João Pedro Caleiro
Exame.com
Combustíveis, energia elétrica e preços de alimentos pesaram na taxa, que já incorpora alguns efeitos da greve dos caminhoneiros
(Fernando Frazão/Agência Brasil)
Gasolina teve 3,34% de alta e 0,15 p.p. de impacto na taxa final
São Paulo – A inflação no Brasil foi de 0,40% em maio, acelerando em relação aos 0,22% de abril e mais alta do que os 0,31% de maio de 2017.
O acumulado nos últimos 12 meses ficou em 2,86%, ainda abaixo do piso da meta do governo – que é de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo (3%) ou para cima (6%).
Os números são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e foram divulgados na manhã desta sexta-feira (08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A previsão do mercado era de uma taxa mensal na faixa entre 0,28% (IBRE/FGV) e 0,36% (MB Associados).
A greve dos caminhoneiros impactou a taxa, já que os primeiros bloqueios foram no dia 21 de maio e a coleta de preços do IBGE foi até o dia 29.
“Pegou a ponta final do IPCA e puxou o número como esperado, mas dá para dizer que o impacto não foi tão significativo. Esperamos que junho pode voltar um pouco, mas há o receio agora de um impacto do câmbio”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, em e-mail para EXAME.
Grupos
Dos 9 grupos pesquisados pelo IBGE, só Artigos de Residência teve queda de preços em maio: -0,06%.
O grupo Habitação subiu 0,83%, a maior alta do mês, e contribuiu sozinho com 0,13 ponto percentual no índice final.
A maior parte disso é por causa da energia elétrica que acelerou a alta de 0,99% em abril para 3,52% em maio.
Desde o primeiro dia do mês passado está em vigor a bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 0,01 a cada kwh consumido.
Outros itens que pesaram foram o gás encanado (0,91%), impactado por reajuste no Rio de Janeiro, e taxa de água e esgoto (0,27%), refletindo reajustes em Curitiba e Recife.
O grupo Transportes, que havia tido inflação zero em abril, foi a 0,40% em maio com impacto de 0,07 ponto percentual na taxa final.
Puxaram para cima as altas da gasolina (3,34% de variação e 0,15 p.p. de impacto) e do óleo diesel (alta de 6,16% e 0,01 p.p. de impacto).
Mas pesaram para baixo as passagens aéreas (-14,71% de variação e -0,05 p.p. de impacto) e o etanol (-2,80% de variação e -0,03 p.p. de impacto).
Alimentação e Bebidas, de longe o grupo com maior peso no índice final, acelerou de 0,09% em abril para 0,32% em maio.
Aceleraram tanto os alimentos para consumo no domicílio (0,36%) quanto a alimentação fora de casa (0,26%)
“A inflação de alimentos surpreendeu para cima e parte disso pode ser simplesmente reflexo das disrupções de transportes e logística causadas pela greve dos caminhoneiros”, diz nota de Alberto Ramos, chefe de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs.
Alguns dos itens com maior alta foram a cebola (de 19,55% em abril para 32,36% em maio) e a batata-inglesa (de -4,31% em abril para 17,51% em maio).
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Grupo
|
Variação abril, em %
|
Variação maio, em %
|
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Índice Geral
|
0,22
|
0,40
|
|
Alimentação e
Bebidas
|
0,09
|
0,32
|
|
Habitação
|
0,17
|
0,83
|
|
Artigos de
Residência
|
0,22
|
-0,06
|
|
Vestuário
|
0,62
|
0,58
|
|
Transportes
|
0,00
|
0,40
|
|
Saúde e cuidados
pessoais
|
0,91
|
0,57
|
|
Despesas pessoais
|
0,12
|
0,11
|
|
Educação
|
0,08
|
0,06
|
|
Comunicação
|
-0,07
|
0,16
|
|
Grupo
|
Impacto abril,
em p.p.
|
Impacto maio, em
p.p.
|
|
Índice Geral
|
0,22
|
0,40
|
|
Alimentação e
Bebidas
|
0,02
|
0,08
|
|
Habitação
|
0,03
|
0,13
|
|
Artigos de
Residência
|
0,01
|
0,00
|
|
Vestuário
|
0,04
|
0,03
|
|
Transportes
|
0,00
|
0,07
|
|
Saúde e cuidados
pessoais
|
0,11
|
0,07
|
|
Despesas pessoais
|
0,01
|
0,01
|
|
Educação
|
0,00
|
0,00
|
|
Comunicação
|
0,00
|
0,01
|
