior no custeio da pensão à jornalista Mônica Veloso pedirá a cassação do mandato de Renan.

Para "marcar posição", o grupo de Renan decidiu apresentar um relatório paralelo, favorável ao arquivamento da denúncia. É o que informa o blog do Josias.

O processo tem três relatores: Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE). Em tese, a trinca deveria produzir um relatório único. Haverá, porém, dois: Casagrande e Serrano devem produzir o texto que vai propugnar a cassação do mandato de Renan. Almeida Lima fará o texto favorável à absolvição do senador.

***** MP investiga condições de trabalho
De Evandro Éboli em O Globo

"Investigações do Ministério Público do Trabalho detectaram graves problemas nas condições de trabalho de funcionários de empresas de aviação civil: funcionários que atuam no check-in são terceirizados e sofrem pressões de superiores; pilotos e comissários voam mais tempo do que deveriam; e há gente sem especialização atuando em áreas que podem gerar riscos.

O avião da Gol, que se chocou com um jato Legacy no final 2006, e a explosão do Airbus da TAM, no mês passado, trouxeram à tona os problemas. Tanto que das 131 denúncias que o MP investiga, 62 chegaram nos últimos 12 meses. Das denúncias, 28 envolvem a Varig, 26 casos são contra a TAM, 22 contra a Vasp e 11 contra a Gol.

Na sexta-feira, procuradores se reuniram, em Brasília, com representantes dos sindicatos de aeronautas (pilotos e comissárias) e aeroviários (funcionários de terra). Bruno Luna, despachante técnico da Gol e diretor do Sindicato dos Aeroviários, revelou que há até trabalhador terceirizado, contratado de empresa de conservação, que atua na tarefa de taxiar o avião após o pouso."

***** Dinheiro financiou festas

Segundo reportagem publicada ontem pelo JB, o Estado de São Paulo aparece como destino do maior montante de recursos da CPMF encaminhado pela União sob forma de contribuição para custeio de despesas com a saúde pública. Cerca de R$ 891 milhões foram repassados, neste ano, ao governo estadual. Outros R$ 846 milhões seguiram para as prefeituras paulistas, até o fim de julho. Ainda assim o Estado, maior gerador de arrecadação da CPMF, recebe apenas R$ 1 de cada R$ 5 que paga, segundo dados da Associação Contas Abertas.

Por volta de 45% desse montante serviu para pagar serviços terceirizados de saúde a instituições particulares e filantrópicas credenciadas junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). No Estado do Rio de Janeiro, esse percentual cai para 41,5%, de um volume de recursos da ordem de R$ 2,3 bilhões, segundo informações do Datasus - banco de dados do Sistema Único de Saúde. Desse montante, R$ 656,5 milhões foram repassados pela União ao governo estadual e prefeituras cariocas na rubrica de contribuições, dentro do bolo da CPMF.

Entram nessa conta desde as despesas com terceirização de serviços de saúde até gastos com compra de material de cozinha ou cama e mesa. Neste ano, por exemplo, os gastos com passagens representaram despesas de R$ 302,4 mil, até julho. Diárias em hotéis custaram outros R$ 173 mil, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal (Siafi), que mostra algumas "curiosidades" entre as despesas custeadas pela CPMF na área da saúde. Cerca de R$ 5,3 mil foram gastos sob a rubrica de festas e homenagens. Outros R$ 2.828 serviram para a compra de sementes e mudas de plantas. (Karla Correia)

***** Coisas do coração na CPI

O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) trabalha nos bastidores da CPI do Apagão Aéreo na Câmara para evitar o depoimento de Denise Abreu, da Agência Nacional de Aviação Civil. Quinta ela depõe no Senado, mas é seu depoimento na CPI da Câmara que preocupa. Jeitoso, simpático até com opositores, Vacarezza suplica aos colegas para poupar Denise, e segreda "razões pessoais" no seu esforço: eles são mais ligados do que se imagina.

