quinta-feira, junho 30, 2011

Ministra Gleisi: não dê declarações recheadas de desinformação, pega mal

Adelson Elias Vasconcellos


Ontem, o clima em Brasília foi de muita fervura. Entre a votação da MP que altera a Lei de Licitações, a briga intensa da base aliada em prol de suas emendas, houve fogo cerrado em relação a participação do BNDESpar na fusão do Pão de Açúcar e Carrefour.

A oposição, no papel que lhe cumpre, criticou a injeção de recursos do BNDES, a base governista e até alguns ministros defenderam a participação, cantando loas aos benefícios para o país.

É claro que a participação do BNDES não tem nada de ilegal. Basta que se consulte o Estatuto da agência de participações e esta conclusão salta aos olhos. Contudo, é de se perguntar se tanto dinheiro público, neste momento, jogado na fusão é saudável para o país? O que, afinal, o povo brasileiro lucrará na operação, já que ao Poder Público compete agir em seu benefício.

Num primeiro momento, aos consumidores do país não haverá benefício algum. Então por que o governo incentiva que se injete cerca de 4 bilhões de reais numa operação de competência exclusiva de duas empresas privadas? Mais ainda: o que justifica dinheiro público para bancar mais de 80% de uma operação que resultará, ao final, em participação de apenas 11% de capital brasileiro na empresa resultante da fusão?

Dentre tantas declarações a favor e contra a participação do BNDESpar, em especial, uma me chamou a atenção. Foi dito pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o seguinte:

"Essa é uma operação enquadrada pelo BNDES. Não é operação de crédito do BNDES, não tem recurso público envolvido, nem FGTS nem Tesouro. É o BNDESPar que vai fazer isso. É ação de mercado, portanto, não tem nada a ver com decisão de governo".

Bem, a ministra, parece, desconhece o que vem a ser o BNDESpar. Então, vamos ajudá-la a ficar melhor informada.

Primeiro, a gente vai ao Estatuto ver como é formada a companhia.

No seu artigo 1º, está dito:

CAPÍTULO I - DA DENOMINAÇÃO, SEDE, FORO, DURAÇÃO E OBJETO SOCIAL
Art. 1º A BNDES PARTICIPAÇÕES S/A - BNDESPAR é uma sociedade por ações, constituída como Subsidiária Integral da Empresa Pública BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL - BNDES e rege-se pelo presente Estatuto e pela legislação aplicável às sociedades anônimas.

Já se vê que, sendo uma subisidiária integral, outros não são os recursos que não públicos para que a companhia realize seu objetivo social.

E isto fica ainda mais claro no artigo 7º do referido estatuto que estabelece:

Art. 7º O capital social da BNDESPAR é de R$ 51.428.861.286,78 (cinquenta e um bilhões, quatrocentos e vinte e oito milhões, oitocentos e sessenta e um mil, duzentos e oitenta e seis reais e setenta e oito centavos), representado por 1 (uma) ação ordinária nominativa, sem valor nominal. (Redação dada pela Decisão nº Dir. 521/2011-BNDES, de 31.5.2011).

Veja lá, ministra, que o BNDESpar é constituído por apenas um único acionista o BNDES, detentor de uma única ação no valor do capital social tal como dispõem os artigos 8º e 9º nos seguintes termos:

(...) “Art. 8º A ação representativa do capital da BNDESPAR é de propriedade do BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL - BNDES..

CAPÍTULO IV- DO ACIONISTA ÚNICO

Art. 9º O BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL - BNDES, na qualidade de Acionista Único da BNDESPAR, detém plenos poderes para decidir sobre todos os negócios relativos ao objeto social da BNDESPAR e adotar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e ao seu desenvolvimento (...)”

Só pelo vai acima fica claro que os recursos são, ao contrário do que defende a ministra, públicos. Até porque, ministra, ontem, o Congresso aprovou uma MP através da qual o Tesouro emitirá títulos da dívida pública no montante de 55 bilhões de reais para injetar este valor no BNDES.

Deste modo, ministra Glesi, creio que a senhora cometeu um pequeno lapso fruto da desinformação, o que é normal em se tratando de vassoura nova no ministério. Contudo, dada a importância do cargo que a senhora ocupa,. Seria de bom tom que, proximamente, antes de qualquer declaração, a ministra se informasse melhor sobre o assunto que deseja opiniar. Pega mal, para qualquer ministro, ainda mais sendo ele o da Casa Civil, sair por aí dando opiniões totalmente sem nexo e desprovida de verdade.

Creio que em seu gabinete a ministra deva fazer uso do bom e velho computador, interligado à internete e pode, nas horas vagas, fazer uma pequena pesquisa em qualquer site de busca, para acessar o estatuto do BNDESpar. Acredite, ministra, ler faz um bem danado para qualquer pessoa, e muito melhor ainda ler e se manter informado é indispensável para qualquer ministro de Estado.

A versão correta
(...) Em março de 2010, Abílio Diniz declarou o seu apoio à Dilma, dando o tom da campanha eleitoral muito antes dela começar:

"Ela tem condições de levar esse legado em frente, até porque Lula vai ajudar. A Dilma tem todas as condições pelos conhecimentos dela, e até porque o Lula vai ajudar. Ele não vai ficar omisso."

Em junho de 2010, foi a sua mulher que reuniu 40 amigas para um chá da tarde, para conhecer "as ideias de Dilma". Um dia depois da eleição de Dilma, ele fez uma carta para todos os funcionários, onde dizia:

"Desejo muito sucesso a Dilma. Que Deus a proteja, lhe dê saúde e ilumine seu caminho. De minha parte, continuarei trabalhando firme para ajudar a construir um Brasil melhor, mais humano e solidário. Continuarei fazendo aquilo que acredito ser a maior contribuição de um empresário comprometido com o seu país e com o social: crescer sustentavelmente, gerar empregos e contribuir com o aumento e distribuição de renda".(...)

A cronologia destes fatos foi lembrada pelo blog Coturno Noturno, pó que nos faz entender o significado político de expressos como”uma mão lava outra” ou o “é dando que recebe”.

A propósito: por que as centenas de bilhões de reais carreados para o BNDES praticar sua bolsa-empresário (mas só para alguns, não são todos os empresários beneficiados pelo “apoio”), às custas do contribuinte, não são, antes, investidos na recuperação da infraestrutura do país que se encontra na UTI, e que teria como resultado positivo o benefícios de TODOS os brasileiros e não apenas para os colaboradores da caixinha partidária nas campanhas?

Que o PT aproveite enquanto pode

Adelson Elias Vasconcellos

Se a gente quiser saber ou conhecer como funciona o crime organizado no Brasil, basta que olhemos para dentro do atual partido político no poder.

Não se venha aqui bancar a aparência da inocência com que eles nos encaram e até nos afrontam. Mostram-se sempre simpáticos, e grande parte da imprensa adora isto, são comoventes, adoram plantar notinhas contra adversários políticos, e grande parte da imprensa adora isto também, montam dossiês com acusações e denúncias fajutas contra quem se lhes atravessam o caminho, e grande parte da imprensa serve de escolta às vigarices; se apanhados no “flagra”, suas ladainhas levam às lágrimas, e sempre encontram alguém da imprensa para cobrar a retribuição pelos favores recebidos. No poder, empregam a mãos cheias recursos públicos para solapar o poder de crítica e de investigação de grande parte da imprensa, a mesma que os ajudou a subir sobre a difamação alheia.

E este é apenas um dos muitos caminhos hediondos que eles perseguem. Há um outro: usar ainda recursos e cargos públicos para distribuir entre sindicalistas e movimentos sociais com o propósito de lhes fechar a boca.

O resultado destas duas ações, é o que vemos no Brasil: um país dividido entre norte e sul, entre pretos, brancos e índios, entre ricos e pobres, entre movimentos ditos sociais e a verdadeira classe média,  que é a que de fato trabalha honestamente e paga impostos para sustentar este bando de vagabundos e vendilhões.

Se dentre os ditos movimentos sociais eles puderem semear a discórdia para jogar um contra o outro, vão se empenhar a fundo para atingir este objetivo. No poder, há dois grupos representativos da sociedade que os “revolucionários” jamais deixaram chegarem a um acordo: religião e imprensa. Eles destroem toda e qualquer crença religiosa, esmagam e ridicularizam seus valores e dogmas, e semeiam no tecido social uma total degradação de costumes.

Quanto mais os valores que constroem um sociedade moderna e civilizada puderem ser aniquilados, mais eles se mantém no poder, como os “revolucionários” do bem. Não é difícil identificar esta corrosão na imprensa, nas igrejas, nos templos, nos movimentos sociais. A sociedade, quanto mais dividida, quanto mais erodida em sua ética comportamental, mais sua ideologia canalha se realiza e completa.

Não é difícil perceber o que se passa no Brasil e identificar a estratégia da esquerda e o quanto ela tem corroído o país. Ao final do primeiro mandato de Lula, disse aqui que, tendo a esquerda degradado ao máximo o Poder Legislativo que se tornou uma caixa de ressonância irrelevante do Executivo, o próximo passo seria avançar sobre o Poder Judiciário, talvez, naquela época, o último foco de resistência constitucional capaz de deter o avanço da gangue. Hoje, vendo que oito dos onze integrantes do STF foram nomeados por Lula e Dilma, não é de estranhar algumas decisões que se põem acima da própria Constituição do país, mas que se encaixam feito luva nos propósitos ideológicos do partido do crime organizado.

