Roberta Paduan, Exame.com
A lista de problemas ambientais causados pela siderúrgica Thyssenkrupp CSA, no Rio de Janeiro, acaba de ganhar mais um item: o desvio de um rio, durante a construção da usina, estaria acabando com a produção de um tipo nobre de aipim (também conhecido como mandioca em outras regiões do país). A denúncia foi feita por um grupo de 19 famílias que produzem a raiz no bairro de Santa Cruz, na zona Oeste da cidade, onde fica a CSA.
Os agricultores afirmam que, após o desvio do rio, as áreas de plantio passaram a ser inundadas nos períodos de chuva, tornando a produção do aipim inviável. Ontem, os produtores realizaram um protesto na frente da Assembleia Legislativa do estado com o objetivo de chamar atenção para o caso. Segundo eles, a espécie que produzem, o aipim de terra preta, é mais tenra e, por isso, alcança um preço até 30% mais alto. A manifestação ganhou adesão de um grupo de chefs de cozinha cariocas, que não tem conseguido encontrar o ingrediente para abastecer seus restaurantes.
A queixa dos agricultores se soma às acusações de desmatamento de áreas de manguezal – feitas no início da construção da usina, em 2006 – e de poluição do ar, após o início da operação da CSA, no ano passado. Nos últimos nove meses, a CSA foi multada duas vezes pelo Inea, órgão ambiental do estado do Rio, no valor total de 4,6 milhões de reais, por dois episódios de emissão de poluentes na atmosfera, decorrentes do mau funcionamento da fábrica.
No ano passado, a Assembleia Legislativa do Rio criou uma subcomissão para acompanhar o caso. Nas próximas semanas, será realizada uma rodada de três audiências públicas para ouvir moradores da região e cobrar respostas da empresa. As audiências públicas serão a etapa final do processo de elaboração de um relatório, pela comissão, que reúne as queixas que pesam contra a CSA. Delas participarão integrantes da usina e do Inea. O material será entregue ao Ministério Público Federal.
Durante as audiências, os deputados também cobrarão a assinatura de um termo de ajustamento de conduta, em que a CSA deverá se comprometer com medidas para corrigir definitivamente erros de projeto que causam problemas como poluição e compensação aos moradores prejudicados pela empresa. Entre essas medidas, poderão ser exigidos a construção de creches, o replantio da vegetação e a reposição da fauna da Baía de Sepetiba, onde está instalado o porto construído pela CSA.
A CSA afirma que a mudança de traçado do rio, realizada no início das obras, não causou alteração no fluxo da água, e que as partículas emitidas pela fábrica são inofensivas à saúde. A siderúrgica afirma, ainda, que está investindo 100 milhões de reais para reduzir as emissões. Em relação ao desmatamento em áreas de mangue, a companhia admitiu os danos e executou o replantio em 2008. (com Samantha Lima)
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Só uma observação em forma de convite: procurem pesquisar quem foi o “gênio” que concedeu a licença ambiental e em que governo?