Adelson Elias Vasconcellos
Tem razão o governador Serra em temer uma crise econômica a ser vivida pelo Brasil logo após a saída de Lula da presidência.São vários os fatores que estão colaborando para que acentue esta crise nos próximos anos.
Uma delas, sem dúvida, é a dívida pública interna. Não apenas pelo fato dela ter agregado a dívida externa que era barata e que os gênios do Planalto resolveram trocar pela interna, bem mais cara. Em 2007, como vimos, só em serviço de dívida, consumiram-se mais de 50% da arrecadação de impostos do país, o que convenhamos, é um absurdo.
Além disto, temos os crescentes gastos com a máquina pública, os quais deverão crescer muito mais ainda até dezembro de 2010, por conta de novas contratações e dos aumentos reais de salário que tem sido concedidos.
Também pelo lado dos impostos, a carga tributária já bateu no teto. Não há como aumenta-la e as necessidades de caixa são cada vez maiores por conta mão apenas da máquina pública inchada, mas também por conta do maior aumento do Estado na economia, como se vê no caso da telefonia e da energia, esta principalmente. Nunca esquecendo, é claro, a dispendiosa e inútil TV pública que, se o próximo governante tiver bom senso, acaba de vez com este poço de desperdício.
Há que se considerar que o crescimento do país, muito embora toda a propaganda oficial, continua ser vegetativo. Não agrega riqueza alguma. Ou seja, não gera renda. E aí entram os fastidiosos programas sociais, totalmente desajustados em relação a sua concepção original e cujo efeito imediato é eternizar a pobreza do país. Digo isto porque, conforme já comprovei inúmeras vezes, tais políticas não se sustentam no tempo.
No caso brasileiro, não fosse pela exuberância de nossa economia, e pelos acertos de passado recente, como no caso do PROER que salvou o sistema financeiro do país, cujos frutos podemos colher nesta crise americana, e muito provavelmente, estes ventos desfavoráveis chegariam mais cedo. Isto fica fácil de se constatar quando se olha pelo lado da infra-estrutura. Dez em cada dez especialistas são unânimes em afirmar que a falta de investimentos em portos, rodovias, aeroportos, hidrovias e energia elétrica não acontece por falta de dinheiro e de interessados em investir. Sob tal ângulo existem dinheiro e empresários interessados até em profusão. O que nos mantém manietados é a regulação emanada pelo Poder Público que oferece as oportunidades mas não oportuniza condições. O governo do senhor Luiz Inácio detesta ver empresários ganharem dinheiro. A palavra lucro para esta gente é algo proibido, pecado mortal, algo a ser expurgado e exorcizado da sociedade brasileira. Querem que os empresários invistam, mas não lhes permitir garantir retorno de seus investimentos. Resultado: a nossa infra-estrutura que já está na UTI faz tempo, entra em colapso a cada dia que passa. Em conseqüência, o país perde oportunidades, perde riquezas, deixa de ganhar divisas tão necessárias ao nosso desenvolvimento.
Todos os pontos acima só não nos causam dores de cabeça no presente em razão da economia mundial que ainda nos apresenta um cenário raro de facilidades. Agora mesmo, diante da grave crise americana, não se vê um único país emergente sofrendo conseqüências, ou vivendo dificuldades. Todos estavam e continuam muito bem, obrigado. Soa ridícula a gritaria que Lula prega mundo afora sobre os subsídios tanto dos Estados Unidos quanto da Comunidade Européia. Por quê? Porque o que eles fazem é defender sua economia interna. Podemos achar imoral a prática protecionista, mas pergunto: o Brasil pode reclamar, quando ele próprio ainda mantém a sua como uma das economias mais fechadas do mundo? Além disto, na recente crise, os bilhões que os bancos centrais europeus e americanos jogaram no mercado para acalmar o sistema, se não lhes devolveu total tranqüilidade, pelo menos impediu que o mal se alastrasse por toda a economia mundial. Não que, a médio prazo, não teremos problemas decorrentes por aqui. Mas, por enquanto, temos fôlego para tocar nosso barco sem transtornos maiores.