Não são poucas as pessoas com alguma formação moral mais elevada da média nacional a estranhar estas decisões do STF. E muitos se perguntam: a quem o STF está servindo se sobrepondo acima da lei máxima do país? Creio que não é preciso responder, a resposta está implícita, se coaduna com a visão de poder que a esquerda tem e como eles próprios se veem dentro deste processo.

Países como Venezuela, Equador, Nicarágua e Bolívia, onde as instituições ainda não se achavam suficientemente fortalecidas como no Brasil, acabaram sendo arrastadas com maior facilidade para dentro do buraco negro que as esquerdas arquitetam e constroem para aprisionarem as sociedades onde se fazem presentes e assaltam o poder.

Por isso, a estratégia petista seguiu roteiros um pouco mais elaborados, com maior grau de dissimulação. Utilizaram-se dos recursos do poder para retê-lo para si, eliminando as resistências no plano institucional e social, seguindo, está claro, caminhos um pouco mais longos, mas sem alterar o propósito..

Alguém, a esta altura, poderia questionar o papel que cabe nesta viagem à elite econômica. No caso brasileiro, especificamente, não foi preciso fazer muita coisa. É histórico o fato da nossa elite empresarial ter se construído na base de sua aproximação do poder e dele obter os favores necessários, nem sempre éticos, nem sempre legais, para se fortalecerem. Grande parte dos nossos empresários olha o país como um quintal onde buscam os escravos para servi-los. Nunca mantiveram um vínculo mais sério para com o destino do Brasil. Se voltarmos no tempo recente, o período da ditadura militar, por exemplo, vamos encontrar não só alguns políticos que cresceram naquele período, vivendo intensamente o ambiente opressivo imposto ao país, mas também localizaremos grandes empresários que se aliaram ao poder autoritário e o sustentaram. Em retribuição, lhes foram oferecidos nichos cartoriais sobre os quais puderem crescer economicamente.

Assim, usando do mesmo estratagema empregado pelos generais presidentes, e conhecendo a fundo a alma nada patriótica que alimenta estes tubarões, o PT também abriu algumas avenidas de favores para se sustentar no poder, e até serem financiados e protegidos por estes mesmos tubarões. Afinal, o BNDES estava e está pronto para isso mesmo.

Quando se chega ao ponto em que chegamos, aonde quer busquemos algum consolo ou conforto, fica difícil perceber quem pode dar o pontapé inicial na reação. A base da pirâmide social, que abriga o maior contingente populacional, e que poderia reclamar dos maus serviços que o Estado lhes entrega, está silenciada pelo poder das bolsas misérias que o governo distribui.

Contudo, este mesmo sistema traz em si seus focos de autodestruição. E é precisamente o que vemos acontecer em alguns países europeus. A capacidade de gerar riquezas, em qualquer país do mundo, tem um ponto máximo de ser alcançado. Além dele, e para manter as “dádivas” através das quais o sistema se sustenta no poder, chega o momento em que se é obrigado a queimar as próprias gorduras até um nível máximo de estrangulamento. A antiga URSS foi bem um exemplo acabado disto. Ocorre que o sistema socialista, em si mesmo, ele não incentiva a produção, a geração de riquezas, aumento da capacidade produtiva, porque ele, em si mesmo, acaba por conduzir a sociedade a um extremo de acomodação, dado o sedativo que lhe é aplicado para não se indignar com a degradação que ocorre a sua volta. Este sedativo acaba por corromper e sedar o organismo social que, sendo alimentado pelos favores do Estado patrão, senhor absoluto da vontade, não encontra em si mesmo capacidade de reagir e se fortalecer. E será esta acomodação que conduzirá o sistema todo à autofalência. Esta acomodação é visível na busca de emprego "mas sem assinar carteira por causa da bolsa", alémde respeitável que simplesmente desistiu de procurar colocação no mercado de trabalho. O mercado das "bolsas estatais", a depender da família, compensa mais do que qualquer emprego assalariado, sem a obrigação de comparecer e bater ponto diariamente.

E, mesmo que minoritária, sempre haverá uma força contrária capaz de inverter a lógica que as esquerdas impõem nos países em que prosperam. Esta pequena resistência, cedo ou tarde, saberá encontrar os caminhos de autodefesa capaz de, mesmo que muito lentamente, ir despertando nacos da sociedade para a realidade dolorosa que tomou conta do país.

Nada disto que aqui se descreve é novidade. Tem sido assim por onde a esquerda vingou e fez sucumbir as forças capazes de lhe resistir e impor dificuldades à saciedade pelo poder com que retroalimentam. Reparem o comportamento da própria oposição: ao invés de se unirem e juntas combaterem o bom combate, se digladiam entre si, não conseguem encontrar um discurso razoável, não suportam sequer defender seu próprio legado.

O poder, em qualquer sociedade, porque se alimenta da vontade viva dos indivíduos, se não for conduzido com dinâmica, com renovação, com trocas ou alternâncias, como queiram, ele acaba corrompido em si mesmo e acaba corrompendo o próprio núcleo onde ele é exercido. No Brasil fica fácil identificar esta realidade, por exemplo, quando olhamos para o Maranhão, estado que está entregue a oligarquia Sarney há quarenta anos, e onde os indicadores sociais não se alteraram neste período.

Querem outro exemplo de como o sistema da esquerda, por ser oligárquico quando visto como forma de poder, se autodestrói ? Basta que examinemos a batida de cabeças que está acontecendo dentro do partido petista. Como Lula não está mais no poder, o espaço de mando estão sendo disputados a tapa entre os integrantes do partido. A única forma do partido retornar à sua unidade, seria Lula acenar com a possibilidade de concorrer à sucessão de Dilma em 2014. Só que se isso acontecer agora, acabará gerando atritos de toda a sorte dentro da ampla base aliada, e tornaria a emenda pior que o soneto. De alguma forma que eles, os petista, terão de administrar, estas picuinhas internas terão que ser administradas até a abertura da campanha de sucessão de Dilma em 2014. Os dirigentes petistas, Lula principalmente, sabem que até lá, será preciso invadir ainda mais os focos de resistência que podem comprometer a manutenção do poder, dado que ainda há espaços não conquistados cujo poder de fogo podem sim obstaculizar as ambições do partido.

Mas há questões mal resolvidas e que precisarão da atenção da turma. São as questões da econômia brasileira e uma pequena possibilidade da situação da economia mundial se deteriorar. Os dois últimos anos do segundo mandato de Lula como que comprometeram as finanças e o equilíbrio fiscal do país os quais, conjugados com as reformas não implementadas, colocam um sinal de alerta logo à frente.

Esta, quiçá, tem sido a grande dificuldade enfrentada pelo governo Dilma neste primeiro semestre. Para atender a ampla base de apoio político que a sustenta no Congresso, ela precisaria ser bem mais generosa na distribuição de cargos e favores financeiros – leia-se emendas parlamentares – do que lhe permite a atual situação fiscal do país. Há algumas armadilhas e bombas relógios prontas para eclodir . Claro que temos algumas virtudes no plano econômico, algumas até vinda de fora, que fazem com a doença interna ainda tenha capacidade de suporte por mais tempo. Mas isso será impossível de impedir, caso a questão europeia de países como Irlanda, Grécia, Espanha, Itália e Portugal não seja resolvida sem maiores consequências para a economia mundial como um todo. Outro fator que colabora para que os danos plantados por nós mesmos não produzam estragos no curto prazo, é torcer para que a economia americana se mantenha no ponto em que se encontra, como uma recuperação muito lenta.

Portanto, há gargalos sim para os petistas conseguirem ter debaixo do braço, domínio este dominado com segurança, todas as teias do poder. De certa forma, não há no horizonte próximo maiores ameaças, dado que as razões capazes de provocar total mudança de cenário, se acham um tanto distante no tempo. Contudo, e aqui fica a grande esperança para o Brasil produzir uma reviravolta e retomar seu curso de normalidade institucional, econômico e social, não há bem que sempre dure e nem há mal que não acabe, a esquerda, em qualquer lugar do planeta por onde passou, sempre trouxe junto seu prazo de validade que um dia se esgota e perde poder. E, regra geral, assim acontece com todos os regimes tirânicos que oprimiram e ainda oprimem os povos. Cedo ou tarde, as sociedades escravizadas por estes agentes do mal, se esgarçam e são empurrados para a lata do lixo da história. Demore o tempo que durar, o Pete sabe que a boa vida no poder, façam o que fizerem, terá seu epílogo. E não haverá Lula capaz de estancar este ponto final. Portanto, façam bom proveito enquanto podem.

Se a gente ainda quiser, pode até levantar quais países a esquerda chegou ao topo e de quais foi expulsa por mau comportamento. Na mentalidade destes vermes, dinheiro é coisa que nunca acaba, e eles vão capitaneado a nau com tamanho volúpia, irresponsabilidade e insensatez – isto para não falar das vigarices que se multiplicam – que, ao fim e ao cabo de seus reinados, o que resta é um país quebrado e engessado. É como se, depois deles, o resta é o fim do mundo. A racionalidade, em termos econômicos, é um termo que não consta de seus dicionários de governança.

