quinta-feira, junho 30, 2011

Que o PT aproveite enquanto pode

Adelson Elias Vasconcellos

Se a gente quiser saber ou conhecer como funciona o crime organizado no Brasil, basta que olhemos para dentro do atual partido político no poder.

Não se venha aqui bancar a aparência da inocência com que eles nos encaram e até nos afrontam. Mostram-se sempre simpáticos, e grande parte da imprensa adora isto, são comoventes, adoram plantar notinhas contra adversários políticos, e grande parte da imprensa adora isto também, montam dossiês com acusações e denúncias fajutas contra quem se lhes atravessam o caminho, e grande parte da imprensa serve de escolta às vigarices; se apanhados no “flagra”, suas ladainhas levam às lágrimas, e sempre encontram alguém da imprensa para cobrar a retribuição pelos favores recebidos. No poder, empregam a mãos cheias recursos públicos para solapar o poder de crítica e de investigação de grande parte da imprensa, a mesma que os ajudou a subir sobre a difamação alheia.

E este é apenas um dos muitos caminhos hediondos que eles perseguem. Há um outro: usar ainda recursos e cargos públicos para distribuir entre sindicalistas e movimentos sociais com o propósito de lhes fechar a boca.

O resultado destas duas ações, é o que vemos no Brasil: um país dividido entre norte e sul, entre pretos, brancos e índios, entre ricos e pobres, entre movimentos ditos sociais e a verdadeira classe média,  que é a que de fato trabalha honestamente e paga impostos para sustentar este bando de vagabundos e vendilhões.

Se dentre os ditos movimentos sociais eles puderem semear a discórdia para jogar um contra o outro, vão se empenhar a fundo para atingir este objetivo. No poder, há dois grupos representativos da sociedade que os “revolucionários” jamais deixaram chegarem a um acordo: religião e imprensa. Eles destroem toda e qualquer crença religiosa, esmagam e ridicularizam seus valores e dogmas, e semeiam no tecido social uma total degradação de costumes.

Quanto mais os valores que constroem um sociedade moderna e civilizada puderem ser aniquilados, mais eles se mantém no poder, como os “revolucionários” do bem. Não é difícil identificar esta corrosão na imprensa, nas igrejas, nos templos, nos movimentos sociais. A sociedade, quanto mais dividida, quanto mais erodida em sua ética comportamental, mais sua ideologia canalha se realiza e completa.

Não é difícil perceber o que se passa no Brasil e identificar a estratégia da esquerda e o quanto ela tem corroído o país. Ao final do primeiro mandato de Lula, disse aqui que, tendo a esquerda degradado ao máximo o Poder Legislativo que se tornou uma caixa de ressonância irrelevante do Executivo, o próximo passo seria avançar sobre o Poder Judiciário, talvez, naquela época, o último foco de resistência constitucional capaz de deter o avanço da gangue. Hoje, vendo que oito dos onze integrantes do STF foram nomeados por Lula e Dilma, não é de estranhar algumas decisões que se põem acima da própria Constituição do país, mas que se encaixam feito luva nos propósitos ideológicos do partido do crime organizado.

Não são poucas as pessoas com alguma formação moral mais elevada da média nacional a estranhar estas decisões do STF. E muitos se perguntam: a quem o STF está servindo se sobrepondo acima da lei máxima do país? Creio que não é preciso responder, a resposta está implícita, se coaduna com a visão de poder que a esquerda tem e como eles próprios se veem dentro deste processo.

Países como Venezuela, Equador, Nicarágua e Bolívia, onde as instituições ainda não se achavam suficientemente fortalecidas como no Brasil, acabaram sendo arrastadas com maior facilidade para dentro do buraco negro que as esquerdas arquitetam e constroem para aprisionarem as sociedades onde se fazem presentes e assaltam o poder.

Por isso, a estratégia petista seguiu roteiros um pouco mais elaborados, com maior grau de dissimulação. Utilizaram-se dos recursos do poder para retê-lo para si, eliminando as resistências no plano institucional e social, seguindo, está claro, caminhos um pouco mais longos, mas sem alterar o propósito..

