segunda-feira, fevereiro 20, 2012

'Quando há esquema político na Saúde as pessoas morrem'

Ricardo Noblat 

- Quando há esquema político na área da Saúde não se resolve os problemas e as pessoas morrem - advertiu em voz alta Flávio Dino (PC do B),  ex-deputado federal, juiz federal por 12 anos e atual presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), durante o sepultamento do corpo do seu filho Marcelo, de 13 anos, ontem, em Brasília. 

Ao lado de Dino, em uma das salas de velórios do Cemitério Campo da Esperança, estava Agnelo Queiroz, ex-PC do B, governador do Distrito Federal eleito pelo PT. E pelo menos mais 200 pessoas, entre elas algumas das cabeças coroadas da República, como o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado José Sarney e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Dino escolheu Agnelo para despejar sobre ele todo o seu desespero.

- Não é possível alguém morrer de asma dentro de uma UTI, Agnelo. Esse hospital [de Brasília] matou meu filho. Por que não me mataram? Eu preferia mil vezes estar naquele caixão no lugar dele.

Agnelo tentou consolar Dino - em vão. Um dos políticos mais promissores do Maranhão, candidato a prefeito da capital em 2008 e a governador do Estado em 2010, Dino segurou Agnelo pelo braço e continuou:

- Vou enterrar meu filho sem saber direito por que ele morreu. Você sabia que a necrópsia do corpo não foi completa por que tem equipamentos quebrados no Instituto Médico Legal? - perguntou Dino a Agnelo. Que calado estava, calado continuou.

-  Quando meu filho parou de respirar na UTI do hospital, tentaram reanimá-lo, mas o equipamento usado para isso estava quebrado. Providenciaram outro, mas quando ele chegou já era tarde.

Àquela altura, assessores de Agnelo haviam sugerido que ele se despedisse de Dino e saísse rapidamente. Agnelo ouviu o último conselho de Dino:

- Faça pelo menos uma coisa no seu governo: interdite os hospitais de Brasília. Interdite. Vou te ligar diariamente cobrando isso.

Marcelo Dino Fonseca de Castro e Costa morreu no início da manhã da última terça-feira na UTI do Hospital Santa Lúcia – um dos maiores de Brasília. Ali havia sido internado pouco depois do meio-dia da segunda-feira. Fora vítima de uma crise de asma quando praticava esportes no Colégio Marista,onde cursava o 9º ano do Ensino Fundamental.

A suspeita de negligência e de erro médico está sendo investigada pela polícia, o Ministério Público e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
“...A suspeita de negligência e de erro médico está sendo investigada pela polícia, o Ministério Público e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal...”

Com todo o respeito, mas por que todos estes se envolvem para investigar algo rotineiro que ocorre na rede pública de Saúde, quando não associada à omissão? 

São dezenas de brasileiros que morrem vítimas do mesmo descaso e negligência. Por que somente em um, se movem esforços imensos para investigar as causas que provocaram a morte do garoto Marcelo? É por que era filho de um ex-deputado, que já fora juiz federal e atualmente preside a EMBRATUR? Fica difícil engolir tamanho privilégio destinado apenas a uma das dezenas de vítimas da falência da saúde pública brasileira. A regra não pode valer apenas para um, deve ser igualitária para todos os casos que se lhe assemelham. 

Quanto em haver esquema político na Saúde, diga lá o o ex-deputado, em que setor da vida pública a política não vigora?  Ministérios inteiros foram loteados entre os partidos da base política de apoio do governo, sem que houvesse um mínimo de compromisso em relação a eficiência e qualificação dos serviços. TODOS os que assumiram chegaram aos seus cargos de mãos vazias, sem um propósito de servir à sociedade, senão a si mesmos, a seu ego, seu currículo pessoal com vistas às próximas eleições. Trabalharem em favor de quem sustenta esta estrutura ineficaz tanto quanto inútil, nisso ninguém pensou. 

Assim, aquele papo de país de todos, talvez tenha faltado incluir ali um país de todos os importantes. O pobre que se dane. 

O que é conteúdo local?

Celso Ming - O Estado de S.Paulo

Um dos principais motes da política industrial do governo Dilma são as exigências de maior conteúdo local.

Quem ouve essa música dificilmente deixa de assoviá-la. Ninguém pode ser contra proposta que procure prestigiar o produto nacional, garantir mais emprego no País e contribuir para a expansão do setor produtivo, ainda que provisoriamente tudo fique mais caro e possa não ter tanta qualidade.

Na prática, tanto montadoras como empresas de autopeças importam cada vez mais (veja gráfico). E é complicado definir o que é "conteúdo local" num quadro de aprofundamento da globalização e considerando a baixa competitividade da indústria local.

Há meses, por exemplo, a questão do conteúdo local emperra a adoção de uma política para o setor. O governo exige que montadoras operem com ao menos 65% de peças de fabricação regional (incluído o Mercosul). No caso do acordo com o México, a cláusula é de 50%. Mas o que são esses números?

Montadoras instaladas no Brasil entendem que esse conceito deve ser estendido a todas as despesas que incorram na produção e nas vendas. Por isso, põem na conta não só o que pagam pelas peças adquiridas no País, mas demais despesas administrativas: salários, impostos, verbas de publicidade ou de promoção, gratificações à diretoria, remessas às matrizes.

Por isso, dirigentes do setor de autopeças denunciam que o índice de conteúdo local não ultrapassa os 21%, como mostrou matéria de Anne Warth, da Agência Estado.

Mesmo conjuntos fornecidos por produtores de autopeças instalados no Brasil (um motor da Bosch, por exemplo) podem conter inúmeros componentes importados. No entanto, para efeito dessa contabilidade, essa despesa vem sendo considerada "conteúdo local".

Substituir o critério de preço pelo de custo não dirime o problema. Preço e custo de qualquer coisa se põe onde quer, sobretudo em empresas de capital fechado que não divulgam balanço. Basta levar em conta que o produtor mais ineficiente é o de custos mais altos. Será esse o critério de medição do que seja "conteúdo local"?

Uma das propostas do governo federal é incentivar a criação de tecnologias. E, no entanto, dificilmente o Brasil poderá ser uma plataforma de tecnologia de ponta no setor de veículos. Essas coisas acontecem em centros avançados, nos laboratórios ultra-especializados ou nas pistas de corrida, que custam centenas de milhões de dólares.

Questão ainda mais profunda consiste em saber até que ponto o governo pode exigir conteúdo local (seja qual for o critério que o defina) sem cuidar primeiro da competitividade de todo o setor produtivo (e não só da indústria).

Se tanto as montadoras quanto o setor de autopeças vêm perdendo seguidamente mercado externo porque "não têm preço", novas exigências como as que vêm sendo preparadas pelo governo Dilma conseguirão, no máximo, certa reserva do mercado interno. Não conseguirão levar nem as montadoras nem o setor de autopeças a exportar.

Governo quer ampliar conteúdo local de carros

Anne Warth, da Agência Estado

Fonte do setor diz que ameaça de rompimento do acordo com o México faz parte dessa estratégia, já que cada vez se usa menos peças fabricadas no País

A ameaça de rompimento do acordo automotivo com o México é um caminho para o governo brasileiro aumentar a produção de veículos e autopeças no Brasil com maior conteúdo local.

Apesar da exigência de que os carros produzidos no País tenham 65% de componentes locais, o governo constatou, nos últimos meses, que tanto as novas montadoras como as que já atuam no Brasil têm usado cada vez menos peças locais. Outra fonte do setor informa que estudos revelam que 60% das importações brasileiras de autopeças em 2011 foram destinadas à produção nas fábricas.

Ford e Volkswagen, duas das maiores montadoras que atuam no Brasil, cresceram, respectivamente, 20,27% e 31,7% nas importações em 2011 e tiveram déficit comercial de US$ 300 milhões, cada uma. Das dez maiores importadoras do País em 2011, três são montadoras com fábricas no Brasil - além da Ford e Volks, a Toyota. "O problema não é o México. É o futuro da indústria brasileira", afirmou uma fonte.

O anúncio da nova política industrial brasileira para o setor automotivo está em discussão desde o governo Luiz Inácio Lula da Silva e foi adiado diversas vezes. A expectativa do setor é que seja divulgado até o fim deste semestre. Nesse sentido, a renegociação do acordo automotivo do Mercosul com o México é crucial para a definição da nova política que vai vigorar de 2013 a 2016. Isso porque o governo Dilma Rousseff estuda conceder incentivos fiscais a montadoras que comprovem investimentos em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia verde.