O ex-ministro José Dirceu levou a fama, mas quem indicou Denise Abreu para a Casa Civil e depois para a Anac foi seu protetor Cândido Vacarezza.

Cândido Vacarezza ofereceu à CPI do Apagão "qualquer diretor da Anac, até o Milton Zuanazzi" para depor, desde que Denise Abreu fosse poupada.

Influente no Planalto e junto ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, Cândido Vacarezza tem tudo para conseguir livrar a querida amiga da CPI.

***** Nenhuma surpresa

O ator e militante petista Paulo Betti, aquele que desculpou as maracutaias do governo Lula afirmando que às vezes é preciso "sujar as mãos", revelou à revista Quem que roubava livros de livrarias, quando jovem. Faz sentido.

MEC alerta para "apagão" no Ensino Médio

Carol Medeiros e Maria Luisa Barros, O Dia

A falta de professores na Educação Básica em todo o País acendeu o alerta vermelho no Ministério da Educação (MEC). Preocupado com o que definiu em relatório como ameaça de um "apagão do Ensino Médio", o ministério instituiu uma comissão especial para estudar medidas em caráter emergencial a fim de superar o déficit de 710 mil professores - 78 mil no Rio - para turmas de 5ª a 8ª série e do Ensino Médio, sobretudo nas disciplinas Física, Química, Matemática e Biologia. O risco do agravamento da falta de mestres é tão sério que o problema se tornou prioridade do governo federal neste semestre.

Segundo o Conselho Nacional de Educação, autor do documento elaborado em maio, há pouco interesse dos jovens pela profissão devido a baixos salários, violência nas escolas e superlotação nas salas. Assim como na crise aérea - agravada pela popularização das viagens de avião -, o ensino vive fase de grande expansão de matrículas: 5,6 milhões em 1998 para 8,9 milhões em 2004. Da mesma forma, os baixos salários e o estresse têm provocado o êxodo de profissionais da aviação e do magistério. Para completar o caos, as vagas abertas com a evasão de mestres e controladores não são preenchidas na quantidade ideal. O resultado são milhares de pessoas sem acesso ao serviço, o que, no caso de estudantes, pode condenar a educação brasileira.

Um retrato fluminense da crise nacional do magistério é a maior universidade do Rio. Ano passado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) formou 69 professores para lecionar nas quatro disciplinas críticas: 40 em Química, 12 em Física, 11 em Matemática e apenas 6 em Biologia. Só nessas quatro matérias a carência no Brasil é de 272.237 mestres.

No relatório são apresentadas propostas para serem adotadas por escolas e universidades brasileiras. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, o Brasil corre sério risco de ficar sem professores de Ensino Médio na rede pública na próxima década. "A escassez de profissionais já é assunto de decisão estratégica do governo. Não podemos mais continuar formando 5 ou 10 professores", diz Clélia Brandão Alvarenga, presidente da Câmara de Educação Básica.

Os números do relatório do MEC são alarmantes. Algumas disciplinas formaram, em 10 anos, metade do número necessário de professores para cobrir a demanda nacional. Matemática é um dos exemplos mais preocupantes e revela uma crise nacional que está prestes a estourar. De 1990 a 2001, em todo o País, foram licenciados apenas 55.334 professores de Matemática. A carência de docentes da matéria no Brasil chega a 106.634.

Além do número insuficiente de profissionais que se formam anualmente, há ainda os que concluem o curso mas desistem do magistério no início da carreira. Leonardo Moraes é um caso típico de que o sonho de ser professor e a paixão pela sala de aula não são mais suficientes, e um número cada vez maior de docentes abandonam o quadro negro para seguir carreiras mais promissoras. Aos 24 anos, ele está largando as turmas de Matemática do Ensino Médio. "Fiz faculdade por vocação. Queria ser professor e me sentia realizado dentro da sala de aula. Dei aula por dois anos. Mas essa bagunça na rede estadual, as condições precárias das escolas, a falta de estrutura mínima para darmos uma aula decente e o salário que não paga nem as contas, ninguém agüenta", desabafa.