No Brasil, e isto há fartura de artigos no arquivo contando a cronologia da historia toda, e como eles sem se preocuparam em dar continuidade às reformas que trouxeram o país para a modernidade e estabilidade, base sobre a qual voltamos a nos desenvolver. Contudo, medida após medida, esta saúde toda está sendo comprometida e nos empurrando de volta ao hospício em que o Estado como que se apropria dos ativos econômicos da iniciativa privada, intrometesse de forma espúria e vagabunda nas administrações como se ele fosse o mago da administração, esquecendo-se de ver o próprio umbigo dos maus serviços que retribui para a sociedade que o sustenta. Como disse, por enquanto a fórmula tem dado certo não porque seja lei, mas porque fatores que independe de sua intervenção nos asseguram manter a estabilidade que, por outro lado, vai sendo corroída de modo infame. Usa-se o Estado e seus recursos com o único propósito de conservar o poder, até que não sobre nada para ser desgastado. Aí, infelizmente, o estrago será inevitável e o despertar das consciências chegará um pouco tarde demais.

Indecentes úteis

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Contundente, como havia sido combinado com seus companheiros de partido, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, saiu-se razoavelmente bem da exposição que fez na manhã de ontem no Senado sobre as acusações de que teria sido o mentor do chamado "dossiê dos aloprados".

Não acrescentou nada, negou as acusações, centrou carga na impossibilidade de ter-se aliado a Orestes Quércia - impedido à eternidade de desmenti-lo - para conseguir financiamento ao dossiê e ao menos naquela instância, livrou a própria pele de maiores constrangimentos.

Já o PT não figurou tão bem na fotografia. Ao repudiar o que alegou ter sido uma tentativa no partido de fazê-lo usar na campanha para o governo de São Paulo, em 2006, reportagem da revista Isto É sobre o envolvimento do então adversário, José Serra, com fraudes no Ministério da Saúde, foi textual: "Como eu me recusei a fazer isso eles tomaram outro caminho".

Por "eles", subentende-se que seja gente com acesso e liberdade suficientes para sugerir a ele o que fazer na campanha. Por "outro caminho" a referência clara era a divulgação daquelas mesmas acusações por outros meios.

Por mais que já se saiba disso, Mercadante confirmou o que o PT sempre nega quando confrontado com os fatos: há correntes no partido que adotam a prática da ilegalidade como meio para justificar o fim de anarquizar com adversários.

O ministro disse e confirmou quando o senador Aloysio Nunes lhe perguntou se sabia por que os fraudadores haviam feito aquilo: "Essa militância acha que é assim que se combate a corrupção, acha que tem uma missão heroica".

Isso foi dito em tom de condenação. Como, de resto, na retórica já se condenaram outros petistas envolvidos em dossiês, chantagens e fraudes em geral.

Não basta, porém, para que o PT considere a hipótese de bani-los da convivência partidária. Estão todos de volta às hostes petistas.

Expedito Veloso, o "aloprado" que acusa Mercadante e que ele só não vai processar agora porque não costuma "prejulgar" (desmentindo aí uma longa carreira de serviços prestados ao prejulgamento quando estava na oposição), está confortavelmente instalado no governo petista do Distrito Federal.

Seria de se esperar que o partido tomasse uma providência. Como cala, consente em compartilhar a vida político-partidária com indecentes úteis dispostos a assumir temporariamente a pecha de malfeitores na certeza de que o fazem impunemente. Em nome da causa.

Para poucos.
Inicia-se discretamente uma dissidência no PMDB da Câmara. Dos 80 deputados, cerca de 20 andam contrariados com o líder Henrique Eduardo Alves e com o deputado Eduardo Cunha.

Eles estão convictos de que Alves atua exclusivamente voltado para se eleger presidente da Câmara, em 2013. Os deputados se queixam de que nos embates com o governo o líder sempre recua na hora H a fim de não consolidar qualquer mal-estar com o Planalto, deixando os interesses da bancada em segundo plano.

Com Cunha o problema é a dobradinha com o líder do governo no Senado, Romero Jucá, para atuações da conveniência exclusiva de ambos.

Exemplo mais recente, o "contrabando" na medida provisória que concede benefícios a banqueiros falidos e impõe um prejuízo de R$ 8,7 bilhões aos cofres do público.

A perdurar, a contrariedade mais adiante pode vir a comprometer a unidade do PMDB nas votações.

De mestre.
Virou praxe supervalorizar qualquer manifestação de boa educação por parte do governo Dilma como se os gestos fossem algo extraordinário, quando fora do comum era a falta de educação vigente no governo do antecessor.

A presidente cumpre o ritual. Precipitam-se os que enxergam nisso sinal de distensão. Prova são as pesadas acusações que se fazem à oposição, buscando atribuir a ela responsabilidade por escândalos cuja origem é o próprio PT.

A maestria do PT está em conseguir transformar a formalidade em excepcionalidade a seu favor.

Eles não conseguem desenhar o futuro

Marco Antonio Villa - O Globo

1930 foi um marco na história do Brasil. Inaugurou o moderno Estado e uma nova visão econômica para o país. A importância econômico-social do período acabou apagando a memória repressiva. Se devemos ter muito cuidado com a “contabilidade do mal”, porém não custa lembrar que a ditadura varguista prendeu e condenou muito mais presos políticos que o regime militar. Contudo, o período é lembrado pela legislação trabalhista e a industrialização. A memória seletiva e instrumental permitiu que cada corrente política escolhesse o que desejava resgatar do período.

A crise dos anos 60 sinalizou que o processo iniciado em 30 tinha se esgotado. Novos desafios estavam sendo colocados pelas modificações ocorridas nos anos 1950. A abertura ao capital estrangeiro, a intensificação do deslocamento populacional do Nordeste para o Sudeste, a crescente urbanização, os dilemas sobre a distribuição de renda, críticas ao funcionamento do sistema político, entre outros fatores, conduziram o país para um verdadeiro caldeirão de turbulência, que acabou no golpe civil-militar de 1964.

O regime militar fez várias reformas. Obteve êxito. O papel do Estado na economia foi ampliado numa escala nunca vista. Qualquer setor onde havia alguma dificuldade econômica, a saída encontrada era a criação de uma empresa estatal. E foram surgindo às pencas. O país melhorou a infraestrutura, desenvolveu novos setores produtivos e se integrou à economia mundial diversificando sua pauta de exportações. Virou uma página histórica: deixou de ser um país com “vocação agrícola”. Como é sabido, houve um duro ataque às liberdades democráticas, como se não fosse possível compatibilizar crescimento econômico e a existência de um estado democrático de direito.

A dificuldade de compreender, a partir de 1974, que estava ocorrendo uma transformação na economia mundial — com a quadruplicação do preço do petróleo, o surgimento dos “tigres asiáticos”, o início das mudanças econômicas na China após a morte de Mao Tsé- Tung, o fortalecimento do Mercado Comum Europeu e a crise da economia americana — fez com que o regime militar endividasse o país, desorganizasse a economia e jogasse a inflação anual, no fim do governo Figueiredo, para três dígitos.

O término do regime militar, em 1985, iniciou uma década de promessas, soluções mágicas e voluntarismo. De rompantes dignos de uma republiqueta latino-americana. Como a economia não se impressiona com discursos, a fraseologia não trouxe qualquer resultado positivo. Mas o malogro não foi imputado à teoria, mas à economia de mercado.

Em meio ao fracasso dos planos de estabilização, veio a Constituição de 1988. Foram 20 meses de sessões. Nos últimos 60 anos, entre os países de democracia consolidada, não há registro de Constituinte tão longa. Foi feita a Carta mais extensa da nossa história. Transformou a Constituição em um programa de governo. Legislou sobre tudo. Concedeu benesses a todos os setores sociais. E o pior: em meio a uma grave crise econômica, que levou o país à maior inflação anual da nossa história.

A estabilização econômica parecia impossível. Dentro daquele espírito nativo tão adaptativo, surgiram até “teorias” que justificavam a inflação como um meio de crescimento econômico. Neste ambiente, tudo conspirava para que nada fosse modificado. A inflação e suas mazelas eram uma espécie de sina com que o país tinha de conviver.

Em 1994, o Plano Real mudou a história econômica do Brasil. Teve, à época, muitos detratores. Nenhum deles fez autocrítica. Preferiram esquecer o que falaram (hoje estão no governo). Se foi importante a moeda voltar a ter valor e derrubar os índices de inflação — sem qualquer tipo de congelamento de preços e salários —, mais complexa foi a reestruturação econômica, que envolvia, inclusive, redefinir o papel do Estado na economia.

Não foi tarefa nada fácil enfrentar mitos, preconceitos e acusações, tanto da direita como da esquerda. Afinal, o Estado brasileiro acabou, ao longo do tempo, soldando uma curiosa aliança das duas correntes, cada uma com seu projeto, mas identificando- se com o expansionismo estatal e a defesa dos interesses corporativos.

O surto de desenvolvimento que estamos assistindo é consequência direta dos efeitos do Plano Real. Sem ele, não teríamos um crescimento sustentável. E nem o Brasil estaria entre os países emergentes. Não é exagero afirmar que 1994 foi economicamente tão importante como 1930. E melhor ainda: manteve as plenas liberdades democráticas, diferentemente do que fez o regime de 30.

