Ricardo Setti, Veja online
O governo vai burramente enxugar gelo com a política de utilizar o Fundo Soberano – teoricamente um capital amealhado para fazer investimentos no exterior – para comprar dólares, visando deter a queda do valor da moeda americana, e consequentemente tentar brecar a valorização do real.
Real valorizado, sabemos, encarece as exportações brasileiras e causa problemas à balança comercial.
A política de usar o Fundo Soberano é burra – além de constituir um desvio nas finalidades do Fundo – porque o Fed, o Banco Central americano, acaba de anunciar que passará a adotar “medidas de flexibilização monetária” para fazer frente ao modesto crescimento da economia dos Estados Unidos.
Por “medidas de flexibilização monetária” entenda-se a emissão de títulos públicos para captar dólares – provavelmente centenas de bilhões de dólares – a serem injetados na economia do país mais rico do mundo.
Essa injeção se refletirá nos parceiros comerciais dos EUA, como o Brasil, que já é alvo de uma enxurrada de dólares, razão da contínua desvalorização da moeda americana e da alta do real.
O caixa do Fundo Soberano – equivalente a 18 bilhões de dólares – não vai adiantar nada diante desse cenário.
Por comparação, vou mostrar em outro post o que faz um pequeno, mas rico país, a Noruega, com seu Fundo Soberano.
