Segue texto da Veja online sobre a proposta da Espanha à União Europeia para a substituição do Mercosul nas relações comerciais por acordos bilaterais. Isto não é novidade. Segue o texto, comentaremos ao final.
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A medida é forma de penalizar o governo de Cristina Kirchner, que decidiu estatizar a petroleira YPF, controlada pela espanhola Repsol
(Andrea Comas/REUTERS)
José Manuel García Margallo, ministro espanhol de Assuntos Exteriores
Para punir a Argentina, o governo espanhol propôs, nesta segunda-feira, que a União Europeia (UE) substitua seus acordos comerciais com o Mercosul por tratados bilaterais com os demais países do bloco. A medida seria uma forma de penalizar o governo de Cristina Kirchner, que decidiu estatizar a petroleira YPF, controlada pela espanhola Repsol. "Devemos refletir sobre a possibilidade de não continuarmos as negociações com o Mercosul", disse o ministro espanhol de Assuntos Exteriores, José Manuel García Margallo.
A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial argentino, atrás apenas do Mercosul. Para demonstrar que a medida é plausível, Margallo citou o caso da Comunidade Andina. "Após tentarmos, sem sucesso, fazer acordos com o bloco inteiro (que reúne Bolívia, Colômbia, Equador e Peru), fechamos tratados com Colômbia e Peru", afirmou o ministro, que participou nesta segunda-feira de uma reunião com seus homólogos da UE em Luxemburgo.
Pressa - A lei que oficializa a expropriação da YPF deve ser aprovada em dez dias, afirmou o deputado Agustín Rossi, da base de Cristina. A informação foi divulgada pelo jornal argentino Clarín.
O projeto deve ser debatido na próxima quarta-feira no Senado. Rossi espera que o texto seja aprovado por uma "maioria esmagadora", já que, pelas contas dele, 60 dos 72 senadores são favoráveis à iniciativa de Cristina. Após a discussão no Senado, o projeto seguirá para a Câmara, onde deve ser votado até o dia 3, assegurou Rossi.
(Com agências France-Presse e EFE)
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A proposta espanhola não é novidade. Logo ao assumir, Lula atuou de forma decisiva para enterrar a ideia americana de criação da ALCA. Ali, ficava evidente o espírito de antiamericanismo explícito e estúpido que reinaria na política externa brasileira e que, sob Dilma, sob certa medida, ainda se mantém.
Mas isto em nada prejudicou os Estados Unidos. Eles passaram a adotar exatamente a mesma receita agora proposta pela Espanha. E é neste sentido que, na semana passada, ao comentar sobre a expropriação da espanhola Repsol, afirmei que haveria respingos que prejudicariam os interesses brasileiros. Acontece que o Brasil está amarrado ao Mercosul. Não pode estabelecer acordos de livre comércio fora de seu âmbito. Isto engessa nossa capacidade de comercialização e, claro, prejudica nossa economia diretamente.
Se a União Europeia acolher a proposta espanhola de substituir acordos comerciais mantidos com o Mercosul por acordos bilaterais, o que até me parece mais interessante para todos, o Brasil ficará numa enrascada terrível, porque terá que optar entre manter-se no Mercosul, com todos os prejuízos que advém desta união – e que até hoje não se justificou dado os entraves criados justamente pela Argentina – ou desligar-se do bloco, coisa que aliás Uruguai e Paraguai até agradeceriam, e estabelecendo uma nova estratégia comercial não só com a União Europeia, mas com a comunidade internacional em geral. E lucraria muito com isso.
