terça-feira, setembro 25, 2007

Defendendo o indefensável...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Já não era sem tempo que "alguém" fosse publicar alguma coisa do tal Mário Schmitt. No blog Alerta Total (link abaixo), o escritor escroque escreveu um artigo em que “tenta” defender sua “obra prima”. A começar pelo título, “O livro didático que a Globo quer proibir”, trata-se de um emaranhado de argumentos tentando mistificar a realidade dos fatos. Começa auto-proclamando seu texto pornográfico e chulo, como sendo didático. Longe disso conforme se viu pelos trechos já publicados pela imprensa. Continua com a balela de que Kammel, ou a Globo, quer proibir o livro. Parece que o “sábio” não se deu conta do seguinte: primeiro, que ninguém quer proibir coisa alguma, ele pode escrever e mandar publicar as porcarias que entender ou achar melhor. Se ele gosta de mentir para si mesmo, é problema de sua exclusiva falta de consciência. Segundo, ensino é uma coisa séria, e em nome de uma linguagem acessível aos jovens, não se pode, com dinheiro público, reduzir a linguagem à sua expressão de mais baixo nível.

Quer ele goste ou não, sua visão de história é distorcida, e seus argumentos, para se dizer o mínimo, são fajutos e falsos. Mesmo que o conteúdo contemple o leitor com algumas verdades como ele próprio argüiu, e são poucas e raras, isto não pode ser conduzido para uma sala de aula como livro de referência. Indesculpável, também, o mau português, seja no vocabulário ou nos erros gramaticais imperdoáveis para uma obra didática. Quanto ao contexto, a visão é particular, e por ser "polêmica" deveria merecer de parte do MEC uma melhor avaliação. Assim, reunindo-se as mentiras, e são incontáveis, o mau português, a gramática distorcida e jogada no lixo pelo autor, JAMAIS tal livro deveria receber a pecha de “Livro Didático”, muito menos nele ser investido um centavo do dinheiro público.

No Globo online há uma nota sobre o que disse o ministro da Educação sobre o polêmico compêndio de cretinices históricas:

Haddad: 'MEC não pode adotar postura de censor'
Demétrio Weber - O Globo

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu na quarta-feira o sistema de avaliação do livro didático, mas admitiu que cogita tornar pública a lista de obras reprovadas. Hoje a lista é mantida em sigilo. Haddad ressalvou que teme arranhar a imagem dos autores. Ao comentar a distribuição pelo governo do livro "Nova História Crítica" (Editora Nova Geração), que apresenta conceitos maniqueístas sobre socialismo e capitalismo - como mostrou artigo do jornalista Ali Kamel na terça-feira - e ficará fora da lista de compras de 2008, o ministro disse que a avaliação pode conter imperfeições. Mas afirmou que o atual sistema é responsável pela melhoria das obras didáticas no país. Para Haddad, os livros devem suscitar o debate.


Para ficar claro: ninguém está impondo censura à ninguém e nem tampouco à obra alguma. Contudo, o ministro não consegue convencer que ou qias critérios são empregados para seleção de livros didáticos que são capazes de deixarem chegar às mãos das crianças obras que, a rigor, mereceriam o repúdio imediato. Porque o ministro deve reconhecer: a obra do sr. Schimitt é de uma colossal distorção histórica, e inteiramente tratada com um texto de estilo duvidoso, grosseiro, desrespeitoso e sórdido para com fatos e pessoas.

Cabe ao MEC, e disto o ministro não se pode se furtar, ser rigoroso na escolha e nos critérios que balizarão esta escolha, uma vez que se trata de fornecer conhecimentos para quem pela primeira vez tomará conhecimento de fatos e personagens históricas, e não podem ficar indefesas diante da mistificação, sob pena e risco de ter sua educação totalmente distorcida e, deste modo comprometida.

O fato de "professores" escolherem o livro didático para uso como material de referência, está longe de ser um método democrático. Demonstra sim que o MEC está longe de ser o parâmetro condutor do processo de ensino. Quem avaliou os professores para saber que competência técnica tinham para determinar quais livros os alunos deveriam usar? A considerar-se o nível de ensino ter regredido nos últimos doze anos, pois na última avaliação ele tornou-se pior do que era em 1995, já se vê o quanto o MEC anda na contramão de suas funções. Tanto professores quanto alunos devem seguir uma orientação superior, de quem vê o ensino por um linha reta, sejam nos métodos, nos meios e nos currículos, e não unicamente pelos "atalhos" do achismo, quando alguém quer impor sua vontade distorcida e particular sobre o todo.

Deste modo, colocar como livro de referência, "obras" com conteúdo impróprio pela linguagem empregada como pela mistificação dos fatos históricos, é sim empregar um processo de lavagem cerebral. A criança precisa receber uma orientação básica e adequada ao seu entendimento. Mais adiante, de posse das ferramentas próprias, que a escola lhe forneceu, se ela opta por esta ou aquela ideologia, isto será uma escolha sua, pessoal. Mas, antes, ninguém está autorizado a lhe emprestar como ferramenta apenas uma única "versão" dos fatos, e isto não é ensino, como sabemos.

O texto do senhor Mário Schmitt depois tenta atropelar tudo num saco de gatos e, bafejando no suor da delinqüência e da ignorância, beira ao ridículo em tentar desqualificar a crítica, sem contudo, jamais justificar as baboseiras que escreveu. Que ele ame Mao, Fidel, Hitler, Stalin e tantos outros facínoras e assassinos sanguinários, isto é lá problema dele. Mas não tente criar na mente em formação de jovens suas preferências psicopatas. Não tente insuflar uma geração a adotar por regra mental seu desvio psicossomático. A crítica de Kammel se ateve no terreno exclusivamente dos textos desvirtuados de sua realidade. Jamais partiu para o terreno da desqualificação ou da ofensa como Schimitt várias vezes escorregou levianamente em sua abordagem de defesa.

Quanto a qualificação dos professores que escolheram os livros do sr. Schmitt, e dos quais se louva tanto o “sábio”, como o que conta são os resultados, vale o registro acima sobre a qualidade de ensino: não conseguimos em 2006 sermos e termos alunos melhor qualificados do que tínhamos em 1995, e vale dizer, que lá o padrão já era baixo. Portanto, sem querer atacar ninguém, não acredito que esta qualificação de que se gaba tanto o sr Schimitt tenha lá sua validade. Além do que, cada professor deve ater-se à sua especialidade. Quando ao conteúdo geral, para tanto há outros profissionais de ensino, que não apenas os funcionários do MEC, com qualificações muito melhores, teoricamente ao menos, e a quem deveriam confiar a seleção dos tais livros didáticos. Não apenas pela faixa etária de alunos que será atendida, mas também porque o volume de dinheiro público é bastante volumoso para investido em qualquer porcaria que se auto-proclame de livro didático.

Assim, como o MEC já retirou os volumes de sua lista, é de esperar, pelo menos duas coisas: que os tais livros não fiquem sendo distribuídos por debaixo dos panos, o que representaria sim um crime, bem como que seus prejuízos sobre os que já o receberam sejam ínfimos.

Reafirmamos que ensino é coisa séria. Ela deve guiar-se da forma mais republicana possível, pautando-se pela verdade, pela retidão, pela qualificação. Não se lhe pode misturar ‘ideologias políticas, porque neste caso se está diante dos tempos em que fascismo, nazismo, comunismo e outras seitas canalhas padronizavam a “educação” de seus jovens nas fornalhas da lavagem cerebral. E isto tem um nome, e não é educação.

Para quem quer se deliciar sobre as bandalheiras do Mário Schimitt em sua auto-defesa, o link é este aqui.