quarta-feira, junho 06, 2007

Energia é dúvida

Carlos Sardenberg, Portal G1

Entrevistei hoje, na CBN, o presidente da Fiat da América Latina, o brasileiro Cledorvino Belini. Ele repetiu a preocupação levantada no início da semana pelo presidente da Vale, Roger Agnelli, e por outros executivos: preocupa o fornecimento de energia depois de 2010.
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Preocupa também a infra-estrutura geral do país. Eis como as estradas ruins e insuficientes prejudicam um negócio.
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A fábrica da Fiat em Betim, Minas, funciona no sistema “just in time”. Ou seja, as peças e componentes chegam à fábrica no momento em que serão utilizadas na linha de montagem. Grande vantagem: eliminam-se os estoques.
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Mas isso quer dizer que os fornecedores precisam fazer entregas todos os dias e, não raro, mais de uma entrega por dia. E se as vias de acesso à fábricas congestionam?Belini disse que tem preocupação com isso, porque tudo está funcionando no limite. A fábrica de Betim está em três turnos – 24 horas funcionando – não tem mais como ampliar a produção. Só com fábricas novas.
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Mas e a infra-estrutura?O fato é que a Fiat América Latina resolveu reativar uma fábrica na Argentina, em Córdoba, com investimentos de US$ 60 milhões e criação de mil empregos diretos. Vai produzir lá o Siena.
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Perguntei por que a Fiat não fez uma fábrica nova no Brasil. Belini disse que a fábrica argentina está pronta e praticamente desativada desde a última grande crise do país. Era mais fácil e mais barato reativá-la do que fazer uma nova no Brasil. Além disso, o Siena argentino será exportado ao dólar de lá, que é caro.
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Tudo bem, mas se a infra-estrutura fosse mais adequada no Brasil, poderia ser mais simples ampliar as instalações de Betim ou construir ali por perto.
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Perguntei a Belini se, no planejamento, a Fiat contava com falta de energia a partir de 2010. Disse que ainda não, mas inclui no planejamento a “preocupação”, a dúvida.