Alguém, a esta altura, poderia questionar o papel que cabe nesta viagem à elite econômica. No caso brasileiro, especificamente, não foi preciso fazer muita coisa. É histórico o fato da nossa elite empresarial ter se construído na base de sua aproximação do poder e dele obter os favores necessários, nem sempre éticos, nem sempre legais, para se fortalecerem. Grande parte dos nossos empresários olha o país como um quintal onde buscam os escravos para servi-los. Nunca mantiveram um vínculo mais sério para com o destino do Brasil. Se voltarmos no tempo recente, o período da ditadura militar, por exemplo, vamos encontrar não só alguns políticos que cresceram naquele período, vivendo intensamente o ambiente opressivo imposto ao país, mas também localizaremos grandes empresários que se aliaram ao poder autoritário e o sustentaram. Em retribuição, lhes foram oferecidos nichos cartoriais sobre os quais puderem crescer economicamente.

Assim, usando do mesmo estratagema empregado pelos generais presidentes, e conhecendo a fundo a alma nada patriótica que alimenta estes tubarões, o PT também abriu algumas avenidas de favores para se sustentar no poder, e até serem financiados e protegidos por estes mesmos tubarões. Afinal, o BNDES estava e está pronto para isso mesmo.

Quando se chega ao ponto em que chegamos, aonde quer busquemos algum consolo ou conforto, fica difícil perceber quem pode dar o pontapé inicial na reação. A base da pirâmide social, que abriga o maior contingente populacional, e que poderia reclamar dos maus serviços que o Estado lhes entrega, está silenciada pelo poder das bolsas misérias que o governo distribui.

Contudo, este mesmo sistema traz em si seus focos de autodestruição. E é precisamente o que vemos acontecer em alguns países europeus. A capacidade de gerar riquezas, em qualquer país do mundo, tem um ponto máximo de ser alcançado. Além dele, e para manter as “dádivas” através das quais o sistema se sustenta no poder, chega o momento em que se é obrigado a queimar as próprias gorduras até um nível máximo de estrangulamento. A antiga URSS foi bem um exemplo acabado disto. Ocorre que o sistema socialista, em si mesmo, ele não incentiva a produção, a geração de riquezas, aumento da capacidade produtiva, porque ele, em si mesmo, acaba por conduzir a sociedade a um extremo de acomodação, dado o sedativo que lhe é aplicado para não se indignar com a degradação que ocorre a sua volta. Este sedativo acaba por corromper e sedar o organismo social que, sendo alimentado pelos favores do Estado patrão, senhor absoluto da vontade, não encontra em si mesmo capacidade de reagir e se fortalecer. E será esta acomodação que conduzirá o sistema todo à autofalência. Esta acomodação é visível na busca de emprego "mas sem assinar carteira por causa da bolsa", alémde respeitável que simplesmente desistiu de procurar colocação no mercado de trabalho. O mercado das "bolsas estatais", a depender da família, compensa mais do que qualquer emprego assalariado, sem a obrigação de comparecer e bater ponto diariamente.

E, mesmo que minoritária, sempre haverá uma força contrária capaz de inverter a lógica que as esquerdas impõem nos países em que prosperam. Esta pequena resistência, cedo ou tarde, saberá encontrar os caminhos de autodefesa capaz de, mesmo que muito lentamente, ir despertando nacos da sociedade para a realidade dolorosa que tomou conta do país.

Nada disto que aqui se descreve é novidade. Tem sido assim por onde a esquerda vingou e fez sucumbir as forças capazes de lhe resistir e impor dificuldades à saciedade pelo poder com que retroalimentam. Reparem o comportamento da própria oposição: ao invés de se unirem e juntas combaterem o bom combate, se digladiam entre si, não conseguem encontrar um discurso razoável, não suportam sequer defender seu próprio legado.

O poder, em qualquer sociedade, porque se alimenta da vontade viva dos indivíduos, se não for conduzido com dinâmica, com renovação, com trocas ou alternâncias, como queiram, ele acaba corrompido em si mesmo e acaba corrompendo o próprio núcleo onde ele é exercido. No Brasil fica fácil identificar esta realidade, por exemplo, quando olhamos para o Maranhão, estado que está entregue a oligarquia Sarney há quarenta anos, e onde os indicadores sociais não se alteraram neste período.

Querem outro exemplo de como o sistema da esquerda, por ser oligárquico quando visto como forma de poder, se autodestrói ? Basta que examinemos a batida de cabeças que está acontecendo dentro do partido petista. Como Lula não está mais no poder, o espaço de mando estão sendo disputados a tapa entre os integrantes do partido. A única forma do partido retornar à sua unidade, seria Lula acenar com a possibilidade de concorrer à sucessão de Dilma em 2014. Só que se isso acontecer agora, acabará gerando atritos de toda a sorte dentro da ampla base aliada, e tornaria a emenda pior que o soneto. De alguma forma que eles, os petista, terão de administrar, estas picuinhas internas terão que ser administradas até a abertura da campanha de sucessão de Dilma em 2014. Os dirigentes petistas, Lula principalmente, sabem que até lá, será preciso invadir ainda mais os focos de resistência que podem comprometer a manutenção do poder, dado que ainda há espaços não conquistados cujo poder de fogo podem sim obstaculizar as ambições do partido.

