sexta-feira, setembro 14, 2007

Uma Historinha de Inocência

Por Jorge Serrão, Alerta Total



O fluxograma acima é mais uma das tantas galhofas de indignação popular, que circula no território livre da internet, contra a absolvição do senador Renan Calheiros. Trata-se de uma simpática historinha, no estilo dos Seis Porquinhos (o número de senadores que sequer tiveram coragem de votar contra Renan, e preferiram se esconder no ocultismo da vergonhosa sessão do Senado de ontem). Os quadros são fáceis e auto-explicativos. Basta seguir as setinhas. Até os eleitores analfabetos do molusco entendem. Depois deste pequeno conto (do vigário), talvez seja necessária uma outra historinha para que os eleitores apedeutas entendam o que é um trouxa e porque é trouxa... Mas aí já é outra história...

Absolvido em segredo

Folha de S. Paulo

O dia em que o Senado livrou Renan Calheiros da cassação é um momento vergonhoso na história do Legislativo brasileiro

Cento e dez dias depois de reveladas suas ligações com o lobista de uma empreiteira, num episódio a que não conseguiu dar explicações minimamente satisfatórias; após uma seqüência devastadora de notícias a respeito do crescimento vertiginoso de seu patrimônio pessoal; cercando-se de uma vacilante pilha de notas fiscais suspeitas; valendo-se da própria influência do cargo para dar um curso favorável ao processo; protegido pelo corporativismo, pela pequenez e pela covardia da maioria de seus pares, o senador Renan Calheiros obteve ontem, entre quatro paredes, um vergonhoso e temporário prolongamento de sua sinuosa trajetória política.

A decisão que o beneficiou não interrompe a corrosão de sua imagem, dada a quantidade esmagadora de denúncias que se seguiram ao primeiro escândalo. Ainda que salvo, desta vez, o seu mandato, Renan Calheiros não reúne as mais elementares condições políticas para manter-se como presidente do Senado.

Tudo se fez para dar maior conforto e tranqüilidade aos defensores do presidente da Casa. Proibiu-se o uso de celulares durante a sessão, realizou-se uma varredura eletrônica no plenário, arrancaram-se microfones da sala. Procedimentos de sigilo que caberiam melhor numa reunião entre lideranças da contravenção do que em plenário de um dos Poderes da República.

Mais do que nunca, evidenciam-se o anacronismo e a vergonha de uma blindagem normativa que, a despeito de muita condenação retórica, mantém-se intocada a cada uma das sucessivas crises éticas que atingem o Congresso.

Quando virá a próxima? Mais que concentrar, numa única jornada deliberativa, todas as esperanças e frustrações inerentes a um conflito entre o interesse público e o corporativismo, trata-se de tomar os acontecimentos de ontem como uma etapa particularmente revoltante num difícil aprendizado civilizatório.

Uma sociedade ainda pouco organizada, cindida por graves desníveis de renda, escolaridade e informação, cuida de enfrentar, a duras penas, um tipo de comportamento político fundado no sigilo, no compadrio, no paternalismo, na chantagem e no tráfico de influências.

A estreita margem de votos com que se deu a deliberação demonstra o momento transicional ainda vivido no país. Tivemos, sucessivamente, a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson e a absolvição de muitos mensaleiros; a reeleição de alguns deles e a derrota de outros; a dura decisão do STF nesse mesmo escândalo e o relativo esquecimento em que caíram outros flagrantes de desmandos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, no plano federal, nos Estados e nos municípios.

Pela decisão tomada, e pelo muito que nem sequer chegou a ser avaliado -mais três representações contra Calheiros foram encaminhadas ao Conselho de Ética-, o dia de ontem fica marcado como um momento vergonhoso na história do Legislativo brasileiro. Mudar essa história não é tarefa, entretanto, para um único dia; na indignação pública que suscita estão as forças para levá-la em frente.

Fechado o cerco contra Renan

Por Fernando Exman, no Jornal do Brasil de hoje. Retornamos no final para comentar :

A oposição decidiu ontem tentar jogar o governo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), absolvido quarta-feira pelo plenário da Casa da primeira representação por suposta quebra de decoro parlamentar. Cientes de que não reunirão votos suficientes para apear Renan do cargo, senadores de PSDB, DEM, PDT e PSOL resolveram passar a tentar impedir a votação de projetos importantes para o governo.

Parte da bancada do PMDB e do PSB também aderiu ao movimento, apelidado de "pauta seletiva". Acreditam que a situação de Renan só se tornará insustentável se ele for pressionado pelo governo, que, ao ajudar a salvar seu mandato, tornou-se credor do presidente do Senado.

