por Rodrigo Constantino, site Diego Casagrande
O artigo do presidente do Ipea Márcio Pochman, no jornal Valor de quinta-feira (20/03/08), foi realmente um show de horrores. É tanta besteira que mal sei por onde começar as críticas. Normalmente, nem vale a pena perder tempo com isso, mas nesse caso creio se tratar de uma exceção, por dois motivos: a elevada posição do autor, dirigindo um importante órgão de pesquisas econômicas do governo; o fato de estas falácias contidas no artigo serem repetidas ad nauseam pela esquerda, desinformando os leigos no assunto. Faz-se necessário expor, portanto, a mentalidade absurda presente no texto.
Logo no começo, o autor tenta colocar no mesmo saco podre o capitalismo e o comunismo: “Sabe-se, contudo, que simultaneamente ao desarranjo do império soviético, o centro da nata do capitalismo mundial convive com sinais de perda de influência no novo cenário econômico internacional”. O que Pochman quer dizer com isso? Será que ele está tentando afirmar que o capitalismo e seu grande ícone, os Estados Unidos, fracassaram tanto quando a União Soviética fracassou? Isso foi alguma piada sutil que eu não consegui entender? A economia americana ainda responde por cerca de um quarto do PIB mundial. Poderia alguém no cargo ocupado por Pochman ignorar este fato?
O artigo do presidente do Ipea Márcio Pochman, no jornal Valor de quinta-feira (20/03/08), foi realmente um show de horrores. É tanta besteira que mal sei por onde começar as críticas. Normalmente, nem vale a pena perder tempo com isso, mas nesse caso creio se tratar de uma exceção, por dois motivos: a elevada posição do autor, dirigindo um importante órgão de pesquisas econômicas do governo; o fato de estas falácias contidas no artigo serem repetidas ad nauseam pela esquerda, desinformando os leigos no assunto. Faz-se necessário expor, portanto, a mentalidade absurda presente no texto.
Logo no começo, o autor tenta colocar no mesmo saco podre o capitalismo e o comunismo: “Sabe-se, contudo, que simultaneamente ao desarranjo do império soviético, o centro da nata do capitalismo mundial convive com sinais de perda de influência no novo cenário econômico internacional”. O que Pochman quer dizer com isso? Será que ele está tentando afirmar que o capitalismo e seu grande ícone, os Estados Unidos, fracassaram tanto quando a União Soviética fracassou? Isso foi alguma piada sutil que eu não consegui entender? A economia americana ainda responde por cerca de um quarto do PIB mundial. Poderia alguém no cargo ocupado por Pochman ignorar este fato?
O economista tenta explicar: “Nos dias de hoje, a China já responde por um quarto da produção mundial de máquinas de lavar, um terço da de televisores, dois quintos da de microondas, metade da de câmeras, dois terços da de foto copiadoras e 90% da de brinquedos eletrônicos”. Ótimo! Eis a maravilha do mundo globalizado: cada um pode focar naquilo que possui vantagem comparativa. Os Estados Unidos viraram uma economia basicamente de serviços, enquanto a China se transformou na indústria mundial, principalmente de produtos mais simples, por enquanto. Todos ganham com essas mudanças.
Mas Pochman parece ter entendido tudo errado sobre as causas do recente sucesso chinês: “De posse de duas a cada três gruas do mundo, o país do meio na Ásia constrói a base material mais moderna da atualidade, reinventando o sistema econômico com inovação e padrão tripartite de gestão da produção (empresa, sindicato e Estado)”. A China não reinventou nada, ela apenas permitiu um funcionamento mais livre do mercado. Com suas zonas livres, menor intervenção estatal, capital estrangeiro abundante e o direito de propriedade melhor estabelecido, o país conseguiu retirar milhões da miséria, uma herança socialista. A China está melhorando a despeito do Estado, não por causa dele. Pelo contrário: ainda há intervenção demais, como no caso do setor financeiro. Isso prejudica o país, diferente do que Pochman acha. Isso sem falar da completa falta de liberdade em diversos campos, pois não devemos esquecer que a China convive em uma ditadura.
As pérolas continuam: “O desarranjo imposto pelas administrações recentes nos Estados Unidos somente consegue ser superado pelo largo fracasso do modelo neoliberal defendido pelos organismos multilaterais e aceito passivamente por diversos governos latino-americanos e caribenhos”. Não obstante ser muito cedo para falar em “desarranjo americano”, de onde será que Pochman tirou esta idéia maluca de que o neoliberalismo falhou na América Latina? Ele simplesmente nunca nos deu o ar de sua graça! Os países que abraçaram o liberalismo – ou um grau mais elevado de liberdade – prosperaram, enquanto a América Latina fracassou justamente por se afastar deste modelo, mantendo um governo inchado, gestor de empresas, interventor ao extremo na economia. Como pode alguém que comanda o Ipea inverter tanto a realidade dessa forma?
Mas o economista não parece satisfeito, e continua cavando mais fundo no buraco: “O resultado hoje é reconhecido: abertura comercial, privatização e internacionalização da produção não permitiram expansão sustentada do crescimento, tampouco transferência tecnológica e expansão social”. Desde quando abertura comercial e privatização prejudicam algum país? Não existem casos deste tipo! Podemos analisar os casos do Chile, Irlanda, Espanha, Austrália, Nova Zelândia, Islândia, todos eles são exemplos de sucesso das reformas liberais, que Pochman tanto condena. O governo brasileiro, por exemplo, continua dono de várias estatais sem sentido, como o Banco do Brasil e a Petrobrás, e nossa abertura comercial foi muito tímida. Não foi a globalização que falhou: foi a sua falta!
Mas para quem pensa que viu absurdo suficiente, está enganado: “O projeto de país circunscreveu ao primitivismo do combate à inflação, acreditando que, por conseqüência, o crescimento econômico se sustentaria por si próprio”. Pochman, recentemente, reclamou que o presidente Lula foca demais na inflação. Será possível que ainda exista economista que acredita na falsa dicotomia de mais inflação, mais emprego? Não foi suficiente observar que os países com maiores taxas sustentáveis de crescimento foram justamente os países com menor índice de inflação? O que Pochman está sugerindo? Que o país aceite conviver com um pouco mais de inflação, para gerar um crescimento artificial? Inflação, como bem sabem os brasileiros, é o imposto mais perverso que existe, pois ataca diretamente os mais pobres. Com amigos como Pochman, os pobres brasileiros não precisam de inimigos!
As idéias do presidente do Ipea parecem surgir direto de um sarcófago. São tão ultrapassadas, tão absurdas, tão refutadas pela lógica econômica e pelas evidências empíricas, que espanta ainda serem levadas a sério nesse país. Mas, caso fossem apenas motivo de piada, como deveriam ser, aí sim o tal neoliberalismo teria chegado ao país, e com certeza a realidade seria muito diferente. Seria muito melhor!