Assim como os atuais detentores do poder não reconhecem a importância histórica do Plano Real, também não conseguem desenhar o futuro. Revelam uma absoluta ausência de pensamento inovador. Olham o futuro com a ótica do passado. No fundo, odeiam o capitalismo e o livre mercado. São prisioneiros de uma visão de mundo do século XIX. Vivem uma eterna crise de personalidade, entre o que politicamente pensam e, algumas vezes, agem; e o que realizam no campo econômico. Daí as concessões aos “movimentos sociais” ou o apoio aos tiranos do antigo Terceiro Mundo. É como se as palavras lavassem a alma “contaminada” pela ação capitalista.

Mas a economia vai seguindo o seu próprio caminho. Só que necessita de correções. Dificilmente o governo vai identificar o rumo correto. A carcomida ideologia é um verdadeiro obstáculo epistemológico. Não é nenhum exagero afirmar que o Partido Comunista Chinês acredita mais no capitalismo do que o Partido dos Trabalhadores.

O balanço do semestre perdido comprova que o governo Dilma é o governo Lula sem serviço de som e sem efeitos especiais

Augusto Nunes, Veja online

Depois de resolver que a obra mais importante de um presidente da República é eleger o sucessor, Lula dispensou-se de questões administrativas, abandonou o local de trabalho e passou seis meses fazendo um comício por dia. Ou dois. De 1° de julho a 31 de dezembro de 2010, o palanqueiro ambulante acampou nas cercanias de quadras esportivas já em funcionamento, creches inacabadas e buracos de pedras fundamentais, para induzir a plateia a acreditar que contemplava mais uma etapa da construção do Brasil Maravilha. Muito barulho por nada, avisa o balanço dos últimos seis meses do governo Lula. Além da eleição de Dilma Rousseff, não foi concluída nenhuma obra efetivamente importante. Administrativamente, foi um semestre perdido.

Tão perdido quanto o primeiro semestre do governo Dilma. Mãe do PAC e Madrinha do Pré-Sal, a candidata apresentou-se durante a campanha eleitoral como parteira do país mais que perfeito que Lula concebeu. Tinha tanta intimidade com a máquina administrativa que os retoques finais no Brasil Maravilha começariam já no dia da posse. Pura tapeação. Passados seis meses, continuam nos palanques de 2010 as 500 Unidades de Pronto Atendimento, as 8 mil Unidades Básicas de Saúde, as 800 Praças do PAC, os 2.800 postos de polícia comunitária e as escolas de educação infantil, fora o resto.

A transposição das águas do São Francisco não tem prazo para ficar pronta. O leilão do trem-bala será adiado pela terceira vez. Os canteiros de obras da Copa e da Olimpíada estão despovoados. Há seis anos no Palácio do Planalto, a superexecutiva acaba de descobrir que só a privatização livrará os aeroportos do completo colapso. A compra dos caças reivindicados pela Aeronáutica ficará para quando Deus quiser. As fronteiras seguem desprotegidas. Das 6 mil creches prometidas na campanha, apenas 54 foram entregues. Menos de 500 casas populares ficaram prontas. E os flagelados da Região Serrana do Rio não deixarão tão cedo os abrigos onde sobrevivem desde as tempestades de janeiro.

A diferença entre o primeiro semestre da afilhada e o último do padrinho é que o ilusionista teve de deixar o palco em que esgotou o estoque inteiro de truques. Livres da discurseira atordoante, os brasileiros puderam contemplar a paisagem mais atentamente. O que estão vendo não rima com o que ouviram durante oito anos. Milhões já sabem que o paraíso só existe no cartório. Descobriram que o governo Dilma é a continuação do governo Lula, mas sem som e sem efeitos especiais. Disso resulta a sensação de que a coisa conseguiu ficar pior. Mesmo que sejam ambos bisonhos, a versão falada parecerá sempre melhor que o filme mudo.

A transparência que o povo quer (*)

Percival Puggina

Vinte e quatro horas depois de o governo brasileiro anunciar a intenção de rever o prazo para liberação dos documentos classificados como sigilosos, o relator da ONU contra a tortura, Juan Mendez, conclamou "o Ministério Público e os juízes brasileiros a abrir processo contra torturadores", para revelar o que de fato ocorreu durante os governos militares e "para que toda a sociedade brasileira saiba do seu passado". Foi vapt-vupt. Saiu uma decisão que desagradou a esquerda aqui e imediatamente emergiu uma reação forânea, um toque de clarim, para arregimentar as forças internas. Quem disse que as iniciativas da esquerda fluem espontaneamente, de incontidos anseios populares?

Transparência é como respeito. É bom e eu gosto. Já acabar com o extraordinário instrumento da anistia é coisa bem diferente e em nada contribuirá para a maturidade política da sociedade brasileira. Foi exatamente como decorrência da anistia que essa maturidade começou a somar aniversários. Sua extinção restauraria o ambiente político anterior ao pacto que a estabeleceu.

Entendamo-nos. Tortura é prática de seres degenerados, que repugna toda consciência bem formada. No entanto, a utilização de funcionários sádicos, pervertidos, para extrair informação nos processos investigatórios era comum em nosso país (e em inúmeros outros) ao longo de séculos. Não foi uma invenção do regime militar vigente entre 1964 e 1985. Para constrangimento nacional, persiste ainda hoje, como tantas vezes vem a público e como em muitas outras não vem a público. Tanto isso é verdade que somente em 1988 a tortura foi constitucionalmente expulsa do ordenamento brasileiro - "não haverá tortura, tratamento desumano ou degradante" - dando origem a uma lei que a definiu como crime - pela primeira vez! - em 1997.

No entanto, insistentes campanhas promovidas pela esquerda em busca da canonização de seus terroristas e guerrilheiros convenceram a sociedade de que a tortura foi uma invenção dos militares contra os combatentes da democracia naqueles tristes anos loucos. Nem uma coisa nem outra. Nem foi ela uma invenção militar, nem eram beatos os que pegaram em armas contra o regime. Queriam derrubar um regime autoritário para implantar um outro muito pior, totalitário. É impossível diagnosticar na luta armada contra o regime militar a "justiça da causa" e a "inexistência de outra alternativa" que a sã doutrina jurídica exige para legitimar esse tipo de ação armada. De jeito nenhum! Guerrilheiros e terroristas, ávidos por democracia, nos anos 70, treinados em Havana, Moscou e Pequim? Fala sério.

Ofende todos os torturados de ontem e de hoje, o foco meramente político e revanchista da esquerda brasileira em relação à tortura e ao que aconteceu naquele período. Tal preocupação com direitos humanos não é merecedora de respeito.

Dado que a anistia foi para valer, fica a questão do conhecimento dos fatos. Eles jamais virão à tona através de uma Comissão da Verdade interessada apenas em meia verdade. Muito melhor seria abrir os arquivos e dar livre acesso a pesquisadores, historiadores e profissionais qualificados. Não haveria um "relatório da verdade" (provavelmente o mais mentiroso dos textos que viriam a ser produzidos) mas um conjunto de obras que enriqueceriam, desde várias perspectivas, o conhecimento dos fatos ocorridos naquele período. Ademais, isso seria preferível ao sigilo graças ao qual não há, hoje, um único livro didático sobre a história recente do Brasil que não torça e retorça os fatos segundo a perspectiva política da esquerda.

Abram-se, então, os arquivos. Eu gostaria muito de ver expostos e conhecidos os torturadores, os assaltantes de banco, os sequestradores, os terroristas. Mas não nos iludamos com que esse seja um anseio do povo. Não é. O povo, o homem da rua, tem curiosidades bem mais triviais. Ele quer respostas que lhe são sonegadas por essa mesma esquerda tão preocupada com história e com transparência. Ele quer informações sobre como aquele japonês pagava as contas do Lula. Quer informações sobre o Mensalão. Quer saber no que deram as investigações sobre o caseiro Francenildo e sobre assunto que derrubou a ex-ministra Erenice Guerra. Quer saber por que o governo exige sigilo sobre os custos das obras da Copa. Ou, também recente: por que e do que blindaram Palocci? Isso o povo quer saber. Mas não lhe contam porque é imperioso que o povo esqueça. Que esqueça até de perguntar.

*Publicado, originalmente, no Diário do Comércio de São Paulo

A Dilma que vai-não-vai

Carlos Brickmann, Brickmann & Associados Comunicação

A presidente Dilma Rousseff era favorável ao fim do sigilo eterno dos documentos oficiais. Depois de ouvir seus conselheiros José Sarney e Fernando Collor, Dilma ficou favorável ao sigilo eterno dos documentos oficiais. Diante do berreiro que sua nova posição provocou, Dilma voltou a ser favorável ao fim do sigilo eterno dos documentos oficiais. Seu ministro da Defesa, Nelson Jobim, botou a cereja no bolo: para ele, tanto faz, já que os documentos militares que poderiam causar problemas foram destruídos faz tempo. É falso: em várias ocasiões os documentos foram citados como existentes - inclusive, e faz pouco tempo, pelo coronel Brilhante Ustra, que foi chefe do DOI-Codi na ditadura militar.