A oposição quer impedir a votação das medidas provisórias (MPs) com créditos suplementares para ministérios e órgãos públicos, e das que não forem consideradas urgentes e relevantes. Também tentará atrapalhar a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e outros projetos de lei que não tiverem apoio popular. Os líderes da bancada governista entoam o discurso segundo o qual o Senado precisa voltar à normalidade para não prejudicar a economia e outros setores do país. Nos bastidores, no entanto, demonstram preocupação com a estratégia adotada pela oposição. Reconhecem que o único meio de apaziguar a Casa será Renan tirar uma licença ou renunciar.

- Ou ele sai ou o Congresso pára - ameaçou o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).

A resposta dos governistas foi imediata. Vice-líder do governo na Casa, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi à tribuna para tentar sensibilizar a oposição.

- O Senado precisa fazer um esforço para voltar a funcionar normalmente, debater e aprovar as matérias importantes para o Brasil - disse o petista.

O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), co-autor do relatório que pediu a cassação de Renan e foi rejeitado pelo plenário do Senado, socorreu Delcídio. Renan foi acusado de receber a ajuda de um lobista para pagar contas pessoais.

- A CPMF só chegará ao Senado em outubro. Até lá, já adequamos a situação do Senado - ponderou Casagrande. - O Senado tem que achar o caminho de funcionar normalmente e investigar o Renan. Temos que achar uma saída para votar.

Ontem, Renan voltou a dizer que não pretende arredar o pé da presidência do Congresso. Perguntado por jornalistas se tirará férias, foi categórico.

- Não estou cansado.

Os senadores contrários à permanência de Renan no cargo também anunciaram que não participarão de reuniões de líderes partidários comandadas por ele. E, quando o colega presidir sessões, levarão ao plenário da Casa suas queixas. Cristovam Buarque (PDT-DF) deu início ao movimento. Renan chegou ao Senado depois de a sessão ter começado, enquanto Cristovam discursava. Logo que ocupou sua cadeira, foi fustigado pelo apelo do pedetista: "Quero dizer na sua frente, senador, que seria um gesto extremamente positivo para o Brasil, depois de o senhor ter ganhado, evitando uma cassação, que seria um gesto extremamente positivo que o senhor voltasse a ser um senador como nós graças à sua renúncia à presidência do Senado. Esse gesto traria uma paz ao Senado, daria tempo para que o senhor recuperasse toda a credibilidade pela competência que o senhor sempre demonstrou, faria com que o Senado voltasse a funcionar normalmente sob outra presidência".

Renan respondeu de forma seca. Elogiou o fato de hoje haver liberdade no país para que um político critique o outro sem ser punido e mudou de assunto.

- A democracia é bela porque permite momentos como este.
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COMENTO: Olha, Renan tenta aparentar uma certa serenidade que, no fundo, é apenas aparência. Ele, melhor do que ninguém, sabe o rolo que armou; se o acordo com o Governo era ser livrado da cassação com amplo apoio da base governista (dentre outros favorecimentos), e que finda a votação ele sairia de licença, deixando a presidência do Senado entregue ao seu vice-presidente, senador Tião Viana do PT, ao dizer que “não saio, nem peço licença”, ele está armando uma bomba relógio que poderá estourar nele mesmo.

Nesta crise toda, coisa mais importante para o governo Lula é salvar a prorrogação (ou recriação) da CPMF. E isto. Não importa quem comande o processo, desde que vencedor. Estando com Renan, a visão é de que o senador alagoano será útil se ele conseguir exercer uma liderança capaz de colocar no colo de Lula um pacote de R$ 40,0 bilhões anuais, com prazo de validade até 2011, então terá valido a pena o empenho do governo. Porém, se este pacote começar a ficar imprevisível de ser obtido, Renan pode ficar certo de que dançará. Lula não tem apreço por quem não lhe serve as vontades. Já se livrou de gente muito chegada a ele do que o Renan, quando se viu ameaçado no poder.

Para PSDB e DEM é importante saberem que o governo pagou seu preço para manter Renan. Pois que agora paguem seu preço para aprovarem a CPMF. O preço político deve ficar exclusivamente à conta do governo Lula. Não dêem entrar no canto de sereia, ou até mesmo na chantagem de verem cortes de recursos federais nos estados onde governam. Qualquer ação repressora de parte do governo federal seria um tiro no próprio pé deste mesmo governo.
Além disso, se para as oposições é questão vital obter o afastamento de Renan basta manter a promessa de emperrar os projetos de interesse no Senado, principalmente a CPMF, que exige uma aprovação qualificada do Senado para vigorar. Quem ficará pressionado será o governo, que entrará em campo e fará qualquer coisa para afastar Renan, que permanece na presidência enquanto for do interesse e da conveniência do governo.

