quarta-feira, abril 17, 2013

Dilma, os juros e a vigarices históricas.


Adelson Elias Vasconcellos

O grande problema de certas “otoridades” é se acharem. Pensam que, por estarem sentadinhos com suas bordas bundas numa cadeira especial, que representa algum carguinho de droga na vida pública, podem agredir a história, os fatos, a lógicas e o bom senso. Foi o que fez a dona soberana, em cerimônia do PT em Minas Gerais, ao se referir aos juros.

Dilma acha que pode comparar medidas tomadas na revolução de 30, com as que se tomam nos tempos atuais. Besteirol genuinamente de esquerda.

Várias vezes denunciei aqui a grande farsa montada por Lula para comparar-se a FHC, sua obsessão em vida. Queria comparar seus números com os do governo anterior. E por que a comparação é falsa e cretina? Simplesmente porque se deveria comparar o Brasil que FHC recebeu, com o Brasil que Lula recebeu. E sem fantasias nem manipulações estatísticas. 

Veríamos que, muito dos indicadores sociais, por exemplo, começaram a evoluir no país a partir de FHC, e não de Lula como se tenta mentir ao país. Iríamos constatar que a verdadeira estabilidade econômica é conquista de antes de Lula, e não depois dele.

Poderíamos, deste modo, comparar a dose de antibióticos ministradas a quem padece de infecção grave, com os antigripais, ambas com o propósito de baixar a febre do paciente...

Assim é o caso dos juros. Não se pode comparar os juros que eram praticados num país com inflação de 80% ao mês, com lós que se praticam num mesmo país, mas com inflação na casa de 6%.  São momentos totalmente diferentes, com situações totalmente diversas.  É fácil para o cretino se julgar superior com a casa arrumada pelo outro, enquanto este encontrou tudo por fazer. 

E não apenas os momentos históricos são distintos no Brasil, como também o eram no mundo.  Enquanto a economia mundial crescia na média de 2,0% ao tempo de FHC, no período Lula a média foi acima de 5,0%. 

Assim, esta comparação feita por Dilma é estúpida e descabida. A grande verdade é que, com a casa arrumada, o Brasil da soberana não cresce e sustenta uma inflação que, para os tempos atuais é ruim. E não se venha culpar a crise internacional. Os BRICS e alguns países da América do Sul crescem mais do que Brasil e com inflação e juros menores. E isto é  um fato indiscutível.

De volta aos juros. Dilma, até se defendendo de provável elevação de juros em seu governo, afirmou:  "jamais voltaremos a ter aqueles juros de 12%, 15%".

Bem, como respeito à história é um valor que a presidente parece não nutrir, não custa lembrar que Lula, logo ao assumir em janeiro de 2003, elevou a SELIC para 26,32%, e a manteve acima de dos tais 15% praticamente durante todo o seu primeiro mandato.  

E dona Dilma, como não poderia deixar de acontecer, quando fala de improviso, deu uma bela escorregada no discurso, ao afirmar, categórica, que “"A inflação foi uma conquista desses dez anos de governo". Acho que ela quis dizer o contrário, não é mesmo?   E não adiantar acusar a imprensa de novo por manipulação em sua fala. Também esta afirmação, como ocorrera em Dubai, África do Sul, foi gravada.  Quanto ao “controle” da inflação, bem, aí a senhora presidente exagerou na dose: a última inflação fora de controle no Brasil foi às vésperas do Plano Real lá pelos idos de 1994, quando ultrapassou os 46,5%.  Apenas para registrar o tamanho da mentira de Dilma, a exemplo de Lula e demais petistas, em 1993, antes do Plano Real,  o IPCA havia registrado alta de 2.477,15%. Já em 1995,  o IPCA apresentou um valor de 22,41% e este valor foi caindo até chegar ao recorde de 1,66% em 1998.

 Mesmo assim, esta vigarice presidencial, inaugurada por Lula, de achar que o controle da inflação foi uma conquista exclusiva “destes dez anos”, contraria a própria Dilma em seus primeiros dias de reinado,  ao reconhecer que as bases da estabilidade econômica foram plantadas por Fernando Henrique. Coube ao Lula, devidamente orientado por Antonio Palocci,  dar continuidade ao vinha dando certo e produzindo resultados benéficos para os brasileiros.

Dilma sabe que, no fundo, principalmente em encontros partidários, fazer afagos ao sentimento de roubo da história que   os petistas adoram alimentar. Mas sabe, também, que quem tirou o país do buraco, dando à sua economia uma gestão de modernidade, com reformas profundas e sem temer o custo político que teve que pagar, foi FHC. Como, ainda, conhece bem as ações terroristas praticados pelo PT oposição, quando jamais estendeu a mão para ninguém, e nunca mediu esforços para sabotar todos os governantes que o antecederam no poder. 

Dilma pode mentir à vontade para seus correligionários, pode deturpar os fatos e distorcer a história a exaustão. Afinal, encontra-se entre iguais. Mas pode sequer pretender que o restante do país pratique um apagão mental e enterre as verdades de quem fez o quê.  Há quem acredite na mistificação, mas nem todos são tolos e idiotas como ela desejaria e seus partidários políticos tentam imaginar. 

 Elevando pouco ou muito a taxa Selic, o fato que a inflação está aí, aos olhos de todo mundo. Não adianta a dona Dilma espernear  porque a imprensa noticia e os analistas criticam a atuação do governo diante do problema. Este discurso vazio e desconectado com a realidade não fará os preços caírem e a inflação sumir por encanto.  Um governante deve enfrentar os problemas com desprendimento, e não com miopia ou criticando aqueles que lhes apontam os erros. 

Portanto, dona Dilma chega de conversa mole: faça o que deve ser feito, mas faça certo, do contrário, não adiantar  esbravejar contra as críticas. Elas vão acontecer se o governo ou for omisso, ou adotar medidas sem produzir os resultados desejados. E, por favor, converse com os economistas que a cercam: a estabilidade econômica não se restringe apenas em controlar a inflação conforme foi dito em seu discurso, ok?