O governo acredita que os investimentos das montadoras no País podem aumentar, dependendo dos rumos do acordo entre Mercosul e México. Qualquer mudança no acordo, ou mesmo o rompimento, terá 14 meses para entrar em vigor.

Maquiagem
Há suspeitas de que os carros produzidos no México, que, pelo acordo vigente, já possuem menor conteúdo local do que no Mercosul, com exigência de 50%, não têm cumprido nem sequer esse porcentual. Se comprovada essa desconfiança, as montadoras estariam atuando como "maquiladoras" - empresas que compram componentes importados, principalmente dos EUA, para apenas montá-los em território mexicano.

O temor do governo é que, se não houver uma política forte nos próximos anos, a indústria brasileira também se torne "maquiladora". Isso porque o índice atual de 65% de conteúdo local pode cair, na prática, para a compra de apenas 21% de peças locais, segundo o Sindipeças. A redução ocorre porque o cálculo é sobre o valor de venda do veículo, que inclui, por exemplo, salários de executivos e marketing, e não sobre o custo de produção.

O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge, que já atuou no setor automotivo nacional, avalia que, antes de exigir um conteúdo local maior, o governo precisa elevar a competitividade da indústria brasileira, com a aprovação de reformas que diminuam a carga tributária, a burocracia para exportar e reduzam o impacto do real valorizado no custo da produção. "Romper o acordo não é um bom caminho", afirmou, sobre a possibilidade de o Brasil forçar o fim do acordo entre Mercosul e México.

Para o diretor do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, a falta de competitividade da indústria de transformação no País é evidente, e o maior culpado, segundo ele, é o câmbio.

Ex-vice-presidente da GM brasileira por 18 anos, o consultor André Beer compartilha da avaliação de Jorge. "Peças produzidas em países como China, por exemplo, que não possui os mesmos encargos trabalhistas que temos no Brasil, são muito mais baratas", disse, sobre a possível exigência da maior conteúdo local nas montadoras.

Se era para cortar, por que aprovaram?

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

O Brasil continua o país das perplexidades. O governo acaba de cortar 55 bilhões do orçamento para o ano em curso. Ninguém se insurge contra fazer economia, não fossem dois reparos:  não se completaram dois meses desde que o Congresso votou o orçamento e ele foi sancionado pela presidente Dilma. Quer dizer, ela e a equipe econômica aprovaram a previsão de gastos elaborada por deputados e senadores. Vem agora o ministro Guido Mantega e, certamente autorizado pela chefe do governo, passando a  tesoura na lei de meios. Não teria sido muito mais lógico e simples ter alterado o orçamento através de vetos feitos no palácio do Planalto? O desgaste é evidente, para a administração federal.

A segunda crítica surge pior. Cortaram gastos essenciais, inadmissíveis, a começar pela Saúde, reconhecidamente a banda podre do governo, apontada em todas as pesquisas como o ponto fraco do poder público. Sem falar nos cortes na Ciência e Tecnologia, no Meio Ambiente, na Segurança Pública e ate  na Educação. Ainda esta semana a presidente da República afirmou ser a Saúde Pública sua maior preocupação. E agora vai tirar dinheiro de hospitais, postos de saúde, remédios, ampliação do número e melhoria de  vencimentos para  médicos e enfermeiros?

Positivamente, não dá para entender, em especial porque cortes quase não se viu nos recursos destinados a empreiteiras e a  bancos. 

MAIS UMA VITÓRIA DA DEMOCRACIA 
Mesmo por  placar apertado, o Supremo Tribunal Federal  acaba de decidir que a lei da ficha limpa vale para as eleições de outubro. Os ministros mais novos, com uma exceção, decidiram em favor do sentimento nacional, da voz rouca das ruas, que exigia a aplicação imediata da lei. Os mais ponderados e de saber jurídico mais sedimentado ficaram contra, alegando arranhões nos direitos individuais, já que cercear candidaturas de condenados pela Justiça  ainda dispondo    de recursos aos tribunais pode caracterizar injustiça. Prevaleceu, no  entanto, a tese de que negar registro a candidatos não se trata de punição penal,  mas de exigência eleitoral.

De uma forma ou de outra, a mais alta corte nacional decidiu de acordo com a tendência popular, hipótese considerada um erro por dois  ministros, para os quais,  entre suas funções,   inclui-se a de votar contra o coletivo, se for para garantir o indivíduo.

Vale aguardar, agora, mais um pronunciamento fundamental do Supremo, o julgamento dos 38 mensaleiros responsáveis por um dos maiores escândalos dos últimos tempos, envolvendo partidos, Congresso  e governo. Ainda que nem todos os réus devam ser condenados, pelo menos os cabeças bem que poderiam sentir o peso da lei.

UM RECUO DESNECESSÁRIO
Deu a presidente Dilma um sinal de fraqueza ao convidar mais uma vez o senador Blairo Maggi para ministro dos Transportes, convite que, aliás, ele não aceitou. A iniciativa deveu-se à rebelião no Partido da República, donatário daquele ministério, cujos parlamentares andam ameaçando votar contra projetos do governo caso não venham a ocupar o cargo do qual foi defenestrado um de seus líderes, Alfredo Nascimento.

Ora bolas, se o atual senador pelo Amazonas foi obrigado a pedir demissão, acusado de malfeitos,  menos razão  tem seus companheiros para tentar substituí-lo por um dos seus. Acresce que o substituto, atual ministro, também é do PR,  só que não pertence ao grupo do antecessor.  Estariam  as  bancadas do partido imaginando entrar outra vez na caverna do Ali Babá,  que o ministro Paulo Passos trancou, deixando de atender-lhes pleitos no mínimo duvidosos?

Sendo assim, a presidente Dilma não deveria ter cedido às pressões,  convidando Maggi. Equivaleu a desprestigiar Passos, apesar de a novela continuar inconclusa, pela recusa do empresário.

Dizem alguns auxiliares palacianos que tudo não passou de manobra sutil  e maliciosa da presidente, que sabia de antemão da recusa do senador mato-grossense e apenas jogou para a plateia do PR,  mantendo o seu preferido nos Transportes.  A esperteza, quando é demais, come o esperto, diz um refrão popular, mas convém aguardar os próximos capítulos. 

ESPECULAÇÕES
 Vamos supor que o ex-presidente Lula insista mesmo em que a presidente Dilma Rousseff deve disputar a reeleição, em 2014. Imaginando que até lá a chefe do governo poderá perder parte da popularidade de  que hoje  dispõe, os tucanos mostram-se assanhados e já iniciaram a estratégia de reforçar Aécio Neves como candidato, em especial tendo quase convencido José Serra a disputar agora  a prefeitura de São Paulo.  O ex-governador   aceita a proposta, mesmo deixando uma saída aberta para o caso de Dilma se tornar imbatível: disputaria outra vez o governo de Minas.

A pergunta que se faz envolve a terceira força, o PMDB. Outrora o maior partido  nacional,   admitiriam seus líderes continuar a reboque do PT, placidamente voltando a indicar Michel Temer para vice na chapa da presidente? Ou arriscariam, como os tucanos, até por sobrevivência, enfrentar a sucessão com candidato próprio? O atual substituto de Dilma surge como candidato natural, mas, positivamente, não empolga.   Alternativas? Roberto Requião sempre será uma...

Lei que pune suborno nos EUA assusta brasileiros. Não é prá menos!

Filipe Coutinho, Folha de São Paulo



Uma lei americana que pune o suborno de políticos e premia delatores com mais de US$ 100 mil mudou a rotina de empresas brasileiras nos Estados Unidos. A informação é de Filipe Coutinho, em reportagem publicada na Folha.

Preocupadas com as multas milionárias da lei Dodd-Frank, em vigor desde 2011, companhias como a CPFL e Braskem, com ações na Bolsa americana, e multinacionais como Qualicorp e Kimberly-Clark criaram normas internas para se prevenir, até mesmo com canais internos para denunciar colegas.

O fundo para delatores é de US$ 450 milhões.

Até casos de suborno a políticos de fora dos EUA podem render punição.

Um dos reflexos da lei é o aumento de auditorias no Brasil. Metade da receita das investigações da PricewaterhouseCoopers no país já é resultado dessa lei.