Leonardo reduziu a carga horária e está dando aulas só à noite. Usa o resto do tempo para enviar currículos e estudar para concurso. Seu objetivo agora é mudar de área: "a urgência é ter um emprego que me dê retorno financeiro. Mas vou fazer vestibular para Engenharia. É uma carreira valorizada, com chances melhores".

O déficit de mestres na rede estadual, onde se concentram 85% das matrículas do Ensino Médio, coloca em desvantagem seus candidatos ao vestibular. Dos 13.500 postulantes oriundos da rede pública que se inscreveram no Vestibular 2007 da Universidade Federal Fluminense (UFF), apenas 4,5% conseguiram de fato ingressar na instituição. Mesmo assim, estudantes das públicas passaram para cursos menos concorridos, como as licenciaturas.

A crise no ensino brasileiro compromete a formação de novos mestres. José Carlos da Conceição, 35 anos, cursa o último ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Visconde de Itaboraí (Cevi), em Itaboraí, e até hoje não teve aula de Matemática. Por triste ironia, José Carlos quer ser professor da disciplina, mas está tendo que estudar por conta própria para prestar o vestibular e tentar uma bolsa do ProUni numa faculdade particular. "A turma estava disposta a pagar um professor. Há duas semanas a escola conseguiu um, mas ele ainda não começou", lamenta.

Poder absoluto

Olavo de Carvalho, filósofo, Jornal do Brasil

Um breve exame do site http://osamigosdopresidentelula. blogspot.com/ basta para mostrar que o esquema petista tem o controle total da situação política e domina seus adversários para muito além do que estes ousam admitir em público ou até perante si mesmos.

O PT possui, para começar, um serviço de inteligência com informantes voluntários espalhados por todos os setores da existência social, prontos a vasculhar a vida financeira e pessoal de cada inimigo, fornecendo ao comando petista os elementos para destruir em poucos minutos as reputações que bem entenda. Os serviços secretos oficiais, hoje aliás também sob o controle do Partido-Estado, são apenas um pontinho na imensa área coberta pela KGB lulista.

O domínio estratégico que o PT exerce sobre a situação nacional estende-se para muito além do território brasileiro. Núcleos petistas ativos nos EUA e na Europa criaram uma rede de contatos que dá ao partido os meios de intimidar e paralisar seus adversários por intermédio da pressão de poderes internacionais (e ainda reclamar que "agentes do imperialismo" são os outros). Quem pode contra isso?

Há ainda a imensa malha de organizações militantes, treinadas e experientes, fazendo com que a declaração do senhor presidente, de que é o campeão imbatível da mobilização popular, não seja de modo algum uma bravata, mas a expressão fiel de uma realidade temível.

Os adversários do petismo, em contrapartida, só têm, em matéria de meios de ação, aqueles que lhes são propiciados pela posse de vários órgãos de comunicação - jornais, rádios e estações de TV - cujo funcionamento depende da proteção estatal e, portanto, em última instância, do beneplácito petista. O PT é proprietário e mandante direto dos seus meios de ação e ao mesmo tempo é o provedor e administrador das armas dos seus adversários, apto a controlar a pressão oposicionista como o maquinista que gira as válvulas numa caldeira industrial.

Tais são as razões pelas quais a chamada "Zé-lite" só pode mover, contra o império petista, uma oposição débil, autocastrada e condenada a sobreviver dos favores de um inimigo onipotente. Toda a vida política nacional tornou-se uma agitação de superfície que só serve para encobrir e garantir a supremacia petista.

Nem conto, nesse diagnóstico, com o fato incontestável de que quase todos os antipetistas na classe rica estão tão sujos e comprometidos em esquemas de corrupção quanto a própria elite petista, com a diferença de que esta sabe mais da vida deles do que eles jamais saberão dela.