Mas acredito que Serra enxerga o problema no problema por uma ótica, acredito eu, parcial. A questão não são os juros estarem lá em cima, no topo do mundo. Conforme já demonstramos inúmeras vezes, os juros são parte das conseqüências de um governo perdulário, que não consegue conter seus gastos, ou limita-los ao necessário. Juntando-se tais gastos aos compromissos já existentes em termos de contratações e programas sociais inadequados, isto pressiona o governo a ir ao mercado trocar títulos por dinheiro. Assim, cresce a dívida, cresce o serviço anual que o país terá que pagar. Quando o Banco Central se vê obrigado a agir para conter a inflação, o único instrumento de que dispõe é a política de juros. Imaginem se o Brasil praticasse um juro interno em torno de 2,0% a 4% que é a média mundial. Faria tão grande diferença assim o aumento de 0,5% a ponto de comprometer o crescimento do país? Lógico que não, poderia conter o consumo o que implicaria em por um freio na inflação com tendência de alta, mas nada que fizesse diferença tão assustadora no desenvolvimento.
Para quem tenha a pretensão de suceder Lula a partir de 2011 no Planalto, deveria mirar fortemente no gasto público, para que o equilíbrio fiscal seja mantido sem artificialismos. Deverá reunir enorme decisão política de impor uma reforma tributária decente que faça a carga cair para abaixo de 30%. E já terá que trazer debaixo do braço todo um arcabouço regulatório para permitir à iniciativa privada investir com vontade nas áreas de infra-estrutura do país. Ou seja, a visão de governo para o próximo presidente deverá mirar em fomentar o desenvolvimento naquilo que é competência do governo fazer.
Neste sentido é bom deixar claro que o melhor programa social do mundo, e em todos os tempos, é crescimento econômico. Tudo o mais que se fizer, mesmo seguindo o modelo brasileiro, deve ser encarado como transitório. A permanente condição de beneficiário de programas sociais transformará o cidadão em um mau cidadão, impregnando-o de acomodação ao assistencialismo público.
Estão certoe tanto José e Aécio Neves em se preocuparem com o Brasil que receberão de Lula. Neste seus cinco anos de governo, e a perspectiva que se tem até o final do seu segundo mandato, é de um Estado cada vez mais engessado. Cada vez mais presente em áreas que não lhe dizem respeito, e cada vez mais ausente naquilo que é sua tarefa primordial, que são serviços públicos do tipo educação, saúde, segurança, saneamento público. A questão, como sabemos, não é falta de recursos e sim de prioridades, por falta de um projeto de desenvolvimento.
E se você quiser saber o que penso do pac, saiba então que o pac é uma embromação pura e simples. São cerimônias de assinaturas de protocolos com intenções de obras que em todos os governos se fez. Estão engrandecendo aos olhos do povo uma rotina banal de governo com propósito políticos. E o que é pior: as “grandes” obras necessárias para ativar nossos crescimento estão sendo postas de lado. Enquanto isto, as instituições estão se degradando a olhos vistos. Chega a ser constrangedor ver tanta gente no poder comemorando os 5,4% de crescimento obtidos em 2007. Se, considerada a média dos últimos anos isto não é nada, e fica pior ainda quando se sabe que conseguimos ser melhores apenas que o Haiti e a Guatemala num grupo de 39 países emergentes.
Assim, volto ao ponto inicial: para quem pretende assumir o lugar de Lula, a visão não pode focar-se na questão de juros, e sim de projeto de país. Já desafiei aqui mesmo a me provarem que, se a taxa amanhã descesse a zero por cento, qual seria a taxa de crescimento do país, sem a companhia desagradável de inflação? Sem que o governo tome juízo e gaste com racionalidade e equilíbrio, a conta não fecha. E, lá no fundo, devemos agradecer ao Banco Central por não se deixar levar pelos “desenvolvimentistas”. Graças ao juros, ele consegue manter a atual estabilidade econômica. Sem eles, a nossa vida seria um caos. O remédio pode ser amargo, mas mantém o doente vivo e consciente.
Além de conter a gastança desenfreada que Lula adotou como “programa de governo”, o futuro presidente já deve preocupar-se com a deterioração da balança comercial brasileira. No ritmo que vai, ele pode recebe-la com saldo negativo e isto seria muito preocupante, porque os saldos positivos que Lula desfrutou, não os soube aplicar em investimentos. Além de que a economia internacional não estará vivendo o melhor de seus momentos.
O justo seria Lula ainda em seu segundo mandato, desfrutar um pouco da “herança maldita” que acabará deixando para seu sucessor. Porque uma coisa é governar o país fazendo festa com uma economia mundial favorável nos palanques da vida. Outra, muito diferente, é administrar crises econômicas, interna e externa. Porque neste caso não bastam discursos e cinismo: é preciso competência.