Mas independente do caso Renan, mas também por conta dele, se a oposição mantiver o discurso de derrubar a CPMF, dentre outras ações, estará dando um enorme passo para sintonizar-se com a sociedade, principalmente com aquela parte do eleitorado que lhe é naturalmente simpática, e que jamais votou ou votará em Lula ou qualquer representante da esquerda. Mas atrairá para si, aqueles eleitores que em 2002 e 2006 não encontraram nos candidatos do partido candidatos com discurso afinado aos seus anseios.

Reafirmo o que venho dizendo há muito tempo: a preocupação não está apenas em contar com a fortuna que se arrecada com a CPMF para a saúde e os programas assistencialistas, mas em poder dispor de recursos para garantir o discurso nos palanques.

O velório do Senado

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Inacreditável, imoral, na contramão da ética, da compostura, da decência, do decoro a vexatória decisão do Senado, por 40 votos contra 35 e seis abstenções - que tentam enganar os tolos com o dissimulado voto contra - que absolveu o galante presidente, senador Renan Calheiros, da denúncia apresentada pelo PSOL e aprovada pelo Conselho de Ética, de ter tido as contas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo - inclusive a pensão alimentícia à sua amante, a jornalista Mônica Veloso, com a qual tem uma filha de 4 anos.

Nunca foi montada no Congresso uma mais complicada manobra de fingimento, com os toques da hipocrisia e a mascarada dos disfarces grotescos. Claro que por mera coincidência, nem por isso menos abençoada, o casal presidencial passeava nas carruagens reais, na companhia dos soberanos dos países nórdicos, enquanto o PT catava votos para a absolvição do parceiro perfeito para os conchavos parlamentares que garantam a aprovação dos projetos que liberam verbas milionárias para o show do canteiro de obras do próximo ano de eleições municipais para prefeitos e vereadores, na reta da sucessão presidencial de 2010.

Pois até na votação secreta, da esburacada sessão secretíssima com a patuscada dos microfones desligados, celulares com a recomendação da mudez e a varredura para a retirada dos computadores e gravadores, o PT usou a máscara da impostura. A trampa tática da liderança petista foi uma infantil brincadeira de esconde-esconde: os seis fantasiados com os escrúpulos de votar pela absolvição do aliado Renan foram instruídos para votar em branco. Rato escondido com o rabo de fora: para cassar o mandato do astro da novela das oito era necessário atingir ou ultrapassar os 41 votos, maioria absoluta do total de 81 senadores. Abstenção ou voto contra a punição dá no mesmo.

Mas a tramóia às escancaras confirma a pressão do presidente Lula na cobrança da fidelidade dos aliados - todos muito bem recompensados com a farta distribuição de ministérios, secretarias, autarquias selecionadas a dedo no lote daquelas com grandes obras programadas e verbas nas alturas dos milhões e bilhões, que o ano que vem será da gastança. E é lamentável que o senador Aloizio Mercadante (PT) tenha se exposto ao desgaste de liderar a bancada na fuga à responsabilidade.

O que sobra do Senado, do velho Senado sob a saraivada de críticas justas e severas da opinião pública que ocupa as páginas da correspondência dos leitores em literalmente todos os jornais. Além do e-mail para as rádios e emissoras de TV?

Por ora, com a raiva azedando a alma e o vexame manchando o rosto, os sinais de uma preocupante e saudável manifestação coletiva que mistura indignação e nojo. O Senado caiu no ralo, sujou-se de lama, igualou-se à Câmara dos Deputados na farra de absolvição dos que se fartaram de dólares e reais na orgia do mensalão, do caixa 2, dos Correios, das ambulância superfaturadas. E a baderna acabou mal, com a decisão do Supremo Tribunal Federal que aprovou por unanimidade a denúncia do procurador-geral da República contra os 40 acusados de desvios do dinheiro público.

No contraste humilhante com a altivez da toga, na reviravolta de anos de tolerância com a impunidade para a exemplar lição de rigoroso combate à corrupção, o Congresso fica em situação lastimável.

Resta ao Senado, como pouco confiável consolo, a tripla oportunidade de reabilitação moral: mais três processos contra o senador Renan Calheiros aguardam em fila a sua vez na pauta do Conselho de Ética e da Justiça.

O Senado esgotou a taça da imprudência. Em próximo teste, convém botar de molho as veneráveis barbas brancas.

Ou tocar um tango argentino. Que tal o clássico Cambalache?

