sábado, fevereiro 14, 2009

ENQUANTO ISSO...

O pior para o Brasil já passou, diz Mantega
Tribuna da Imprensa

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que "o pior dos efeitos da crise mundial sobre o Brasil já passou". Segundo Mantega, os impactos da recessão foram registrados basicamente no quarto trimestre do ano passado, provocados em boa parte pela abrupta retração do crédito internacional, o que também afetou o sistema financeiro nacional.

De acordo com o ministro, a economia apresenta um desempenho melhor do que o registrado nos últimos três meses do ano passado "Eu acredito que gradualmente o País vai recuperando o seu dinamismo. Mas só no segundo semestre vai acelerar", comentou.

Mantega ressaltou que o Brasil vai crescer em 2009 e classificou como pessimistas as avaliações de alguns analistas, segundo as quais o País não apresentará crescimento este ano. O ministro ressaltou que o governo continua trabalhando com a meta de expansão do PIB de 4%.

Em palestra para 300 dirigentes de companhias no seminário Lide/Abap, em São Paulo, Mantega chegou a afirmar que o país deve crescer acima de 3% este ano. Ele tomou como referência o piso de expansão real da Nestlé para o Brasil, segundo o presidente da companhia no país, Ivan Zurita.

O ministro também afirmou que já há indicadores de antecedentes da indústria que apresentaram resultados favoráveis em fevereiro, mas não detalhou quais eram tais índices.

Enquanto isso...

Diretor do BC afirma que ano será tenebroso
Tribuna da Imprensa
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Mário Torós, comparou a atual crise financeira internacional à de 1929, tanto em tamanho quanto dimensão e importância. "O resultado é um cenário tenebroso, dificílimo para o ano", avaliou, durante seminário realizado em São Paulo.

Entretanto, Torós ressaltou que o desempenho do Brasil tem estado em linha com as demais economias do mundo, tanto de emergentes quanto de países desenvolvidos. "O Brasil, dentro dos países emergentes, foi um dos que menos sofreu", disse.

Ele aproveitou para destacar o papel do câmbio flutuante, que, em sua visão, exerceu sua função de suavizar os efeitos da crise frente à queda do preço das commodities. "Estou convencido que o câmbio flutuante talvez tenha sido o mais importante instrumento mitigador da crise", apontou.

O diretor do Banco Central avaliou que a crise atingiu o Brasil em um momento de forte crescimento da economia, no qual o próprio BC tinha chegado a alertar sobre o ritmo de expansão da demanda doméstica. "Estávamos muito bem preparados", destacou Torós, citando as reservas internacionais do País.

Ele ressaltou o bom desempenho da dívida externa líquida e chamou a atenção para o fato de que cada 1% de desvalorização do real representa hoje uma queda de 14 pontos-base da relação dívida líquida/PIB. Segundo ele, o BC conseguiu romper o ciclo vicioso de que um choque externo provocava um aumento da dívida pública cambial. O diretor do BC calculou que desde setembro de 2008 a relação dívida/PIB teve uma redução de quatro pontos porcentuais.

Torós também destacou o fato de o Brasil ser "uma das economias mais fechadas do mundo" o que permitiu ao País isolar-se um pouco dos efeitos da crise. Ele ainda chamou a atenção para a atuação do Banco Central para prover liquidez no mercado, reconhecendo, entretanto, que "é impossível substituir o setor privado". Torós calculou que o BC fez injeções líquidas de US$ 27,4 bilhões desde o pico da crise, em setembro passado, e liberado mais de R$ 99 bilhões em compulsórios.

O diretor do BC ainda destacou a queda da taxa de juros real para 6% no swap de 360 dias, "a menor da história recente". E aproveitou para responder aqueles que criticam o atual patamar da Selic (12,75% ao ano) como a maior taxa de juros do mundo ao afirmar que: "de fato, o Brasil teve um dos maiores crescimentos do PIB do mundo nos três primeiros trimestres de 2008".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Pergunta que faço: qual o tamanho do buraco do sistema financeiro mundial, móvel que detonou a crise atual? Alguém já dimensionou quanto de dinheiro ainda será preciso injetar no sistema para cobrir os rombos? O que se sabe é o quanto em trilhões de dólares já foram despejados pelos diferentes governos (o brasileiro inclusive) para cobrir o estrago, contudo, não se dimensionou ainda quanto mais será preciso jogar para tornar saudável o sistema como um todo, e, deste modo, recobrar a confiança geral.

Deste modo, como pode o senhor Mantega fazer uma afirmação tão leviana como a de que o pior já passou ? Adivinhação ? Chutometria? Por Deus, ministro, seja um pouco mais comedido. Tudo bem que ao governo não compete espalhar pânicos nos agentes econômicos, mas também não é preciso ser “tão otimista” a ponto de cair no ridículo.

A Folha de São Paulo, deste sábado, informa que o agravamento da crise global no fim de 2008 aprofundou ainda mais a recessão na economia da zona do euro, arrastando todos os grandes países do bloco para a retração e encolhendo mais até que os EUA, o epicentro dos problemas.

Com a Alemanha, a sua principal economia, registrando a maior retração desde a reunificação, em 1990, o PIB dos 15 países da zona do euro (neste ano, a entrada da Eslováquia levou o número de integrantes do bloco a 16) encolheu 1,5% no quarto trimestre do ano passado em relação aos três meses anteriores. A região já vinha de dois trimestres seguidos de contração (que é a definição técnica de recessão), mas, em comparação, ela era muito mais amena: de 0,2%.

No começo do ano passado, o principal problema para a desaceleração europeia eram os altos preços das commodities (como petróleo), mas a concordata do banco americano Lehman Brothers, em setembro, e os temores em relação ao sistema financeiro global criaram um "choque global de incertezas", segundo Jörg Krämer, economista-chefe do Commerzbank. "A lição dos últimos seis meses é que todo país foi afetado - tivesse uma bolha no mercado imobiliário ou não."

A deterioração da economia europeia, um dos principais destinos das exportações brasileiras, chama ainda mais a atenção porque desde a adoção do euro, em 1999, ela nunca havia encolhido - até o segundo trimestre de 2008. Mesmo tendo em conta dados desde 1995, a retração era fato inédito.

Ora, em conseqüência, muitas cadeias produtivas brasileiras sofrem e tendem ainda a sentir muito mais os efeitos desta recessão. O ramo das carnes é um dos tantos que padecem os efeitos danosos do encolhimento da economia da Comunidade Européia.

Sendo assim, melhor faria o ministro se parasse com esta balela de que a economia brasileira, em 2009, crescerá os 4,0% que Mantega insiste e teima em propagar. Já nos chega a pantomina presidencial da "marolinha" que até já virou motivo de galhofa por todo o país. Um pouco de choque e senso de realidade não faria nenhum mal.