O Globo
Após irem às ruas de La Paz em protesto, empresários da comunicação e jornalistas bolivianos obtiveram nesta terça-feira algumas pequenas concessões do governo Evo Morales, mas não conseguiram derrubar os artigos mais polêmicos do projeto de lei que prevê o fechamento de veículos que divulguem mensagens racistas.
Morales, que ao mesmo tempo enfrenta pressão de diversas organizações sociais e de direitos humanos favoráveis à nova lei antirracismo, aceitou que fosse retirada uma menção direta aos jornalistas como potenciais responsáveis pelo racismo, mas manteve duras punições aos meios de comunicação.
Os já chamados pela imprensa boliviana de 'artigos mordaça' preveem, entre outras punições, sanção econômica e suspensão de licenças de meios de comunicação por veicularem conteúdos racistas e discriminadores.
Pela nova redação da lei, em vez da menção aos jornalistas fica expresso que "nenhum cidadão poderá alegar imunidade nem fórum (privilegiado) algum" contra as acusações de racismo.
- Não se pôde obter um acordo sobre esse tema, nem modificar sequer o artigo respectivo, porque as organizações que ajudaram, alentaram e elaboraram essa norma legal se opõem e ameaçam se mobilizar - disse o porta-voz governamental Iván Canelas.