Nem menciono a evidência banal de que todo o trabalho petista se apóia numa elaboração analítica e estratégica de muitas décadas, que lhe dá uma retaguarda histórica e um horizonte de consciência incomparavelmente mais vastos do que seus adversários podem sequer imaginar.

E não é preciso lembrar que a assim chamada "oposição", culturalmente cercada e enquadrada pela hegemonia gramsciana desde pelo menos duas gerações, nem mesmo consegue raciocinar fora dos parâmetros impostos pela cosmovisão esquerdista que domina até os pontos mais íntimos e discretos do imaginário nacional.

O fato de que até manifestações populares modestas e limitadíssimas, como as que se viram nas semanas passadas, surjam aos olhos do PT como intoleráveis ameaças golpistas, mostra até que ponto o esquema dominante se afeiçoou às delícias de um poder absoluto que nem mesmo precisa destruir fisicamente seus adversários porque psicologicamente já os colocou de joelhos.

A caminho da reestatização

Editorial do Estado de São Paulo
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O presidente Lula, dizem seus auxiliares, não pretende reestatizar a economia. Quer apenas destravar os investimentos. Talvez ele não queira, mas seu governo age, desde o início do segundo mandato, como se a reestatização de setores considerados estratégicos fosse um de seus objetivos centrais. Empresários ligaram o sinal de alarme, na semana passada, quando a Petrobrás comprou a Suzano Petroquímica por R$ 2,7 bilhões. Com essa operação, foi rompido um padrão de comportamento, observou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Carlos Mariani Bittencourt: em seu retorno gradual ao setor petroquímico, a estatal vinha adquirindo participações, mas não controle de empresas. Na operação anterior, a Petrobrás havia comprado os ativos petroquímicos da Ipiranga em parceria com a Braskem. O presidente da Braskem, José Carlos Grubisish, mostrou-se inquieto diante do novo lance da estatal: "Queremos uma posição clara e objetiva. Não entendemos claramente a posição da Petrobrás até o momento." O avanço na petroquímica é apenas um dos indícios de uma nova política estatizante.
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Também nos setores elétrico e de telecomunicações o governo age como se pretendesse retomar a liderança dos investimentos e o controle das principais decisões. Segundo portaria do Ministério de Minas e Energia, construtores e fornecedores poderão ter no máximo 20% do capital da sociedade concessionária da Usina de Santo Antônio, a primeira das duas hidrelétricas planejadas para o Rio Madeira. Representantes das construtoras mostraram preocupação ao conhecer o texto da portaria, divulgado na sexta-feira e publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial da União. O objetivo do governo, de acordo com a primeira interpretação, só pode ser o controle dos grandes empreendimentos programados para o setor elétrico. O Grupo Eletrobrás começou em 2003 a comprar participação nos projetos hidrelétricos leiloados pelo governo e essa tendência parece agora intensificar-se. Reportagem publicada no Estado de domingo mostrou as principais iniciativas do Grupo Eletrobrás nos últimos quatro anos e sublinhou a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em apoio à política da estatal.

No caso das telecomunicações, os sinais de reorientação surgiram no começo do primeiro mandato petista. Inicialmente o Ministério das Comunicações tentou atropelar a agência reguladora, a Anatel, para assumir o controle da política de tarifas. Recentemente, o ministro Hélio Costa defendeu a criação de uma grande operadora nacional, por meio da fusão de duas empresas, ficando o Estado com uma golden share, isto é, com o poder de interferir nas principais decisões da nova companhia.

Todas essas iniciativas são explicáveis, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por motivações diferentes. A compra da Suzano pela Petrobrás, disse o ministro, é "um negócio como outro qualquer". A fusão de duas telefônicas é um negócio privado e o governo apenas manifestou interesse na criação de uma empresa sob controle nacional. Quanto à participação de Furnas nos investimentos no Rio Madeira, acrescentou, é algo desejado pelos investidores particulares. De fato, cada caso pode comportar uma explicação, mas a direção é uma só: a restauração do controle estatal em setores de infra-estrutura considerados vitais para a economia brasileira.