Tem razão o governador Serra em temer uma crise econômica a ser vivida pelo Brasil logo após a saída de Lula da presidência.São vários os fatores que estão colaborando para que acentue esta crise nos próximos anos.
Uma delas, sem dúvida, é a dívida pública interna. Não apenas pelo fato dela ter agregado a dívida externa que era barata e que os gênios do Planalto resolveram trocar pela interna, bem mais cara. Em 2007, como vimos, só em serviço de dívida, consumiram-se mais de 50% da arrecadação de impostos do país, o que convenhamos, é um absurdo.
Além disto, temos os crescentes gastos com a máquina pública, os quais deverão crescer muito mais ainda até dezembro de 2010, por conta de novas contratações e dos aumentos reais de salário que tem sido concedidos.
Também pelo lado dos impostos, a carga tributária já bateu no teto. Não há como aumenta-la e as necessidades de caixa são cada vez maiores por conta mão apenas da máquina pública inchada, mas também por conta do maior aumento do Estado na economia, como se vê no caso da telefonia e da energia, esta principalmente. Nunca esquecendo, é claro, a dispendiosa e inútil TV pública que, se o próximo governante tiver bom senso, acaba de vez com este poço de desperdício.
Há que se considerar que o crescimento do país, muito embora toda a propaganda oficial, continua ser vegetativo. Não agrega riqueza alguma. Ou seja, não gera renda. E aí entram os fastidiosos programas sociais, totalmente desajustados em relação a sua concepção original e cujo efeito imediato é eternizar a pobreza do país. Digo isto porque, conforme já comprovei inúmeras vezes, tais políticas não se sustentam no tempo.
No caso brasileiro, não fosse pela exuberância de nossa economia, e pelos acertos de passado recente, como no caso do PROER que salvou o sistema financeiro do país, cujos frutos podemos colher nesta crise americana, e muito provavelmente, estes ventos desfavoráveis chegariam mais cedo. Isto fica fácil de se constatar quando se olha pelo lado da infra-estrutura. Dez em cada dez especialistas são unânimes em afirmar que a falta de investimentos em portos, rodovias, aeroportos, hidrovias e energia elétrica não acontece por falta de dinheiro e de interessados em investir. Sob tal ângulo existem dinheiro e empresários interessados até em profusão. O que nos mantém manietados é a regulação emanada pelo Poder Público que oferece as oportunidades mas não oportuniza condições. O governo do senhor Luiz Inácio detesta ver empresários ganharem dinheiro. A palavra lucro para esta gente é algo proibido, pecado mortal, algo a ser expurgado e exorcizado da sociedade brasileira. Querem que os empresários invistam, mas não lhes permitir garantir retorno de seus investimentos. Resultado: a nossa infra-estrutura que já está na UTI faz tempo, entra em colapso a cada dia que passa. Em conseqüência, o país perde oportunidades, perde riquezas, deixa de ganhar divisas tão necessárias ao nosso desenvolvimento.
Todos os pontos acima só não nos causam dores de cabeça no presente em razão da economia mundial que ainda nos apresenta um cenário raro de facilidades. Agora mesmo, diante da grave crise americana, não se vê um único país emergente sofrendo conseqüências, ou vivendo dificuldades. Todos estavam e continuam muito bem, obrigado. Soa ridícula a gritaria que Lula prega mundo afora sobre os subsídios tanto dos Estados Unidos quanto da Comunidade Européia. Por quê? Porque o que eles fazem é defender sua economia interna. Podemos achar imoral a prática protecionista, mas pergunto: o Brasil pode reclamar, quando ele próprio ainda mantém a sua como uma das economias mais fechadas do mundo? Além disto, na recente crise, os bilhões que os bancos centrais europeus e americanos jogaram no mercado para acalmar o sistema, se não lhes devolveu total tranqüilidade, pelo menos impediu que o mal se alastrasse por toda a economia mundial. Não que, a médio prazo, não teremos problemas decorrentes por aqui. Mas, por enquanto, temos fôlego para tocar nosso barco sem transtornos maiores.
