quarta-feira, dezembro 27, 2006

Jogo de cena no novo mínimo

Por José Paulo Kupfer, Economínimo, blog NoMínimo
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Estão dizendo que a “equipe econômica” foi derrotada na definição do valor do novo salário mínimo. O mais certo, no entanto, é que não houve derrota alguma, assim como não se pode dizer que exista, neste governo, depois de Antonio Palocci, uma “equipe econômica”, pelo menos no figurino daquelas que existiam nos governo militares e com FHC.
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Desde o início, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desempenhando (mal) o papel de durão, sentou praça num reajuste de 4,8%, para R$ 367, e as centrais sindicais abraçaram a causa de impensáveis R$ 420, já era possível estabelecer a hipótese mais provável: Lula armou o circo para arbitrar o meio do caminho.
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Não deu outra. Os R$ 380 “negociados” entre os ministros do Trabalho e da Previdência e os sindicalistas significam só um pouco menos do que a média aritmética entre os dois pontos. Daí para frente teria sido só mais um pouco de teatro – bem mambembe, diga-se.
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Mantega “resistiu” apenas por meia dúzia de horas e Lula, o personagem principal da peça, mas ainda sem aparecer no palco, bateu o martelo, designando Luiz Marinho, ministro do Trabalho, para capitalizar o anúncio da “vitória”. Por tudo que se viu no episódio, difícil acreditar que o script já não estivesse pronto desde o começo. Tanto que, logo no dia seguinte, lá estava o próprio Lula em pessoa defendendo, publicamente, o novo mínimo. Tudo muito rápido e arrumadinho para não ser um teatro.
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OK, e daí? Daí que, se a hipótese acima for verdadeira, estamos diante de mais um bom indício de que este segundo mandato não será igual ao primeiro. Daí também que o pessoal derrotado nas eleições, mas ainda com esperanças de levar no papo, como levou no primeiro mandato, se já não colocou, deveria pôr as barbas de molho.
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Bom sinal
Ainda que não tenha produzido reflexos negativos nos índices e taxas (o risco-Brasil está em queda e atingiu, no fim da tarde, o nível de 194 pontos, o mais baixo da história), a informação dos analistas é a de que o mercado não gostou do aumento do salário mínimo e da correção na tabela do IR.