Janaína Figueiredo
O Globo
Lista de inimigos da Era Kirchner inclui credores externos, FMI e a Grã- Bretanha
BUENOS AIRES — Desde que a família Kirchner assumiu o poder na Argentina, em 2003, a Casa Rosada protagonizou uma série de disputas, tendo como inimigos internacionais o FMI, os credores externos do país e o governo da Grã-Bretanha. Na esfera nacional, brigou com produtores rurais, meios de comunicação, empresas como Shell e Tenaris (grupo que, no Brasil, é dono da Confab) e agora a Repsol-YPF. Alguns conflitos provocam prejuízos milionários à economia, entre eles a disputa com os produtores rurais, em 2008. O setor se rebelou contra a alta dos impostos sobre exportações de grãos e, por quatro meses, bloqueou estradas.
Em seu primeiro ano de governo, 2008, Cristina foi derrotada numa votação no Congresso e, segundo fontes, ela e seu marido e antecessor, Néstor Kichner, pensaram em abandonar o poder — já que, para eles, cada batalha era parte de uma guerra maior, contra interesses que buscavam desestabilizar um projeto nacional e popular de governo.
Não é a primeira vez que o governo estatiza uma empresa controlada por capitais espanhóis. Em 2008, a presidente enviou projeto de lei para expropriar a Aerolineas Argentinas, aérea do grupo espanhol Marsans. O Congresso deu sinal verde, e os espanhóis recorreram à Justiça, onde o caso continua aberto.
Em 2009, por recomendação do atual vice-presidente, Amado Boudou, o governo reestatizou os fundos privados de aposentadoria, que na época somavam em torno de US$ 30 bilhões.
No governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), o Executivo reestatizou o Correio Argentino (controlado por um grupo nacional) e o serviço de água do país (concessão que pertencia ao francês Suez e ao espanhol Aguas de Barcelona). Ambas as companhias, como a Repsol-YPF e a Aerolíneas, foram privatizadas por Carlos Menem (1989-1999). Na época, Kirchner era governador de Santa Cruz e respaldou as privatizações, sobretudo a da YPF.