Na Ernst & Young Terco houve aumento de 100% nas investigações encomendadas por estrangeiros para saber o risco de fechar negócios no Brasil.

Petrobrás perde R$ 7,9 bi por não reajustar combustíveis

Sergio Torres, de O Estado de S. Paulo

Perdas de 2011 foram provocadas pela importação de gasolina e diesel mais caros 

RIO DE JANEIRO - A decisão do governo de não reajustar os combustíveis para evitar a alta da inflação está cobrando seu preço nas contas da Petrobrás. Cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), empresa de consultoria em gestão do setor de energia, mostram que a empresa perdeu R$ 12 bilhões entre 2003 e 2011 por ter mantido o preço da gasolina abaixo do que deveria cobrar levando-se em conta a cotação do petróleo. Só no ano passado, a fatura foi de R$ 7,9 bilhões.

Filipe Araújo/AE
Aumento de 2011 não chegou ao consumidor

A consultoria projeta nova perda bilionária este ano caso os combustíveis não sejam reajustados e a empresa tenha de comprar no exterior gasolina e diesel a uma cotação mais alta do que vende no Brasil. Até 31 de dezembro, a Petrobrás perderá cerca de R$ 2,2 bilhões com a importação de gasolina e R$ 3,9 bilhões com a importação de diesel.

No cálculo das futuras perdas em 2012 não entram as estimativas sobre os preços do barril do petróleo nem sobre as variações da taxa de câmbio. São componentes cujas oscilações os especialistas, ainda neste primeiro bimestre, não se arriscam a fazer.

As perdas elevam a pressão sobre a Petrobrás, submetida a uma dupla - e conflitante - missão. Estatal com ações negociadas em bolsa de valores, é usada pelo governo para amortecer as variações do preço do combustível e, ao mesmo tempo, é pressionada a dar resultados financeiros e reforçar o caixa para tocar o mais ambicioso programa de investimentos do País.

Mais perdas
A tendência, segundo o economista Adriano Pires, diretor do CBIE, é que os R$ 6,1 bilhões (soma das perdas com gasolina e diesel) previstos como prejuízo em 2012 sejam acrescidos de alguns outros bilhões, caso não haja reajuste dos combustíveis ainda neste ano. "O cenário não é bom porque o consumo de gasolina está descolado do crescimento da economia, o que é estranho", diz Pires.

Ele cita dois motivos para explicar a disparidade. Em primeiro lugar, o incentivo à venda de carros novos. A outra razão é a crise do etanol. Como o preço do etanol disparou, os consumidores substituíram o combustível pela gasolina. Mas, como a capacidade de refino da Petrobrás está no limite, a empresa teve de importar gasolina a preços altos para evitar o desabastecimento.

As importações de combustíveis cresceram 400% em 2011 em relação a 2010. Foram importados 45 mil barris diários, contra 9 mil no ano anterior. Só em janeiro deste ano, a cada dia, foram importados 80 mil barris.

O balanço dos resultados de 2011, que revelou um prejuízo de R$ 9,95 bilhões na área de Abastecimento (a que responde pela compra e venda de petróleo e derivados), teve o efeito de uma bomba. Nos 13 dias úteis deste mês, as ações ordinárias (ON) da Petrobrás acumularam queda de mais de 6%, enquanto o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo subiu quase 5%.

As perspectivas são de aumento da pressão sobre a estatal. "O setor acha que o consumo deve continuar crescendo", diz Pires. Os preços no mercado internacional também estão em alta.

Para o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, o preço internacional do petróleo tem subido por causa do risco de um conflito envolvendo o Irã. "Nos últimos dez dias, o preço do barril esteve em US$ 108. Hoje (quinta-feira) superou US$ 119. A volatilidade é muito grande", disse. Ele não comenta os preços cobrados pela Petrobrás no mercado brasileiro.

Inflação
A recente ata divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa básica de juros manteve a previsão de que os preços da gasolina e do gás de botijão não devem ter aumento em 2012. A equipe econômica deixa clara a intenção do governo de manter congelados os preços.

Em 2011, o consumo de combustíveis cresceu mais do que o dobro da evolução do PIB. A expectativa do diretor de Abastecimento é de manutenção desse quadro em 2012, o que obrigará o governo a importar ainda mais gasolina. Para ele, o consumo de derivados neste ano também superará o crescimento da economia em, pelo menos, 50%. A se confirmar, será o terceiro ano consecutivo em que a demanda ficará acima do PIB.

"O mercado vai continuar crescendo", afirmou Costa, dando como exemplo o crescimento "extraordinário" de 36% na demanda da gasolina em janeiro ante janeiro de 2011.

Em razão do crescimento da demanda, que obriga a Petrobrás a importar, o analista William Alves, da XP Investimentos, diz que o aumento do preço dos combustíveis já deveria ter ocorrido em 2011, "para equacionar a diferença em relação ao mercado internacional".

"A Petrobrás não tem uma política de repasse da volatilidade do preço do barril. Isso penaliza a empresa. De setembro de 2010 a abril de 2011, os preços partiram de US$ 85 e chegaram a US$ 115. De setembro a setembro de 2011, o preço médio ficou em torno de US$ 95. Ela poderia ter repassado", analisa Alves.

Queda do lucro compromete os planos de investimentos da Petrobrás

Sergio Torres, de O Estado de S. Paulo

Prejuízos nas vendas, como o do último trimestre do ano passado, tendem a afugentar os investidores 

RIO DE JANEIRO - Prejuízos nas vendas, como os do último trimestre do ano passado, quando o lucro líquido caiu 52,3% em relação ao mesmo período de 2010, se mantidos ao longo do ano, poderão afastar os investidores e dificultar investimentos previstos para o ano, alerta o analista Luiz Otávio Broad, da corretora Ágora.

A opinião é compartilhada por um dos mais renomados analistas do setor no Brasil. Ele, que pediu para não ser identificado, elogia a política traçada pela Petrobrás a partir de 2002, mas diz que, no reajuste do ano passado, os 2% do diesel foram insuficientes para recuperar as perdas.

"O que acontece com a Petrobrás agora é que se essa situação de prejuízo perdurar pelos próximos trimestres, o que não considero razoável, poderá começar a incomodar o crédito da empresa. Se a situação é recorrente, a Petrobrás vai ter de ajustar preços e investimentos", disse.

Em entrevista ao Estado às vésperas de deixar a presidência da Petrobrás, José Sergio Gabrielli falou que, mantida a defasagem entre produção, consumo e importação, em algum momento será necessário aumentar os preços. Na mesma linha, sua sucessora, Maria das Graças Foster, manifestou a necessidade de um reajuste mais a longo prazo. A gasolina e o diesel não são reajustados porque o governo teme reflexos na inflação.

Em novembro de 2011, a Petrobrás aumentou em 10% o preço da gasolina e em 2% o do diesel nas refinarias. O reajuste não chegou aos postos porque o governo baixou as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os dois combustíveis. Para não onerar os consumidores, o governo abriu mão de parte da receita do tributo.

Em 2010, não houve reajuste. Em junho de 2009, houve, mas para baixo. A Petrobrás reduziu em 4,5% o preço da gasolina. A última alta antes de 2011 foi registrada em abril de 2008, quando o preço da gasolina subiu 10% e o do diesel, 15%.

Diesel. Broad considera que o grande problema da Petrobrás foi ter aumentado o preço do diesel em apenas 2%. Para ele, o combustível deveria ter acompanhado a alta da gasolina, de 10%.

De acordo com William Alves, da PX, a preocupação do governo é pertinente, principalmente em relação ao diesel. "Sem sobra de dúvida, um aumento causaria impacto na inflação. O preço do diesel influi no frete. Estará embutido no feijão que você vai comprar", afirmou.

Adriano Pires, do CBIE, acha que a Petrobrás poderia ter feito três reajustes em 2011. Como não os fez, os prejuízos vieram, "o que aumentou o risco Petrobrás e criou dificuldades de financiamento".

"O governo exagera em usar a Petrobrás como instrumento de política. O combustível deveria ter sido reajustado desde o início do ano passado. A defasagem da gasolina hoje é de 16%. Se aumentar assim, realmente vai impactar na inflação. Poderiam ter acontecido três reajustes pequenos para sinalizar ao consumidor que a gasolina é cara. Estamos caminhando para sermos uma Venezuela, que dá gasolina de graça. Gasolina barata é coisa de governo populista", disse. /S.T.

