terça-feira, fevereiro 19, 2013

O uso da mentira na exploração da miséria


Adelson Elias Vasconcellos

Já demonstramos aqui, muitas vezes, a adoração que os petistas têm em manipular a verdade, os fatos, as estatísticas, na tentativa canalha de apresentarem um retrato colorido de uma realidade negativa. Trata-se mesmo de um valor que eles carregam em seu DNA. Se não for possível mascarar, então atribuem o que de ruim acontece enquanto estão no poder, ou a um passado remotíssimo ou a inimigos ocultos, que adoram criar.

 Veja-se o caso do salário mínimo. Em tempo algum, nem na ditadura militar, houve tão vergonhoso confisco como o que se está praticando desde 2003. Lá, receberam uma faixa de isenção de imposto na fonte que ia até cinco salários. Hoje, a faixa mal chega a metade disso. Enquanto, de um lado, dizem aplicar aumentos reais, de outro, capam este adicional na forma de imposto.  Outro exemplo? A tal redução da tarifa de energia elétrica. Fazem um enorme estardalhaço por promoveram (às custas da rentabilidade das concessionárias, reduzindo sua capacidade de investimento) uma redução média de 20%. Ok, só esqueceram-se de dizer que, em 2002, a carga tributária que era de 21,6% pulou no período em que estão no poder para incríveis 48,5%.  

Poderia ficar aqui citando inúmeros outros exemplos, como os da reforma agrária, por exemplo, em que Lula cometeu a insanidade de relacionar até os assentamentos do tempo da ditadura militar na década de 70, uns trinta anos antes dele chegar ao Planalto... Ou então a tão decantada autossuficiência do petróleo...

 A mais recente prosopopeia criada agora por Dilma, refere-se aos números da miséria no Brasil. Segundo seus últimos discursos,  a miséria em nosso país tem prazo certo para acabar: será em março/abril deste ano.  Segundo os critérios palacianos, é miserável todo aquele que ganhar menos de R$ 70,00 por mês. Até parece que com R$ 70,00 alguém consegue deixar de ser miserável...

Num país em que classe média foi rebaixada de renda para algo próximo a R$ 300,00 por mês, menos de meio salário mínimo portanto, é possível se aceitar que nossos miseráveis deixarão de existir... por decreto presidencial. É um acinte à inteligência e ao bom senso!!!

E, por mais que se comprove o grave erro estatístico que se está cometendo, nem por isso esta farsa deixará de ser exibida em marquetagem político, embalando o sonho da reeleição. Às vezes, fico imaginando se o fato do nosso país ter esta imensidão continental, mantendo áreas e grotões tão distantes, não é um passe livre para que a mentira prospere de forma tão vagabunda!!!

É evidente que um povo em que 2/3 de sua população é semialfabetizada, em que apenas 10 a 15% podem se considerar informados, estas campanhas mistificadas, devidamente desenhadas pelo marqueteiro para iludir à grande massa, colabora, e muito, para que prosperem a mentira, o engodo, a manipulação, a falsidade.

Historicamente, a cultura presente no seio do povo brasileiro foi a de conceder aos seus governantes a credibilidade que nunca mereceram sequer fizeram força por conquistar. Numa sociedade em que prosperam tantas incríveis carências, qualquer esmola que se atirar para os milhões miseráveis que nela se abrigam, será visto como dádiva divina. E, no entanto, conforme documenta reportagem da Folha reproduzida nesta edição (vejam mais abaixo), nossos políticos são os mais caros do mundo. E, mesmo que não o fossem, ainda assim haveria um enorme débito deste para com o país pelo muito que recebem e pelo pouco que retribuem em favor de quem os elegeu. É incrível sabermos, em plena era toda alta tecnologia, que nos grotões ainda se compram votos com incrível facilidade e desfaçatez...

Os artigos de J.R.Guzzo (Revista Exame), do Elio Gaspari (Jornal O Globo) e a reportagem da Folha de São Paulo sobre os números da miséria brasileira, não deixam dúvidas sobre a imensa capacidade e habilidade do governo petista para explorar a miséria, achando que, por simples campanha mentirosa, conseguirá  esconder a realidade que salta aos nossos olhos por onde que se vá neste imenso país. 

Talvez a reação da imprensa ainda independente, provoque no governo Dilma ligeira mudança de conduta, tentando utilizar outros caminhos e estratégias para dar continuidade à exploração. Mas não se acredite que este mesmo governo abandonará o objetivo de impor esta farsa junto ao eleitorado. Veja-se o caso da tal nova (falsa) classe média, e se tem aí o quanto são capazes de fazerem vingar, a qualquer custo, uma aberração.

É saudável perceber que restam alguns bravos capazes de desmascarar esta gente toda. O diabo é fazer chegar o conhecimento da farsa até o eleitorado mais distante dos grandes centros. Houvesse oposição, com cara e coragem e, por certo,  a missão de mentir seria bem mais complicada para a canalha. 

Cantam e entoam  hosanas em louvor de si mesmos por entenderem que o voto popular os consagram e os libera para a prática de seu cretinismo ideológico, a sua degradação moral e à sua corrupção permanente, como se insanos do tipo Hitler não houvessem, um dia, chegado ao poder pelo mesmo voto popular. O voto, senhores, não é salvo conduto nem para mentira nem para o atraso. Nenhum povo elege para governante alguém com o direito a ser canalha enquanto durar-lhe o mandato!!! Este povo até pode ser crédulo em sua maioria, mas, certamente, e em sua totalidade, não é idiota. 

Bolsinha de R$ 70,00, ou pouco mais do que isso, garantem ao cidadão ao menos sobreviver, mas jamais tirarão quem quer que seja da sua miséria econômico-social. Aliás, chegará a hora em que este mesmo povo exigirá que seus governantes sejam menos miseráveis moralmente.