Participação de estrangeiro na dívida interna é recorde em setembro
Lorenna Rodrigues, Folha Online
A participação de investidores estrangeiros na dívida pública interna chegou a 7,15% em setembro. De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, o nível é o maior da série histórica, iniciada em janeiro de 2006.
"Isso reflete basicamente a confiança dos investidores estrangeiros nos fundamentos econômicos do país e a retomada da economia brasileira", afirmou.
Em agosto, a participação de estrangeiros na dívida era de 6,15%. Em março deste ano, a fatia era de 5,65%. Para Garrido, ainda é cedo para avaliar se a cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre capital estrangeiro afetará a participação desses investidores na dívida interna.
"Para os investidores de longo prazo, o ministério acredita que essa taxa é pouco significativa. Essa taxa tende a afetar de maneira mais relevante a rentabilidade dos investidores de um horizonte mais curto", completou.
ENQUANTO ISSO...
Estrangeiro tira R$1,3 bi da Bovespa no 1º pregão com IOF
Reuters
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registrou a saída líquida de estrangeiros de mais de R$ 1 bilhão na última terça-feira, primeiro dia de vigência da cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no investimento estrangeiro em renda variável, segundo dados da BM&FBovespa divulgados nesta quinta-feira.
As vendas de ações por não-residentes superaram as compras em R$ 1,262 bilhão.
Naquele pregão, o Ibovespa fechou em baixa de 2,88%, maior queda diária em quatro meses. Durante os negócios, a baixa chegou a ser de quase 5 por cento.
Com isso, o superavit estrangeiro na Bovespa em outubro até a última terça-feira caiu para R$ 3,757 bilhões, ao passo que o saldo líquido no ano até a mesma data cedeu a R$ 21,764 bilhões.
Fim da taxação
Nesta quinta-feira, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, pediu ao ministro Guido Mantega (Fazenda) que retire a cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no investimento estrangeiro em renda variável.
"Nosso pleito principal é que reverta essa taxação para o mercado de renda variável, para que possamos continuar tendo um mercado de capitais forte e que possa acompanhar o crescimento do país", afirmou Edemir após o encontro.
Na reunião, que durou mais de duas horas, o presidente da BM&FBovespa apresentou outras sugestões para mitigar a entrada excessiva de dólares no país --que foi o motivo alegado pela Fazenda para elevar o tributo.
O executivo pediu que o governo permita que o investidor estrangeiro que aplica no mercado de derivativos e opções de ações possa apresentar fora do país as garantias exigidas na operação, o que evitaria a entrada de dólares no Brasil para esse fim. De acordo com ele, hoje há um estoque de US$ 8 bilhões em garantias depositas no Brasil, e parte deste dinheiro poderia ser transferido para o exterior.
Outra sugestão apresentada foi, caso o governo insista em taxar o investimento estrangeiro na Bolsa, é que isente as entradas para IPOs (ofertas iniciais de ações) e ofertas secundárias (venda de ações já lançadas). Segundo Edemir, o ministro foi receptivo às sugestões, mas não deu nenhum prazo para responder à BM&FBovespa.
"Há uma preocupação de transferência do mercado de ações [brasileiro] para o mercado de Nova York. Isso realmente é muito ruim", disse. "Acredito que ele [Mantega] realmente está com um volume de informações suficiente para tomar uma boa decisão".
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Bem aí está aquilo que sempre afirmamos: o ingresso maciço de dólares no País, que provocavam uma valorização do real frente ao dólar acima da média mundiais das demais moedas fortes, se dava não pela lorota oficial de que nossas exportações estavam crescendo, e sim pelos investimentos do capital motel em títulos do governo. Títulos estes sobre os quais se aplicavam as maiores taxas de juros reais do mundo...
A aplicação de IOF sobre o capital estrangeiro, na forma como o governo determinou, acabará penalizando não o capital especulativo conforme já demonstramos, e sim o capital que ingressa na forma de investimentos em produção, via Bolsa de Valores. E a conta é muito simples: como o BC mantém os juros em 8,75%, descontada a inflação, o saldo fica em 4,3% de juros reais. Ora, como a taxa do IOF será de 2%, ainda haverá um ganho real de 2,3%, que, para os tempos bicudos que vivemos, é uma enormidade. E que é pior: sem risco algum, ao contrário dos investimentos em ações.
Portanto, a equipe econômica de Lula precisa repensar e tratar de melhor adequar a forma de taxação para não causar transtornos às empresas nacionais. Quem tem que pagar pedágio, e alto, é o capital ESPECULATIVO, e nunca o produtivo.