quinta-feira, agosto 16, 2007

Acabou o prazo de validade deste senhor

Reinaldo Azevedo

Os líderes do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), e do DEM , Agripino Maia (RN), reiteraram que seus respectivos partidos seguem em obstrução enquanto Renan permanecer na presidência da Casa. É o mínimo que se espera das duas legendas. Renan é aliado de Lula. Se o PT e a parte do PMDB sensível à ação do Planalto retirarem seu apoio ao presidente, ele deixa o cargo. A questão é saber se o governo está disposto a pagar o preço da retaliação, que viria, certa como a luz do dia. Eu volto a escrever: acho que a fase dos apelos das oposições a Renan também já está vencida. O Senado está sendo desmoralizado. É preciso pensar em outras formas de luta, ainda que marcadas só pelo simbolismo.

Até que os processos contra Renan não cheguem ao plenário, ninguém o obriga a renunciar se ele não quiser — a não ser um improvável consenso entre todos os partidos, pedindo a sua saída e se negando a ser presidido por ele. A obstrução de PSDB e DEM, que está correta, começa a se mostrar já uma ação tímida. É preciso que fique evidente que se trata da maior — notem bem: a maior — crise da história do Senado brasileiro, incluindo República e Império. Jamais esteve à frente da Casa alguém sobre quem pesassem tantas acusações. Jamais alguém em tal cadeira esteve impedido de exercer a sua função em benefício do andamento dos trabalhos, como Renan já teve de fazer.Crises inéditas requerem respostas também inéditas. Além da obstrução e de discursos diários, para marcar posição, cobrando a renúncia de Renan à presidência, PSDB, DEM e demais senadores que não se sentirem confortáveis sob o seu comando deveriam escolher alguma sala da Casa para funcionar como uma espécie de “Senado em Estado de Vigília”, com um presidente alternativo.

Chegou a hora de dar a essa crise a sua real dimensão. Renan Calheiros escarnece de seus pares, escarnece da opinião pública, escarnece dos brasileiros, trata-os a todos como idiotas. E tripudia sobre a evidência dos fatos. Chama recibos frios de “documentos”. Incapaz de provar seus rendimentos e a verdade de suas alegações, inventa conspirações. Não conseguiria hoje presidir uma sessão conjunta do Congresso porque boa parte dos deputados não se submeteria à sua condução.

Acabou o prazo de validade deste senhor.