Mas há outros sinais, igualmente ostensivos, de uma tendência à reestatização de grandes setores e à centralização de importantes decisões econômicas. A demora na regulação das Parcerias Público-Privadas (PPPs) é explicável principalmente pela resistência do governo, ou de algumas das suas figuras mais influentes, a uma participação maior do setor privado em grandes investimentos no setor de serviços públicos.

A permanente campanha contra a autonomia operacional das agências reguladoras também denuncia a intenção de sujeitar ao Executivo toda a produção de normas para serviços de infra-estrutura. Neste caso não se trata só de estatizar, mas de politizar uma área vital da administração. Se o presidente da República apenas pretende, como disse um de seus auxiliares, destravar os investimentos, o caminho escolhido é o menos adequado. Queira ou não, o governo não pode simplesmente dispensar o capital privado - e a reestatização tende a espantá-lo.

Líder confessa que Chávez financia piqueteiros argentinos

BUENOS AIRES - Luis D'Elia, um dos mais importantes líderes de grupos "piqueteiros" (desempregados que realizam piquetes nas estradas para pedir trabalho e comida) da Argentina, confessou ontem que vários grupos sociais no país recebem financiamento do governo do presidente venezuelano Hugo Chávez.

"Recebemos (dinheiro) para os ônibus, nos ajuda a mobilizar os companheiros", explicou o piqueteiro, líder da Federação Terras e Moradia (FTV). Depois, ao perceber que havia falado demais em uma entrevista ao Canal C5 de notícias, D'Elía, um fanático chavista argentino, tentou generalizar o financiamento político e relativizar os petrodólares que os grupos argentinos recebem de Caracas: "bom...existe financiamento internacional para todas as cores (ideológicas)".

As declarações de D'Elia aumentaram a polêmica que transcorre há mais de uma semana, desde que explodiu o "escândalo da maleta", cujo pivô é uma maleta com US$ 790 mil sem declarar transportadas pelo venezuelano Guido Antonini Wilson, homem de intensos contatos com a estatal petrolífera Petróleos de Venezuela SA (Pdvsa), a menina dos olhos de Chávez.

O dinheiro da maleta gerou variados rumores sobre seu eventual uso na Argentina. O amplo leque inclui o financiamento de grupos chavistas no país, lavagem de dinheiro, e fundos para a campanha das eleições presidenciais e legislativas marcadas para o 28 de outubro.

D'Elia afirmou que os comícios protagonizados pelo líder venezuelano em território argentino foram pagos por Chávez. "Isso ninguém pode negar", reafirmou. No entanto, disse que desconhecia como o dinheiro havia entrado na Argentina: "Não sei, talvez com uma transferência bancária".

Em 2005, Chávez realizou um comício que foi o ponto culminante da "anti-cúpula" organizada para protestar contra a Cúpula das Américas e o presidente norte-americano George W. Bush no balneário de Mar del Plata. O evento mobilizou mais de 70 mil pessoas.

Em março deste ano, Chávez realizou um novo comício em um estádio em Buenos Aires onde reuniu 30 mil pessoas. O objetivo do comício era protestar contra a presença de Bush do outro lado do Rio da Prata, na cidade uruguaia de Colonia. Estimativas extra-oficiais calculam entre 30 mil e 60 mil pessoas os militantes chavistas ativos na Argentina.

O FTV de D'Elia controla mais de 50 mil pessoas. Delas, 15 mil piqueteiros são de rápida mobilização. Até o ano passado, D'Elia ostentava um cargo no governo do presidente Néstor Kirchner, o de subsecretário para o Habitat Social. Mas, suas declarações a favor do Irã e do Hizbollah provocaram sua queda.

