Perito suíço critica controle aéreo brasileiro
Redação Terra
O perito suíço Christoph Gilgen, controlador de vôo que comandou a comissão internacional que estudou o acidente com o Boeing da Gol, no ano passado, afirma que os equipamentos usados no controle do tráfego aéreo no Brasil são antigos e ineficientes. A informação é do Fantástico.
"Os rádios são muito velhos, o alcance deles não é suficiente para cobrir todos os setores que são controlados. Os radares também são antigos, mostram muitas imagens fantasmas e de outros alvos incorretos. Os radares não tem o alcance que deveriam, por isso há pontos cegos, onde você não vê os aviões", disse.
Em 2006, Gilgen passou uma semana dentro do Cindacta-1, em Brasília. Com base no que viu, o perito critica o sistema de controle aéreo adotado no País. "Em geral achamos que o sistema é muito antigo, que são várias partes colocadas juntas, sem uma idéia geral de como vai funcionar o conjunto", afirma.
Gilgen é representante da Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca), que conta com mais de 50 mil associados em 130 países.
O especialista aponta ainda que o programa de computador utilizado no controle aéreo brasileiro tem uma falha séria, que teria sido uma das responsáveis pelo acidente aéreo entre o jato Legacy e a aeronave da Gol. "Em poucas palavras, eu posso afirmar que o software X-4000 contribuiu fortemente para a cadeia dos eventos que terminou com a colisão do avião Legacy com o Boeing da Gol", disse.
Ele afirma que o programa muda automaticamente na tela de controle a altitude da aeronave, sem consentimento ou confirmação do controlador. "Então temos uma situação em que o controlador, que está no chão, e o piloto, que está voando, estão trabalhando com altitudes diferentes. E é lógico que isso é muito perigoso. Os controladores não podem garantir segurança nem separação das aeronaves. Infelizmente, como vimos no dia 29 de setembro, isso pode acabar da pior maneira possível, em uma colisão", disse Gilgen.
ENQUANTO ISSO...
FAB repudia críticas e desqualifica perito suíço
Redação Terra
A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou uma nota oficial em que repudia críticas sobre o controle aéreo brasileiro. O perito suíço Christoph Gilgen, controlador de vôo que comandou a comissão internacional que estudou o acidente com o Boeing da Gol, no ano passado, afirmou, no Fantástico, que os equipamentos usados no País são antigos e ineficientes. Para a Aerenáutica, Gilgen não tem qualificação para fazer tal análise: "seu conhecimento sobre as especificidades do controle de tráfego aéreo no Brasil é praticamente nulo".
Redação Terra
O perito suíço Christoph Gilgen, controlador de vôo que comandou a comissão internacional que estudou o acidente com o Boeing da Gol, no ano passado, afirma que os equipamentos usados no controle do tráfego aéreo no Brasil são antigos e ineficientes. A informação é do Fantástico.
"Os rádios são muito velhos, o alcance deles não é suficiente para cobrir todos os setores que são controlados. Os radares também são antigos, mostram muitas imagens fantasmas e de outros alvos incorretos. Os radares não tem o alcance que deveriam, por isso há pontos cegos, onde você não vê os aviões", disse.
Em 2006, Gilgen passou uma semana dentro do Cindacta-1, em Brasília. Com base no que viu, o perito critica o sistema de controle aéreo adotado no País. "Em geral achamos que o sistema é muito antigo, que são várias partes colocadas juntas, sem uma idéia geral de como vai funcionar o conjunto", afirma.
Gilgen é representante da Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca), que conta com mais de 50 mil associados em 130 países.
O especialista aponta ainda que o programa de computador utilizado no controle aéreo brasileiro tem uma falha séria, que teria sido uma das responsáveis pelo acidente aéreo entre o jato Legacy e a aeronave da Gol. "Em poucas palavras, eu posso afirmar que o software X-4000 contribuiu fortemente para a cadeia dos eventos que terminou com a colisão do avião Legacy com o Boeing da Gol", disse.
