Paulo Costa
Exame.com
Os acontecimentos de “apaguinhos” de energia elétrica que incomodaram o País na semana que passou, plena véspera de eleições municipais, foi antecipado por um fato inusitado que não foi causado por nosso sistema nacional de geração de energia, mas que revelou a dimensão que estes inconvenientes tem para as pessoas. Na quarta-feira, 3 de outubro, o mundo assistiu, incrédulo, ao cancelamento do grande clássico sul-americano de futebol, envolvendo Brasil e Argentina. Na pequena e distante cidade de Resistência, no norte da Argentina, o “duelo” nem sequer foi iniciado por um problema com os geradores de energia elétrica.
Praticamente ao mesmo tempo que isto ocorria, um incêndio em uma subestação de Furnas, no Paraná, interrompeu por meia hora o fornecimento de energia em parte de 12 Estados brasileiros. O Operador Nacional do Sistema (ONS) informou que o blecaute ocorrido em algumas áreas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e do sistema Acre-Rondônia foi fruto de um defeito em um equipamento acessório de um dos quatro transformadores da Subestação de Foz do Iguaçu. Isto resultou que quase metade da usina hidrelétrica de Itaipu parasse de operar durante a noite, fazendo com que houvesse um corte de cerca de 6% da energia consumida no Brasil.
No dia seguinte, por azar dos azares, justamente quando a Presidenta Dilma Rousseff estava ao telefone com o Presidente da tal ONS, Hermes Chipp (o mesmo que disse aos jornalistas “Chama de apaguinho, fica melhor”), cai a energia elétrica na Capital Federal (inclusive na Esplanada dos Ministérios, obviamente). O fato foi que uma falha em uma subestação da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco – a mesma mencionada em nosso post anterior!) suspendeu o fornecimento de energia em Brasília por mais de duas horas. “Lamento os transtornos que essas interrupções causam. Passamos por dissabores, mas estamos tomando as medidas necessárias”, disse o ministro Edison Lobão. Como assim, respeitado Ministro? Isto tem que ser prevenido!
Claro (!?) está que para solucionar este problema é preciso tanto acelerar a construção das hidrelétricas e PCHs ora em andamento (dezenas!) bem como cuidar urgentemente de um tópico chamado manutenção de equipamentos e linhas de transmissão. Estudando o tema deparei-me com uma abordagem inovadora para o Brasil e altamente eficaz em termos de controle do uso de energia elétrica. Lembrou-me que utilizar adequadamente, conservar, evitar desperdício, também são formas importantes de ter maior disponibilidade de energia.
A CPFL Energia acaba de escolher a Silver Spring Networks, empresa global com sede nos EUA, para implantar um projeto de rede inteligente (“smart grid”). Essa tecnologia garante maior eficiência energética, torna a medição mais precisa, evita fraudes e permite que os próprios usuários monitorem e controlem seu consumo de energia. Ela será implantada na área de distribuição da CPFL (que engloba parte dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná), inicialmente para clientes comerciais e industriais.
Importante é que a CPFL Energia é o maior grupo privado do setor elétrico brasileiro, com atuação nos segmentos de distribuição, geração, comercialização de energia e serviços. Isto faz com que sirva de referencia para outros grupos seguirem seus passos.
Nota do Autor: O projeto do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira é composto por duas usinas de grande porte: UHE Jirau (3.300 MW) e UHE Santo Antônio (3.150 MW).