Acarajés quentes no tabuleiro da “Graciosa”

Hudson Corrêa, Revista Época

A herança de Sergio Gabrielli para Maria das Graças Foster, na Petrobras, inclui denúncias de desvios de dinheiro da estatal para campanhas do PT na Bahia

(Foto: Fernando Amorim/Ag. Tarde )
 EM CAMPANHA
Uma baiana vestida a caráter faz festa para Gabrielli, 
na volta do ex-presidente da Petrobras à Bahia. 
Ele quer ser candidato a governador do Estado 

Na Bahia, acarajé quente é sinônimo de bastante apimentado. Chamada de “Graciosa” pela presidente Dilma Rousseff na cerimônia de posse na última segunda-feira, a mineira radicada no Rio de Janeiro Maria das Graças Foster assumiu a presidência da Petrobras diante de um cardápio de problemas que inclui dois acarajés quentíssimos. Eles foram deixados sobre sua mesa por seu antecessor direto, o petista José Sergio Gabrielli, e referem-se a duas denúncias de desvio de recursos da empresa para irrigar campanhas do PT na Bahia, terra natal de Gabrielli. E é justamente lá onde o mais longevo presidente da Petrobras retomará a carreira política. Após seis anos e sete meses no comando da maior empresa da América Latina, Gabrielli fará parte do governo de Jaques Wagner (PT), onde pretende pavimentar sua candidatura ao governo do Estado em 2014.

Não há elementos que envolvam diretamente Gabrielli com as duas denúncias narradas a seguir. Mas os dois episódios ocorreram em sua gestão, e ele pouco ou nada fez para saná-los. O primeiro caso passa pela ONG Pangea – Centro de Estudos Socioambientais, sediada em Salvador. De acordo com documentos da Controladoria-Geral da União (CGU), a que ÉPOCA teve acesso com exclusividade, boa parte do dinheiro repassado pela Petrobras à Pangea foi desviada. A CGU suspeita de que parte desses recursos tenha ido parar no caixa dois de campanha do PT na Bahia. Indo aos valores exatos: entre junho de 2004 e dezembro de 2006, a Pangea recebeu R$ 7,7 milhões da Petrobras para dar assistência e organizar catadores de lixo em dez municípios baianos. Um pente-fino da CGU, órgão do governo encarregado de fiscalizar o uso de verbas federais, concluiu que não há comprovação de gastos para mais de R$ 2,2 milhões.

 (Foto: Luciano da Matta/Ag. Tarde)

Na ocasião do repasse, a Pangea era presidida por seu fundador, Sérgio Veiga de Santana, um ex-deputado estadual do PMDB baiano, partido que teve papel fundamental na eleição de Jaques Wagner em 2006. Ao investigar o destino que a Pangea deu ao dinheiro, a equipe da CGU identificou um cheque de R$ 25 mil pago a Ademilson Cosme Santos de Souza, irmão e tesoureiro de campanha de Antonio Magno de Souza. Conhecido como Magno do PT, Antonio concorria à prefeitura da cidade baiana de Vera Cruz. O depósito foi feito em setembro de 2004, às vésperas das eleições municipais. Naquele ano, Magno do PT informou à Justiça Eleitoral ter arrecadado apenas R$ 21.600 para a campanha, sem mencionar o tal cheque. Isso reforça a suspeita de caixa dois. No relatório da CGU, os técnicos afirmam que a legislação impede que ONGs façam doações a políticos.

O cheque de Magno do PT é apenas um dos indícios do desvio da verba da Petrobras. O dinheiro do patrocínio à Pangea deveria ter sido depositado numa conta bancária específica, registrada em contrato, mas a CGU descobriu que pelo menos R$ 1,9 milhão foram transferidos para outras contas bancárias da ONG, com altos saques na boca do caixa. Em meio a essas transações, apareceu o cheque de R$ 25 mil. Magno do PT nega ter recebido o dinheiro e afirma que Ademilson, seu irmão, se afastou da campanha e do PT, passando ao grupo adversário. Na data do cheque, de acordo com a CGU, Ademilson ainda era tesoureiro de Magno do PT. A CGU constatou outros problemas. O próprio fundador da ONG, Sérgio Santana, recebeu R$ 11.500, atribuídos à venda de um carro usado à Pangea, mas a CGU não encontrou recibos da transação. Procurado e questionado sobre o uso dos recursos, Santana disse: “Não me lembro, deixei a ONG em 2007”.

O primeiro contrato da Pangea com a Petrobras foi fechado em 2004, quando o presidente da Petrobras era o também petista José Eduardo Dutra. Na gestão seguinte, de Gabrielli, foram assinados mais cinco contratos com a ONG, totalizando R$ 11 milhões. A fiscalização sobre o dinheiro repassado à Pangea começou em setembro de 2008. E, mesmo com os indícios de desvios detectados pela CGU nos contratos fechados entre 2004 e 2006, a Petrobras aprovou mais dois patrocínios para a Pangea em 2010: um de R$ 2 milhões, para um projeto envolvendo catadores de lixo, e outro de R$ 1,4 milhão, voltado à geração de renda para pescadores. O projeto milionário da Pangea registrava, segundo a própria ONG, 748 cooperados até março do ano passado.

Um dos primeiros passos da equipe da CGU ao iniciar a investigação foi tentar localizar cinco empresas contratadas pela ONG com dinheiro da Petrobras. Juntas, as firmas receberam cerca de R$ 2 milhões. O endereço atribuído a elas fica no município de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. No local onde deveria estar a Estrada Construções, responsável pela construção de galpões para as cooperativas dos catadores de material reciclável, os fiscais se viram diante de um consultório odontológico com uma enorme placa onde se lia “Volte a sorrir”. No andar de cima, os letreiros informavam que ali era a sede da Igreja Missionária Pentecostal.

Os funcionários do consultório desconheciam a Estrada Construções. Logo que a investigação dos auditores começou, as empresas comunicaram à Receita Federal mudança de endereço das sedes, uma possível estratégia para despistar os auditores. Curiosamente, o novo endereço da Estrada era, segundo a CGU, o mesmo de outras duas empresas procuradas: a Acap Construções e a Vac-All do Brasil Serviços Industriais. À primeira também se atribuía a construção de galpões e à segunda a fabricação de contêineres. No novo endereço, os auditores não encontraram nenhuma das três empresas. O andar de cima era uma residência. O de baixo estava reservado a cultos evangélicos.

A Vac-All foi localizada a 12 quilômetros de distância, num pequeno galpão, com instalações modestas para uma empresa que, segundo a Pangea, fornecera cinco esteiras transportadoras mecânicas, 140 carrinhos para o transporte de materiais e nove compactadoras de lixo, entre outros equipamentos, a um custo de R$ 904 mil. Como a Vac-All não tinha inscrição estadual para vender máquinas, emitiu notas fiscais de prestação de serviços indevidamente. Os fiscais também não localizaram nem a Engenho Serviços, tida como fabricante de bonés e camisetas para catadores da cooperativa, nem a JR 2 Comunicação, responsável pelo material de divulgação do projeto. O empresário Wellington Oliveira Rangel, dono da Vac-All e cuja família aparecia como gestora da Estrada Construções e da JR 2, negou a ÉPOCA que as empresas sejam de fachada. Ele disse que os serviços e equipamentos foram efetivamente entregues à Pangea.

(Foto: Marcelo Carnaval/Ag. O Globo)
 A HERDEIRA
Maria das Graças Foster em sua posse, com Dilma Rousseff. 
Na ocasião, ela foi chamada de “Graciosa” pela presidente

A CGU enviou o relatório de fiscalização com todas as irregularidades para o Tribunal de Contas da União (TCU). O processo, dentro do Tribunal, ainda não foi concluído. No final do ano passado, o TCU solicitou à CGU informações sobre as providências adotadas no caso Pangea. A Controladoria cobrou da Petrobras explicações sobre o dinheiro desviado. Em casos semelhantes, o TCU determinou que a própria companhia fiscalize a aplicação do dinheiro.

