Alguns meios de comunicação, na tentativa de se mostrarem transparentes, espalham a falsa impressão de que a CPI do Cachoeira, que a turma do Petê pretende usar como “CPI da Veja”, além de servir de trampolim para a implantação da censura à imprensa, no fundo, não passam de alarmes falsos. Que tudo o que PT pretende é bem da sociedade, a divulgação da verdade toda sobre todos, e de que tudo que gravitaciona em torno da CPI está justo e perfeito. Fala sério!
Ocorre que, a começar pelo poderoso chefão do PT, a CPI é apenas um pretexto para ações de pura vingança pessoal, além de servir de blindagem aos mensaleiros que serão julgados pelo STF – se o ministro Lewandovski se dispuser a trabalhar, é claro. E tais propósitos ele os diz abertamente, sem subterfúgios.
Ora, fica claro que parte da turma que vai atuar na CPI, já chega com propósitos escusos, más intenções e totalmente desviadas do foco investigativo principal. Se necessário, e isto Lula já confessou, manda para o inferno o governador Agnelo Queiroz e dane-se futebol clube! O que ele mais quer é acabar com a oposição ao governo petista, qualquer oposição e em qualquer nível, e substituir o Estado pelo partido que passaria a ser tutor da sociedade, agindo de forma ampla, sem impedimentos legais, institucionais, morais, não se sujeitando, assim, a nenhuma forma de controle e fiscalização. Isto tem nome, tem sobrenome e tem história: é totalitarismo, sem tirar nem por.
O resto que se diga é pura cascata. Podem estes defensores do vale-tudo da CPI, estarem cheios de boas intenções, pensando no bem do país, o quanto seria importante uma faxina ampla, geral e irrestrita. Ocorre que assim é que estão sendo levados a pensar, na tentativa de se encobrir os maus propósitos com que a CPI será conduzida. E eles não têm nada a ver com o bem do país, até pelo contrário: seria uma forma branca e branda de golpe institucional, via os caminhos que a democracia oferece mas, que no fundo, acabará ela própria demolida e subjugada ao autoritarismo pé de chinelo.
Há em torno da CPI toda uma ação orquestrada, planejada em minúcias e que vem sendo urdida há muito tempo. Basta que se saiba que as primeiras escutas feitas pela Polícia Federal tiveram início em 2009 e somente agora, em ano eleitoral e às vésperas do julgamento do mensalão, é que o processo foi detonado e veio à público.
Mas a estratégia quer alcançar não apenas a oposição, mas também o Judiciário e os órgãos de imprensa não genuflexos às vontades do partido. O gigantismo da ação, se bem sucedida, seria um golpe mortal ao estado de direito democrático, gostem ou não os isentos do jornalismo tupiniquim.
Além de romper as barreiras e limites legais, vai se colocar a sociedade como um todo devotada à destruir e até a se insubordinar ao mesmo estado de direito e as instituições que a representam.
Toda a cambada golpista do Petê sonha em ver triunfar o golpe perfeito capaz de calar a voz do pensamento que lhe é contrário e que não admite e se não se submete ao seu esquema criminoso organizado e implementado no poder.
Fiquem certos que esgotofera vai produzir dossiês de calúnias e mentiras visando atingir justamente aqueles independentes que não se dobram ao autoritarismo do partido. Que não silencia diante dos muitos crimes que cometeram e insistem em cometer. Tratarão de espalhar vacinas para que nada contra eles seja dito e divulgado. Atribuirão seus crimes aos adversários como forma dispersiva de se livrarem de acusações.
Se os isentos são capazes de redigirem epítetos e editoriais defendendo justamente a vacina às falanges do mal, também nós, cidadãos independentes, que defendemos apenas a verdade sem pendores ideológicos de nenhum matiz, mas apenas tencionamos manter acesa e a qualquer custo o estado de direito democrático duramente reconquistado, não devemos ter outra decisão a tomar senão a de se exigir a lisura e legalidade nas investigações e a punição exemplar dos culpados, mas sem que com isso se justifique, sob qualquer pretexto, qualquer retrocesso institucional. Isso é ser independente, e não os arremedos ditados de boa intenção, mas que, direta ou indiretamente, defendam que a institucionalidade do país seja arranhada, seja para alcançar com punição às oposições, seja para uma vindita canalha aos que não se dobram à vontade do rei.
Em tempo: que ministro da Justiça é este que, somente após os vazamentos que atingiam o correligionário governador do Distrito Federal, resolveu tomar uma providência? Há mais de trinta dias vazam escutas telefônicas de forma seletiva, dia sim dia também, atingindo políticos da oposição e ele a tudo assiste sem reagir? Quanta hipocrisia – para não qualificar de coisa pior -, quanta parcialidade, quanto uso descarado do aparelho do Estado para fins políticos partidários? O senhor Cardozo não é ministro do PT, mas sim ministro de ESTADO, e deveria, portanto, comportar-se com um mínimo de decoro e com o máximo de senso republicano!!!
É bom o PT e seus dirigentes terem em mente que não se pode flertar com formas autoritárias de poder, sob pena e risco de serem engolidos de forma miserável pela vontade popular. O país pode até estar adormecido, mas não está morto. E não se renderá nem venderá sua alma ao diabo, por mais colorido que ele pareça ser.
