Blog do Josias de Souza
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Derrotado nas urnas de 2006, quando disputou uma vaga no Senado, o petista José Eduardo Dutra (SE) ganhou nesta segunda-feira (24) um consolo de luxo: assumiu a presidência de uma das subsidiárias mais importantes da Petrobras, a BR Distribuidora. Vai gerir a maior rede de distribuição de combustíveis do país –7.200 postos de espalhados por todos os Estados.
Derrotado nas urnas de 2006, quando disputou uma vaga no Senado, o petista José Eduardo Dutra (SE) ganhou nesta segunda-feira (24) um consolo de luxo: assumiu a presidência de uma das subsidiárias mais importantes da Petrobras, a BR Distribuidora. Vai gerir a maior rede de distribuição de combustíveis do país –7.200 postos de espalhados por todos os Estados.
Com a posse de Dutra, deflagrou-se o processo de fracionamento político da petrolífera brasileira. No caso da BR (faturamento de R$ 48 bilhões em 2006), a disputa arrastava-se desde abril. Nacos da Petrobras vão ao balcão no instante em que o governo empreende no Congresso uma cruzada para renovar, até 2011, a CPMF.
Em seu retorno à empresa, o petista Dutra, que presidira a estatal nos primeiros anos do governo Lula (2003 a 2005), desalojou Maria das Graças Foster, transferida da BR para a diretoria de Gás e Energia, em substituição a Ildo Sauer.
A posse do político Dutra foi aberta e concorrida. A nata política de Sergipe voou para o Rio de Janeiro, onde a Petrobras está assentada. Integraram-se à caravana do presidente da Assembléia Legislativa sergipana, Ulisses Andrade (PSDB), ao governador do Estado, Marcelo Déda (PT).
Já a posse da engenheira química Maria das Graças ocorreu a portas fechadas. Ela não deu entrevistas. Divulgou-se apenas uma nota. Ildo Sauer, desalojado da diretoria de Gás e Energia depois de comandá-la por quatro anos e meio, perdeu o cargo para Maria das Graças num instante em que se encontra em férias. Despediu-se das funções, na semana passada, por meio de uma carta vazada em tom lamurioso.
O balé político imposto à Petrobras terá novos movimentos nos próximos dias. Premiado com Dutra, o PT deve perder a estratégica diretoria de Exploração e Produção, hoje comandada por alguém que traz o símbolo do petismo enganchado no nome: Guilherme Estrela. Na cadeira de Estrela, deve ser acomodado um apadrinhado do PP, Paulo Roberto Costa, hoje diretor de Abastecimento.Com o deslocamento de Paulo Roberto, urdido pelo Planalto a contragosto da cúpula do PP, a diretoria de Abastecimento não ficará às moscas por muito tempo. Deve ser ocupada por Alan Kardek. Momentaneamente alojado na assessoria da presidência da Petrobras, Kardek é o preferido do PTB do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais).
Não é só: na semana passada, no calor da votação, em primeiro turno, da emenda do imposto do cheque, o Planalto conteve uma rebelião da bancada de deputados do PMDB com uma promessa. Assumiu o compromisso de nomear para a diretoria Internacional da Petrobras, ora chefiada por Nestor Cerveró, um protegido da bancada de deputados do PMDB de Minas Gerais, João Augusto Fernandes.
Em meio às mudanças, sobrevive na presidência da Transpetro, fingindo-se de morto, o ex-senador Sérgio Machado (PMDB-CE). Foi plantado ali, ainda nos tempos de vacas gordas, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cujo prestígio está a caminho do brejo.
O rateio político dos cargos da Petrobras é a face mais nefasta das negociações que mantêm, à custa da distribuição de verbas e cargos, a unidade dos partidos associados ao consórcio governista. O organograma da maior estatal brasileira, com negócios em 27 países, é servido na mesa das barganhas, para aplacar o apetite de congressistas que, sob ameaças de rompimento com o governo, estão sempre pleiteando, exigindo, querendo mais e mais.
Um fenômeno que Dutra, o novo presidente da BR Distribuidora, considera normal: "Desde que a Petrobras existe, sempre a presidência, os diretores, têm o respaldo do governo que está governando. E os governos têm apoio de partidos políticos. O atual governo é de coalizão, e não vejo nenhum problema que estes partidos sejam representados na máquina."
Nesse xadrez macabro, o preparo técnico do indicado –e muitos até o tem—importa menos que sua vinculação ao partido patrocinador da indicação. Era assim nos vários governos que precederam o atual. Sob Lula, continua sendo assim. O que move os partidos? Decerto é o patriotismo, o desejo irrefreável de servir ao país.
*** COMENTANDO A NOTICIA: Esta é uma das razões pelas quais petistas foram contrários aos processos de privatização das estatais. Pra eles, era a garantia líquida e certa de contarem sempre com uma boca rica a alimentar a sua sede de poder, e se vê poder vagabundo, dos mais ordinários, porque regado a mamatas com amplos benefícios, sem concurso, sem qualificação, sem precisarem sequer trabalhar, porque o Tesouro, leia-se a sociedade, cobriria os déficits e prejuízos provocados pela má gestão fruto da irresponsabilidade e incompetência endêmicas com que sempre se revestiram.
Para esta “categoria” empresa estatal é só aliciar companheiros, não foi feita para dar lucro muito menos para produzir resultados. Não foi à toa que todas as estatais privatizadas, depois em poder da iniciativa privada, passaram a dar resultados e lucros estupendos, porque geridas com competência, zelo e responsabilidade e por pessoas que lá estavam não para se servirem em proveito próprio, mas sim para cumprirem com a função de gestores com responsabilidade social e empresarial.
Outra coisa por exemplo Hugo Chavez não faz em relação a estatal venezuelana do petróleo. A empresa está afundando cada vez mais, em razão do uso canalha com que o aprendiz de ditador conduz os negócios daquela companhia. E sempre guiado pelo proveito político pessoal.