A Petrobras afirmou que, nos casos de contratos de patrocínio, não verifica o destino dos recursos repassados às entidades. A única fiscalização feita tem o objetivo de verificar se o projeto foi executado conforme o contrato e se houve a contrapartida para a imagem da empresa, enquanto patrocinadora. No caso da Pangea, essa fiscalização ocorreu, segundo a Petrobras, com visita in loco e análises de relatórios. “O projeto cumpriu todas as metas” e ainda recebeu prêmios, afirmou a companhia. A Petrobras disse também que os contratos não tiveram motivação política. A companhia não comentou a suspeita de caixa dois. A Pangea também negou desvios. Disse que o relatório da CGU é preliminar e inconclusivo. Afirmou que as empresas não localizadas pela Controladoria prestaram os serviços contratados e que todos os recursos da Petrobras foram aplicados.

O outro acarajé quente para Maria das Graças Foster se chama Geovane de Morais, ex-gerente de comunicação da área de Abastecimento da Petrobras demitido por justa causa pela companhia no dia 3 de abril de 2009. Ligado ao grupo político de Gabrielli e do governador Jaques Wagner, o baiano Morais cometeu uma série de irregularidades. Ele extrapolou o orçamento de sua gerência. Sem licitação ou autorização formal, gastou cinco vezes o previsto em 2008, ano de eleições municipais. Seu orçamento era de R$ 31 milhões, e a despesa chegou a R$ 151 milhões. Houve pagamentos sequenciais e sem o amparo legal de contratos. Entre as empresas beneficiadas estavam duas produtoras de vídeo baianas que trabalharam para a campanha de Wagner em 2006 e para duas prefeituras petistas.

Passados quase três anos, a demissão de Morais, de 45 anos de idade, não foi efetivada. Ele continua recebendo todo mês o mesmo que ganhava como funcionário de carreira da Petrobras. A despesa é bancada pela companhia e pela Previdência Social (auxílio-doença). Segundo a estatal, a demissão não foi efetivada porque o ex-gerente permanece de licença médica. Qual seu salário e que doença afinal ele tem? “São informações pessoais e não podem ser divulgadas”, diz a Petrobras.

A estatal afirma que todos os procedimentos internos para formalizar a demissão foram adotados. Não respondeu se caberia alguma decisão judicial e disse que já comunicou a demissão a Morais. Ele parece não ter se incomodado. É outro acarajé para Maria das Graças Foster digerir.

Balas de prata

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

A sinuosidade de ação e pensamento que tanto fragiliza o PSDB no exercício da oposição é também o veneno que, aplicado em doses constantes e cada vez mais letais, corrói as entranhas do partido.

A última aniquilou a chance de os tucanos virem a construir uma candidatura viável à Prefeitura de São Paulo a partir da realização das prévias já marcadas para 4 de março próximo.

Às vésperas da escolha entre os pretendentes Andrea Matarazzo, Bruno Covas, Ricardo Tripoli e José Aníbal, o PSDB recrudesce a pressão para José Serra ser candidato. Com isso, desmoraliza seus postulantes, informa ao eleitorado que nenhum deles vale quanto pesa e confere a todos a condição de meros esquentadores de cadeira.

Vamos que Serra mantenha a decisão de não se candidatar e a escolha se dê entre os quatro: que moral política ou eleitoral terá o vencedor se o próprio partido pelo qual concorre trombeteara previamente sua carência de condições competitivas?

E se José Serra ceder às pressões e for ele o candidato? Em termos imediatos, pode até ser uma solução, o PSDB pode ganhar a eleição. Mas terá de se ver diante da contradição de ter tratado como herói da resistência alguém que havia sido posto fora do tabuleiro.

O partido, aqui entendido como a direção e as principais lideranças, não perde oportunidade de acentuar o quanto José Serra está isolado. Tucanos só faltam dizer em público que o tempo dele passou. Privadamente dizem exatamente isso.

Mas, na hora de resolver um problema na eleição que será a mãe de todas as batalhas municipais, definidora da sobrevivência do partido e da consolidação da hegemonia total do PT no cenário nacional, enfileiram-se em romaria pedindo que se candidate a prefeito de São Paulo.

Ressuscitam aquele que haviam dado como "morto" para, de um lado, salvar a lavoura partidária e, de outro, mantê-lo longe do jogo de 2014.

Diga-se em favor do PSDB que incoerente o partido não é. Trabalha contra os seus com competência e persistência.

Deixou-se aprisionar na armadilha da "herança maldita" urdida pelo PT. E não depois da vitória de Lula, em 2002. Mas já durante aquela campanha quando se recusou a pôr o então presidente Fernando Henrique Cardoso no palanque.

Recusa, aliás, é um termo brando. Repúdio traduz melhor a situação. As pesquisas indicavam acentuado desgaste de FH no segundo mandato, os marqueteiros aconselharam ao partido que mantivesse dele distância regulamentar e assim foi feito.

Dessa forma continuou sendo feito quando Lula surrava diariamente o governo do antecessor e o PSDB apanhava calado. Parafraseando Nelson Rodrigues, o PT sabia por que batia e os tucanos pareciam concordar com as pancadas.

Só recentemente o PSDB reabilitou Fernando Henrique e, assim mesmo, a reboque da iniciativa de Dilma Rousseff em reconhecer-lhe publicamente o valor.

Antes disso, o ex-presidente foi voz isolada em todas as críticas, análises de conjuntura e "pensatas" sobre a condução do partido.

Guardadas as proporções e os objetivos, no caso específico da Prefeitura de São Paulo, Serra agora é objeto desse tipo de reabilitação a posteriori.

Pelo simples fato de que o PSDB não conseguiu mais uma vez construir um caminho para si. Se queria Serra, não deveria ter-se deixado levar pela proposta de prévias; se queria aliança com Kassab, não deveria tê-lo deixado correr para o PT; se queria um candidato novo, deveria ter tido unidade e firmeza para construí-lo como Lula fez com Fernando Haddad.

O problema é que o maior entre os poucos partidos de oposição não sabe o que quer. Agora não há tempo para mais nada, resta apenas o espaço ao improviso de sempre.

E se o leitor mais atento sentiu falta da responsabilização nominal desse ou daquele tucano pelos passos em falso saiba que foi proposital.

Não é uma obra de autor. É resultado de um trabalho coletivo de destruição do qual nenhum dirigente, líder, governante, parlamentar, vítima ocasional ou algoz circunstancial está isento.

São Paulo é a 45ª melhor cidade do mundo para fazer faculdade, diz ranking

Estadão.edu

Paris lidera levantamento inédito do grupo QS; Buenos Aires e Santiago estão à frente de SP

São Paulo é a 45.ª melhor cidade do mundo para fazer faculdade, de acordo com levantamento inédito divulgado nesta quarta-feira, 15, pela QS - grupo de pesquisa que publica anualmente um dos mais importantes rankings de universidades do planeta.

Jonne Roriz/AE-
Faculdade de Direito da USP, no centro de São Paulo

Paris ocupa o topo da lista do novo estudo, seguida por Londres, Boston e Melbourne. Outras seis cidades europeias completam a relação de top 10.

Na América Latina, São Paulo fica atrás de Buenos Aires (24.º lugar), Cidade do México (31.º) e Santiago (41.º).

Segundo o ranking, Cingapura, na 12.ª colocação, é a melhor cidade asiática para estudar. Depois vêm Hong Kong (19.ª) e Tóquio (19.ª).

A Austrália é o único país com duas cidades entre as 10 mais bem avaliadas: além de Melbourne, emplacou Sidney, na 6.ª posição.

O ranking do QS se baseia em 12 critérios, entre os quais a qualidade e o número de universidades ranqueadas internacionalmente. Outros fatores também são considerados, como a qualidade de vida, o custo dos estudos e a reputação local das instituições junto aos empregadores.

Para entrar na lista, as cidades deveriam ter pelo menos 250 mil habitantes e duas instituições ranqueadas no QS. Cálculo da consultoria aponta que 98 lugares no mundo preenchem os dois critérios.

Veja as top 10 cidades:
1 - Paris
2 - Londres
3 - Boston
4 - Melbourne
5 - Viena
6 - Sidnei
7 - Zurique
8 - Berlim
9 - Dublin
10 - Montreal

O diretor executivo do QS, Nunzio Quacquarelli, disse que cidades da Europa continental, Austrália e Ásia oferecem "distintas vantagens" aos estudantes "quando uma diversa escala de fatores é tomada em consideração".

Para o vice-chanceler das universidades de Paris, Édouard Husson, a pesquisa "reconhece a grande experiência internacional que Paris fornece aos estudantes".  Ao QS, ele afirmou que a cidade tem "mais universidades globalmente ranqueadas e reconhecidas que qualquer outra cidade". "Adiciona-se a isso as baixas anuidades."

