sexta-feira, abril 20, 2007

Brasil busca parceiros para comprar gás

Do G1, com informações do Jornal Nacional

Na reunião da coordenação política desta quinta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à posição da Bolívia em relação à venda de gás natural. Ponderou que o Brasil já está buscando parceiros como a Argélia e a Arábia Saudita para a compra do combustível. Lula relatou aos líderes como foi a conversa com Evo Morales.
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“O presidente definiu a postura do Brasil perante a Bolívia nessa relação comercial através da Petrobras. Se houver qualquer tipo de ação contra o país, haverá retaliação nos investimentos, enfim, nos posicionamentos comerciais tomados pela Petrobras”, declarou o senador Romero Jucá (PMDB-RR).
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O presidente Evo Morales, que há um ano nacionalizou a exploração e a comercialização do petróleo e do gás natural, quer comprar as duas refinarias da Petrobras que atuam lá por preço abaixo de mercado. O Brasil não se opõe à venda das refinarias, mas quer US$ 200 milhões por elas.
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O ministro das Relações Exteriores disse que o presidente pontuou o risco político de Evo Morales não levar em conta os nossos interesses.
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“Tem que respeitar os princípios que são do nosso interesse. Inclusive da credibilidade empresarial da Petrobras e eu acho que isso tem que ser preservado. E é isso que o presidente Lula deixou muito claro para o presidente Evo Morales”, disse Celso Amorim.
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Na Bolívia, manifestantes atacaram na madrugada de hoje instalações para exploração de gás e petróleo. As províncias do sul do país disputam a receita da exportação do gás natural e a propriedade dos campos de exploração.
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Os protestos se acirraram nos últimos dias e é mais combustível para a crise que está dentro e fora da Bolívia. No início da semana, o presidente Lula avisou: se o governo boliviano insistir na imposição de regras vai ter que arcar com as conseqüências.

COMENTANDO A NOTICIA: Não saberia dizer se a notícia é apenas uma “manchete de terror” para assustar Morales, e fazê-lo criar juízo, ou se Lula deu-se conta de que em relação à Bolívia, e depois de tantos chute no traseiro, está mais do que na hora do Brasil seguir outra estratégia.

A verdade, senhores, é que Lula já deveria ter fincado pé desde que Morales invadiu as refinarias da Petrobrás na Bolívia com o exército. Foi uma excessiva demonstração de força e um desrespeito em relação ao Brasil que, com seus investimentos, abriu um mercado para o gás boliviano e viabilizou sua comercialização. Não fosse isto, a Bolívia não teria o quê e para quem vender. Ninguém é contra aos atos de estatização, desde que se respeite contratos e, se for o caso, se indenize a quem direito de forma justa.

Por outro lado, Morales seguiu um receituário equivocado. Buscou em Hugo Chavez apoio político e logístico para sua aventura. Chavez não negou, até pelo contrário,. Incentivou o quanto pode o boliviano a fazer o que fez. Porém, nem um nem outro, consideraram que Lula jamais praticou oposição a ambos, deu-lhes apoio político, para Chavez principalmente, e sempre se alinhou como amigo de ambos.

À atitude imbecil de Moralez, por isso, deveria receber do governo brasileiro uma ação mais severa e, o que se viu, foi uma tibieza e cautela excessiva como que a incentivar que Moralez continuasse a brincar de caudilho. A Bolívia continuou recebendo apoio e investimentos do Brasil, muito embora não os merecesse e Moralez continuou a tratar-nos como o lixo do continente. Neste ano, bateu pé no reajuste, e mais uma vez Lula cedeu e consentiu. Chegando a hora de indenizar a Petrobrás pelas refinarias, Moralez se dispõem a pagar um terço do que vale cada uma das duas que a estatal brasileira tem no território boliviano. Um acinte.

Sabemos, também Lula e a Petrobrás, que é uma questão de tempo para o Brasil produzir a totalidade do gás que consome. Portanto, não precisamos nos meter em uma aventuras megalomaníacas com parceiros que não merecem confiança e capazes de, ao primeiro espirro, quebrarem contratos e acordos.

Demorou muito para Lula dar-se conta disto. Insisto que isto a se confirmar as negociações para diversificações de fornecedores para o gás. Se tal decisão é definitiva, é bem vinda. O Brasil é grande demais para ficar submisso a caudilhos latinos ridículos feito Moralez. E, é preciso ter-se isto em conta: tanto a Venezuela quanto a Bolívia precisam muito mais do Brasil do que o Brasil deles. E em todos os sentidos, político, econômico, social e até cultural.

E que tal decisão também sirva de lição para Argentina. No auge da crise dos portenhos, o Brasil foi o aliado de fé, irmão camarada, que segurou o rojão. Na recuperação econômica atual, Nestor Kirchner deve agradecer muito a FHC e Lula que bancaram uma aliança que permitiu à Argentina ter um mercado seguro.

Portanto, e Celso Amorin, das Relações Exteriores, deve levar em conta sempre este detalhe, o Brasil pode sim andar sem muletas de espécie alguma dos irmãos sul-americanos. Ninguém quer isto. A integração continental é importante para todos, e a América do Sul, afinal, é a nossa casa. Mas que não retaliem o Brasil por qualquer impulso: o Brasil é muito maior e independe dos hermanos para o seu desenvolvimento. Convivência pacífica é boa e é bem vinda, mas respeito é indispensável e fundamental. E isto é o mínimo que se pede, respeitem nossa grandeza. E que Lula passe a entender definitivamente que ele foi eleito para ser presidente do Brasil e não das Américas. O interesse do país, portanto, deverá ser sempre prioritário nas suas decisões, mesmo que colida com os hermanos botocudos do continente.