terça-feira, abril 24, 2012

CPI: indicações do PT passam por Dilma e Lula3


Josias de Souza

Instada a comentar a CPI do Cachoeira há quatro dias, Dilma Rousseff escapuliu: “A CPI é algo afeito ao Congresso.” Lorota. Àquela altura, longe dos refletores, a presidente já se movia para impedir que o PT guindasse ao posto de relator da Comissão Parlamentar de Inquérito um deputado que não fosse do seu agrado.

Equipava-se para exercer a função Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do governo na Câmara. Dilma levou o pé à porta, vetando-o. E Vaccarezza viu-se compelido a retirar-se de cena. Não posso ocupar uma posição dessas contra a vontade da presidente da República, disse a um amigo.

Entusiasta da CPI e simpático ao nome de Vaccarezza, Lula interveio na encrenca. Nesta segunda (24), reuniu-se com o deputado, em São Paulo. Sugeriu-lhe que aceite integrar a CPI, mesmo fora da relatoria. Um arranjo ao qual Dilma não se opõe. Vaccarezza pediu tempo.

Nesta terça (24), data-limite para que os partidos indiquem seus representantes na CPI, o deputado dará sua resposta numa reunião com o presidente do PT federal, Rui Falcão. E quanto à estratégica cadeira de relator? Bem…

Bem, excluído Vaccarezza, foram à mesa outros nomes. O mais cotado era Odair Cunha (PT-MG). Dilma voltou a torcer o nariz. Mostrou-se menos avessa a Paulo Teixeira (PT-SP), ex-líder do petismo na Câmara. Algo que o levou ao primeiro lugar da fila.

O indicado do PT comandará a investigação em dobradinha com o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), alçado à presidência da comissão já na semana passada, após consultas feitas pelo líder Renan Calheiros (PMDB-AL). Lula foi um dos consultados.

Quer dizer: a CPI é do Congresso. Mas quem distribui as cartas marcadas que conduzirão os trabalhos são Dilma e Lula, dois personagens sem assento no Legislativo. Quem quiser, pode dar crédito ao lero-lero segundo o qual o governo não vai se meter na CPI. Mas arrisca-se a fazer papel de bobo.

EM TEMPO: A vontade de Dilma Rousseff foi contrariada. O relator será o deputado petista Odair Cunha. Entre a vontade Dilma e a de Lula, deu coluna do meio, portanto. Mas não nos enganemos: o objetivo da CPI será afastar qualquer investigação das portas do Planalto e de qualquer membro do governo. Mais adiante retornaremos ao tema, mas desde já deixou registrado que esta CPI é de cartas marcadas. 

É contra a oposição e contra a imprensa que a turma tentará conduzir as investigações e a lista de chamado dos entrevistados. O problema será segurar os vazamentos, que continuam acontecendo, ora apelando para um lado, ora para outro.