Mas acredito que Serra enxerga o problema no problema por uma ótica, acredito eu, parcial. A questão não são os juros estarem lá em cima, no topo do mundo. Conforme já demonstramos inúmeras vezes, os juros são parte das conseqüências de um governo perdulário, que não consegue conter seus gastos, ou limita-los ao necessário. Juntando-se tais gastos aos compromissos já existentes em termos de contratações e programas sociais inadequados, isto pressiona o governo a ir ao mercado trocar títulos por dinheiro. Assim, cresce a dívida, cresce o serviço anual que o país terá que pagar. Quando o Banco Central se vê obrigado a agir para conter a inflação, o único instrumento de que dispõe é a política de juros. Imaginem se o Brasil praticasse um juro interno em torno de 2,0% a 4% que é a média mundial. Faria tão grande diferença assim o aumento de 0,5% a ponto de comprometer o crescimento do país? Lógico que não, poderia conter o consumo o que implicaria em por um freio na inflação com tendência de alta, mas nada que fizesse diferença tão assustadora no desenvolvimento.
Para quem tenha a pretensão de suceder Lula a partir de 2011 no Planalto, deveria mirar fortemente no gasto público, para que o equilíbrio fiscal seja mantido sem artificialismos. Deverá reunir enorme decisão política de impor uma reforma tributária decente que faça a carga cair para abaixo de 30%. E já terá que trazer debaixo do braço todo um arcabouço regulatório para permitir à iniciativa privada investir com vontade nas áreas de infra-estrutura do país. Ou seja, a visão de governo para o próximo presidente deverá mirar em fomentar o desenvolvimento naquilo que é competência do governo fazer.
Neste sentido é bom deixar claro que o melhor programa social do mundo, e em todos os tempos, é crescimento econômico. Tudo o mais que se fizer, mesmo seguindo o modelo brasileiro, deve ser encarado como transitório. A permanente condição de beneficiário de programas sociais transformará o cidadão em um mau cidadão, impregnando-o de acomodação ao assistencialismo público.
Estão certoe tanto José e Aécio Neves em se preocuparem com o Brasil que receberão de Lula. Neste seus cinco anos de governo, e a perspectiva que se tem até o final do seu segundo mandato, é de um Estado cada vez mais engessado. Cada vez mais presente em áreas que não lhe dizem respeito, e cada vez mais ausente naquilo que é sua tarefa primordial, que são serviços públicos do tipo educação, saúde, segurança, saneamento público. A questão, como sabemos, não é falta de recursos e sim de prioridades, por falta de um projeto de desenvolvimento.
E se você quiser saber o que penso do pac, saiba então que o pac é uma embromação pura e simples. São cerimônias de assinaturas de protocolos com intenções de obras que em todos os governos se fez. Estão engrandecendo aos olhos do povo uma rotina banal de governo com propósito políticos. E o que é pior: as “grandes” obras necessárias para ativar nossos crescimento estão sendo postas de lado. Enquanto isto, as instituições estão se degradando a olhos vistos. Chega a ser constrangedor ver tanta gente no poder comemorando os 5,4% de crescimento obtidos em 2007. Se, considerada a média dos últimos anos isto não é nada, e fica pior ainda quando se sabe que conseguimos ser melhores apenas que o Haiti e a Guatemala num grupo de 39 países emergentes.
Assim, volto ao ponto inicial: para quem pretende assumir o lugar de Lula, a visão não pode focar-se na questão de juros, e sim de projeto de país. Já desafiei aqui mesmo a me provarem que, se a taxa amanhã descesse a zero por cento, qual seria a taxa de crescimento do país, sem a companhia desagradável de inflação? Sem que o governo tome juízo e gaste com racionalidade e equilíbrio, a conta não fecha. E, lá no fundo, devemos agradecer ao Banco Central por não se deixar levar pelos “desenvolvimentistas”. Graças ao juros, ele consegue manter a atual estabilidade econômica. Sem eles, a nossa vida seria um caos. O remédio pode ser amargo, mas mantém o doente vivo e consciente.
Além de conter a gastança desenfreada que Lula adotou como “programa de governo”, o futuro presidente já deve preocupar-se com a deterioração da balança comercial brasileira. No ritmo que vai, ele pode recebe-la com saldo negativo e isto seria muito preocupante, porque os saldos positivos que Lula desfrutou, não os soube aplicar em investimentos. Além de que a economia internacional não estará vivendo o melhor de seus momentos.
O justo seria Lula ainda em seu segundo mandato, desfrutar um pouco da “herança maldita” que acabará deixando para seu sucessor. Porque uma coisa é governar o país fazendo festa com uma economia mundial favorável nos palanques da vida. Outra, muito diferente, é administrar crises econômicas, interna e externa. Porque neste caso não bastam discursos e cinismo: é preciso competência.