Reinaldo Azevedo
É evidente que ninguém corre risco apostando que Lula vai falar alguma batatada, mas existe certo decoro até para a besteira, convenham comigo. Ao se referir ao Ponto G, o homem chegou a gesticular. Sorriu com expressão marota. Sabia estar sendo inconveniente, impróprio, indecoroso — refiro-me, vejam só, ao decoro do cargo. George W. Bush esboçou um sorriso. Os americanos ficaram sérios. A brasileirada riu de seu presidente picaresco. Uma TV dos EUA que fazia tradução simultânea preferiu poupar os telespectadores e preservar Lula de si mesmo: ignorou a referência. Sabem como são os americanos... Fizeram aquele paiseco porque são idiotas e puritanos. Tivessem a nossa picardia e o nosso veneno, seriam felizes como nós. Viveriam o nosso clima de chanchada.
É evidente que ninguém corre risco apostando que Lula vai falar alguma batatada, mas existe certo decoro até para a besteira, convenham comigo. Ao se referir ao Ponto G, o homem chegou a gesticular. Sorriu com expressão marota. Sabia estar sendo inconveniente, impróprio, indecoroso — refiro-me, vejam só, ao decoro do cargo. George W. Bush esboçou um sorriso. Os americanos ficaram sérios. A brasileirada riu de seu presidente picaresco. Uma TV dos EUA que fazia tradução simultânea preferiu poupar os telespectadores e preservar Lula de si mesmo: ignorou a referência. Sabem como são os americanos... Fizeram aquele paiseco porque são idiotas e puritanos. Tivessem a nossa picardia e o nosso veneno, seriam felizes como nós. Viveriam o nosso clima de chanchada.
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A bobagem entra para a já gigantesca lista dos lulismos. Eu mesmo, num post abaixo, dei tratamento um tanto galhofeiro à coisa. Mas é evidente que tem seu lado melancólico. Mais do que Lula, é o Brasil que tem uma sorte imensa. Coube-lhe ser governado pelo Apedeuta num período raro de estabilidade da economia mundial — único, já se cansou de dizer, no pós-guerra. Por mais que o PT e seu chefão tentem atrapalhar, as coisas insistem em se conservar ao menos no nível da mediocridade. É claro que Lula não é irrelevante. Mas não consegue ser tão nefasto quanto poderia ou sugerem as suas palavras.
A bobagem entra para a já gigantesca lista dos lulismos. Eu mesmo, num post abaixo, dei tratamento um tanto galhofeiro à coisa. Mas é evidente que tem seu lado melancólico. Mais do que Lula, é o Brasil que tem uma sorte imensa. Coube-lhe ser governado pelo Apedeuta num período raro de estabilidade da economia mundial — único, já se cansou de dizer, no pós-guerra. Por mais que o PT e seu chefão tentem atrapalhar, as coisas insistem em se conservar ao menos no nível da mediocridade. É claro que Lula não é irrelevante. Mas não consegue ser tão nefasto quanto poderia ou sugerem as suas palavras.
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Escrevi certa feita que o Apedeuta lembra a lendária figura de Zé Trindade (1915-1990), comediante baiano que fez sucesso no período de ouro das chanchadas. Se tingir os cabelos — afinal, suas cãs são mesmo inúteis — e raspar a barba, fica igualzinho. Era do tipo baixote, folgazão, preguiçoso, que sempre se dava bem na base do truque. E tinha dois bordões: “Meu negócio é mulher” (que ele pronunciava “mulhé”) e “Com licença da má palavra”.
Escrevi certa feita que o Apedeuta lembra a lendária figura de Zé Trindade (1915-1990), comediante baiano que fez sucesso no período de ouro das chanchadas. Se tingir os cabelos — afinal, suas cãs são mesmo inúteis — e raspar a barba, fica igualzinho. Era do tipo baixote, folgazão, preguiçoso, que sempre se dava bem na base do truque. E tinha dois bordões: “Meu negócio é mulher” (que ele pronunciava “mulhé”) e “Com licença da má palavra”.
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Ao menos pedia licença. Zé Trindade para a Presidência!
Ao menos pedia licença. Zé Trindade para a Presidência!