O prefeito de Londres, Boris Johnson, declarou estar "muito feliz" com o resultado do levantamento. "Com os Jogos Olímpicos cada vez mais próximos, Londres está passando por diversas transformações. Nós temos o dobro de livrarias que Nova York e mais museus que Paris. E, a propósito, nossos museus são gratuitos", disse.

A relação completa pode ser acessada no site www.topuniversities.com
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Investir mais em educação não garante resultados melhores, afirma OCDE

Veja online

'Dinheiro não pode comprar um bom sistema educacional', diz entidade

Os países que mais investem em educação por aluno entre os 6 e os 15 anos não são necessariamente os que apresentam um melhor rendimento de seus estudantes, segundo uma análise do relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado nesta quinta-feira pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). "O dinheiro sozinho não pode comprar um bom sistema educacional", destacou a OCDE em seu relatório "Pisa in Focus", que indica que os países que obtiveram melhores resultados nessas provas em 2009 são os que acreditam que "todas as crianças podem ter êxito na escola".

Segundo essa organização com sede em Paris, uma das chaves do sucesso dos sistemas educacionais é considerar que todos os estudantes podem ter êxito e não deixar que os alunos com problemas repitam de ano ou sejam transferidos a outras escolas, ou que sejam agrupados em diferentes turmas em função de suas habilidades. "Superado o nível de aproximadamente 35.000 dólares" de investimento por estudantes entre os 6 e os 15 anos em unidades monetárias harmonizadas, a despesa "não está relacionada com o resultado", indicou a OCDE.

A organização com sede em Paris citou como exemplo países que investem mais de 100.000 dólares por aluno, como Luxemburgo, Noruega, Suíça e Estados Unidos, e que obtêm resultados similares a nações que destinam a metade por estudante, como Estônia (43.037 dólares), Hungria (44.342) e Polônia (39.964).

Assim, os dois países que obtiveram os melhores resultados nas últimas provas Pisa (Finlândia, com 71.385 dólares; e Coreia do Sul, com 61.104) estão bastante distantes dos que mais investiram (como Luxemburgo, com 155.624 dólares acumulados por aluno; e Suíça, com 104.352). O Chile investe por aluno 23.597 dólares, mais do que o México (21.175), ambos acima de países "associados" à OCDE como o Brasil (18.261) e a Colômbia (19.067). Todos eles superam a Turquia, que, com 12.708 dólares por aluno, é a lanterna da lista de 33 estados-membros da OCDE.

Outro dos fatores cruciais detectados pela OCDE é que os países com os melhores resultados nas provas trianuais sobre compreensão de texto, matemática e ciências naturais são aqueles que mais investem em seus professores. Assim, os professores do ensino médio da Coreia do Sul e Hong Kong, ambos com excelentes resultados nas provas Pisa, ganham "mais do que dobro do Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita' médio em seus respectivos países".

"Em geral, os países que alcançam bons resultados na Pisa atraem os melhores estudantes à profissão de professores, e lhes oferecem salários mais altos e um grande status profissional", indicou a OCDE. No entanto, essa organização precisou que essa relação entre professores e resultados não acontece entre os países menos ricos.

Em Vila Rica (MT), professor ganha menos que operador de escavadeira

Comentando a Notícia

É preciso comentar alguma coisa? Creio que não. Se a gente pesquisar direitinho, vai encontrar sobras de motivos para se dizer que Educação, apesar dos discursos mentirosos dos políticos e governantes em todos os seus níveis, definitivamente, não é prioridade no Brasil. A seguir, o leitor tem um belo exemplo. Aliás, mais um.

O texto é de Hugo Passarelli, publicado na coluna de Celso Ming, Estadão.com

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Um concurso público da Prefeitura de Vila Rica (MT) está gerando polêmica entre usuários do Facebook. No edital da seleção para 169 profissionais em diversas áreas, chama a atenção os salários de operadores de escavadeira hidráulica, máquina de esteiras e monotoniveladora e o de professor: enquanto os primeiros têm uma remuneração de R$ 1.291,98, o segundo tem salário de R$ 1.246,32.

A carga horária é a mesma (40 horas semanais), mas para operador é exigido apenas o Ensino Fundamental Incompleto, enquanto para professor, Ensino Superior. Torneiro mecânico também recebe a remuneração de R$ 1.291,98, mas a qualificação pedida é de Ensino Fundamental Completo. Procurado pelo Mural dos Concursos, o presidente da Comissão de Vila Rica, Hely Fernandes, se limitou a dizer que a definição dos salários respeita o piso nacional estipulado pelos sindicatos das categorias.

Uma reprodução do edital circula pela rede social, seguida da frase “O que dizer? É Brasil”. O post tinha 7 mil compartilhamentos no fim da tarde desta sexta, 17.

No Facebook, o usuário Murillo Guedes Manalischi disse: “Ultrajante, humilhante, ridículo para um profissional formado”. Já Jonas Carvalho protestou: “Essa é a valorização que dão ao professor que ficou 3 ou 4 anos na faculdade”.

No edital, contudo, os professores não são os únicos profissionais com diploma de Ensino Superior com salário abaixo de outros cargos com qualificação inferior. Esse também é o caso de Terapeuta Ocupacional (R$ 916,93 mensais).

O concurso público de Vila Rica tem 169 vagas para todos os níveis de escolaridade divididos entre as áreas de educação, saúde, manutenção e obras, entre outras. As inscrições podem ser feitas até 1º de março, pelo site da Consulplan, organizadora da prova, ou pessoalmente (Av. Perimetral Leste, s/nº, Bairro Bela Vista – Campus da UNEMAT).



Estudo prova falência estrutural do Dnit e incapacidade de fiscalizar obras

Fábio Fabrini, O Estado de São Paulo

Auditor nomeado vice-chefe do órgão levantou dados que comprovam impossibilidade de atingir eficiência na área de Transportes

BRASÍLIA - Nomeado vice-chefe do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) após a "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff, o auditor da Controladoria-Geral da União (CGU) Tarcísio Gomes de Freitas se diz à frente de uma autarquia falida, sem condições de executar suas principais funções. Espécie de interventor do órgão, no cargo há pouco mais de cinco meses, ele desabafa: "O Dnit não tem condições de tocar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O que fazem com ele é uma covardia".

Como diretor executivo do Dnit, o auditor concluiu em dezembro estudo que evidencia a impossibilidade de atingir as pretensões de eficiência do programa na área de Transportes. Fora a cultura de corrupção, que remonta ao extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), as deficiências estruturais empacam obras e favorecem desvios. Falta quem fiscalize a execução de contratos ou pague, com a devida celeridade, pelas medições de serviços prestados por empreiteiras.

O Dnit tem hoje 2.695 servidores de carreira - menos funcionários, segundo o diretor, que o Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP), com 3,8 mil. Mais da metade do pessoal passou dos 51 anos de idade e um terço já tem ou terá, até 2016, condições de se aposentar (veja o infográfico abaixo).



Para levar adiante 1.196 contratos, o grosso integrante do PAC, seriam necessários 6.861 funcionários. Mas projeção indicada no estudo mostra que, sem concurso público, 43% do pessoal vai debandar até 2015, restando 1,5 mil em atividade num contexto em que, ano a ano, o orçamento cresce. O Ministério do Planejamento não tem previsão de abertura de vagas.

Levadas em conta somente as aposentadorias, alguns setores, como o Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR), que aprimora as técnicas e procedimentos do órgão, perderão 71% da força de trabalho até 2015.

Perfil. 
O problema não é só a quantidade, mas o perfil do pessoal. Mais da metade é de nível intermediário e atua em funções administrativas e de apoio. Em todo o País, o Dnit tem 126 porteiros no Brasil e só 9 contadores. Em Brasília, trabalham três contadores, com 597 processos de prestação de contas atrasados.

Nos tempos em que a máquina de escrever virou peça de museu, há 131 datilógrafos no quadro do departamento, ante 10 técnicos de estrada e 8 tecnologistas, encarregados de avaliar a qualidade do material e dos serviços empregados em obras.

"Este desbalanceamento dificulta o cumprimento das tarefas, prejudica o desempenho global e escraviza a autarquia, que fica dependente de terceirizações para o desempenho de suas atividades", constata o estudo, que aponta deficiências também em área crucial para o controle da corrupção.