A presidente Dilma Rousseff era favorável à transparência total das concorrências públicas. Aí apareceu uma cláusula numa Medida Provisória, que a presidente Dilma Rousseff encaminhou ao Congresso, determinando que as obras para a Copa e as Olimpíadas só teriam divulgadas as estimativas oficiais de custo depois da concorrência. Quanto tempo depois? Depois, uai! Até Sarney foi contra e a presidente Dilma Rousseff ficou preocupada. Aí surgiram técnicos dizendo que a medida era ótima, porque impediria que, conhecidas as estimativas oficiais, as empresas concorrentes ajustassem seus preços para cima. Até Sarney ficou a favor. E a presidente Dilma Rousseff voltou a achar que concorrência boa é a que tem a estimativa oficial em segredo. Mas uma pergunta não foi respondida: se a medida é tão ótima, por que aplicá-la só na Copa e na Olimpíada?

Dilma vai, Dilma vem, tanta pressão zonzeia. E a turma de sempre se arruma.

O ancião e a Polícia
Dizem que um cavalheiro quase centenário reclamou ao médico que não conseguia atingir o desempenho sexual de seus amigos da mesma idade. O médico foi direto: "Não é difícil! Faça como eles". O cavalheiro perguntou: "Mas como poderei fazer como eles?" E o médico: "É simples. Minta".

A cada divulgação da queda do número de homicídios em São Paulo este colunista relembra a piada. Já que não dá para combater o crime, que se combata a estatística. Em São Paulo, uma chacina é registrada como um homicídio com N vítimas. Se uma pessoa é assaltada, tem o relógio roubado e é assassinada, isso não é homicídio para as estatísticas: entra como "latrocínio". Se uma pessoa aparece morta na rua com 16 tiros nas costas, não é homicídio: é "crime a esclarecer".

Em resumo, o marido é fiel, descontando as escapadas.

O governador e o secretário
Só não se sabe se o governador tucano Geraldo Alckmin pediu à Secretaria da Segurança que ajuste números mais adequados ou se também acredita neles.

Congresso, em bom francês
A PEC 300 é a proposta de emenda constitucional que fixa um piso salarial nacional de policiais militares (e bombeiros) igual ao de Brasília, onde os vencimentos são mais altos; e determina que, se necessário - e sempre será - a União forneça aos Estados o dinheiro necessário para cobrir a diferença. Tem pontos positivos - a Polícia, hoje, é muito mal paga - e negativos, como não criar fontes adicionais de recursos para cobrir os novos gastos. Dá uma boa discussão, que pode ser produtiva e de alto nível. Mas está sendo usada como moeda de troca: parlamentares que apóiam o Governo ameaçam aprová-la, estourando o orçamento federal, se não forem liberadas as verbas que reivindicam.

Os americanos chamam isso de blackmail. Os franceses, de chantage. Nós, brasileiros, sempre cordiais, gentis e afetuosos, de negociação política.

Seu Cabral
O governador fluminense Sérgio Cabral, segundo sua assessoria, estava viajando, mas segundo ele disse só viajou mais tarde - o que torna estranho o depoimento de dois funcionários do hotel onde se hospedaria, que o viram por lá, na Bahia, bem antes que saísse do Rio. O avião do empresário Eike Batista, onde Cabral disse que viajou, só foi para a Bahia muito depois que a assessoria do governador informou que ele já estava viajando. Ah, os mistérios do céu da Bahia!
Claro que Cabral não fazia nada demais. Então, por que não contar de uma vez o que foi fazer, com quem e quando, para tapar a boca dos seus detratores?

Gente má
Frase que circula pela Internet: "Cabral descobriu Porto Seguro em 1500. Porto Seguro descobriu Cabral em 2011".

Amiga ou inimiga
A presidente Dilma Rousseff enviou o ex-presidente Lula para Malabo, na Guiné Equatorial, para chefiar a missão brasileira na 17ª Sessão Ordinária da Assembléia Geral da União Africana. Malabo tem chuvas fortes praticamente diárias, a temperatura média é de 29 graus, poucas são as ruas pavimentadas, 80% da população não têm acesso a eletricidade nem a água encanada. O país é governado pelo ditador Teodoro Nguema desde 1979. Eleições, nem pensar.

Dilma anunciou que pretende entregar missões internacionais a ex-presidentes, que atuarão como seus representantes. E justo Lula, seu amigo de fé, seu principal cabo eleitoral, seu companheiro de partido, ela enviou a Malabo.

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A ex-guerrilheira e o sigilo eterno

Guilherme Fiuza, Revista Época

O sigilo eterno de documentos oficiais cairá no dia em que o Brasil tiver, enfim, um governo de esquerda. Essa seria uma típica utopia dos anos de chumbo, quando a mão de ferro do governo permitia no máximo o exercício da esperança – de preferência, em voz baixa. “Vai passar”, cantou Chico Buarque. E não é que passou? E de repente o Brasil é governado pela esquerda, por uma mulher, uma ex-guerrilheira contra a ditadura. Hora de acabar com o sigilo autoritário sobre informações de Estado? Talvez não.

Dilma Rousseff, a suposta encarnação das utopias libertadoras, ficou na dúvida. Uma coisa é panfletar anos a fio contra o despotismo governamental. Outra coisa é fazer no governo o que estava escrito no panfleto. Para muitos heróis da esquerda brasileira, a vida real só existe para estragar a utopia. Reclamar é muito mais emocionante do que fazer. E, no caso do sigilo de documentos oficiais, Dilma teve motivos fortes para puxar o freio de mão da abertura política.

Esses motivos fortes têm nome e sobrenome: Fernando Collor e José Sarney. A alma da ex-guerrilheira, quem diria, foi sensibilizada por dois herdeiros do regime militar. Dois ex-presidentes que serviram por anos a fio de alvo para a panfletagem do partido da atual governante – isto é, dois personagens muito úteis ao crescimento do PT e de suas bandeiras libertárias. Tão úteis que agora merecem toda a gratidão dos revolucionários de outrora: viraram os melhores amigos da “presidenta” de esquerda. E seus grandes conselheiros. Dilma fez seu cálculo de estadista: melhor do que abrir os documentos oficiais é fechar com Collor e Sarney.

A decisão não pegou muito bem, naturalmente. Até porque tem gente assistindo na TV à reprise de Anos rebeldes, a minissérie de Gilberto Braga, e acreditando naquela garotada que pegou em armas contra a ditadura para devolver o Brasil à democracia. A minissérie foi um sucesso e, em 1992, ajudou até a derrubar o então presidente Collor. Se o público soubesse que aquela brava guerrilha serviria também para devolver o Brasil ao Collor e ao Sarney, provavelmente teria mudado de canal.

Depois de ouvir seus eminentes conselheiros e defender o sigilo eterno dos documentos oficiais, Dilma foi acossada por seu passado. Foi lembrada por sua assessoria petista, que, sem o mito da revolucionária esquerdista, lhe sobra basicamente nada. Seria melhor, portanto, recuar. Mas se recuasse, Collor e Sarney poderiam ficar zangados. Tomou então mais uma decisão de estadista: ficou no meio do caminho.

Esta vai se tornando, cada vez mais, a marca do governo Dilma: deixar estar para ver como é que fica. Nesse aspecto, sua grande aliada é a opinião pública – sempre pronta a esquecer dos assuntos quando eles somem das manchetes. A consultoria milionária de Palocci, por exemplo, já sumiu no retrovisor. Com uma plateia assim tão distraída e despreocupada, talvez nem seja preciso o tal do sigilo eterno. As informações desaparecem de morte natural.

Depois de Palocci, veio Gleisi Hoffmann, a gestora, a mulher na Casa Civil, símbolo da arrancada do governo Dilma etc. etc. E não é que Gleisi também já sumiu em pleno cargo? Em seu lugar na ribalta, ofuscando a tudo e a todos, se impôs a estrela de Ideli Salvatti – importada do Ministério da Pesca para coordenar a pescaria do PMDB e do PT por verbas e cargos. Só se fala em Ideli. Ela é a cara do governo Dilma.

E já providenciou a liberação de quase R$ 5 bilhões em emendas parlamentares. Os 55 cargos que o PMDB reclama no segundo escalão também já estão sendo distribuídos. Enquanto isso, a carga tributária nacional bate novo recorde em 2011, garantindo a irrigação geral. Collor, Sarney e demais sócios não terão por que se chatear.

O povo está nas ruas – pedindo pelos gays e pela maconha. Em Brasília, está tudo bem. Para que sigilo?

Afinal, quem é Dilma Rousseff?

Carolina Freitas, Veja online

Aos seis meses de governo, presidente muda de opinião em temas que lhe eram caros e aprende na prática a encarar realismo político

(Evaristo Sá/AFP)
Dilma Rousseff:
em nome da governabilidade, convicções são deixadas de lado

O cabelo continua o mesmo, mas as ideias, quanta diferença. Dilma Rousseff mudou. Aos seis meses de governo, a presidente aprende na prática o significado do realismo político: fazer o que tem de ser feito, mesmo que vá contra seus princípios. E até contra os interesses nacionais. Dilma cedeu em questões que lhe eram caras em nome da governabilidade, mas também em função da pressão de aliados pouco democratas.

Presa durante a ditadura militar e defensora da revisão da Lei da Anistia, Dilma agora descarta alterações na legislação. A lei, aprovada em 1979 para acelerar o processo de redemocratização do Brasil, isenta de punição crimes políticos cometidos durante o regime militar. Antes de engavetar a mudança da lei, Dilma considerava esses crimes "imprescritíveis".

