domingo, abril 15, 2012

Repsol: Espanha convoca embaixador argentino no país


DO ‘EL PAÍS’

Em meio a rumor de expropriação da petrolífera, governo espanhol eleva tom e busca apoio de EUA contra Cristina Kirchner

JAVIER SORIANO / AFP
Garcia-Margallo falou à imprensa na sexta-feira, 
logo após reunião com embaixador argentino

MADRI — O governo da Espanha aumentou ontem o tom em relação à Argentina, ante a ameaça de expropriação e nacionalização das ações da petrolífera espanhola Repsol na argentina YPF. Depois de se reunir por 45 minutos com embaixador argentino em Madri, Carlo Antonio Bettini, o ministro espanhol de Relações Exteriores, José Manuel García-Margallo, afirmou que “qualquer agressão contra a Repsol, violando os princípios de segurança jurídica, será considerada como uma agressão ao governo espanhol, que tomará as medidas que considerar oportunas”.

Para isso, Madri está reunindo “o apoio de seus sócios e aliados”. O chanceler não quis detalhar quais seriam as medidas, sob o argumento de que ainda acredita em uma solução negociada a partir “do diálogo", mas reconheceu que o governo já as está estudando.

— O pior dos cenários seria uma ruptura, e não apenas em termos econômicos, das relações fraternais que os dois países mantêm há décadas — alertou.

Seguindo a mesma estratégia de Margallo, a vice-presidente, Soraya Sáenz de Santamaría, foi contundente quando perguntada sobre quais medidas poderiam ser adotadas pelo Executivo:

— As medidas não são anunciadas, são adotadas.

UE oficializa apoio ao governo da Espanha
Desde janeiro, a Argentina ataca a Repsol-YPF, alegando que a companhia não investiu o suficiente no país para aumentar a produção. Em cinco províncias, os contratos com a empresa foram rescindidos.

Madri ativou todos os canais diplomáticos para exercer pressão sobre Buenos Aires. Segundo Margallo, o assunto foi abordado com o governo americano — por meio do embaixador do país em Madri, Alan Solomont, e do Departamento de Estado —, com a chanceler mexicana — já que o México ocupa atualmente a presidência do G-20 —, com a Colômbia — país anfitrião da Cúpula das Américas —, e com a União Europeia (UE). Em resposta ao pedido espanhol, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, telefonou à presidente argentina, Cristina Kirchner, e afirmou que o bloco está ao lado da Espanha.

Ainda que Margallo tenha destacado que, segundo as informações que tem, o Parlamento argentino ainda não recebeu o projeto de lei de expropriação da petrolífera espanhola que teria sido elaborado pela Casa Rosada, o governo da Espanha está muito pessimista. Fontes diplomáticas afirmam que a decisão já está tomada e que uma desavença entre as províncias e o governo argentino atrasou a oficialização da iniciativa.

A decisão de convocar o embaixador argentino em Madri na sede do Ministério de Relações Exteriores, em vez telefonar a seu homólogo, e o fato de Margallo ter sido acompanhado por dois secretários de Estado — o de Iberoamérica, Jesús Garcia, e o de Assuntos Exteriores, Gonzalo de Benito — mostra que seu objetivo não era apenas conseguir informações, como justificou, mas ressaltar a gravidade do momento nas relações entre os dois países.

Em meio à crise, as ações da Repsol, dona de 57% da YPF, fecharam com uma aqueda de 2,73% na Bolsa de Madri. Em Buenos Aires, as ações da YPF fecharam em baixa de 3,3%, enquanto os papéis da companhia na Bolsa de Nova York caíram 4,3%.