Mas há questões mal resolvidas e que precisarão da atenção da turma. São as questões da econômia brasileira e uma pequena possibilidade da situação da economia mundial se deteriorar. Os dois últimos anos do segundo mandato de Lula como que comprometeram as finanças e o equilíbrio fiscal do país os quais, conjugados com as reformas não implementadas, colocam um sinal de alerta logo à frente.

Esta, quiçá, tem sido a grande dificuldade enfrentada pelo governo Dilma neste primeiro semestre. Para atender a ampla base de apoio político que a sustenta no Congresso, ela precisaria ser bem mais generosa na distribuição de cargos e favores financeiros – leia-se emendas parlamentares – do que lhe permite a atual situação fiscal do país. Há algumas armadilhas e bombas relógios prontas para eclodir . Claro que temos algumas virtudes no plano econômico, algumas até vinda de fora, que fazem com a doença interna ainda tenha capacidade de suporte por mais tempo. Mas isso será impossível de impedir, caso a questão europeia de países como Irlanda, Grécia, Espanha, Itália e Portugal não seja resolvida sem maiores consequências para a economia mundial como um todo. Outro fator que colabora para que os danos plantados por nós mesmos não produzam estragos no curto prazo, é torcer para que a economia americana se mantenha no ponto em que se encontra, como uma recuperação muito lenta.

Portanto, há gargalos sim para os petistas conseguirem ter debaixo do braço, domínio este dominado com segurança, todas as teias do poder. De certa forma, não há no horizonte próximo maiores ameaças, dado que as razões capazes de provocar total mudança de cenário, se acham um tanto distante no tempo. Contudo, e aqui fica a grande esperança para o Brasil produzir uma reviravolta e retomar seu curso de normalidade institucional, econômico e social, não há bem que sempre dure e nem há mal que não acabe, a esquerda, em qualquer lugar do planeta por onde passou, sempre trouxe junto seu prazo de validade que um dia se esgota e perde poder. E, regra geral, assim acontece com todos os regimes tirânicos que oprimiram e ainda oprimem os povos. Cedo ou tarde, as sociedades escravizadas por estes agentes do mal, se esgarçam e são empurrados para a lata do lixo da história. Demore o tempo que durar, o Pete sabe que a boa vida no poder, façam o que fizerem, terá seu epílogo. E não haverá Lula capaz de estancar este ponto final. Portanto, façam bom proveito enquanto podem.

Se a gente ainda quiser, pode até levantar quais países a esquerda chegou ao topo e de quais foi expulsa por mau comportamento. Na mentalidade destes vermes, dinheiro é coisa que nunca acaba, e eles vão capitaneado a nau com tamanho volúpia, irresponsabilidade e insensatez – isto para não falar das vigarices que se multiplicam – que, ao fim e ao cabo de seus reinados, o que resta é um país quebrado e engessado. É como se, depois deles, o resta é o fim do mundo. A racionalidade, em termos econômicos, é um termo que não consta de seus dicionários de governança.

No Brasil, e isto há fartura de artigos no arquivo contando a cronologia da historia toda, e como eles sem se preocuparam em dar continuidade às reformas que trouxeram o país para a modernidade e estabilidade, base sobre a qual voltamos a nos desenvolver. Contudo, medida após medida, esta saúde toda está sendo comprometida e nos empurrando de volta ao hospício em que o Estado como que se apropria dos ativos econômicos da iniciativa privada, intrometesse de forma espúria e vagabunda nas administrações como se ele fosse o mago da administração, esquecendo-se de ver o próprio umbigo dos maus serviços que retribui para a sociedade que o sustenta. Como disse, por enquanto a fórmula tem dado certo não porque seja lei, mas porque fatores que independe de sua intervenção nos asseguram manter a estabilidade que, por outro lado, vai sendo corroída de modo infame. Usa-se o Estado e seus recursos com o único propósito de conservar o poder, até que não sobre nada para ser desgastado. Aí, infelizmente, o estrago será inevitável e o despertar das consciências chegará um pouco tarde demais.