É preciso coragem para tanta covardia

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

O senador Aloizio Mercadante anda ruim da vista desde a campanha eleitoral de 2006. Candidato do PT ao governo de São Paulo, continua jurando, contra todas as evidências, não ter enxergado a movimentação do bando de aloprados que, a centímetros do bigode, negociavam a compra de um dossiê fraudado para prejudicar o oponente José Serra.

Na quarta-feira, ao explicar por que optara pela abstenção no julgamento de Renan Calheiros, Mercadante voltou a candidatar-se a uma longa temporada no Instituto Benjamin Constant. Nestes últimos 100 dias, desabaram sobre o delinqüente montanhas de provas com suficiente consistência para que Renan troque a cadeira de presidente pelo colchão de um catre. Mercadante não enxergou nenhuma.

"Achei melhor esperar o fim das investigações", recitou, sem ficar ruborizado. Antes de virar estafeta de Lula, ele não precisava de provas, sequer de indícios, para decidir que um adversário inocente era culpado. Nesta semana, voltou a bancar o míope para liderar o bloco da abstenção na mais obscena das sessões - e livrar da punição merecidíssima o parceiro bandido. É preciso coragem para tanta covardia.

Quase quatro meses depois de iniciada a procissão de bandalheiras protagonizadas por Renan Calheiros, só podem invocar o benefício da dúvida senadores pertencentes a uma de três subespécies: os cretinos fundamentais, os idiotas uterinos e os imbecis irremissíveis. Mercadante não se enquadra em nenhuma delas. Ele sabe que Renan merece a cassação. Entrou na luta para absolvê-lo porque o chefe Lula mandou.

Dúvidas reais recomendam reflexões solitárias e silenciosas. Dúvidas imaginárias, como as simuladas por Mercadante, convidam a movimentos nas sombras. Durante a sessão, o hesitante profissional procurou colegas já resolvidos a condenar o réu. Em vez de ouvi-los, tentou convencê-los a ficar em dúvida também. Ajudou a salvar Renan. Mas assassinou o próprio passado político. E pode ter ferido de morte o futuro.

TOQUEDEPRIMA...

***** Ataque de modéstia de Lula na Dinamarca

De Lula, hoje, em Copenhague, durante encontro com sindicalistas dinamarqueses:

- Torçam para que eu dê certo (no governo), porque tudo será mais fácil para vocês e para os trabalhadores de todo o mundo.

Isto faz lembrar de um pensamento do famoso escritor e poeta alemão, Goethe, que disse:

Erros graves: julgar-se mais do que se é, estimar-se menos do que se merece”.

Ou, do pensamento popular mesmo: “Humildade e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

***** Tião diz que é preciso respeitar a decisão do Senado, mas ele não quis respeitar a decisão do STF.

O senador Tião Viana (PT-AC), que presidiu a sessão fechada do Senado, nesta tarde, afirmou há pouco que "a vida democrática pressupõe o respeito à decisão soberana da votação e, por isso, deve ser respeitada a sentença do Senado". O senador Renan Calheiros foi absolvido por 40x35 da acusação de pagar a pensão de sua ex-amante com dinheiro de uma empreiteira.

Pois então, o senhor Tião tem um modo esquisito de ser “justo”. Enquanto ele recomenda que se acate a decisão vergonhosa na “absolvição” comprada de Renan, tudo fez para se negar em acatar decisão judicial, do STF, que permitia a presença de 13 deputados federais no plenário do Senado durante a votação pateticamente secreta.

***** Dornelles faz ameaça velada a senadores
Reinaldo Azevedo

“Está em julgamento um possível crime contra a ordem tributária, que só poderá ser investigado em outro plano, do processo administrativo fiscal contra o contribuinte e não no Senado da República. Condenar por eventual crime contra a ordem tributária pode criar um precedente perigoso que pode atingir outros (senadores)".

A fala acima é do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Está errada no mérito, é evidente, e na moral. Não é argumento, mas terrorismo. Problema fiscal uma pinóia! Sem prejuízo de Renan merecer também uma investigação dessa natureza, a acusação é de quebra de decoro — aliás, quebra reiterada: dá para escolher o caso que mais escandaliza.

Mas Dornelles é esperto. Sua fala tem mais o tom de uma ameaça. Quer levar cada senador a refletir: “Ih, será que eu tenho alguma pendência fiscal? Vão acabar me pegando”. Não! Renan não foi autuado pela Receita. Foi autuado por seu despudor ético como senador da República.
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Acho que o senador Dornelles fez uma ameaça velada a seus pares. Que deve ser rechaçada.