O "escândalo da maleta" atinge o governo Kirchner, especialmente o Ministro do Planejamento, Julio De Vido. Um de seus homens, Claudio Uberti, diretor do organismo de fiscalização de estradas e pedágios - e o principal negociador "informal" dos acordos Argentina-Venezuela - que estava no jatinho que fez o trajeto Caracas-Buenos Aires com Antonini Wilson, foi removido do cargo na semana passada. O paradeiro de Antonini Wilson, é desconhecido.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Tão logo foi passada a notícia da apreensão de mala no aeroporto de Buenos Aires, contendo 790,0 mil dólares e em poder de um membro da comitiva do Hugo Chavez em visita naquele dia à Argentina dissemos aqui que o dinheiro era do governo venezuelano e se destinava a financiar a campanha à presidência de Cristina Kirchner, esposa de Nestor Kirchner e atual presidente. Até agora tudo o que se soube a respeito da mala com dólares, indicam exatamente ser esta a real versão dos fatos.

Chavez, na sua desvairada corrida por assumir a liderança continental em seu projeto megalomaníaco de instalar uma federação bolivariana de inspiração socialista, atua exatamente pelos mesmos caminhos que um dia Fidel Castro já percorreu, e não por acaso Fidel é o guru de Chavez. Não houvesse esta cumplicidade explícita entre Chavez e Lula, e muito provavelmente já se teria descoberto que o MST no Brasil não apenas é financiado pelo narcotráfico das FARCs, mas também é abastecido por petrodólares venezuelanos.
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A verdade é que o presidente Lula deve ficar atento para esta ação não apenas paranóica de Chavez em relação a sua utopia da tal federação bolivariana, mas principalmente pelas ações de terrorismo que tende a se espalhar mais e mais pelo continente sul-americano e centro-americano. Ou Chavez respeita os limiters territoriais que separam Brasil e Venezuela, e se contenta em praticar sua “revolução” apenas no âmbito do país que governa, ou logo estaremos convivendo com uma instabilidade nada positiva dentro do Brasil. Alucinação pensar deste modo ? De forma alguma, basta ver a realidade à volta para sabermos que, fruto destas malas de dólares que viajam pelo continente, e das arruaças patrocinadas e financiadas com o dinheiro venezuelano, a estabilidade política de todos os países ficam ameaçadas. E isto para nós compromete, e muito, nosso próprio futuro. O senhor Lui9z Inácio tem o dever de nos preservar desta pantomima armada pelo desmiolado presidente venezuelano, e para tanto ele conta com recursos mais do que suficientes, tais como Polícia Federal, Forças Armadas e ABIN. Basta saber se terá a grandeza de saber usa-las.

Ingerência de Chávez é mais radical

As intervenções do governo Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar a presença do Estado na economia são diferentes da franca estatização patrocinada pelos presidentes Hugo Chávez, na Venezuela, e Evo Morales, na Bolívia. A avaliação é do coordenador do curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Reginaldo Nasser.

Para o cientista político, as medidas anunciadas pelo governo brasileiro têm como objetivo recuperar a capacidade do Estado de regular e fiscalizar a iniciativa privada. Já Chávez e Morales patrocinam a estatização de setores estratégicos da economia movidos por nacionalismo e nativismo indígena, respectivamente. Nasser diz que tal diferença deve acentuar na comunidade internacional a percepção de que há dois modelos de governos de esquerda na América do Sul. Ou seja: o Brasil representa a esquerda responsável, enquanto Chávez e Morales capitaneiam a esquerda irresponsável.

O professor da PUC-SP explica que há um consenso entre intelectuais e agentes públicos liberais conservadores e de esquerda que o modelo privatizador promovido pelo Consenso de Washington falhou em países da periferia em que o Estado não estava consolidado. Segundo essa teoria, a liberalização enfraqueceu ainda mais o Estado, criando instabilidades e problemas para a segurança internacional. Tais lacunas devem ser preenchidas com o fortalecimento do Estado, que agora teria um perfil fiscalizador e regulador. Essa seria a receita adotada pelo Brasil.

