Adelson Elias Vasconcellos
As companhias TAM e GOL, juntas, encerraram 2011 com um prejuízo recorde de 1 bilhão de reais. Não é pouca coisa, a tal ponto que a GOL já reduziu número de voos e agora também está reduzindo seu quadro de pessoal.
Na raiz deste prejuízo está um dos maiores absurdos que vi cometerem no Brasil. A interferência estúpida de um governo em uma atividade totalmente privada. E uma interferência, ATENÇÃO para o detalhe, em que apenas ele, o governo, é quem lucra. Dentro desta ótica criminosa instalada pelo PT desde chegou ao poder, primeiro trataram de destruir a VARIG, e até hoje este mesmo governo não pagou um centavo da fortuna a que foi condenado na Justiça a pagar para aquela companhia. O valor corrigido, hoje, deve girar em torno de 7 a 9 bilhões de reais. A dívida que derrubou a empresa era metade disto. Contudo, havia dentro do poder a estratégia de liquidar as empresas e empresários que não se ajustassem ao novo modelo de relações entre o governo petista e a iniciativa privada.
A forma como o governo Lula provocou, primeiro, a falência da própria VARIG e, segundo, aquele vergonhoso leilão de cartas marcadas, é um destes crimes que mereceria por na cadeia o governo Lula em peso, em razão das manobras espúrias com que se portaram na questão.
Obtido o intento de quebrar a maior referência brasileira de qualidade de serviços no mundo, tratou-se de entregar quase o monopólio total da aviação comercial brasileira nas mãos da TAM e da GOL, mas como uma condicionante: redução dos preços das passagens aéreas abaixo do custo. Durante anos, as duas, mas principalmente a GOL, praticaram uma competição absolutamente predatória, afastando o crescimento de outros concorrentes, mas se autodestruindo lentamente. O prejuízo de agora é apenas uma consequência deste processo.
Esta condicionante tinha um objetivo: fazer com que o número de passageiros aumentasse de forma astronômica, porque isto interessava à propaganda do partido. E isto só foi possível porque o governo interferiu de maneira também criminosa nos órgãos de fiscalização e controle. Não falo apenas da ANAC, mas de todo o sistema.
A anarquia que ainda hoje o país assiste estupefato, o verdadeiro descalabro que os brasileiros precisam enfrentar em diferentes aeroportos do país, tudo é resultado desta política cafajeste implementada pelo governo Lula e cujo mentor principal chama-se José Dirceu, e que a atual presidente Dilma Rousseff apenas deu seguimento e aprofundou.
Até pode ser que a GOL venha receber um cachê pela contribuição que deu à propaganda do partido. Mas não me surpreenderia que ela fosse deixada de lado como um produto descartável. Mas, não há dúvida, está pagando caro por ter se alinhado à escória política que comanda o país. E o que é pior, quem acabará sofrendo ainda mais será o distinto público, pela redução no número de voos e a depreciação na qualidade do serviço prestado pela companhia que, aliás, nunca foi dos melhores.
O que se noticiou recentemente sobre as tais lanchas do Ministério da Pesca em que, depois de assinado, o PT exigiu a retribuição do “favor” na forma de doação ao partido, e que o próprio empresário achacado confirmou, é apenas uma pequena amostragem de como o petismo interfere na vida empresarial do país.
Em todos os governos pelos quais passaram e passam, seja federal, estaduais e municipais o método segue rigorosamente o mesmo roteiro. Concedem-se favores especiais em contratos com o governo da hora, para a contrapartida ao caixa do partido em forma de doação mas que, na verdade, nada mais do que é o pedágio ou “taxa sucesso” a que as empresas se submetem. Se a gente observar bem as centenas de escândalos protagonizados pelos governos petistas, em todos os níveis, vai identificar sempre esta rotina. E o mais interessante é que a Polícia Federal só reúnem provas contra os adversários do partido. Já as mutretas dos companheiros só surgem por conta de parte da imprensa independente que ainda resta...
A seguir a o texto da Mariana Barbosa, Folha online. Volto para concluir.:
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Gol demite 131 pilotos e comissários em ajuste de operação
Como parte do já anunciado processo de reestruturação, a Gol está demitindo nesta segunda-feira 131 tripulantes (86 pilotos e 45 comissários).
As demissões estão acontecendo em um hotel situado nas proximidades do aeroporto de Congonhas.
Os cortes se somam a outros desligamentos realizados por meio de licenças não remuneradas (46) e demissões voluntárias (28). No total, 205 tripulantes (pilotos e comissários) devem deixar ou se afastar da empresa.
Depois de registrar um prejuízo de R$ 710 milhões no ano passado, a Gol está ajustando a sua operação para um cenário de crescimento menor. Além das demissões, a empresa reduziu a sua malha diária de voos domésticos em 80 a 100 voos, de um total de 900 voos.
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CONCLUSÃO:
Além da competição predatória, a falta de critérios para a fixação de tarifas é um espanto. Neste final de semana, TAM e GOL mais uma vez estão oferecendo passagens com tarifas abaixo do custo, apesar do enorme prejuízo em 2011, e da GOL já ter cortado pessoal e deixado de atender alguns trechos no país.
Esta falta de critério na exploração dos clientes, que atinge níveis absurdos na aviação civil, pode ser constatada neste exemplo: quem mora no Rio e quiser passar o feriadão do Dia do Trabalho em Ilhéus (BA), a 1.002km de distância, terá de pagar à TAM R$ 3.732,52 por passagem ida e volta, mas só se quiser retornar às 9h45. Para voltar às 16h58, o preço sobe a R$ 4.486,52. No mesmo período, paga-se um pouco menos pela passagem Rio-Paris, ida e volta (R$ 3.727,50), ou menos da metade (R$ 1.714,47) Brasília-Miami.
Muito boazinha com empresas aéreas, a Agencia Nacional de Aviação Civil diz que “paga quem quer” no atual regime de “liberdade tarifária”.
O Procon lava as mãos, abandonando o consumidor, e informa que cabe à Anac fiscalizar a exploração sem limites das empresas aéreas.
Altos preços revelam a necessidade de abrir novas linhas para outras empresas, mas a mão amiga da Anac (leia-se governo petista) garante o mercado para a TAM.
Uma coisa é certa: este filme não terminará bem. E adivinhem quem pagará pelo prejuízo?