***** Heloísa Helena rebate Calheiros: "Delinqüente"

A presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, rebateu nesta quinta-feira a denúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) de que ela teria sido processada pela Receita Federal por um débito com o Imposto de Renda Pessoa Física no valor de quase R$ 1 milhão. A acusação foi feita durante a sessão que votou o relatório que pedia a cassação do senador.

Ela afirmou que Calheiros não tem moral para acusá-la de nada. "Esse delinqüente, esse vagabundo, não tinha o que fazer diante da denúncia que fiz contra ele no Conselho de Ética, de receber ajuda financeira de um lobista da Construtora Mendes Júnior para pagar suas despesas pessoais, vem num momento tenso, aproveitando a crise moral que paira sobre o Congresso, querer me acusar de sonegação de imposto", disse Heloísa.

De acordo com a presidente do PSOL, Calheiros tenta confundir a opinião pública. No entanto, ela confirmou que responde a processo no fisco. "O meu problema com o fisco é por conta da verba de gabinete que eu recebia quando era deputada estadual. Essa cobrança está sendo contestada na Justiça, porque a Receita Federal entende que a verba de gabinete que eu e outros deputados recebiam deveria ser declarada e ninguém nunca declarou, porque não usava esse dinheiro como renda", declarou Heloísa.

***** Questão de prioridade

Uma comissão de deputados federais arruma as malas para um passeio a Cuba, a fim de verificar a situação dos boxeadores deportados. Poderiam os deputados gastar melhor o dinheiro do contribuinte visitando os cerca de 30 mil brasileiros que o cocaleiro Evo Morales quer expulsar da Bolívia.

Interessante seria se os deputados constatassem que os boxeadores cubanos foram digamos assim, torturados ou constrangidos pelo governo de Cuba. Fariam o que neste caso?

a.- Instalariam uma CPI ?
b.- Abririam um processo contra o ditador Fidel ?
c.- Encaminhariam o caso para a Comissão de Anistia para estipular uma indenização de presos políticos para os boxeadores?
d.- Colocariam os boxeadores cubanos no primeiro avião de volta ao Brasil?
e.- Por castigo, fariam o ditador Fidel ouvir os boxeadores lerem livros do Mangabeira Unger e da Marilena Chauí durante horas a fio ?

Por favor, encaminhem suas sugestão ao top-top Garcia, no Itamaraty.

***** Louco por nepotismo

O governador do Paraná, Roberto Requião, tem sido acusado de perseguir os procuradores desde a ação em que o Ministério Público determina a demissão dos muitos parentes que ele nomeou em sua administração.

***** MP apura se assessor de Renan usou gabinete do Senado para cometer crime
Por Leonardo Souza, na Folha
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O Ministério Público Federal em Brasília encontrou indícios de que o então assessor de Renan Calheiros na Presidência do Senado cometeu crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e peculato por ter operado contas não declaradas no exterior, segundo documento obtido pela Folha. De acordo com o Ministério Público, o ex-servidor Francisco Sampaio de Carvalho movimentou uma conta no paraíso fiscal da ilha Grand Cayman, no Caribe, a partir de um fax instalado na Presidência, já na gestão de Renan. A conta chegou a registrar R$ 11,1 milhões. O caso foi revelado pela Folha em maio do ano passado e gerou um embate entre o Ministério Público e a Polícia Federal. Após analisar extratos, autorizações para a compra de ações no exterior e relatórios bancários dos investimentos, entre originais e cópias -muitos com a assinatura de Sampaio-, o Ministério Público encaminhou a documentação à PF em junho do ano passado, para que as investigações fossem aprofundadas. Até agora, não foi instaurado inquérito. O Ministério Público quer os papéis de volta para conduzir as investigações. "Documentos originais com indícios da prática dos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros como peculato, já que constata-se o envio ou recebimento de faxes relativos a operações financeiras por meio de telefones provavelmente do Senado", diz documento do Ministério Público.

Um texto quase centenário, mas atualíssimo

A seguir, um texto de Ruy Brbosa, escrito em 1914, portanto quase centenário, mas de uma incrível atualidade. Nós nos lembramos dele ontem, assistindo Mercadante explicando seu não voto quanto ao processo contra Renan Calheiros, abstenção que, juntamente com outros cinco covardes, mantiveram na presidência do Senado alguém que dali já deveria ser sido retirado há muito tempo. Também se encaixa no perfil do “absolvido”.

Vergonha
Ruy Barbosa Texto escrito em 1914

A falta de justiça , srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.

A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade.