Para o professor da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, a comunidade internacional pode até confundir os modelos brasileiro, venezuelano e boliviano. Mesmo assim, ressaltou, os investimentos não devem se afastar do Brasil, pois o mercado nacional "é muito atraente". Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), rechaça comparações entre as políticas públicas do Brasil e dos dois países vizinhos.

- O Brasil é um modelo para a região - destaca o governista.

Um dos idealizadores da audiência pública a ser realizada na Câmara para Petrobras e Suzano explicarem o negócio fechado no início do mês, o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) acha que o governo Lula enfrenta a tentação de voltar a uma época em que o Estado tinha maior poder de intervenção na economia.

- Governo tem que regular, impedir monopólios e oligopólios - declara o deputado. - O governo Lula quer transformar a Eletrobrás na Petrobras do setor elétrico.

TOQUEDEPRIMA...

***** IBGE: Emprego industrial recua 0,1% em junho

O emprego industrial recuou 0,1% em junho frente a maio, quebrando uma seqüência de cinco meses de crescimento. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi registrada expansão de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado – décimo segundo resultado positivo consecutivo.

No acumulado dos primeiros seis meses do ano, o emprego industrial cresceu 1,6%. Na análise do trimestre, o índice de ocupação avançou 2% de abril a junho, na comparação com o mesmo período de 2006.

Em relação a junho de 2006 (2,1%), todos os 14 locais e 11 dos 18 setores pesquisados aumentaram o contingente de trabalhadores. Os principais destaques regionais foram São Paulo (2,9%), Minas Gerais (2,1%) e região Norte e Centro-Oeste (2,3%).

Por segmentos, os que apresentaram os melhores resultados foram o de alimentos e bebidas (4,0%), máquinas e equipamentos (9,4%), produtos de metal (8,3%) e meios de transporte (6,6%). Em sentido contrário, vestuário (-4,3%), madeira (-7,6%) e calçados e artigos de couro (-4,2%) representaram os principais impactos negativos.

***** Paulo Coelho versus Cuba

Dois meses depois de entrar com o pé direito no debate sobre a proibição da biografia de Roberto Carlos, Paulo Coelho resolveu agora descer a borduna no ministro da Cultura de Cuba, Abel Prieto. No sábado, num artigo para o El Nuevo Herald, o jornal de língua espanhola mais importante de Miami, Coelho respondeu a uma frase de Prieto, dita dias antes, numa reunião com escritores chilenos ("Paulo Coelho é amigo de Cuba, se posicionou contra o bloqueio dos EUA, mas não posso convidá-lo para a Feira de Livros de Cuba. Não posso desprestigiar a feira").

Num texto de seis parágrafos, o escritor começou pegando leve. Primeiro, explicou que fôra várias vezes convidado a participar da Feira de Livros. Em seguida, contou que abriu mão de receber os direitos autorais de seus livros em Cuba para poder colaborar com a "democratização da cultura". Mais à frente, Coelho subiu o tom: "Não me surpreende em nada esta declaração: pessoas que antes lutaram pela liberdade e justiça, uma vez mordidos pela mosca do poder, transformam-se em opressores". E terminou o texto ironizando: "surpresa seria se, em vez de atacar-me, o senhor se pronunciasse a respeito de eleições livres e democráticas em Cuba".

Numa conversa com um amigo, ontem, Coelho, que nunca pisou em Cuba, disse que há algum tempo queria criticar a ditadura de Fidel, "mas não queria nada gratuito".

