Valéria Maniero
O Globo
A produção industrial este ano parece estar numa gangorra. O que se vê até agora é um sobe e desce, uma falta de regularidade que impressiona, como mostra o gráfico abaixo. Em janeiro, o setor teve crescimento de 2,7%; em fevereiro, queda de 2,3%; em março e abril, alta de 0,8% e 1,9%, respectivamente; em maio, recuo de 2%, como o IBGE divulgou hoje. Uma inconstância só.
Essa queda tão forte em maio não era esperada pelo mercado, que achava que a produção encolheria em torno de 1%, mas acabou vindo pior do que a mais pessimista das previsões (-1,7%).
E as más notícias não param por aí. O IBGE mostrou, por exemplo, que a queda é generalizada. O economista Rafael Baccioti, da Tendências, explicou ao blog que o índice de difusão, que indica o percentual de atividades que tiveram aumento na produção, diminuiu bastante entre abril e maio, de 63% para 22,2%.
- Isso mostra que a redução da produção industrial em maio foi disseminada entre grande parte dos setores de atividade. As principais contribuições negativas partiram da produção de alimentos, máquinas e equipamentos e veículos automotores - diz o economista.
Mariana Hauer, do banco ABC Brasil, chamou atenção para outro ponto importante: a queda de 3,5% da produção de bens de capital, ou seja, de máquinas e equipamentos, que representam investimento. Depois de quatro meses em alta, esse importante indicador teve queda expressiva. Todas as outras categorias de uso também encolheram, como foi o caso de bens de consumo duráveis (-1,2%); bens intermediários (-1,1%) e bens de consumo semi e não duráveis (-1%).
- Mais uma vez, os dados mostram que a situação da atividade industrial ainda é delicada. As quedas não se mostraram concentradas em nenhum setor e foram generalizadas. O crescimento da atividade industrial carece de força e encontra-se oscilando, ainda, próximas aos mesmos níveis, sem mostrar tendência - diz Mariana Hauer, do banco ABC Brasil.
Para o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, os dados da indústria foram decepcionantes e indicam um PIB fraco este ano. Ele estima crescimento de apenas 2,1% em 2013, abaixo das previsões do mercado.
Em nota enviada ao blog, a consultoria LCA diz que o quadro de recuperação irregular e gradual da produção industrial persiste:
- Essa expectativa é reforçada pelos recentes sinais de crescimento mais contido da economia e comércio mundial e o aumento das incertezas no cenário doméstico, com a escalada de manifestações sociais em todo o país - diz.