Infelizmente, ainda não foi desta vez

Na semana passada, a BBC Brasil informava que a jornal britânico, Financial Times, acrditava na possibilidade do Brasil deixar de ser o “molenga” na turma dos países emergentes quanto ao seu crescimento econômico. Afinal, já por cinco anos consecutivos enquanto Rússia, Índia e China vão fazendo a festa na expansão de seus PIBs, graças à bonança da economia mundial, o Brasil fica patinando na suas próprias pernas e segue firme segurando a lanterna.

Infelizmente, pelo menos neste primeiro semestre, a honra da lanterna permanece conosco. Rússia com 7,2%, Índia com 9,3% e China, disparada, com 11,4%, fizeram muito mais do que os nossos mirrados 4,8%.

Claro, claro, o governo está comemorando com festas, rojões e, não poderiam faltar, discursos empolados, demagógicos e cretinos de vossa excelência Lula, na base do “nuncadantez”. De fato, a se observar o que acontece no restante do planeta, nuncadantez fomos tão ridículos, e ao melhor estilo hiena, comemos merda e damos risada ainda por cima.

A lembrar, o artigo da BBC sobre as “esperanças” do Financial Times em relação as “grandes” possibilidades da nossa economia cabocla.

Brasil pode deixar de ser 'molenga dos Bric' nesta semana, diz 'FT'
BBC Brasil

O Brasil pode ter uma oportunidade de se livrar de sua "imagem de molenga" dentro do grupo de países conhecido como Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) esta semana, quando "o dado de crescimento no segundo trimestre deve chegar a 5,5% - mais do dobro da média dos últimos 15 anos", diz artigo na edição desta terça-feira do jornal britânico Financial Times.

"Enquanto Rússia, Índia e China há tempos vêem suas economias crescer mais rápido do que seus pares no mundo desenvolvido, o Brasil tem sido mais lento, apesar da promessa de 'espetáculo de crescimento' feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de sua eleição em 2002", afirma o jornal.

"Algumas estimativas feitas antes da divulgação dos números, amanhã, vêem o crescimento atingindo até 6,9%, comparado com 3,7% no ano passado."

Segundo o Financial Times, "agricultura, serviços e indústria vêm crescendo rapidamente este ano".

"O investimento foi forte, especialmente entre empresas exportadoras que avançaram com investimentos iniciados no ano passado. A demanda por parte dos consumidores também tem sido robusta, puxada por um alto índice de criação de empregos e a rápida expansão e redução do custo do crédito ao consumidor", diz o jornal britânico.

Mas o artigo ressalva que "há uma crescente procupação sobre um retorno das pressões inflacionárias, e muitos economistas dizem que o governo parece ter abandonado os planos de atacar os gastos há vários anos, sugerindo que o ritmo de crescimento poderá desacelerar de novo no médio prazo".

"A inflação dos preços no atacado em agosto ficou em quase 1%, muito mais alta do que o esperado e uma advertência da crescente inflação do preço ao consumidor. Dados do governo mostraram a inflação no varejo em 3,99%."

Segundo o Financial Times, "em conseqüência disso, muitos economistas esperam que o Banco Central interrompa dois anos de redução nas taxas de juros".

O artigo cita ainda como exemplo de seus gastos contratações no setor público. "No mês passado, o governo anunciou planos de criar 29 mil novos empregos no setor público em 2008 e contratar mais 27 mil pessoas para preencher postos vagos".

"Não há sinal nenhum de uma redução nos gastos", disse um economista de Brasília, Raul Velloso, citado no artigo do Financial Times.

A crise que Lula não aceita

Editorial do Estado de São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escolhe latitude nem platéia para falar bobagem sobre assuntos que só conhece "de ouvido". Desta vez foi no Círculo Polar Ártico e para os governantes da Finlândia. Falando sobre a crise financeira global, ele declarou que, sendo "um problema de política econômica dos EUA (...), não aceitaremos que joguem nas nossas costas os prejuízos de um jogo (do qual) não participamos", sem se lembrar que a Bovespa foi a bolsa do mundo que mais "aceitou" os prejuízos do jogo de que participa, como todas as bolsas deste mundo globalizado.

Para Lula, tudo se resume à "ganância de alguns investidores que compraram títulos de risco imaginando que estavam em um cassino e tiveram prejuízo". Acostumado a vencer todos os jogos de que participa apenas com a retórica, principalmente porque a platéia brasileira que o interessa não é capaz de perceber o engodo, Lula deve ter surpreendido seus anfitriões finlandeses ao pretender convencê-los de que a crise não chegará ao Brasil porque ele "não aceita que chegue".