Da mesma forma, ela acaba de anunciar que concederá à iniciativa privada os aeroportos brasileiros. Uma boa decisão, mas nada coerente com a demonização das privatizações feita pelo PT. Nas eleições de 2010, Dilma colou no adversário José Serra, do PSDB, a pecha de privatista. E jurou proteger o patrimônio nacional. À época, ela defendia a abertura de capital da Infraero como solução para as carências de infraestrutura aeroportuária. Notou agora que o poder público não tem recursos nem competência para tanto.

Mas o maior exemplo do comportamento ioiô de Dilma foi a mudança de opinião sobre o sigilo dos documentos de governo considerados ultrassecretos. Em dois meses ela se posicionou contra o sigilo eterno, depois a favor do sigilo eterno e, finalmente, contra o sigilo eterno de novo. A conferir até quando mantém a opinião. Pesou para a hesitação da presidente a pressão dos senadores José Sarney (PMDB) e Fernando Collor (PTB) – ex-presidentes de passado pouco abonador.

Falta de prática -
As incertezas de Dilma nesse primeiro semestre de governo são explicadas em detalhes no quadro abaixo. A presidente começa a entrar no jogo da sobrevivência política. É, no entanto, inábil e inexperiente nesta seara e terá de aprender a duras penas, pois tanta mudança de opinião sem explicações passa por falta de opinião. "Para sobreviver com poder, o político faz o que for preciso", diz o filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Se amigos, aliados ou mesmo ideias atrapalharem os planos do político, ele simplesmente afasta-se delas."

E Dilma sofre para se adaptar a essa realidade. "Ela está aprendendo da forma mais lamentável possível. É triste ver uma pessoa, por necessidade política, abrir mão dos princípios que nortearam toda sua vida", diz Romano. No modelo brasileiro, a função de presidente exige alguém que seja, ao mesmo tempo, um chefe de estado e um chefe de governo. "Temos um presidencialismo imperial", diz o professor. Fernando Henrique desempenhou bem as duas tarefas. Luiz Inácio Lula da Silva foi mais chefe de governo do que de estado. E Dilma não consegue extrapolar a função de chefe de estado para ter uma atuação política, como chefe de governo.

A falta de traquejo dificulta a negociação do governo com o Congresso e o encaminhamento das propostas de interesse da nação. Em última instância, prejudica a execução dos programas de governo e, assim, prejudica o Brasil. Sem o articulador Antonio Palocci na Casa Civil, a tarefa fica ainda mais difícil. Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti trazem consigo a fama de intransigentes – a característica menos desejável em um negociador.

Questão de perfil –
Formada em Economia e ex-militante do movimento estudantil, Dilma difere em gênero e grau do antecessor, Lula – caso clássico do desapego ideológico. "Lula não tem nenhum compromisso com doutrina ou ideologia", afirma romano. "Ela tem. Por isso, é muito mais notória nela essa mudança de opinião. É difícil para ela encarar o realismo político."

Enquanto Dilma construiu uma carreira em cargos técnicos e auxiliares do Executivo, Lula passou a vida em barganhas e disputas, desde que começou a militar no movimento sindical, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. E traquejo político se aprende com o tempo. Resta saber quanto tempo Dilma levará para mostrar-se de verdade aos brasileiros.

A cabeça da presidente
Ao longo destes primeiros seis meses de governo, Dilma Rousseff mudou de ideia a respeito de temas que lhe eram caros. Confira cinco pontos de honra que foram por água abaixo. Resta uma dúvida: o que virá pela frente nos próximos dois anos e meio de governo?

Veja abaixo o que pensava e o que pensa Dilma Rousseff:

Sigilo de documentos do governo

DILMA ONTEM: Primeiro contra o sigilo eterno, depois a favor

DILMA HOJE: Contra o sigilo eterno

O projeto da Lei de Acesso à Informação determina critérios para tornar públicos documentos do governo. A proposta aprovada na Câmara dos Deputados diz que os papeis considerados ultrassecretos poderão ficar em sigilo por, no máximo, 50 anos – 25 anos prorrogáveis por igual período. A proposta será agora votada no Senado e passará pela sanção da presidente.

Atualmente, os documentos sigilosos recebem um grau de classificação, determinado pelo órgão que o produziu. Os ultrassecretos ficam em sigilo por 30 anos, prazo que pode ser renovado indefinidamente. A lei termina com essa possibilidade de sigilo, na prática, eterno.

Em abril, Dilma determinou o fim desse tipo de sigilo. Orientou a base do governo a acelerar no Senado a aprovação do projeto de lei. Em junho, pressionada pelos senadores aliados José Sarney (PMDB) e Fernando Collor (PTB), recuou. Porta-voz da presidente no Congresso, a ministra Ideli Salvatti, deixou claro: o Planalto exigia manter o sigilo eterno dos documentos ultrassecretos.

Nessa semana, no entanto, mudou, mais uma vez, de ideia. Ministros e assessores especiais da Presidência a convenceram de que eventuais mudanças no projeto feitas pelo Senado não vingariam, pois a proposta voltaria para a Câmara e seriam derrubadas. Seria, pois, um desgaste infrutífero. Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores disseram à presidente que não havia risco diplomático em divulgar os arquivos do governo. E Dilma mandou avisar, por Ideli, que aceitará a decisão do Senado, seja ela qual for.


Revisão da Lei da Anistia

DILMA ONTEM: A favor da revisão da lei

DILMA HOJE: Contra a revisão da lei

A Lei da Anistia foi aprovada em 1979 para acelerar o processo de redemocratização do Brasil e confirmada em 2010 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela isenta de punição crimes políticos cometidos durante o regime militar.

Quando ministra da Casa Civil do governo Lula, Dilma defendia uma revisão da lei, para tornar possível punir quem cometeu crimes durante a ditadura. Na visão de Dilma, os delitos daquela época eram “imprescritíveis”.

Em 2010, a Corte de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil pelo desaparecimento de 62 pessoas entre 1972 e 1974, durante a Guerrilha do Araguaia. O órgão internacional exigia a punição dos militares envolvidos no episódio, o que vai contra a Lei da Anistia.

Assim, já presidente, Dilma teve de lidar com o tema. E mudou de ideia. Em 16 de junho de 2010, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, reafirmou em parecer a decisão do Supremo de manter a Lei da Anistia. Em nome da presidente, Adams recomendou que a solicitação da OEA fosse rejeitada, pondo um ponto final no assunto.  

Transparência nas obras para a Copa

DILMA ONTEM: A favor da divulgação de todos os dados

DILMA HOJE: A favor do segredo sobre o orçamento das obras

O Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014 com o compromisso de divulgar cada centavo gasto com a organização e execução das obras para o evento. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que as informações estariam disponíveis na internet para quem quisesse ver. Dilma manteve a promessa do antecessor. Só a promessa.

Em 2010, com os preparativos atrasados, o governo enviou ao Congresso a proposta de criação do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), que flexibiliza as regras para licitação de projetos. O projeto foi aprovado na Câmara, enxertado na Medida Provisória 527.

A maior controvérsia gira em torno da falta de transparência no novo regime. Ele institui segredo sobre o orçamento da licitação até a abertura das propostas. Em tese, as empresas proporiam preços menores. Na prática, não há como controlar o vazamento de informações, uma porta aberta para irregularidades. Além disso, o projeto prevê sigilo em licitações onde há risco à segurança do estado, algo aleatório, aplicável ao que o poder público bem entender.

O governo tentou ainda esconder os gastos com as obras e comunicou ao Tribunal de Contas da União que deixaria de atualizar o portal da transparência da Copa. Pressionada pela opinião pública, Dilma voltou atrás e determinou a publicação de todos os dados. 


Privatização dos aeroportos

DILMA ONTEM: Contra a privatização

DILMA HOJE: A favor da privatização

O Brasil vive uma crise nos aeroportos que tende a piorar com a aproximação da Copa do Mundo de 2014 se nada for feito. A estrutura não suporta a demanda de passageiros e sucumbe a qualquer imprevisto técnico ou meteorológico. Faltam à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) recursos e, principalmente, eficiência para mudar a situação.

Mesmo assim, Dilma endossou durante a campanha eleitoral de 2010 a tese do ex-presidente Lula de que esse problema seria resolvido apenas com a injeção de recursos na Infraero, por meio da abertura de capital da empresa. Para colar a pecha de privatista no PSDB, Dilma não só descartou como demonizou a hipótese de privatizar os aeroportos.

Terá de pagar a língua. Diante da falta de recursos e de evidências de que a Infraero não daria conta do recado, Dilma anunciou no início de junho que transferirá a administração dos aeroportos ao setor privado. Pelo modelo, a estatal atuará em sociedade com as concessionárias, como sócia minoritária.

Proteção ambiental

DILMA ONTEM: A favor da flexibilização das regras para licenciamento ambiental

DILMA HOJE: Contra o afrouxamento das regras de proteção

A atuação de Dilma como ministra da Casa Civil foi determinante para o pedido de demissão da então titular do Meio Ambiente, Marina Silva, em agosto de 2009. As duas divergiam em tudo. Dilma pensava como desenvolvimentista. Marina, como ambientalista. A chefe da Casa Civil pressionou por metas menos ambiciosas de redução do desmatamento na Amazônia e pelo afrouxamento das regras para o licenciamento ambiental.