País afora, o Dnit tem 94 motoristas e somente 7 pessoas para patrulhar a execução de um orçamento mastodôntico. "Como é que eu vou ter um bom ambiente de controle num órgão que gere R$ 15 bilhões e tem uma auditoria interna com 7 auditores?", questiona o diretor executivo.

Na Corregedoria, responsável pela apuração de malfeitos dos servidores, há seis pessoas para conduzir, em média, 55 processos anuais.

O impacto dessa desordem administrativa no andamento das obras é direto. Nas palavras do estudo, o Dnit leva "incríveis 300 dias" para pagar a uma empreiteira pela medição de um serviço. Contribui para isso, acrescenta o diagnóstico, a falta de sistemas de informação confiáveis e integrados para o acompanhamento físico-financeiro das obras. "Cada documento passa por inúmeras mesas sem um controle efetivo de prazos e ou de consistência das informações prestadas", diz o trabalho.

Relevo. 
Órgão com expertise em estradas, o Dnit não tem em seus quadros, segundo o estudo, topógrafos para avaliar, por exemplo, as condições do relevo nas obras rodoviárias e laboratoristas para checar a qualidade do asfalto. Nem mesmo no IPR.

São cerca de 800 engenheiros, mas, nas contas do diretor executivo, seriam necessários 3 mil. Não por acaso, nas unidades locais do Dnit, esses profissionais, não raro com mais de 30 anos de casa, atuam sozinhos, equilibrando-se entre serviços técnicos e administrativos.

Sem condições de fiscalizar as obras, resta a eles apenas ratificar os pareceres de empresas de supervisão, contratadas para acompanhar o serviço de empreiteiras e que, em muitas situações, atuam em conluio com elas para fraudar os contratos.

"A gente tem situações de um camarada completamente atirado aos leões, porque não tem um mínimo de estrutura para acompanhar aqueles contratos. Além disso, não tem o suporte de laboratório. Fica à mercê, a reboque das empresas de supervisão. De certa forma, fica escravo dessas empresas", queixa-se Freitas.

Em vários Estados, obras importantes do PAC, prometidas por Dilma, permanecem no papel ou atrasadas. É o caso da duplicação da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, e da reforma do Anel Rodoviário da capital mineira.

Há anos, os dois empreendimentos não saem da fase de "projeto". No Maranhão, conforme o Estado mostrou na terça-feira, a licitação para duplicar a BR-135 teve de ser cancelada por deficiências nos projetos. Em Pernambuco, as intervenções na BR-101 acumulam atrasos e suspeitas de corrupção investigadas na Operação Casa 101, da Polícia Federal.

Paulo Costa, Exame.com


Traduz-se o verbo inglês “to foster” como “promover, estimular”. Nada mais apropriado comparar-se esta tradução com a missão outorgada a Maria das Graças Silva Foster, nova Presidente (a?) da Petrobras. Sua posse já deu uma dimensão do tamanho do desafio que se lhe apresenta. Começou com o “fogo amigo” de José Sergio Gabrielli, que após defender durante toda a sua gestão a manutenção de preços administrados para os derivados de petróleo, em particular a gasolina, em sua saída para o mundo político diz que esta situação não pode se sustentar por muito tempo. Que deselegância! O fato é que, de imediato, não se reúnem condições econômicas para que se mexa nesta sistemática de controle de preços. Não é, infelizmente, o momento para se alterar nada: os mercados internacionais de petróleo estão firmes e o nosso preço de gasolina entre os mais altos do mundo, em um ambiente interno em que a inflação necessita constante vigilância.

Não bastasse isto, uma série de questões de fundo são pedras enormes a serem ultrapassadas na caminhada desta mulher de personalidade forte e decidida: a produção de petróleo está estagnada faz três anos e abaixo da meta, continuamos com dependência da importação de combustíveis e as reservas não estão crescendo. No campo dos investimentos, o caixa da empresa parece ser insuficiente para dar lastro a tudo que precisa ser feito, em particular aos ainda imprevisíveis custos de exploração da camada do pré-sal. Agrega-se a esta dificuldade a visão da Petrobras em ter forte conteúdo local agregado aos investimentos. Outro desafio, talvez o mais ameno, o incremento da participação da estatal no mercado de produção de etanol combustível.

BioAgroEnergia, contrariando a maioria dos analistas, aposta suas fichas na gestão de Graça Foster, como ela gosta de ser chamada. Por uma série de razões: conhece o assunto; não tem viés político e vai fazer uma administração altamente profissionalizada; vai ser blindada de pressões outras pela forte identidade que tem com a Presidenta Dilma Rousseff, que por sinal conhece bastante bem a empresa e o tema. Importante, mas fácil de executar, vai ser livrar-se da imagem de seu antecessor. Em pouco tempo (diríamos, muito pouco tempo) estará alçando vôo solo e sem dúvida, em nossa opinião, vai dar cara nova à Petrobras, “promovendo e estimulando” seu crescimento.

Para finalizar reproduzimos aqui um parágrafo de nosso post de 23 de janeiro último, publicado neste mesmo espaço:( http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/bioagroenergia/2012/01/23/importacao-de-derivados-de-petroleo-e-a-indicacao-de-graca-foster/ ). 

“E o que pode mudar com a saída de José Sergio Gabrielli, o mais longevo Presidente da Petrobrás, que levou a estatal ao mais alto ponto de sua história com as descobertas do pré-sal, mas que viu o valor da empresa despencar mais de 40% nos últimos dois anos, acusado de uma gestão com um forte contorno político? Muita coisa, mas muita mesmo, tanto que o mercado acionário reagiu de pronto e positivamente quando da confirmação de sua substituição. Isto porque entra em campo uma substituta que tem profundo viés técnico e forte identidade de pensamento com a Presidenta Dilma Rousseff.”

Foto: Agencia Brasil

Dilma tirou Gabrielli da Petrobrás para se antecipar a escândalo de desvio de verba com ONG baiana

Jorge Serrão, Alerta Total

Agora ficou evidente por que a Presidente Dilma Rousseff teve tanta pressa em tirar seu “querido” José Sergio Gabrielli da presidência da Petrobrás. Não foi para satisfazer a promessa a amiga Maria das Graças Foster e nem para agradar a Rainha da Inglaterra – com cujo Império o marido de Graça, o inglês Colin Vaughn Foster, tem ligações maçônicas diretas. Dilma correu com Gabrielli porque sabia que estouraria um escândalo sobre desvio de dinheiro repassado pela Petrobrás a uma ONG baiana, com possível contribuição para campanha eleitoral petista.

A revista Época, que circula a partir desta sexta-feira, traz a má notícia que a inteligência do Palácio do Planalto já esperava sobre o esquema de “Mensalão Baiano”. Documentos da Controladoria-Geral da União (CGU) revelam que a ONG baiana Pangea não conseguiu comprovar como gastou nada menos que R$ 2,2 milhões dos R$ 7,7 milhões repassados pela Petrobras, entre os anos de 2004 e 2007. A CGU rastreou um cheque de R$ 25 mil entregue pela Pangea ao irmão de um político do PT que concorria à prefeitura da cidade baiana de Vera Cruz. Este é o indício de que a entidade serviria também como centro de repasse ilegal de dinheiro.

A CGU confirmou que a ONG baiana usou notas frias para prestação de contas. Pelo menos quatro empresas contratadas pela ONG, para justificar o gasto do dinheiro repassado pela Petrobrás, não foram encontradas nos respectivos endereços, Tudo indica que são “fantasmas”. Outra irregularidade denunciada foi a compra de um carro usado de Sérgio Santana, ex-deputado do PMDB e na época presidente da Pangea, com o patrocínio da estatal de economia mista que era presidida pelo baiano José Sérgio Gabrielli – cujo projeto político é se candidatar a governador da Bahia, em 2014.

Com tal denúncia, o plano já começa a ir para muito além das profundezas do pré-sal. E o caso será mais um pepino a ser gerenciado por Maria das Graças Foster (que jurou fidelidade incondicional a Dilma e a Petrobrás). 

Mais M... na Petrobrás da Bahia
Nas Bahia, uma liminar na Justiça do Trabalho interrompeu a polêmica eleição para a escolha de um representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobrás.

A empresa tenta reverter a decisão da Desembargadora Débora Machado, do TRF da 5ª Região, que recomendou “uma imperiosa investigação sobre os atos ilegais praticados pela comissão criada para a eleição de membros do conselho de administração da companhia”.
O processo eleitoral em curso só termina no dia 5 de março de 2012.

