Interessantíssimo o texto a seguir da jornalista Ateneia Feijó, postado no Blog do Noblat. Vale leitura, reflexão e comentário que faremos no post seguinte.
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O Rio de Janeiro continua lindo e contraditório; parte deste Brasil diverso: país de talentosos do bem e dos malfeitos, de prevaricações e atos de corrupção. De encenações incríveis. E do subornador convencidíssimo de estar certo. Quer dizer, tudo “normal”!
Não dá para rir nem perder tempo a chorar. Então por que falar disso? Gente, daqui a dois meses e meio o Brasil vai sediar a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20.
Em Londres, na semana passada, realizou-se o último grande evento ambiental global (batizado de Planeta sob Pressão) preparativo para a conferência. O tema central? A urbanização do mundo. Enviada especial, Roberta Jansen fez uma série de matérias de lá, para O Globo.
Segundo a ONU, em menos de quatro décadas haverá 9 bilhões de pessoas no planeta, sendo que 6,3 bilhões se concentrarão nas cidades. Uma das maiores preocupações dos cientistas é encontrar uma “fórmula” de desenvolvimento socioeconômico-ambiental, a tempo de viabilizar centros urbanos sustentáveis. Sem caos e sem miséria.
Ou seja, a reestruturação das cidades estará em pauta na Rio +20. Isso quer dizer que, da mesma maneira que se tornou impensável desmatar florestas para expansão de fronteira agrícola ou empreendimento industrial, torna-se impensável também qualquer obra urbana sem dimensionar o comprometimento futuro da qualidade de vida de seus habitantes.
Urbanistas e profissionais especializados têm se dedicado a estudos e práticas que resolvam problemas ligados a água, comida, esgoto, lixo, energia, transporte etc. Mas eles sabem que precisam da participação popular, a qual passa por outras questões: educação, saúde... Política! Consciência de desperdício e de desastres previsíveis, entre outras coisas.
Há quem se queixe da tendência da Rio +20 não se voltar para temas recorrentes como clima e biodiversidade. Parece-me que, devido à urgência de uma tomada de posição, não se quer perder tempo com brigas passadas. Há pressa para discutir novas propostas, projetar soluções para a crise mundial à porta.
A redução das emissões de CO2, por exemplo, tem a ver com as cidades e estilo de viver. Ah, sim. No Brasil, questões como urbanismo, infraestrutura, engenharia, burocracia e custos fazem (ou deveriam fazer) parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De preferência, digeridas normalmente... Sem risco de corrupção à mesa.