quarta-feira, junho 13, 2018

Maia vê ‘folga’ no teto de gastos para subsidiar o gás de cozinha

Igor Gadelha e Adriana Fernandes
O Estado de S.Paulo

Presidente da Câmara diz haver espaço de R$ 13 bi no Orçamento que poderia ser usado para atender a ‘demandas importantes’

  Foto: Dida Sampaio/Estadão
Maia diz que situação do País é grave, mas que uma parte da crise é ‘importada’ 

Responsável por pautar a votação dos projetos da agenda econômica do governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vê uma folga de R$ 13 bilhões no limite do teto de gastos de 2018, regra que proíbe que as despesas cresçam acima da inflação. Em entrevista ao ‘Estadão/Broadcast’, Maia avalia que esse espaço (entre o volume de despesas previstas e o teto fixo que o governo tem para gastar até o final do ano) poderá ser usado para permitir a redução do preço do gás de cozinha e atender a outras demandas importantes.

A previsão de Maia, que ainda mantém a pré-candidatura ao Palácio do Planalto, contrasta com as estimativas da equipe econômica, que calcula que o teto chegou ao seu limite. Ou seja, as despesas que estão na conta para serem pagas já atingiram o limite fixado para o ano, conforme determina a emenda constitucional que criou a regra que limita o crescimento dos gastos da União à variação da inflação. Procurado oficialmente, o Ministério do Planejamento não quis se manifestar.

 “Estamos muito perto do teto. Mas não acho que faltam apenas R$ 500 milhões, como diz parte da equipe econômica e os técnicos. Temos uma folga maior, de R$ 13 bilhões”, diz Maia. De acordo com o parlamentar fluminense, os cálculos são de consultores que o auxiliam. Para o presidente da Câmara, existem algumas despesas que não deveriam, na verdade, nem estar dentro do teto. 

Maia avalia que o aumento do gás de cozinha tem sido um “sofrimento” para a população mais pobre e lembra pesquisa divulgada em abril pelo IBGE mostrando que 1,2 milhão de domicílios passaram a usar lenha para cozinhar. “Eu não estou dizendo que tenha uma solução de hoje para amanhã para o gás de cozinha, mas um acordo pactuado com a equipe econômica”, afirmou.

Prioridades. 

O presidente da Câmara também defende a aprovação na Casa de uma pauta de prioridades em resposta à turbulência do mercado, provocada pelas incertezas do cenário externo e pelas preocupações com resultado da eleição, que levou à disparada do dólar. Para ele, a situação hoje no País é tão grave, que é melhor nem especular sobre o envio de uma possível terceira denúncia contra o presidente Michel Temer.

 “Vamos focar nossa conversa aqui na crise e nos motivos da crise. Porque a situação é muito grave no Brasil para a gente ficar especulando sobre terceira denúncia”, diz Maia. Na avaliação dele, a crise do dólar tem um componente majoritário externo e que contaminou o Brasil pelas fragilidades que o País tem do ponto de vista fiscal, somado à fragilidade política do presidente Michel Temer.

De acordo com o presidente da Câmara, é preciso dar sinalizações importantes nesse momento. O “caminho” das votações, segundo ele, será primeiro o projeto de lei que permite a venda de seis distribuidoras da Eletrobrás do Norte e Nordeste, depois o do leilão do excedente da cessão onerosa do pré-sal (revisão do acordo do governo com a Petrobrás assinado em 2010) e, por último, o da privatização da Eletrobrás. “Não quero sinalizar para ninguém que é fácil (a privatização da Eletrobrás), mas ela está na minha agenda”, afirma. 

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Aonde que Maia vê “folga Se o governo precisou podar gastos com educação, saúde e cultura, dentre outros, para poder subsidiar o diesel para os caminhoneiros. Tem que ser muito estúpido para fazer tal afirmação!!!! Só se ele pretende podar algumas das imoralidades que são feitas com dinheiro público pelo Congresso. Neste caso, vai é sobrar muito!!!!