Ainda bem, para o governo, que na Bahia é carnaval...

Nissan lança versões carnavalescas dos pôneis

Bruno Roberti, da Revista Quatro Rodas

Canção pode ser baixada no ritmo de samba, marchinha, axé e frevo

Divulgação
Comercial sugere que concorrentes têm pôneis no lugar do motor

São Paulo - A Nissan vai aproveitar o Carnaval e lançamento da Frontier 2013, que tem como principal novidade o incremento da potência, para colocar os famosos “Pôneis Malditos” de volta na mídia.

Além de veicular novamente o comercial que fez sucesso no segundo semestre de 2011, a marca vai lançar versões musicais com temáticas carnavalescas da música.

Criadas pela agência Lew´Lara\TBWA, as músicas em ritmos de samba, marchinha, axé e frevo podem ser baixadas na página da Nissan no Facebook.

Confira a versão samba da música dos Pôneis Malditos: (Este vídeo não será exibido em iPad)




Abre alas para a desintoxicação

Veja online

A medicina tem recursos para limpar o organismo dos venenos liberados pelo excesso de comida, bebida e falta de sono. Mas quantos de nossos exageros podem ser consertados depois da folia?

O corpo intoxicado
O consumo exagerado de gordura, sódio e álcool e a superexposição ao sol e ao cigarro, entre outros hábitos ruins da modernidade, podem comprometer o funcionamento de uma das mais nobres estruturas celulares, as mitocôndrias - pequenas usinas de energia existentes no interior das células. Quando agredidas, elas deflagram a produção excessiva de radicais livres, átomos ou moléculas altamente reativos que podem desequilibrar a bioquímica celular

 Bryan Christie Designer

O cigarro e o açúcar agridem as células das artérias, provocando um quadro inflamatório e, consequentemente, estimulando a produção de radicais livres. Ao entrarem em contato como colesterol circulante, eles alteram a bioquímica das moléculas de gordura, fazendo com que se depositem com mais facilidade nas paredes arteriais. Já as baixas doses de oxigênio características do ar poluído levam o órgão a aumentar as contrações musculares, desgastando-o.

Fígado
 Bryan Christie Designer

O fígado depura cerca de 80% das impurezas circulantes no organismo. Uma das mais nocivasé o etanol. Para ser metabolizada, a substância exige grande esforço do órgão. Tal demanda aumenta a produção de radicais livres. Com isso,o fígado tem comprometida sua capacidade de processar lipídios, o que pode levar ao acúmulo exagerado de gordura (a esteatose)

Pele
 Bryan Christie Designer

Uma das ações mais tóxicas do sol é danificar os telômeros, trechos do cromossomo que têm a função de proteger o DNA de agentes externos, assegurando que a informação genética seja perfeitamente copiada durante a divisão celular. Enfraquecidos, deixam o material genético vulnerável, estimulando o envelhecimento celular e facilitando o desenvolvimento de doenças.

Cérebro
 Bryan Christie Designer

A barreira hematoencefálica filtra a maioria das substâncias químicas circulantes no sangue. Com moléculas diminutas, o álcool é um dos poucos compostos que conseguem vencer esse obstáculo. Ao atingir o tecido cerebral, a bebida estimula os neurônios a aumentar a quantidade de neurotransmissores, sobretudo o GABA, responsável por reduzir o funcionamento do sistema nervoso central. A consequência: sedação e perda de reflexos do organismo.

Pâncreas
 Bryan Christie Designer

A alta toxicidade do álcool e do excesso de gordura agride as células do pâncreas, causando um processo inflamatório. A inflamação favorece o entupimento dos canais secundários do órgão - aqueles que transportam suco pancreático, envolvido no processo digestivo. Já o excesso de açúcar faz com que as células produtoras de insulina aumentem a fabricação do hormônio, o que pode levá-las à exaustão.

Rins
 Bryan Christie Designer

Os rins eliminam o excesso de sódio através da urina. Em excesso, a substância danifica as células renais, levando à inflamação, mecanismo que contribui para o estreitamento dos vasos.

Intestinos
 Bryan Christie Designer

Na tentativa de metabolizar grandes quantidades de gordura, álcool e açúcar, as células intestinais aumentam seu ritmo metabólico, o que incrementa a síntese de radicais livres. Uma das principais consequências desse processo é a intensificação dos movimentos peristálticos. Com isso, reduz-se a absorção de água e sal. Tem-se então um quadro de diarreia. A longo prazo, pode haver a formação de tumores.

Cientistas desvendam profecia maia do 'fim do mundo em 2012'

Alberto Nájar, BBC Mundo 

Para especialistas, maias não previram o fim do mundo

Arqueólogos de diversos países se reuniram no Estado de Chiapas, uma área repleta de ruínas maias no sul do México, para discutir a teoria apocalíptica de que essa antiga civilização previra o fim do mundo em 2012.
A teoria, amplamente conhecida no país e contada aos visitantes tanto no México como na Guatemala, Belize e outras áreas onde os maias também se estabeleceram, teve sua origem no monumento nº 6 do sítio arqueológico de Tortuguero e em um ladrilho com hieróglifos localizado em Comalcalco, ambos centros cerimoniais em Tabasco, no sudeste do país.

O primeiro faz alusão a um evento místico que ocorreria no dia 21 de dezembro de 2012, durante o solstício do inverno, quando Bahlam Ajaw, um antigo governante do lugar, se encontra com Bolon Yokte´, um dos deuses que, na mitologia maia, participaram do início da era atual.

Até então, as mensagens gravadas em "estelas" – monumentos líticos, feitos em um único bloco de pedra, contendo inscrições sobre a história e a mitologia maias – eram interpretadas como uma profecia maia sobre o fim do mundo.

Entretanto, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah), uma revisão das estelas pré-hispânicas indica que, na verdade, nessa data de dezembro do ano que vem os maias esperavam simplesmente o regresso de Bolon Yokte´.

"(Os maias) nunca disseram que haveria uma grande tragédia ou o fim do mundo em 2012", disse à BBC o pesquisador Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade Autônoma do México (Unam).

"Essa visão apocalíptica é algo que nos caracteriza, ocidentais. Não é uma filosofia dos maias."

Novas interpretações
Durante o encontro realizado em Palenque, que abriga uma das mais impressionantes ruínas maias de toda a região, o pesquisador Sven Gronemeyer, da Universidade australiana de Trobe, e sua colega Bárbara Macleod fizeram uma nova interpretação do 6º monumento de Tortuguero.

Para eles, os hieróglifos inscritos na estela se referem à culminação dos 13 baktunes, os ciclos com que os maias mediam o tempo. Cada um deles era composto por 400 anos.

"A medição do tempo dos maias era muito completa", explica Gronemeyer. "Eles faziam referência a eventos no futuro e no passado, e há datas que são projetadas para centenas, milhares de anos no futuro", afirma.

Castellanos: profecias apocalípticas revelam mais sobre nós que sobre maias
Para a jornalista Laura Castellanos, autora do livro 2012, Las Profecias del Fin del Mundo, o sucesso da teoria apocalíptica junto à cultura ocidental se deve a uma "onda milenarista" que, segundo ela, "antecipa catástrofes ou outros acontecimentos cada vez que se completam dez séculos".

Para Castellanos, esse tipo de efeméride é reforçada por uma "crise ideológica, religiosa e social".

Ela observa que as profecias sobre 2012 não têm somente uma "vertente catastrófica", mas também uma linha que "prognostica o despertar da consciência e o renascimento de uma nova humanidade, mais equitativa".

Crença no final
A asséptica explicação científica e histórica vai de encontro à crença popular no México, um país onde há quem procure adquirir os conhecimentos necessários para sobreviver com seu próprio cultivo de alimentos em caso de uma catástrofe mundial.

Muitos dos que vivem fora procuram regressar ao país porque sentem que precisam estar em casa em 2012, e há empresas que oferecem espaço em bunkeres subterrâneos, com todas as comodidades.

Afinal, o possível fim do mundo também é negócio. O próprio governo mexicano lançou uma campanha para promover o turismo no sudeste do país, onde estão localizados os sítios arqueológicos maias.

Muitos governos dos Estados onde existem ruínas da antiga civilização maia já estão registrando aumento na chegada de turistas.