terça-feira, abril 17, 2012

Economistas argentinos criticam medida do governo


Valéria Maniero  
O Globo

A expropriação da empresa YPF, controlada pela espanhola Repsol, por parte do governo argentino é uma medida populista e não resolve o problema energético do país, segundo Mariano Lamothe, economista-chefe da consultoria Abeceb.

Ele diz que a decisão, apesar de esperada, traz incertezas para o ambiente de negócios. Lembra também que a capacidade de gestão do governo à frente de empresas públicas não é boa.

Lamothe nega, entretanto, que o país esteja seguindo os passos da Venezuela, que vem tomando medidas equivocadas no campo econômico, dizendo que na Argentina a prática (expropriação) seria mais "seletiva".

Fausto Spotorno, da consultoria Orlando Ferreres e Associados, também desaprova a ação do governo. Ele acha que Cristina Kirchner tomou uma má decisão que, além de tudo, prejudica a imagem do país na hora de atrair outros investimentos.

- É certo que faltavam investimentos, mas também é certo que isso se deu por conta do marco regulatório, que não era bom e afastou investimentos de todas as empresas petrolíferas. Nesse contexto, os ganhos da YPF eram insuficientes para os investimentos necessários - diz ele.

Na opinião do economista, o país ganhou dois problemas:

- O primeiro é que será difícil aumentar o investimento da companhia e ainda que o Estado colocasse dinheiro para isso teria que ver se seria rentável, porque o preço do gás e do petróleo aqui está bem abaixo do preço internacional. Se não conseguir fazer a YPF funcionar bem, a Argentina perderá duas vezes - afirma.

Segundo o informe "Panorama de investimento espanhol na América Latina", publicado em fevereiro pelo IE Business School, escola de negócios de Madri, a insegurança jurídica para os negócios era uma das principais ameaças para os investimentos na Argentina. Por outro lado, o principal ponto forte era o mercado interno "interessante", de acordo com as empresas espanholas consultadas.