terça-feira, janeiro 02, 2007

E agora o caos na terra

Estado de São Paulo
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Nestes quatro anos de governo Lula, os recursos orçamentários para manutenção da malha rodoviária federal saltaram de R$ 471,9 milhões em 2003 para praticamente R$ 2 bilhões até 2006. Ao todo, foram investidos quase R$ 5 bilhões para tentar tornar transitáveis as estradas federais, pelas quais é transportada a quase totalidade da riqueza nacional, pois é notória a deficiência histórica de nossa malha ferroviária. No entanto, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), cujos resultados foram divulgados pelos jornais do Grupo Estado na quarta-feira, 69% das estradas continuam em condição ruim ou, no máximo, regular. Segundo o órgão assessor do Poder Legislativo para fiscalizar a contabilidade federal, o governo gasta muito e mal nas chamadas Brs.
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O TCU encontrou muitas explicações para a contradição entre o incremento do aporte de verbas orçamentárias e os resultados pífios alcançados na prática: falta de planejamento nas obras, contratos superfaturados, fiscalização falha e desvios de recursos que nunca são punidos. Ou seja, os buracos que não são tapados na mesma proporção em que se gasta para tapá-los resultam de uma mistura perversa de gestão deficiente com corrupção impune. Nesse quadro, a tal “Operação Tapa-Buraco”, anunciada como panacéia na abertura do ano da eleição, vencida com folga pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e na qual foram enterrados R$ 500 milhões do contribuinte, foi considerada um desperdício de dinheiro pelo TCU, pois teve custos superestimados e usou material de má qualidade.
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Fiel ao hábito de transferir a responsabilidade para as costas alheias, como o fez no caso do apagão aéreo, em que inculpou dos pilotos americanos ao overbooking da TAM pela própria ineficiência, o governo poderá atribuir o mau estado das estradas à incúria de seus usuários. Mas será mais difícil convencer alguém, já que, além de não poder desenvolver alta velocidade entre uma vala e outra, tem sido milagroso sobreviver aos assaltos programados nesses curtos intervalos de asfalto íntegro.
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As síncopes da gestão federal prenunciam para breve um colapso de infra-estrutura capaz de produzir uma série de apagões em terra, mar e ar, para o qual o governo só apresenta desculpas, jamais saídas.