Enfraquecida, Marina decidiu deixar o governo Lula e o PT. Filiou-se ao PV e concorreu com Dilma à Presidência da República em 2010. Fora do segundo turno, a verde teve seu apoio disputado entre Dilma e o tucano José Serra. Antes de optar pela neutralidade, ouviu juras de amor ao meio ambiente por parte dos dois candidatos.

Eleita presidente, Dilma não esqueceu as promessas feitas a Marina. Com a votação iminente das mudanças no Código Florestal – para flexibilizar as regras de preservação –, encomendou um estudo aos ministros da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente sobre o assunto.

Com base no documento, Dilma opôs-se a dois pontos do projeto, do relator Aldo Rebelo (PCdoB): as pequenas propriedades seriam dispensadas de preservar 500 metros de mata ciliar em Áreas de Preservação Permanente (APP); e os produtores com terras de até quatro módulos fiscais seriam anistiados mesmo tento desmatado o terreno de forma ilegal.

Aflorava em Dilma uma inédita consciência ambiental – não só para agradar Marina, claro, mas para fazer uma boa imagem aos olhos da comunidade internacional.

O segredo sobre o que querem

Fernando Gabeira, Estadão.com

O governo parece que voltou atrás na decisão de vetar o projeto de acesso aos documentos públicos. Ao contrário do que queriam Sarney e Collor não haverá sigilo eterno. Isso porque, nesse momento, a maioria do Senado concorda com o projeto aprovado na Câmara.

Segundo uma notícia de hoje, Dilma também voltou atrás no sigilo sobre as obras da Copa. Segundo a nova formulação aceita pelo governo, o Tribunal de Contas terá acesso a todos os gastos, do começo ao fim.

A história do sigilo nas obras da Copa é parcialmente um mal entendido. O governo queria construir um estádio perguntando quanto custa e não dizendo, antecipadamente, quanto pode gastar.

No entanto, formulou a medida provisória de forma que o sigilo poderia ser mantido.Muita gente reclamou e o governo disse que foi mal entendido. Na verdade, foi também mal explicado e formulado.

Essas idas e vindas do governo são noticiadas nos jornais sem que Dilma se pronuncie. É preciso ficar atento para ver o que vale, no momento da decisão.


A impressão que se tem é a de que o governo, nesse tópico Copa do Mundo, aprova aquilo que quiser. Não há resistência de peso na Câmara.

Começam, agora, por exemplo, os jogos militares. Começam custando R$1,5 bilhão, 28 por cento a mais do que estava previsto. Com nossas Forças Armadas tão carentes de verba, será que vale a pena gastar tanto com uma competição internacional entre militares?

É hora de repensar o BNDES

Rodrigo Constantino - O Globo

Quando o BNDE (ainda sem o S de Social) foi criado em 1952, pelo segundo governo Vargas, argumentava-se que havia grande escassez de capital para financiamento de longo prazo no país. Mas será que esta ainda é a realidade do Brasil? Se não for, por que deve ser função do governo atuar como banqueiro? Esta questão merece maior reflexão.

A intermediação financeira é fundamental para o bom funcionamento da economia. Será que ela pode ser feita de forma mais eficiente pelo governo do que pelo mercado? Existem pelo menos dois importantes pontos contrários ao governo: a utilização de recursos da “viúva”, afrouxando o escrutínio sobre os riscos; e a presença de interesses político-eleitoreiros. Enquanto empresários precisam pensar na sobrevivência de sua empresa num futuro distante, políticos costumam pensar nas próximas eleições.

Não obstante, o Brasil tem sido refém de uma enorme presença do governo no setor financeiro. A mentalidade dirigista, de que cabe ao Estado fomentar o crescimento econômico do país, está por trás disto. O inchaço do BNDES é reflexo desta crença. O banco ficou razoavelmente blindado contra o “desenvolvimentismo” no começo. Mas não resistiu e sucumbiu à pressão ideológica.

Roberto Campos, que presidiu o banco, chegou a lamentar: “Graças ao recrutamento por concurso público, o BNDE manteve uma saudável tradição meritocrática, com nível técnico bastante satisfatório. Não escapou, naturalmente, ao vício do burocratismo e complacência com a irrupção do nacional- estatismo.” Na década de 1980, por exemplo, o banco aderiu à defesa das “reservas de mercado”, como a política de informática que lançou o país no atraso tecnológico. Na gestão do PT este viés ideológico voltou com força total.

Mesmo se o BNDES conseguisse manter um quadro de bons tecnocratas, ainda assim seria complicado evitar a contaminação política em suas operações. A pressão vem de cima. E quando política se mistura com economia, boa coisa não sai. O critério de empréstimos sofrerá a influência ideológica. Ou há alguma justificativa econômica para tantos bilhões injetados no grupo JBS? Ao que tudo indica, o governo quer criar uma “Boibrás”, custe o que custar.

O Japão é um bom estudo de casos, já que a interferência estatal no setor financeiro foi enorme. O resultado é conhecido: um abacaxi que já leva duas décadas para ser digerido, com nefastas sequelas para a economia do país. A alocação eficiente de recursos exige um ambiente de livre concorrência de empresas privadas em busca do lucro. Quando esse quadro é substituído pelas decisões políticas de poucos poderosos, raramente será possível evitar uma catástrofe. A União Soviética foi um caso extremo, mas a recente crise imobiliária americana também teve ligação com esta forte presença estatal no setor.

A corrupção é outro risco grave. Quando é o governo que controla o carimbo dos empréstimos, há um incentivo perverso para a captura dos políticos pelos grandes empresários. Mais de 70% dos desembolsos subsidiados do BNDES têm como destino justamente as grandes empresas. Desde 2006 os desembolsos cresceram 34% ao ano. Em 2010 foram quase R$ 170 bilhões. Uma bolsa-empresário e tanto!

Além disso, o banco possui, por meio do BNDESPAR, participações bilionárias em diversas grandes empresas. Por que o governo deve ser sócio de tantas empresas, quando há disponibilidade de capital no mundo? Várias empresas têm aberto ou aumentado capital em bolsa nos últimos anos, aproveitando a farta liquidez dos mercados. Nos últimos cinco anos foram quase R$ 250 bilhões em emissões de ações. Simplesmente não há uma boa justificativa para um banco estatal ter uma carteira de ações tão grande.

Os três principais bancos estatais fecharam 2010 com ativos na casa dos R$ 1,7 trilhão, montante similar ao dos três maiores bancos privados. O governo é o maior banqueiro do país! No “Manifesto Comunista”, não custa lembrar, Marx colocou como uma das metas fundamentais de seu programa a “centralização do crédito nas mãos do Estado”.

O setor financeiro é importante demais para ser dominado pelo governo. O crescimento econômico sustentável não é fruto da caneta milagrosa do Estado, mas de uma ampla liberdade econômica que permite alocações eficientes dos recursos. O nosso “capitalismo de estado” tem servido para concentrar renda e beneficiar grandes empresários próximos ao poder, além de canalizar recursos com viés ideológico.

O BNDES é o grande elo desta ligação entre governo e grandes empresários. Está na hora de repensar seu papel econômico.

Desfez-se um segredo de polichinelo

Costábile Nicoletta (*) - Brasil Econômico

Tornou-se oficial ontem uma espécie de segredo de polichinelo: a negociação de fusão entre os grupos Pão de Açúcar e Carrefour, que, se consumada, criará um colosso no ramo de supermercados com faturamento anual superior a R$ 65 bilhões, o segundo maior entre as empresas privadas no país, só atrás da Vale, da área de mineração, cujas vendas anuais superam R$ 83 bilhões.

Somente a petrolífera estatal Petrobras, com receitas de R$ 213 bilhões por ano, ficaria à frente nesse ranking.

As conversas entre a empresa de Abilio Diniz e o grupo francês vinham sendo negadas por ambos, mas deixaram o Casino - arquirrival do Carrefour e sócio de Diniz no Pão de Açúcar - com a pulga atrás da orelha, a ponto de solicitar um painel de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional, com sede na França, para que o sócio brasileiro esclarecesse o que vinha tratando com o Carrefour.

Um acordo de acionistas permite ao Casino deter o controle do Pão de Açúcar em junho de 2012. Agora, as gôndolas dos três supermercados se embaralharam como os tabuleiros de uma feira livre.

Para complicar um pouco mais o entendimento da negociação, a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour conta com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que entrará com uma bolada € 2 bilhões (R$ 4,5 bilhões), a título de suporte ao projeto de internacionalização do Pão de Açúcar.

"Caso o projeto em questão se concretize, o referido grupo assumirá uma posição estratégica no Carrefour, um dos maiores varejistas globais, abrindo caminho para maior inserção de produtos brasileiros no mercado internacional", informou em comunicado o banco de fomento.

"A proposta segue, no momento, os trâmites usuais para aprovação no sistema BNDES, cabendo à sua diretoria a decisão final sobre o eventual apoio financeiro. A operação também deverá ser aprovada pelas demais companhias envolvidas."

Uma vez vencidas as etapas de convencimento dos acionistas do Casino, do Carrefour e do Pão de Açúcar, caberá ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avaliar se o novo grupo não trará prejuízos aos consumidores e se o dinheiro público que o BNDES está disposto a colocar na operação não será usado para ajudar a pagar a rescisão dos trabalhadores que receberão o último tíquete salarial quando forem postas em prática as chamadas "sinergias" que qualquer fusão traz embutidas.

