Ubiratan Iorio, economista, Jornal do Brasil
Quem pensa nos 40 senadores que absolveram o réu e na meia dúzia de poltrões que preferiram lavar as mãos, dá imediatamente razão a Bacon, quando afirmou que a esperança é um bom desjejum, mas um péssimo jantar.
Quarenta e seis maus - péssimos! - brasileiros afogaram em um lago de lama, sob as trevas do voto secreto, a esperança de todo um povo, de que, afinal, um mínimo de ética e credibilidade seria restabelecido. A nação brasileira está chorando de vergonha. Os brasileiros de bem, de qualquer tendência política, estão decepcionados e sentindo justo nojo de Suas Excelências! A que ponto chegamos! Decorrem quase quatro meses desde que o arrogante absolvido foi denunciado por aquela revista. Nesse tempo, seu doentio apego ao cargo e sua vaidade, bem como a certeza de impunidade, levaram o Senado - indispensável em qualquer democracia - a esvair-se em descrédito e a jazer como está, inerte e inerme, por quanto tempo ainda não se sabe. Se tivesse realmente amor ao país e à coisa pública, o absolvido deveria ter pedido uma elementar licença para defender-se das pesadas acusações que se abateram - e vão continuar a cair - sobre sua cabeça. É intolerável alguém colocar suas pretensões políticas e amor ao poder acima do bem comum e do interesse público, mas 46 "representantes do povo" não pensaram assim.
Culpado ou inocente das acusações a ele imputadas, a trajetória política do presidente do Senado já é suficiente para revelar total falta de princípios, por mais parecer um minueto ou uma quadrilha, com trocas sucessivas de partido e de pares, sempre no embalo do que executam os músicos transitórios do poder: foi comunista na juventude; em seguida passou a integrar a tropa de choque de Collor; agora está com Lula; e, se amanhã ou depois, o presidente for alguém chamado Pafúncio, será, certamente, um ardoroso pafunciano...
Como está longe de ser o único dentre o conjunto de Suas Excelências a agir assim, sempre flutuando ao sabor das circunstâncias, precisava ser punido, até para servir como exemplo de que a fidelidade - em vários sentidos - é uma virtude.
Sinto a obrigação moral de manifestar, em nome de todos os brasileiros de bem, repúdio e indignação com o asqueroso, repugnante e nojento desrespeito ao povo brasileiro perpetrado pelos 46 de Brasília. Está patente que há 46 pessoas no Senado que não merecem sequer um emprego público dos mais humildes, quanto mais um mandato popular de senador ou senadora, delegado pelo voto dos que iludiram. Entre muitas outras razões, uma é suficiente: quem, sendo representante do povo, rejeita o clamor popular, não está, logicamente, representando o povo. Logo, não está honrando o mandato.
A quem pode interessar um Senado enfraquecido, para não dizer nocauteado? Ao governo? Creio que não, pois doravante - e com os seus motivos - a oposição bloqueará as votações importantes. Só se for para, na linha de Chávez, Morales e Rodrigues, sufocar o Parlamento, fortalecer o Executivo e, assim, partir para o tal terceiro mandato, algo absolutamente indefensável por qualquer verdadeiro democrata e que precisa ser rechaçado imediatamente! E que não venham alguns torcedores do PT de plantão dizer que estamos vendo chifres em cabeças de cavalos, pois no recém-realizado congresso do partido, uma das proposições tiradas foi, exatamente, a de acabar com o Senado e partir para um regime unicameral. Por isso, não é nenhum devaneio imaginar que alguns dos senadores que absolveram o réu, especialmente os petistas, o tenham feito com tal aberração em mente. Interessa ao absolvido? Só se ele acreditar que, depois do terremoto, conseguirá, por algum milagre, pôr novamente a Casa em ordem.
A nação quer saber os nomes dos 46 de Brasília, para não mais votar neles.
Quem pensa nos 40 senadores que absolveram o réu e na meia dúzia de poltrões que preferiram lavar as mãos, dá imediatamente razão a Bacon, quando afirmou que a esperança é um bom desjejum, mas um péssimo jantar.
Quarenta e seis maus - péssimos! - brasileiros afogaram em um lago de lama, sob as trevas do voto secreto, a esperança de todo um povo, de que, afinal, um mínimo de ética e credibilidade seria restabelecido. A nação brasileira está chorando de vergonha. Os brasileiros de bem, de qualquer tendência política, estão decepcionados e sentindo justo nojo de Suas Excelências! A que ponto chegamos! Decorrem quase quatro meses desde que o arrogante absolvido foi denunciado por aquela revista. Nesse tempo, seu doentio apego ao cargo e sua vaidade, bem como a certeza de impunidade, levaram o Senado - indispensável em qualquer democracia - a esvair-se em descrédito e a jazer como está, inerte e inerme, por quanto tempo ainda não se sabe. Se tivesse realmente amor ao país e à coisa pública, o absolvido deveria ter pedido uma elementar licença para defender-se das pesadas acusações que se abateram - e vão continuar a cair - sobre sua cabeça. É intolerável alguém colocar suas pretensões políticas e amor ao poder acima do bem comum e do interesse público, mas 46 "representantes do povo" não pensaram assim.
Culpado ou inocente das acusações a ele imputadas, a trajetória política do presidente do Senado já é suficiente para revelar total falta de princípios, por mais parecer um minueto ou uma quadrilha, com trocas sucessivas de partido e de pares, sempre no embalo do que executam os músicos transitórios do poder: foi comunista na juventude; em seguida passou a integrar a tropa de choque de Collor; agora está com Lula; e, se amanhã ou depois, o presidente for alguém chamado Pafúncio, será, certamente, um ardoroso pafunciano...
Como está longe de ser o único dentre o conjunto de Suas Excelências a agir assim, sempre flutuando ao sabor das circunstâncias, precisava ser punido, até para servir como exemplo de que a fidelidade - em vários sentidos - é uma virtude.
Sinto a obrigação moral de manifestar, em nome de todos os brasileiros de bem, repúdio e indignação com o asqueroso, repugnante e nojento desrespeito ao povo brasileiro perpetrado pelos 46 de Brasília. Está patente que há 46 pessoas no Senado que não merecem sequer um emprego público dos mais humildes, quanto mais um mandato popular de senador ou senadora, delegado pelo voto dos que iludiram. Entre muitas outras razões, uma é suficiente: quem, sendo representante do povo, rejeita o clamor popular, não está, logicamente, representando o povo. Logo, não está honrando o mandato.
A quem pode interessar um Senado enfraquecido, para não dizer nocauteado? Ao governo? Creio que não, pois doravante - e com os seus motivos - a oposição bloqueará as votações importantes. Só se for para, na linha de Chávez, Morales e Rodrigues, sufocar o Parlamento, fortalecer o Executivo e, assim, partir para o tal terceiro mandato, algo absolutamente indefensável por qualquer verdadeiro democrata e que precisa ser rechaçado imediatamente! E que não venham alguns torcedores do PT de plantão dizer que estamos vendo chifres em cabeças de cavalos, pois no recém-realizado congresso do partido, uma das proposições tiradas foi, exatamente, a de acabar com o Senado e partir para um regime unicameral. Por isso, não é nenhum devaneio imaginar que alguns dos senadores que absolveram o réu, especialmente os petistas, o tenham feito com tal aberração em mente. Interessa ao absolvido? Só se ele acreditar que, depois do terremoto, conseguirá, por algum milagre, pôr novamente a Casa em ordem.
A nação quer saber os nomes dos 46 de Brasília, para não mais votar neles.