Melhor seria para o Brasil que assunto sério fosse tratado com seriedade e conhecimento de causa pelas autoridades, a começar pela mais importante. Felizmente, há, entre elas, quem aja desse modo. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reconheceu que "ninguém está imune" aos efeitos da turbulência que perturba os mercados financeiros há várias semanas. E, com exceção "deste país", em todo o mundo é forte o temor de que, por causa da agitação dos mercados, a economia americana reduza seu ritmo de atividade, o que realimentaria a crise e afetaria o desempenho da economia mundial - inclusive o Brasil, aceite ou não o presidente Lula.

A crise, de fato, teve origem nos Estados Unidos. Há dois meses, subiu o índice de inadimplência no mercado de créditos hipotecários de alto risco, o que afetou alguns fundos que forneciam recursos que deram origem a esses créditos. Como os fundos eram patrocinados por bancos, estes também passaram a ter problemas de liquidez. O efeito se espalhou para todo o sistema financeiro, que ficou travado. Isso exigiu a ação dos bancos centrais, que injetaram liquidez no mercado, aliviando-o.

O problema, porém, ao contrário do que imagina Lula, não se limitou ao mercado de títulos imobiliários nem aos EUA. A turbulência se espalhou para todos os mercados e sua mais recente manifestação foi registrada no último fim de semana.

Pode haver outros desdobramentos da crise. Na reunião que presidentes de Bancos Centrais de vários países realizam a cada dois meses na cidade suíça de Basiléia - onde está sediado o Banco de Compensações Internacionais (BIS) -, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, advertiu seus colegas para a probabilidade de a agitação dos mercados financeiros afetar o desempenho do setor produtivo americano. Se isso ocorrer, haverá reflexos em todo o mundo.

É claro que, neste momento, não se pode falar em recessão iminente. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, por exemplo, afirmou que ainda não terminou o "período de ouro" da economia mundial - e isso se deve, como reconheceu, ao desempenho das economias emergentes. Mas, prudentes, os presidentes dos bancos centrais reunidos em Basiléia admitem que a crise financeira pode chegar ao setor produtivo e frear o ritmo de expansão de algumas economias, a começar pela americana. Pessimista, o presidente do BC do México, Guillermo Ortiz, lembrou que, quando os Estados Unidos espirram, o resto do mundo pega um resfriado e a América Latina fica gripada.

Se necessário, os BCs vão atuar de forma coordenada para evitar o prolongamento da crise. "Vamos agir", garantiu Trichet, que atuou como porta-voz da reunião de Basiléia. Para mostrar a capacidade de agir conjuntamente dos BCs e a eficácia dessa ação, ele recordou o movimento coordenado do BCE, do Fed e do Banco do Japão (o BC japonês) para garantir a liquidez do sistema financeiro quando isso foi necessário. A disposição de agir dos bancos centrais acalmou os mercados no dia de ontem.

Ainda bem que fora "deste país" há gente preocupada com a crise - e que sabe do que está falando.

TOQUEDEPRIMA...

***** VOCÊ SABIA...
Site Contas Abertas

A estação que entra é o outono, mas as flores da primavera darão um toque especial aos eventos e solenidades do Ministério das Relações Exteriores. Arranjos florais de 20 centímetros de diâmetro cada, com rosas egípcias amarelas e vermelhas, custaram a União R$ 3.807,00 em março de 2007. Cada arranjo saiu por R$ 81,00.

***** Pensamento do dia...

Botaram Renan na forca e não puxaram o banco

Senador Romeu Tuma, (DEM-SP), sobre a decisão de absolver o presidente do Senado

***** Ele agora quer saber de tudo. E de véspera
Da Folha de S. Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou trocas nos comandos da PF e da Abin porque deseja ter mais informações sobre as grandes operações da Polícia Federal e por avaliar que a Agência Brasileira de Inteligência é ineficiente.

Em conversas reservadas, Lula se queixa de saber de ações da PF pela imprensa, sobretudo no segundo mandato. Além disso, Paulo Lacerda, que deixou a PF para chefiar a Abin, não tinha boa relação com o ministro Tarso Genro (Justiça). Quando Márcio Thomaz Bastos chefiava a pasta, conversava com Lacerda diariamente pela manhã. Com Tarso, o contato passou a ser semanal.
A gota d'água para a mudança na Abin veio na tarde de 13 de julho, na abertura dos Jogos Pan-Americanos, quando Lula foi vaiado no Maracanã.

Dias depois, o presidente soube que a Abin mapeara a disposição das vaias por parte de grupos que foram ao evento como convidados da Prefeitura do Rio, do oposicionista Cesar Maia (DEM) -na versão da agência, que Maia sempre negou. Ainda assim, o informe não chegou ao conhecimento do presidente, o que foi visto como erro do então presidente da agência, Márcio Buzzaneli.