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: E vê se aparece alguém do governo brasileiro defendendo Paulo Coelho, nosso mais conhecido e respeitado escritor atualmente no mundo. Nem a pau, Juvenal. Cuba pode fazer e desfazer do Brasil do jeito que quiser, que este governo mascate do crime organizado não move um dedo para defendermos. Vergonhoso !!! E parabéns, Paulo Coelho: ninguém precisa rastejar o traseiro para ditador canalha nenhum para ser respeitado. Até pelo contrário. Não é por outra razão que tem gente no Brasil que leva pontapé de ditadores ordinários e continua babando e jurando amores eternos...

***** Pesquisa aponta que candidato apoiado por Lula tem 26% de rejeição em SP

Pesquisa do Datafolha aponta que o apoio do presidente Lula não é benéfico para um candidato à Prefeitura de São Paulo nas próximas eleições. Este é o motivo apontado por 26% dos entrevistados para não votar em um candidato. Outros 15% disseram que votariam no indicado de Lula.

Em dezembro de 2003, o primeiro levantamento do Datafolha para as eleições municipais de 2004, o candidato apoiado pelo presidente era apoiado por 19%, enquanto 18% dos eleitores diziam que deixariam de votar na pessoa indicada por Lula.

A pesquisa ainda aponta que 24% dos paulistanos votariam no candidato indicado pelo governador José Serra. Por outro lado, 24% dos entrevistados afirmaram que não votariam em quem Serra apoiar.

No entanto, o levantamento indica que tanto o apoio de Lula quanto o de Serra não são fatores que interferem na escolha do candidato - 55% no caso de Lula e 47% no caso de Serra. A pesquisa ouviu 1.091 no dia 9 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

***** Apenas 33% do orçamento federal para infra-estrutura foi aplicado no primeiro semestre

Segundo levantamento do site Contas Abertas, feito a partir de dados do Tesouro Nacional e do Ministério do Planejamento, o governo federal aplicou apenas 33,2% dos investimentos previstos para infra-estrutura no primeiro semestre. Dos R$ 72,1 bilhões programados para no orçamento de 2007, a União e as empresas estatais conseguiram gastar R$ 23,9 bilhões.

Para obras em rodovias, as verbas foram triplicadas em comparação com 2006, chegando a R$ 9 bilhões. Porém, até agora, só foram desembolsados R$ 648 milhões. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, convocou as empreiteiras para cobrar mais agilidade.

***** Jobim defende o enfraquecimento da Anac

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, pretende limitar as atribuições da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele declarou que o órgão regulador "não poderá mais formular nenhum tipo de política" para o setor aéreo brasileiro.

A idéia de Jobim é que a Anac se limite a cumprir as diretrizes do Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), comandado por ele, pelo fato de ser o titular da pasta da Defesa. Segundo o ministro, em 20 ou 30 dias deve ficar pronta a formatação desse novo sistema. Após isso, uma proposta de lei ordinária será enviada ao Congresso.

Apesar da proposta ainda não estar definida, Jobim já admitiu que a Anac será enfraquecida. Segundo ele, no projeto de lei em elaboração, é preciso refletir sobre "a necessidade de a Anac ter diretores com mandato". O ministro afirmou que ainda não tem opinião definitiva sobre o assunto, mas "talvez possa se concluir que não seja necessário". Com isso, os diretores poderiam ser demitidos a qualquer tempo pelo presidente da República.

***** BNDES ampliará gastos com o PAC
De Rivadavia Severo no Jornal do Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se esforça para acelerar investimentos, principalmente no setor elétrico, na tentativa de aumentar os gastos do governo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Até o fim do ano, o banco pretende desembolsar mais de R$ 6 bilhões para o setor.

O objetivo do Planalto é contrabalançar os parcos avanços do Projeto Piloto de Investimento (PPI), o mais importante programa de investimento público com recursos do Orçamento, que até a metade do ano só conseguiu executar 10,6% do previsto para 2007. No primeiro semestre, foi executado R$ 1,2 bilhão dos R$ 11,3 bilhões previstos para o ano.