Texto de Lucas Vettorazzo, para a Folha Online, traz-nos aquelas pérolas só possíveis de serem produzidas no Brasil. Comentaremos depois.
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A ata de reunião do conselho consultivo do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) realizada em agosto de 2011 mostra que o grupo se opunha à reforma do Maracanã, classificada pelo relator do encontro como um "crime".
Na ata, o conselheiro Nestor Goulart Reis argumenta que o tombamento do Maracanã impede obras de demolição. Seriam permitidas, segundo ele, apenas obras de restauração e conservação.
Mesmo com a opinião contrária de seu conselho, o projeto de reforma do estádio, palco da final da Copa-14, foi aprovado pelo órgão.
A ata foi requisitada pelo Ministério Público Federal à Justiça, para constar em uma ação civil pública na qual o órgão questiona a demolição.
"Destruir obras tombadas é crime, e todos que participam disso são responsáveis criminalmente", afirmou Reis na reunião, segundo a ata.
Em nota, o Iphan afirma que o conselho é "órgão consultivo e os conselheiros reconhecem não caber ao conselho deliberar sobre intervenções em bens tombados".
De acordo com a nota, na reunião, os conselheiros "apenas manifestaram suas opiniões quanto à posição assumida pela superintendência do Iphan no Rio na modernização do Maracanã".
O estádio é tombado pelo Iphan desde 2000. O principal ponto de divergência é a demolição da marquise. Para conselheiros, isso descaracterizaria o Maracanã, posição compartilhada pelo Ministério Público Federal.
Angular Fotografias Aéreas-2.abr.2012
Imagem aérea mostra obras do Maracanã
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Alguns destes geniais conselheiros do IPHAN, o senhor Nestor Goulart Reis, especificamente, se deu ao trabalho de avaliar as razões que recomendaram a demolição da marquise do Maracanã? Garanto que não. Poderia ter consultado, por exemplo, os engenheiros da empreiteira resposável pela obra ou pelo projeto. Saberia, por exemplo, que ou se demolia a marquisde ou ela desabaria sobre as cabeças dos torcedores.
Uma das grandes mancadas do Estado, através destas secretarias e institutos ditos de “preservação do patrimônio” é a sua total incompetência e negligência. Se tal ou qual obra, prédio ou seja lá qual for a construção, é tombada como patrimônio histórico, deveria o Estado assumir os custos de manutenção e conservação. E isto não acontece.
Np casp específico do Maracanã, o mais aconselhável seria a demolição total e, no local, a construção de uma moderno polidesportiva com muito maior retorno à própria cidade.
E agora, pretende o que o Ministério Público, embarcar a reforma e mandar repor a marquise? Há limites para tudo, até para ser ridículo.
