O Globo
Aaron Alexis estava para começar a trabalhar ali depois de um período no Japão a serviço da empresa ‘The Experts’
As vítimas têm entre 46 e 73 anos, de acordo com a polícia. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas
SAUL LOEB / AFP
Pessoas deixam um prédio de Washington com
as mãos para o alto após o ataque à base da Marinha
WASHINGTON - Acusado de matar 12 pessoas no mais recente episódio de assassinatos em massa nos Estados Unidos, Aaron Alexis trabalhava para a empresa Hewlett-Packard como terceirizado da companhia The Experts, na intranet (rede interna) da Marinha. E apesar do complexo em Washington ser um dos locais mais bem guardados da capital americana - a alguns quarteirões do Congresso e da Casa Branca -, o executivo-chefe da The Experts, Thomas Hoshko, admitiu que ele tinha credenciais de acesso ao local, já que estava para começar a trabalhar ali depois de um período no Japão também a serviço da companhia. As vítimas têm entre 46 e 73 anos, de acordo com a polícia. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas.
- Ele tinha um cartão de acesso comum - contou Hoshko, que não soube confirmar quando Alexis começaria a trabalhar no local.
O prédio onde ocorreu o ataque só pode ser acessado depois de uma dupla verificação de identidade, disse uma fonte da Marinha à Reuters. Militares geralmente não podem andar com armas em instalações administrativas das Forças Armadas americanas, mas a maioria das pessoas que têm as credenciais de acesso em ordem dificilmente é revistada.
Durante todo o dia houve rumores de que outra pessoa teria agido no ataque e um segundo suspeito era caçado, mas, à noite, policiais já admitiam à CNN e ao jornal "USA Today" que Aaron Alexis provavelmente agiu sozinho. Os investigadores não encontraram nenhuma evidência de um segundo suspeito no tiroteio.
- Continuamos a perseguir a possibilidade de haver outro atirador, mas não temos qualquer prova, qualquer indicação, nesta fase de que havia um outro atirador - disse o prefeito de Washington, Vincent Gray.
Segundo a chefe da polícia de Washington, Cathy Lanier, avança a hipótese de que Aaron agiu sozinho.
- Avança a hipótese de que temos apenas uma pessoa como responsável pela perda de vidas na base. Mas se algo mudar durante a investigação, sem dúvida colocaremos à disposição do público.
Pouco depois do ataque, o presidente Barack Obama condenou o ocorrido. Mas a breve declaração sobre o ataque não incluiu qualquer menção à defesa de um controle mais rigoroso do comércio de armas nos EUA, causa abraçada pelo presidente americano após o massacre de 26 pessoas na escola primária de Sandy Hook, em dezembro. Em abril, uma proposta de restrição ao uso de armas incentivada pelo Executivo saiu derrotada do Legislativo.
- Vamos fazer tudo que estiver a nosso alcance para garantir que quem quer que tenha feito isso seja responsabilizado - afirmou, na manhã de segunda-feira.
Cabo da Marinha até 2011
Alexis também foi cabo da Marinha, onde trabalhou como eletricista de aviação entre 2007 e 2011. Chegou a ser condecorado com uma medalha relativa ao combate ao terrorismo - mas foi dispensado devido a um “padrão de má conduta”, disse um militar à CNN, sob condição de anonimato.
Segundo policiais ouvidos pelo “New York Times”, foram encontradas três armas com Alexis: um fuzil AR-15, um rifle de caça e uma pistola semiautomática. Já no fim da noite, o vice-almirante Bill French disse à imprensa que todas as vítimas eram civis. A maioria tomava café da manhã em uma lanchonete quando foi alvejada.
O ataque aconteceu por volta das 8h20m locais (9h20m de Brasília) e deixou a capital americana paralisada. Escolas foram esvaziadas; ruas, bloqueadas; e voos, suspensos; o prédio do Senado foi fechado e o jogo do time de beisebol local, o Washington Nationals, foi cancelado.
No prédio do Comando de Sistemas Navais Marítimos, palco do crime, os três mil funcionários se viram obrigados a conciliar o medo diante do que ocorria e a atenção para se proteger do ataque. Foi o caso de Gregory Dade, funcionário terceirizado da Marinha que se trancou num escritório enquanto ouvia, durante 45 minutos, tiros sendo disparados. Só por volta das 11h abriu a porta e recebeu instruções para deixar o lugar. Na saída do prédio, viu uma trilha de sangue no chão.
- Você lê as notícias, vê os filmes, mas nunca acredita que algo assim pode acontecer - desabafou Dade ao “Washington Post”.
