Márcio Falcão, Folha online
A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira que "não há recurso público" do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) na fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour.
Segundo a ministra, esta é uma ação de mercado do BNDESPar, braço de participações do banco em empresas privadas, e não passa pelo crivo do governo.
Gleisi disse que não haverá verba do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) nem do Tesouro Nacional.
"Essa é uma operação enquadrada pelo BNDES. Não é operação de crédito do BNDES, não tem recurso público envolvido, nem FGTS nem Tesouro. É o BNDESPar que vai fazer isso. É ação de mercado, portanto, não tem nada a ver com decisão de governo", disse.
Um dia após o anúncio da fusão, o empresário Abílio Diniz, da rede Pão de Açúcar, participou de reunião no Palácio do Planalto da Câmara de Políticas de Gestão, uma espécie de consultoria do Planalto para melhorar a gestão dos serviços públicos. Segundo participantes do encontro, ele não falou sobre a fusão.
O coordenador da Câmara, o empresário Jorge Gerdau, tentou não comentar o assunto, mas afirmou que as fusões são uma "tendência mundial". Ele disse ainda que cabe ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) avaliar a concentração de mercado.
"É uma operação de mercado, e não de financiamento público. É uma operação de mercados de capitais", afirmou.
Para ele, não há risco de a operação gerar desempregos. "O mercado da área de distribuição está crescendo de tal forma que não deve ter desemprego. A área comercial é a que mais gera emprego. Se fecha aqui, abre outra", disse.
Editoria de Arte / Folhapress