quarta-feira, novembro 25, 2009

Kofi Annan alerta Brasil por seu novo papel

Jornal do Brasil

No dia em que a política externa brasileira foi o centro das atenções internacionais devido ao encontro dos presidentes Lula e Ahmadinejad, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan elogiou os recentes avanços brasileiros, mas alertou o país de que sua crescente influência internacional traz novas responsabilidades. Segundo ele, elas atingem áreas como diplomacia, economia e meio ambiente.

Annan, que foi secretário-geral da ONU por dez anos e prêmio Nobel da Paz pelos esforços do órgão pela paz em 2001, esteve na segunda-feira no Rio para dar uma palestra durante o Seminário Nestlé Brasil Global. Diplomático, evitou críticas à visita de Ahmadinejad, preferindo lembrar que já se encontrou com ele. E fez uma comparação com reuniões que teve com o ex-presidente dos EUA George W. Bush.

- Encontrei-me com os dois num período de considerável tensão, bem maior que agora - disse Annan. - Havia algumas semelhanças entre eles. Os dois pareciam muito confiantes na justiça de suas causas.

Ele mencionou a importância do Brasil na Conferência de Copenhague, mês que vem, frisando que é justo que os países ricos façam cortes de emissões mais amplos que aqueles que se industrializam agora. E defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança.

- A proteção do meio ambiente e o combate às mudanças climáticas não são as únicas áreas nas quais o Brasil pode e deve liderar. Também pode usar sua influência política e econômica para pressionar por reformas na arquitetura institucional internacional. Inclusive em grupos como o G20, o Banco Mundial, o FMI e o Conselho de Segurança da ONU. Não há motivos para que, hoje, a composição do Conselho de Segurança reflita o contexto geopolítico de 1945. Estamos em 2009.

O ex-secretário-geral, porém, alertou que o novo papel do Brasil faz com que tenha maiores responsabilidades - mais uma vez, sem mencionar a polêmica visita de Ahmadinejad.

- Há muitas outras áreas nas quais o Brasil pode dar contribuições. Desde paz e segurança e defesa dos direitos humanos até a promoção de agricultura sustentável e o combate ao crime internacional - disse ele. - O Brasil desfrutou de uma década notavelmente bem-sucedida. Com estes sucesso vieram grandes benefícios, mas também responsabilidades enormes.

O ex-secretário-geral da ONU elogiou o que chamou de "programas inovadores de transferência de renda", e disse que o país deverá cumprir as Metas do Milênio de redução da pobreza até 2015, "enquanto a maioria dos países não conseguirá".