***** Haja CPMF !!! Notebook para todos. Na Câmara.

Todos os deputados federais ganharam um mimo que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, decidiu fazer com o chapéu alheio, ou seja, o bolso do contribuinte: um computador portátil (notebook) da marca HP, de última geração. No mercado, cada um pode custar até R$ 7 mil. No total, são 513 deputados. A entrega dos notebooks já começou, sob agendamento, mas cada deputado precisa retirar o seu pessoalmente.

***** Dom Lula I
Reinaldo Azevedo

Cuidado! Lula visitou duas monarquias, a Suécia e a Dinarmarca, dois dos países com os melhores Índices de Desenvolvimento Humano do Planeta. Sei não... Pode começar a achar que a monarquia é uma coisa bacana. Desde, é claro, que se tenha o rei certo, se é que vocês me entendem.

Em reportagem de Clóvis Rossi, na Folha , consta que Dom Lula I fez a seguinte reflexão: “Seria possível a um país como a Dinamarca não ter monarquia? Seria possível à Inglaterra prescindir da rainha? Penso que não". Huuummm.

O petismo, vistas as coisas com rigor, é uma monarquia. Eu, por exemplo, penso sempre em Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, segundo a ótica do sapo de classe que virou príncipe. Pô! Até o pai chegar à Presidência, era monitor de jardim zoológico. Hoje, é um empresário rico, que arrenda um canal de TV e tem como sócia nada menos do que a Telemar. As monarquias suecas, dinamarquesa e inglesa, que eu saiba, não são assim tão, como direi?, generosas com os seus.
É que o PT é uma monarquia de modelo antigo, absolutista mesmo! Vejam lá aquele primeiro texto, sobre Marilena Chaui. As leis que valem para os fidalgos do partido não valem para os demais brasileiros, os plebeus.

***** Em 108 municípios brasileiros, número de eleitores é maior do que a população.
Do G1, em São Paulo

6,8 milhões terão de ir a cartório para revisar título eleitoral
Títulos que não forem revisados serão cancelados.

Até o fim do ano, 6.812.962 eleitores de 24 estados deverão comparecer ao cartório eleitoral de seu município para regularizar sua situação eleitoral, segundo determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciada na quarta-feira (12).

As datas para o início das revisões serão definidas pelo Tribunal Regional Eleitoral de cada estado.

De acordo com o TSE, a medida foi tomada depois que levantamento apontou que, em 108 municípios brasileiros, o número de eleitores é maior do que a população. Campos Verdes (GO) é a cidade onde há a maior porcentagem de eleitores sobre a população: 314,53%. Há no município 1.707 habitantes e 5.369 eleitores.

A segunda maior discrepância dos números também está no estado de Goiás. Na cidade de Baliza há 897 moradores e 2.304 eleitores, ou seja, o eleitorado corresponde a 256,86% da população.

No Amapá, Roraima e Distrito Federal, não haverá revisões. Atualmente, segundo o TSE, estão aptos a votar 126.498.921 brasileiros.

***** Cristovam encomenda broches para identificar senadores que votaram pela cassação de Renan Calheiros

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) encomendou nesta quinta a confecção de 78 broches com a inscrição: "Eu sou 35". A frase é uma referência a quantidade de senadores que votaram pela cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo o parlamentar, os broches servem para amenizar a vergonha dos parlamentares. "O botton vai servir para a gente poder viajar de ônibus e de avião, freqüentar restaurante e andar por aí", desabafou.
"Mandei fazer 78 bottons porque sei que o Renan, o Wellington Salgado e o Almeida Lima não vão mudar de opinião até o final da terceira representação. Já os outros que votaram contra e ou se abstiveram, quem sabe", disse Cristovam. O senador está tentando mobilizar colegas para elaborar um manifesto pedindo a saída de Renan Calheiros da presidência do Senado. De acordo com ele, o afastamento poderia ser proposto por um período indeterminado ou até o final das investigações. Cristovam afirmou que já tem apoio de senadores do DEM, do PSDB e do PDT.

***** Sarney, o hortelão
Reinaldo Azevedo

Vacinem-se. Nos jornais de hoje, vocês lerão farta plantação do hortelão José Sarney (PMDB-AP), que, claro, não aparece, dando conta de que conseguiu virar votos entre parlamentares do DEM e do PSDB — pelo menos dois em cada. É só parte da tramóia para tentar tirar das costas do PT e dos governistas o peso da absolvição de Renan. O intento é o seguinte: já que a oposição teria ajudado, então pra que fazer agora obstrução? De resto, ainda que fosse verdade, teriam sido quatro votos a mais: ter-se-ia chegado a 39. Eram necessários 41 para cassar Renan.