domingo, julho 07, 2013

Dilma dá início a encontros com representantes de movimentos sociais

Luiza Damé 
O Globo

Carta é entregue à presidente elencando as principais lutas

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff dedicou cerca de duas horas desta sexta-feira aos movimentos do campo e ouviu uma declaração de apoio ao plebiscito da reforma política. Segundo Alexandre Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), as organizações do campo participarão das manifestações marcadas para o próximo dia 11 de julho e defenderão o plebiscito proposto por Dilma ao Congresso, mas rechaçado por boa parte dos parlamentares, inclusive da base governista.

- O recado das organizações do campo foi que nós vamos para as ruas dia 11, para poder fazer paralisação nacional deste país, para rediscutir este país e, sobretudo, para defender o plebiscito popular. Já que o Congresso e a grande mídia não querem o plebiscito, o povo que foi para a rua está reivindicando mudanças, e a grande mudança passa por um plebiscito popular. Mas que as questões não sejam só de cunho eleitoral, sejam também sobre participação popular. Não nos sentimos mais representados por esse Congresso financiado pelo grande capital_ disse Conceição.

- Queremos ter o direito de participar das decisões. E a melhor forma é o plebiscito. O povo foi às ruas pedir uma nova postura política - afirmou Joceli Andrioli, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Conceição negou que a posição das organizações da terra sejam de defesa do governo Dilma:

- Vamos para a rua não para defender governo vamos para a rua defender um projeto político, reforma agrária, produção de alimentos saudáveis e solidarizar com a luta das cidades.

Os movimentos do campo entregaram uma carta à presidente, elencando as principais lutas, entre elas, a reforma agrária e melhorias na saúde e na educação. Conceição disse que os movimentos cobraram da presidente a desburocratização do governo e argumentaram que a reforma agrária vai impactar na vida das cidades.

- As cidades estão colapsadas, passando por problemas terríveis e isso é culpa também de um modelo de agricultura que expulsa o trabalhador da roça. Trouxemos elementos para ajudar a desafogar as cidades: a reforma agrária ampla e massiva, a reforma agrária que possa produzir alimentos. Estamos vivendo um pico de inflação, porque os alimentos estão cada vez mais caros. Quando houver reforma agrária, vamos produzir alimentos, e o custo das cidades vai cair, as cidades vão desafogar. Não esse modelo de agricultura que só produz sob transgênico e sob veneno - argumentou.

Segundo Conceição, a está preocupada como o momento político e "quer fazer mais e melhor".

- A presidente também fez uma análise do momento, uma autocrítica de que o governo investiu pouco nas cidades e que é preciso investir mais, sobretudo em transporte público. Fez uma análise de que o governo conseguiu elevar a condição da população da cidade e agora quer um pouco mais. Nós dissemos a ela que queremos mais e melhor em defesa da nossa soberania - contou.

Os encontros estão sendo articulados pelo ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, e fazem parte da estratégia definida pela presidente na reunião ministerial da última segunda-feira. A presidente disse naquele dia que o governo faria "um reforço muito grande" na interlocução com os movimentos sociais e partidos políticos. E prometeu participar das conferências setoriais.

Na próxima semana, a presidente deve se reunir com representantes dos indígenas, da cultura digital, dos blogs populares, das entidades que tratam da reforma política, dos evangélicos, do movimento negro e das mulheres. Segundo o ministro, os encontros serão periódicos.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O governo petista entende que, apostando no caos, infernizando a vida das pessoas, conseguirão impor sua agenda obscurantista de reforma política.

é bom esta gente medir bem suas ações. Paralisar o país só tornará a situação econômica, por exemplo. quanto pior estiver a economia, menor a chance de Dilmar emplacar sua reeleição.

O grau de tolerância da sociedade com a bagunça, a desordem e o vandalismo está no limite. Esta agitação que o PT está promovendo, pode se transformar em  um verdadeiro tiro no pé. 

Tentar enfiar goela abaixo da sociedade uma reforma política sem o devido debate, pode resultar em um resultado desastroso no próprio plebiscito. Portanto, que se reflita bem sobre os prós e os contras antes de se aventurarem nestas paralisações.