Aumentar o faturamento, diminuir o número de empregados e almejar a internacionalização fazem parte do jogo dos grupos que se conglomeram. Usar dinheiro público para tudo isso é algo que merece uma discussão um pouco maior.

(*) Costábile Nicoletta é diretor adjunto do Brasil Econômico

Gleisi nega que haja recurso público em fusão do Pão de Açúcar

Márcio Falcão, Folha online

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira que "não há recurso público" do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) na fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour.

Segundo a ministra, esta é uma ação de mercado do BNDESPar, braço de participações do banco em empresas privadas, e não passa pelo crivo do governo.

Gleisi disse que não haverá verba do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) nem do Tesouro Nacional.

"Essa é uma operação enquadrada pelo BNDES. Não é operação de crédito do BNDES, não tem recurso público envolvido, nem FGTS nem Tesouro. É o BNDESPar que vai fazer isso. É ação de mercado, portanto, não tem nada a ver com decisão de governo", disse.

Um dia após o anúncio da fusão, o empresário Abílio Diniz, da rede Pão de Açúcar, participou de reunião no Palácio do Planalto da Câmara de Políticas de Gestão, uma espécie de consultoria do Planalto para melhorar a gestão dos serviços públicos. Segundo participantes do encontro, ele não falou sobre a fusão.

O coordenador da Câmara, o empresário Jorge Gerdau, tentou não comentar o assunto, mas afirmou que as fusões são uma "tendência mundial". Ele disse ainda que cabe ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) avaliar a concentração de mercado.

"É uma operação de mercado, e não de financiamento público. É uma operação de mercados de capitais", afirmou.

Para ele, não há risco de a operação gerar desempregos. "O mercado da área de distribuição está crescendo de tal forma que não deve ter desemprego. A área comercial é a que mais gera emprego. Se fecha aqui, abre outra", disse.

Editoria de Arte / Folhapress

Abilio vai ao JN; Guido e Luciano irão à Câmara

Brasil 247

À Globo, Abilio Diniz dá como favas contadas empréstimo de R$ 4 bilhões: “o BNDES fez um bom negócio”; mas Ministro da Fazenda e presidente do banco público terão de explicar a deputados o que há de bom em entrar com 85% do dinheiro e ficar com 9% do Pão De Açúcar e Carrefour fundidos

Foto: Renato Araujo ABr


O empresário Abilio Diniz tem para distribuir a quem se interessar um currículo pessoal com dez páginas datilografadas. Todas as vezes que ele foi eleito Homem do Ano, seus resultados esportivos, os detalhes de sua carreira iniciada como filho do fundador do Grupo Pão de Açúcar, tudo está lá. A partir da quarta-feira 29, Abilio pode anexar à peça uma cópia em DVD da entrevista que ele concedeu ao Jornal Nacional, da Rede Globo. Trata-se de um momento maior de seu desempenho. Como se já estivesse tudo certo, como se não existissem mecanismos de fiscalização, como se se pudesse rasgar um contrato vigente e criar, da noite para o dia, um monopólio no estratégico setor dos supermercados, ele aceitou falar com exclusividade ao JN para dizer que o Brasil está ganhando uma empresa chamada Novo Pão de Açúcar, resultado da fusão entre o próprio e o Carrefour, armada com R$ 4 bilhões repassados a ele pelo BNDES, o banco público de investimentos. Aos sócios franceses do grupo Casino, que consideram a fórmula uma “expropriação”, ao presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômico), Fernando Furlan, que vê na fusão um ato ilegal de concentração, e ao público que teme o monopólio como fonte de aumento de preços dos alimentos, uma banana. Ou algumas.

“O BNDES fez um bom negócio”, disse Abilio, como se o empréstimo de “dois bilhões de euros”, no dizer do BNDES, terceira maior operação já planejada pelo banco, já estivesse carimbado e depositado em sua conta. “O banco está evitando que o sistema de abastecimento brasileiro seja totalmente desnacionalizado”, completou. Nos ensaios que têm feito a respeito do que dizer em público sobre a mais controversa, atrapalhada e nebulosa tentativa de expropriação de um sócio e montagem, em paralelo, de um monopólio, que se tem notícia no Brasil, Abilio sustenta que o BNDES estaria apenas ajudando o Pão de Açúcar a se internacionalizar – e o próprio banco, numa notinha de poucas linhas, já ecoa essa versão. O que ainda não foi dito claramente, entre muitos outros aspectos dessa jogada, é que o banco público entraria com 85% do dinheiro para fechar o negócio, obteria, em troca, uma participação de apenas 9% no novo negócio e, talvez numa bandeja de prata, entregaria todo o comando para o próprio Abilio, 69 anos, currículo de dez páginas.

Nem tudo, porém, é como Abilio quer. Sua presença já anda causando, como diz a gíria. Causando constrangimento dentro do governo federal e, ao mesmo tempo, despertando críticas furiosas na própria base parlamentar da presidente Dilma Rousseff. Poucas horas antes de sua entrevista imperial, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou dois requerimentos convidando o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a participarem de audiência pública para discutir a fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour. Os requerimentos precisam ainda ser votados, o que deve ocorrer na próxima reunião, prevista para terça-feira, quando haverá audiência pública sobre a fusão entre Sadia e Perdigão com representantes da empresa e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

À tarde, em meio à reverberação de sua proposta de criação de um conglomerado que abarcaria sob uma mesma bandeira, de uma só vez, quase 30% do setor supermercadista do País, Abilio compareceu à reunião da Câmara de Política de Gestão, Desenvolvimento e Competitividade. Parecia, para ele, cuja jogada para fundir o Pão de Açúcar com o Carrefour abalou até mesmo o movimento normal da Bolsa de Valores de São Paulo, que nada estava acontecendo. Mas estava. Em lugar de comentar a presença do empresário como algo natural no encontro que ela própria presidiu, a ministra chefe do Gabinete Civil, Gleisi Hoffmann, tratou, diante dos repórteres que cobrem o Palácio do Planalto, de afastar qualquer proximidade com Abilio. “Foi uma enorme coincidência”, resumiu. Em seguida, passou a defender o governo quanto frente à manobra do empresário. Segundo ela, o tema não foi tratado na reunião à portas fechadas da Câmara de Gestão. Para ela, a questão é de "enquadramento" e "não tem dinheiro público, nem do FGTS, nem do Tesouro". "É dinheiro do BNDESpar", afirmou.

O visível constrangimento da ministra Gleisi pela presença de Abilio em Brasília é compreensível. A proposta de fundir os dois maiores conglomerados supermercadistas do País tem, na raiz, o apoio financeiro do BNDES. O banco estatal de investimento demonstrou disposição de enfiar nada menos que “dois bilhões de euros”, conforme os termos empregados hoje em nota oficial da instituição, para ajudar o empresário em sua manobra de passar por cima da vontade de seus sócios franceses do grupo Casino. Ou melhor, viabilizar mais que ajudar. Afinal, a quantia que o BNDES está disposto a, digamos, investir corresponde a nada menos que 85% do valor total estimado para ser entregue ao Carrefour. Em contrapartida, o banco estatal, de acordo com a proposta divulgada na sede do privado BTG Pactual, na terça, em São Paulo, ficaria com algo como 9% do novo negócio. Isso mesmo: 85% do dinheiro para 9% do resultado da compra.

“O BNDES está jogando, com esse negócio, dinheiro fora, pelo buraco”, afirmou ao 247 o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que pertence à base de apoio do governo Dilma. “O banco tem de investir em empresas que irão gerar empresas e não, como nesse caso, num conglomerado a ser criado que irá cortar postos de trabalho”. Juntos, Pão de Açúcar e Carrefour, sob a gestão de Abilio Diniz, controlariam nada menos que 2,2 mil pontos de venda de alimentos, com atuais 214 mil funcionários. Enquanto os fornecedores temem, desde já, enfrentar esse poderia, os sindicatos receiam cortes na mão de obra. O público consumidor, por seu lado, teria menos opções para comprar, o que costuma resultar em elevação de preços. “O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) tem de vetar esse negócio, Abilio Diniz, se quiser, terá de se virar sozinho”.

Pela oposição, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) assinalou ao 247 que não existe interesse público no negócio, apenas o empresarial. “É sempre a mesma coisa. Quase setenta por cento dos recursos do BNDES são canalizados para as grandes empresas, e apenas 27,9% vão para as pequenas e médias empresas, que é onde estão os empregos que deveriam ser fomentados pelo BNDES”, disse o senador em plenário. “O ministro (da Ciência e Tecnologia) Aloizio Mercadante veio dizer aqui ontem dizer que faltam recursos para financiar ciência e tecnologia no Brasil. Esse dinheiro está sendo jogado fora”, completou.

Para tratar das manobras de Abilio Diniz, o grupo Casino, seu sócio no Pão de Açúcar e que não quer aceitar a proposta, contratou um dos melhores criminalistas do Brasil, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, para cuidar das estripulias comerciais de Abilio. “Sinto que há um cheiro de golpe de Estado sobre a vida corporativa”, disse o advogado, hoje, ao Brasil 247. Foi uma referência velada ao movimento de apoio dado ao BNDES para o monopólio que o empresário sonha formar.