segunda-feira, outubro 25, 2010

Batráquio colérico

Ralph J. Hofmann, Opinião Livre

Já vimos lula o encantador das massas, lula-paz-e-amor, lula o didático explicando que a terra não era quadrada, lula o guru da economia internacional, lula o papai-noel dos países devedores, lula o candidato a secretário geral da ONU, lula o pretendente a Prêmio Nobel da Paz, e certamente daqui a dois anos veremos lula o postulante a uma cadeira de imortal na ABL baseado em seus discursos publicados em forma de sebenta.

O atual Lula me lembra um amigo do meu filho caçula. Na época ele tinha uns 16 anos. Houve uma festa sem que supervisão adulta, no condomínio, deste menino.

O dono da festa saiu do salão de festas para a garagem. Empolgado, talvez ébrio, decidiu passar alguma porcaria no pára-brisa de um Volkswagen que estava estacionado ali.

Um pouco depois de fazer isto sentiu que não era o suficiente e arrancou o distintivo da marca e causou mais alguns danos.

Quando o dono do carro chegou, viu seu Volkswagen, peça histórica de único dono, com mais de trinta anos de serviços prestados, em estado de novo agora enxovalhado.

Furioso/ abatido investigou e chegou ao fato da festa e dos adolescentes. Procurou os pais do responsável.

O jovem apavorado porque tinha um pai extremamente rigoroso acusou três outros colegas de haver feito a barbaridade.

O pai se responsabilizou pela recuperação e procurou os outros pais para cobrar sua parte. A maioria dos pais se negou a pagar, alegando que seus filhos não tinham culpa (casualmente meu filho que não foi acusado junto com dois dos três acusados havia se retirado minutos antes do evento, sendo buscados por uma das mães).

O menino insistiu que foram os outros, o pai brigou com todo mundo e acreditou no seu filho.

Até ai já é sério, mas apenas um incidente em que um pai ausente mas ríspido não sabe o que se passa em casa. Festa de adolescentes não monitorada, etc.

Mas passou a ser gravíssimo quando uma semana depois, na mesa do cafezinho no shopping center o menino estava na mesa ao lado comentando que barbaridade que os outros acusados haviam massacrado um carro de colecionador, e tinham colocado a culpa nele, que seu pai tivera de pagar, e que agora nunca mais convidaria estes rapazes para nada porque não prestavam.

Ou seja, o menino se convencerá da versão-álibi, enterrara completamente o fato de que ele mesmo cometera a depredação e passava a denegrir a imagem dos outros.

Nas últimas semanas em que lula anda enfurecido acusando o PSDB/DEM de tudo que lhe passa na cabeça, de roubar picolé de criança até auto-agressões, vejo em cada caso como ele se empolga e passa a acreditar no que diz.

Não gagueja, não hesita. Massacra reputações de uma forma tal que fornece amplo material para um belo processo, pois nesses momentos ele não é um presidente.

É um desafeto civil como qualquer outro sem direito a se esconder atrás do cargo.

Sinto até uma relativa pena da Dilma. Não tem o estofo, histrionismo e arte da auto-ilusão do Lula. Friamente repete as acusações sem emoção, com a voz perfeitamente serena.

Está se concentrando no script que repete de memória.

Deve estar com saudades do chimarrão no alpendre da casa do Carlos Araújo.

Deve estar se lembrando dos anos em que a vida era simples, em que corria de um lado para outro com uma pistola na bolsa fugindo do DOPS. Deve estar pensando:

“Eu era feliz e não sabia”.