Ele afirma que o programa muda automaticamente na tela de controle a altitude da aeronave, sem consentimento ou confirmação do controlador. "Então temos uma situação em que o controlador, que está no chão, e o piloto, que está voando, estão trabalhando com altitudes diferentes. E é lógico que isso é muito perigoso. Os controladores não podem garantir segurança nem separação das aeronaves. Infelizmente, como vimos no dia 29 de setembro, isso pode acabar da pior maneira possível, em uma colisão", disse Gilgen.
ENQUANTO ISSO...
FAB repudia críticas e desqualifica perito suíço
Redação Terra
A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou uma nota oficial em que repudia críticas sobre o controle aéreo brasileiro. O perito suíço Christoph Gilgen, controlador de vôo que comandou a comissão internacional que estudou o acidente com o Boeing da Gol, no ano passado, afirmou, no Fantástico, que os equipamentos usados no País são antigos e ineficientes. Para a Aerenáutica, Gilgen não tem qualificação para fazer tal análise: "seu conhecimento sobre as especificidades do controle de tráfego aéreo no Brasil é praticamente nulo".
Confira a íntegra da nota:
O Comando da Aeronáutica repudia veementemente as declarações apresentadas no programa Fantástico exibido na noite de 24 de junho.
Por mais experiência que o Sr. Christoph Gilgen alegue possuir na atividade de controle de vôo, seu conhecimento sobre as especificidades do controle de tráfego aéreo no Brasil é praticamente nulo.
Cabe ressaltar que o Sr. Gilgen não teve participação alguma nas investigações do CENIPA a respeito do acidente com o vôo 1907.
Naturalmente, suas afirmações refletem uma parcialidade compatível com a função que exerce, representante de uma associação internacional de controladores (IFATCA), e ele não possui autoridade, nem legitimidade para proferir qualquer análise confiável sobre nossos sistemas.
O software citado na matéria é um produto desenvolvido no Brasil e não atualiza automaticamente o nível em que as aeronaves estão voando.
Causa estranheza que, no momento em que o Comando da Aeronáutica afasta controladores que buscavam desacreditar o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, surja um representante da IFATCA para questionar a eficiência do software utilizado no Brasil.
Por fim, diferentemente do que insinua a reportagem, voar no espaço aéreo brasileiro é seguro, o que é comprovado pela presença do Brasil no grupo de elite da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) desde sua criação.
Brig Ar ANTONIO CARLOS MORETTI BERMUDEZ
Chefe do CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA
*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Em 2006, bem no meio do turbilhão do apagão aéreo, escrevemos um artigo baseado numa reportagem da Revista VEJA, e tanto quanto nos foi possível levantar, uma das muitas razões apontadas (e nem sempre divulgadas à opinião pública), toca na questão não apenas dos equipamentos, velhos e ultrapassados, bem como no software empregado pela Aeronáutica que se dizia não ser confiável e ter a capacidade de criar fantasmas nas telas de radar do controle aéreo. Isto é algo inclusive que os próprios controladores já vem reclamando há muito tempo.
A opinião do perito suíço foi de encontro a este problema. Tudo bem que a Aeronáutica não queira provocar mais pânico, no caso de referendar a opinião que ele concedeu na entrevista ao Fantástico, da Rede Globo. Porém, seria cauteloso que se aprofundasse um exame sobre não apenas às restrições apontadas, mas também que se considerasse as reclamações que os controladores têm feito. Desqualificar pura e simplesmente a opinião de um perito (e não se trata de um perito qualquer), não terá o dom de fazer sumirem os problemas que ele apontou. Como também é importante que a Aeronáutica, agora com maior autoridade reconhecida por Lula e com resultados positivos em razão do caos ter arrefecido no final de semana, passe a exigir a liberação imediata de recursos e aplicá-los na aquisição de equipamento e modernização do sistema. Além de não descuidar da questão de recursos humanos.
O momento é este para por um basta nesta prolongada crise. Perdê-la é apostar no fracasso logo ali adiante. As conseqüências poderão ser piores. Esperemos que não ocorra nova tragédia para nossas autoridades se convencerem de que o perito estava certo. Já bastam 154 vítimas fatais em um único desastre. Que se trate de evitar, portanto novos desastres por conta de arrogância e teimosia.