domingo, julho 15, 2007

A Carnavalização Do Brasil

por Aluízio Amorim , site Diego Casagrande
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A Iesa Óleo e Gás, uma das empresas implicadas pela Polícia Federal na Operação Águas Profundas, que investiga fraudes em licitações da Petrobras, foi uma das maiores doadoras do PT no ano passado, segundo apurou o jornal Folha de São Paulo em sua edição desta quinta-feira. A denominação da operação policial – Águas Profundas – não poderia ser mais adequada. E bota profunda nisso aí! Profundas e fétidas. De acordo com dados registrados pelo partido no Tribunal Superior Eleitoral, segundo a Folha, foram três doações em 2006, totalizando R$ 1,562 milhão. A Iesa foi a sexta maior contribuinte ao partido no ano.

Instada pela reportagem a direção da IESA falou através de sua assessoria de forma clara e objetiva, ou seja, tratou uma ilegalidade flagrante como algo normal e contumaz no relacionamento entre empresas e governo: "A empresa quis prestigiar o PT porque o governo abriu o mercado de óleo e gás para empresas nacionais, obrigando todas as obras contratadas pela Petrobras a terem índice de nacionalização elevado, contrariando orientação de governos passados. A Iesa é filha direta dessa política", afirmou a empresa por meio de sua assessoria.

Bom, por aí dá para entender por que não existe mais nenhuma oposição ao PT. O aparelhamento articulado pelo governo petista não acontece apenas no âmbito público, mas invade também a área privada. É o Estado patrimonial elevado a um nível máximo, inaudito na história da República.

Estamos assistindo, então, à fundação de um novo Estado onde o público e o privado transformam-se numa geléia geral, para dar lugar ao Estado cartorial, conceito cunhado pelo sociólogo Hélio Jaguaribe que nutriu sua teoria a partir dos tipos ideais de dominação política elaborados por Max Weber. O governo é o partido e o partido é o governo, enquanto o Estado estrutura-se na confusão entre o público e o privado. No caso brasileiro, seus beneficiários são além de Lula e seus sequazes, os mega-empresários, os banqueiros, boa parcela dos funcionários públicos e de estatais e, por fim, a turma do bolsa-esmola. Tudo isto está aprisionado e orientado pela ampla teia sindical comandada pelo braço armado do PT que é a CUT.

Isto significa que a esfera ética e moral da sociedade brasileira está sendo esfacelada e, com ela, o ânimo empreendedor que deve comandar a ação social dos indivíduos numa sociedade dinâmica. Essa letargia que esmaga o ato de empreender começa com a bolsa-esmola e apanha em seguida os jovens com a instituição de cotas. Arrasa-se não só o mérito universitário, como também o próprio mérito do indivíduo que luta e tem um projeto de vida e de Nação. Sob a política petista tudo se torna dependente do Estado e do Partido. O sucesso empresarial não se dá por competência e competitividade, mas por vassalagem ao poder, ao mesmo tempo em que o indivíduo é atomizado e abduzido por uma vã promessa de uma sociedade igualitária, miragem construída pelo marketing petista.

Por isso mesmo, a IESA, empresa contribuinte do PT, não teve qualquer pejo em justificar a sua ação, quando afirmou que ela, a empresa "...é filha direta dessa política". Ora, o que se constata é que essa é uma política de compadrio e de toda a sorte de inversão de valores. Quando uma empresa privada deseja "prestigiar" o partido que está no poder com um pacotão de R$ 1,6 milhão defrontamo-nos pura e simplesmente com a compra de benesses do Estado-pai.Trata-se da completa carnavalização da sociedade brasileira, a qual se configura pela inversão dos códigos vigentes, especialmente aqueles nos quais repousam a moral, a ética e o bom direito.